AREsp 2922476 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do Recurso Especial por ausência de prequestionamento, pois a questão suscitada não foi examinada pela Corte de origem sob o viés pretendido pelo recorrente.
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- Parties
- Agravante: MARIA ZILDA CABRAL TAVARES; Agravante: OUTRO; Agravado: ESTADO DO RIO DE JANEIRO; Agravado: MUNICÍPIO DE DUQUE DE CAXIAS; Beneficiária: DEFENSORIA PÚBLICA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 June 2025
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decidido: Conhecido Do Agravo; Não Conhecido Do Recurso Especial Por Ausência De Prequestionamento
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Honorários Sucumbenciais, Prequestionamento, Solidariedade Entre Entes Públicos, Princípio Da Proporcionalidade, Honorários À Defensoria Pública, Inadmissão De Recurso Especial
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Parties
MARIA ZILDA CABRAL TAVARES
Agravante
OUTRO
Agravante
ESTADO DO RIO DE JANEIRO
Agravado
MUNICÍPIO DE DUQUE DE CAXIAS
Agravado
DEFENSORIA PÚBLICA
Beneficiária
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decidido: Conhecido Do Agravo; Não Conhecido Do Recurso Especial Por Ausência De Prequestionamento
Legal Issues
- 1 Existência de prequestionamento sobre a tese suscitada ao Recurso Especial
- 2 Possibilidade de imposição de solidariedade entre Estado e Município para pagamento de honorários sucumbenciais
- 3 Aplicação do art. 87 do CPC (proporcionalidade vs solidariedade)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do Recurso Especial por ausência de prequestionamento, pois a questão suscitada não foi examinada pela Corte de origem sob o viés pretendido pelo recorrente.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por MARIA ZILDA CABRAL TAVARES e OUTRO à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, assim resumido: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. PREQUESTIONAMENTO. 1. Os Embargos de declaração têm a finalidade de esclarecer obscuridade, eliminar contradição entre os fundamentos do julgamento, supri-lo de omissão, ou corrigir erro material, nos moldes do art. 1.022 e incisos, do NCPC. 2. Não se verifica a existência de qualquer vício, pois o acórdão embargado enfrentou e decidiu, de maneira integral e com fundamentação suficiente, toda a controvérsia posta no recurso. 3. Mero inconformismo com as razões de decidir. 4. Recurso conhecido e desprovido (fl.335). Quanto à controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente aduz ofensa ao art. 87, §1º, do CPC, no que concerne à impossibilidade de ser determinada a solidariedade do Estado do Rio de Janeiro e do Município de Duque de Caxias nos ônus sucumbenciais, por violar o princípio da proporcionalidade e implicar redução dos honorários. Traz a seguinte argumentação: O v. acórdão recorrido, retratando decisão anterior, concedeu efeitos infringentes aos Embargos de Declaração, condenando solidariamente o Estado do Rio de Janeiro e o Município de Duque de Caxias ao pagamento de honorários sucumbenciais em favor da Defensoria Pública. Como se sabe, o STF estabeleceu, em julgamento sob o regime de repercussão geral, que é devido o pagamento de honorários sucumbenciais à Defensoria Pública, inclusive quando atua contra o ente público que a integra. Ademais, os honorários devem ser destinados exclusivamente ao aparelhamento das Defensorias Públicas, sendo vedado o rateio entre os membros da instituição. Pois bem. Data maxima venia, o v. acórdão recorrido violou expressa disposição legal, ao confundir a solidariedade das obrigações dos entes públicos em matéria de saúde com a responsabilidade pelo pagamento dos honorários sucumbenciais. É crucial destacar que, nos termos do art. 87 do CPC, a regra aplicável aos honorários sucumbenciais é a da proporcionalidade, e não a da solidariedade. O art. 87 do CPC estabelece que, em casos de pluralidade de autores ou réus, os vencidos devem responder proporcionalmente pelas despesas processuais e pelos honorários advocatícios. Somente na ausência de distribuição expressa dessa responsabilidade é que se aplicaria a solidariedade de forma supletiva, o que não é o caso aqui, uma vez que foi fixado o valor expresso de R$ 300,00, a que caberia exclusivamente ao Município (antes de haver condenação também do Estado). .. A condenação do Município de Duque de Caxias ao pagamento de R$300,00 em honorários sucumbenciais já reflete sua responsabilidade proporcional, correspondente a 50% do total devido, tendo sido incialmente dispensada a condenação do Estado em razão da aplicação da superada tese da "confusão". Qualquer imposição adicional de solidariedade entre os entes públicos para o pagamento dos honorários viola o princípio da proporcionalidade estabelecido no art. 87 do CPC, uma vez que a primeira condenação levou em consideração a responsabilidade específica do município. Outrossim, conforme entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), é vedada a redução de honorários advocatícios de ofício. A jurisprudência é clara ao estabelecer que, nos casos em que não há provimento ao recurso, a redução dos honorários advocatícios somente pode ocorrer se houver pedido expresso na petição recursal. A ausência desse pedido inviabiliza qualquer diminuição dos honorários pelo juízo. .. O v. acórdão recorrido, ao diluir o valor de R$ 300,00 a que fora condenado o Município, com a responsabilização solidária do Estado, nada mais fez que reduzir à metade a condenação imposta àquele (nos termos dos arts. 275 e 283 do CPC), o que certamente é vedado. Ademais, o artigo 87 do CPC reforça o princípio da proporcionalidade na atribuição de responsabilidade pelos honorários sucumbenciais. Este dispositivo legal tem a clara finalidade de assegurar que os vencidos na demanda respondam proporcionalmente pelo pagamento das verbas sucumbenciais. A intenção do legislador foi evitar que os honorários advocatícios fossem arbitrariamente reduzidos, prejudicando o direito do patrono da parte vencedora ao recebimento integral da quantia estabelecida dentro dos parâmetros legais. Dessa forma, qualquer interpretação que busque justificar a redução dos honorários advocatícios de ofício ou que pretenda afastar a aplicação proporcional prevista no artigo 87 do CPC, contraria tanto a jurisprudência firmada pelo STJ quanto a própria literalidade da lei. Portanto, é imperioso que se respeite a integralidade dos honorários sucumbenciais devidos, garantindo à Defensoria Pública o recebimento do quantum que lhe é legitimamente devido, conforme estabelecido pela legislação e pela orientação jurisprudencial. Diante disso, requer-se a reforma da decisão para que seja respeitada a proporcionalidade na condenação ao pagamento dos honorários sucumbenciais, em conformidade com o disposto no art. 87 do CPC e os princípios que regem a matéria (fls. 354- 357 ). É o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, não houve o prequestionamento da tese recursal, porquanto a questão postulada não foi examinada pela Corte a quo sob o viés pretendido pela parte recorrente. Nesse sentido: "Não há prequestionamento da tese recursal quando a questão postulada não foi examinada pela Corte de origem sob o viés pretendido pela parte recorrente" (AgInt no AREsp n. 1.946.228/DF, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 28/4/2022). Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 2.023.510/GO, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, DJe de 29/2/2024; AgRg no AREsp n. 2.354.290/ES, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 15/2/2024; AgInt no AREsp 1.514.978/SC, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 17/6/2020; AgInt no AREsp n. 1.582.679/DF, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 26/5/2020; AgInt no AREsp 965.710/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 19.9.2018; e AgRg no AREsp 1.217.660/SP, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 4/5/2018. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA