REsp 2172805 - ACORDAO
A vedação prevista na Lei Orgânica da Defensoria Pública do Paraná constitui matéria de direito local, cuja análise é vedada ao STJ nos autos de recurso especial (Súmula 280/STF), e o Tema n. 1.002/STF, por vincular, deve ser aplicado sem distinção baseada em legislação estadual que proíba o recebimento de...
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- Parties
- Agravante: ESTADO DO PARANÁ
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 June 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Recurso Especial / Decisão Colegiada (sessão Virtual Da Segunda Turma)
- Outcome
- Agravo interno desprovido
- Legal Topics
- Honorários Sucumbenciais, Defensoria Pública, Tema N. 1.002/stf, Súmula N. 280/stf, Distinguishing, Autonomia Da Defensoria Pública, Efeito Vinculante
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Parties
ESTADO DO PARANÁ
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Recurso Especial / Decisão Colegiada (sessão Virtual Da Segunda Turma)
Legal Issues
- 1 Aplicação do Tema n. 1.002/STF aos honorários sucumbenciais em favor da Defensoria Pública
- 2 Incidência da Súmula n. 280 do STF sobre matéria de direito local (norma estadual)
- 3 Possibilidade de distinguishing perante norma estadual que veda o recebimento de honorários pela Defensoria Pública
Ratio Decidendi
A vedação prevista na Lei Orgânica da Defensoria Pública do Paraná constitui matéria de direito local, cuja análise é vedada ao STJ nos autos de recurso especial (Súmula 280/STF), e o Tema n. 1.002/STF, por vincular, deve ser aplicado sem distinção baseada em legislação estadual que proíba o recebimento de honorários, razão pela qual o agravo interno foi desprovido.
Court Disposition
Agravo interno desprovido
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 22/05/2025 a 28/05/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Maria Thereza de Assis Moura, Marco Aurélio Bellizze e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS EM FAVOR DA DEFENSORIA PÚBLICA. APLICAÇÃO DO TEMA N. 1.002/STF. LEI ORGÂNICA DA DEFENSORIA PÚBLICA DO PARANÁ. MATÉRIA DE DIREITO LOCAL. SÚMULA N. 280 DO STF. DISTINGUISHING INAPLICÁVEL. AUTONOMIA DA DEFENSORIA PÚBLICA. PRECEDENTE VINCULANTE. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A vedação ao recebimento de honorários advocatícios pela Defensoria Pública, prevista na Lei Orgânica da Defensoria Pública do Paraná (LC Estadual 136/2011), constitui matéria de direito local, cuja análise é vedada ao STJ em sede de recurso especial, conforme Súmula n. 280 do STF. 2. O Tema n. 1.002 da repercussão geral do Supremo Tribunal Federal não estabelece distinção baseada em legislações estaduais que proíbam o recebimento de honorários pela Defensoria Pública, prevalecendo o entendimento de que a autonomia da Defensoria Pública deve ser garantida, inclusive no custeio de suas atividades por meio de honorários sucumbenciais. 3. A existência de norma estadual em sentido contrário não configura elemento fático ou jurídico capaz de justificar a não aplicação do precedente, pois o entendimento do Supremo Tribunal Federal possui efeito vinculante e prevalece sobre as regulações locais. 4. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto pelo ESTADO DO PARANÁ contra a decisão de minha relatoria que conheceu do agravo para dar provimento ao recurso especial, conforme ementa a seguir transcrita (fls. 489-491): AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS EM FAVOR DA DEFENSORIA PÚBLICA. APLICAÇÃO DO TEMA N. 1.002 DA REPERCUSSÃO GERAL DO STF. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. No presente agravo interno, a parte agravante, em síntese, argumenta que a decisão monocrática incorreu em erro ao aplicar o Tema n. 1.002 da repercussão geral do STF, pois há vedação expressa na Lei Orgânica da Defensoria do Paraná (LC Estadual 136/2011) quanto ao recebimento de honorários advocatícios pela Defensoria Pública quando atua contra a pessoa jurídica de direito público à qual pertence. Sustenta que a decisão não considerou a técnica de distinção (distinguishing) necessária para a aplicação de precedentes, conforme o art. 489, § 1º, do CPC, e que a situação jurídica do caso concreto não se amolda ao precedente invocado (fls. 496-502). A parte agravada apresentou contrarrazões ao agravo interno (fls. 512-514). É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS EM FAVOR DA DEFENSORIA PÚBLICA. APLICAÇÃO DO TEMA N. 1.002/STF. LEI ORGÂNICA DA DEFENSORIA PÚBLICA DO PARANÁ. MATÉRIA DE DIREITO LOCAL. SÚMULA N. 280 DO STF. DISTINGUISHING INAPLICÁVEL. AUTONOMIA DA DEFENSORIA PÚBLICA. PRECEDENTE VINCULANTE. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A vedação ao recebimento de honorários advocatícios pela Defensoria Pública, prevista na Lei Orgânica da Defensoria Pública do Paraná (LC Estadual 136/2011), constitui matéria de direito local, cuja análise é vedada ao STJ em sede de recurso especial, conforme Súmula n. 280 do STF. 2. O Tema n. 1.002 da repercussão geral do Supremo Tribunal Federal não estabelece distinção baseada em legislações estaduais que proíbam o recebimento de honorários pela Defensoria Pública, prevalecendo o entendimento de que a autonomia da Defensoria Pública deve ser garantida, inclusive no custeio de suas atividades por meio de honorários sucumbenciais. 3. A existência de norma estadual em sentido contrário não configura elemento fático ou jurídico capaz de justificar a não aplicação do precedente, pois o entendimento do Supremo Tribunal Federal possui efeito vinculante e prevalece sobre as regulações locais. 4. Agravo interno desprovido. VOTO O agravo não comporta provimento. Em primeiro lugar, porque o argumento do Estado, baseado na vedação expressa prevista na Lei Orgânica da Defensoria Pública do Paraná (LC Estadual 136/2011), envolve matéria de direito local, cuja análise é vedada ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) em sede de recurso especial, conforme Súmula n. 280 do STF: "Por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário.". A propósito: AgInt no AREsp n. 2.381.851/RS, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 18/12/2023, DJe de 20/12/2023; REsp n. 1.894.016/PR, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 12/9/2023, DJe de 19/10/2023. Em segundo lugar, não há falar em distinguishing, visto que o Tema n. 1.002 do STF não estabelece qualquer distinção baseada em legislações estaduais que proíbam o recebimento de honorários pela Defensoria Pública. A ratio decidendi do precedente reside na natureza autônoma da Defensoria Pública e na necessidade de garantir sua atuação independente, inclusive no custeio de suas atividades por meio de honorários sucumbenciais. A existência de norma estadual em sentido contrário não configura elemento fático ou jurídico capaz de justificar a não aplicação do precedente, pois o entendimento do STF possui efeito vinculante e prevalece sobre as regulações locais (art. 927, III do CPC). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno. É o voto.