AREsp 2671282 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque a pretensão de reformar a distribuição percentual dos ônus sucumbenciais exigiria reexame do contexto fático-probatório, vedado pela Súmula 7 do STJ; o Tribunal de origem aplicou o art. 87 do CPC ao determinar o rateio entre Município e Estado e...
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- Parties
- Agravante: DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL; Agravado: ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL; Agravado: MUNICÍPIO DE ITAPORÃ
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 31 July 2025
- Procedural Posture
- Agravo / Admissibilidade De Recurso Especial
- Outcome
- Conhecido do agravo para não conhecer do recurso especial
- Legal Topics
- Honorários Sucumbenciais, Defensoria Pública, Rateio Entre Entes Públicos, Súmula 7/stj, Tema N.º 1.002/stf, Reformatio in Pejus, Admissibilidade De Recurso Especial
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Parties
DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL
Agravante
ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL
Agravado
MUNICÍPIO DE ITAPORÃ
Agravado
Procedural Posture
Agravo / Admissibilidade De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 pagamento de honorários sucumbenciais à Defensoria Pública
- 2 distribuição (rateio) dos honorários entre entes públicos litisconsortes
- 3 alegada violação do princípio da vedação da reformatio in pejus
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque a pretensão de reformar a distribuição percentual dos ônus sucumbenciais exigiria reexame do contexto fático-probatório, vedado pela Súmula 7 do STJ; o Tribunal de origem aplicou o art. 87 do CPC ao determinar o rateio entre Município e Estado e condenou o Estado ao pagamento de honorários à Defensoria, não havendo redução indevida da verba; majorou-se em 10% os honorários sucumbenciais na forma do art. 85, §11, do CPC.
Court Disposition
Conhecido do agravo para não conhecer do recurso especial
Orders
- Conhecido do agravo e não conhecido do recurso especial
- Majorou-se em 10% o valor dos honorários sucumbenciais em desfavor da parte recorrente, nos termos do art. 85, §11, do Código de Processo Civil
Full Case Text
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DECISÃO Trata-se de agravo interposto da decisão que inadmitiu o recurso especial no qual a DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL se insurgira, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea a, da Constituição Federal, contra o acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL, exercido no juízo de retratação, assim ementado (fl. 191): EMENTA - APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER - PRETENSÃO DE CONDENAÇÃO DO ESTADO AO PAGAMENTO DE HONORÁRIOS EM FAVOR DA DEFENSORIA PÚBLICA - POSSIBILIDADE - APLICAÇÃO DO TEMA N.º 1.002, DO STF - RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. Consoante Tema n.º 1.002, do STF: "É devido o pagamento de honorários sucumbenciais à Defensoria Pública, quando representa parte vencedora em demanda ajuizada contra qualquer ente público, inclusive aquele que integra". Os embargos de declaração opostos pela agravante foram rejeitados (fls. 194/200). Nas razões de seu recurso especial, a parte recorrente alega violação dos arts. 141, 492, caput e 1.013 do CPC. Afirma que "ao determinar simples o rateio, entre os entes públicos litisconsortes, das verbas já fixadas em face do Município na sentença, o juízo acabou, por via de consequência, reduzindo os honorários sucumbenciais estipulados anteriormente em desfavor do ente municipal" (fl. 218); Afirma, ainda, que "a opção do Tribunal de, ao condenar o Estado de Mato Grosso do Sul a suportar o ônus sucumbencial, apenas determinar o rateio entre os entes públicos da dívida de honorários já estabelecida anteriormente, também violou o princípio recursal da vedação da reformatio em pejus, norma processual implícita nos artigos de lei mencionados anteriormente". A parte adversa apresentou contrarrazões (fls. 228/237). Sobreveio o juízo de admissibilidade na instância de origem que inadmitiu o recurso especial (fls. 239/245). É o relatório. A decisão de admissibilidade foi devidamente refutada na petição de agravo e, por isso, passo ao exame do recurso especial. Quanto aos honorários, o Tribunal de origem assim decidiu ao julgar o recurso de apelação da Defensoria Pública (fl. 157 ): Conforme se vê, é devida a condenação do Estado ao pagamento da verba honorária em favor da Defensoria Pública mesmo quando ela atue contra a pessoa jurídica de direito à qual pertença, não havendo falar no instituto da confusão. Além disso, o Código de Processo Civil preconiza que: "Art. 87. Concorrendo diversos autores ou diversos réus, os vencidos respondem proporcionalmente pelas despesas e pelos honorários. § 1.º A sentença deverá distribuir entre os litisconsortes, de forma expressa, a responsabilidade proporcional pelo pagamento das verbas previstas no caput. § 2.º Se a distribuição de que trata o § 1º não for feita, os vencidos responderão solidariamente pelas despesas e pelos honorários." Destarte, a verba honorária estabelecida em primeiro grau deverá ser suportada tanto pelo Município de Itaporã quanto pelo Estado de Mato Grosso do Sul, na proporção de 50% para cada ente. E, por ocasião do julgamento dos embargos de declaração, manifestou-se nos seguintes termos : Logo, não houve a alegada violação ao Tema n.º 1.002, do STF, uma vez que houve a condenação do Estado ao pagamento dos honorários, tampouco foi prejudicada a parte recorrente, sobretudo porque não houve a redução da verba, mas apenas a distribuição da responsabilidade pelo seu pagamento. Frise-se, o fato de ter havido o rateio dos honorários entre os entes públicos (Município e Estado) não extrapolou os limites da lide, na medida em que houve o atendimento do pedido feito na apelação (condenação do Estado ao pagamento dos honorários), aplicando-se a regra de distribuição da sucumbência prevista no CPC: "Art. 87. Concorrendo diversos autores ou diversos réus, os vencidos respondem proporcionalmente pelas despesas e pelos honorários. § 1º A sentença deverá distribuir entre os litisconsortes, de forma expressa, a responsabilidade proporcional pelo pagamento das verbas previstas no caput". Ademais, a redução dos honorários devidos pelo Município é apenas uma consequência lógica do atendimento do pleito recursal (fl. 199). Observo que o Tribunal de origem, ao apreciar a matéria, consignou que os honorários sucumbenciais foram devidamente fixados para cada litigante. Acerca da distribuição do ônus de sucumbência, entendimento diverso , conforme pretendido, implicaria o reexame do contexto fático-probatório dos autos, circunstância que redundaria na formação de novo juízo acerca dos fatos e das provas, e não na valoração dos critérios jurídicos concernentes à utilização da prova e à formação da convicção, o que impede o conhecimento do recurso especial quanto ao ponto. Incide no presente caso a Súmula 7 do Superior Tribunal de Justiça (STJ) - "a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". Nesse sentido, cito os seguintes julgados deste Tribunal: PROCESSUAL CIVIL. DIREITO INTERNACIONAL. CONVENÇÃO DA HAIA SOBRE OS ASPECTOS CIVIS DO SEQUESTRO INTERNACIONAL DE CRIANÇAS. COOPERAÇÃO JURÍDICA INTERNACIONAL ENTRE BRASIL E ITÁLIA . GUARDA CONJUNTA DE MENOR EXERCIDA PELO CASAL EM TERRITÓRIO ITALIANO. RETENÇÃO ILÍCITA NO BRASIL POR GENITORA BRASILEIRA. BUSCA, APREENSÃO E RESTITUIÇÃO. PROCEDÊNCIA DO PEDIDO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. APLICAÇÃO DA SÚMULA N. 7/STJ. .. IV - Ao contrário da tese defendida pelo ente público, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Tema n. 1.002/STF, RE n. 1.140.005, no plenário da Corte, definiu tese no sentido de que é devido o pagamento de honorários sucumbenciais à Defensoria Pública, inclusive, quanto ao ente público ao qual integra. V - Eis a tese fixada: "1. É devido o pagamento de honorários sucumbenciais à Defensoria Pública, quando representa parte vencedora em demanda ajuizada contra qualquer ente público, inclusive aquele que integra; 2. O valor recebido a título de honorários sucumbenciais deve ser destinado, exclusivamente, ao aparelhamento das Defensorias Públicas, vedado o seu rateio entre os membros da instituição." VI - Consoante a jurisprudência desta Corte, "É inviável a apreciação, em sede de recurso especial, do quantitativo em que autor e réu saíram vencedores ou vencidos na demanda, bem como da existência de sucumbência mínima ou recíproca, a teor do disposto na Súmula 7 do STJ" (AgInt nos EDcl no REsp n. 2.001.322/SC, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 3/4/2023, DJe de 11/4/2023). No mesmo sentido: AgInt no AREsp n. 2.090.303/CE, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 26/6/2023, DJe de 29/6/2023, e AgInt no REsp n. 1.374.977/RS, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 22/5/2023, DJe de 29/5/2023. VII - Agravo interno improvido. (AgInt no REsp n. 2.082.084/PB, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 27/5/2024, DJe de 29/5/2024.) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. FUNDAMENTAÇÃO. DEFICIÊNCIA. FIANÇA BANCÁRIA. SUBSTITUIÇÃO POR SEGURO GARANTIA. POSSIBILIDADE. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. REEXAME DE FATOS E PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. .. 4. A revisão do acórdão recorrido quanto à distribuição dos ônus sucumbenciais, com o propósito de verificar a proporção de decaimento de cada uma das partes, pressupõe o reexame do contexto fático-probatório dos autos, o que é inviável no âmbito do recurso especial, nos termos da Súmula 7 do STJ. 5. Agravo conhecido para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, dar-lhe parcial provimento. (AREsp n. 1.364.116/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 18/10/2022, DJe de 21/10/2022.) Ante o exposto, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Majoro em 10% (dez por cento), em desfavor da parte recorrente, o valor de honorários sucumbenciais já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º desse mesmo dispositivo. Publique-se. Intimem-se. EMENTA