REsp 2156731 - DECISAO
O pedido de ingresso do CFOAB como amicus curiae foi deferido com fundamento no art. 138 do CPC/2015 diante da relevância e especificidade da matéria, na competência atribuída ao Conselho pela Lei nº 8.906/94 (art. 54) e por se tratar de questão que envolve prerrogativas profissionais do advogado e transcende as...
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- Parties
- Requerente / Amicus Curiae: CONSELHO FEDERAL DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL - CFOAB; Anuente Ao Pedido Do Requerente: CONDOMÍNIO RESIDENCIAL LAGO DO BOSQUE; Opositor À Admissão Do Amicus Curiae: FUNDO DE INVESTIMENTOS EM DIREITOS CREDITÓRIOS MULTISETORIAL BVA MASTER II; Não Se Manifestou (prazo Decorrido in Albis): HANNE MASSUD-INVESTIMENTOS IMOBILIÁRIOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 August 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão De Admissão De Amicus Curiae (art. 138 Cpc/2015)
- Outcome
- Deferido o pedido de ingresso do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil como amicus curiae
- Legal Topics
- Honorários Sucumbenciais, Amicus Curiae, Prerrogativas Da Advocacia, Admissão De Intervenção Segundo Art. 138 Cpc/2015
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Parties
CONSELHO FEDERAL DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL - CFOAB
Requerente / Amicus Curiae
CONDOMÍNIO RESIDENCIAL LAGO DO BOSQUE
Anuente Ao Pedido Do Requerente
FUNDO DE INVESTIMENTOS EM DIREITOS CREDITÓRIOS MULTISETORIAL BVA MASTER II
Opositor À Admissão Do Amicus Curiae
HANNE MASSUD-INVESTIMENTOS IMOBILIÁRIOS
Não Se Manifestou (prazo Decorrido in Albis)
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão De Admissão De Amicus Curiae (art. 138 Cpc/2015)
Legal Issues
- 1 Admissibilidade do ingresso do Conselho Federal da OAB na qualidade de amicus curiae
- 2 Natureza jurídica dos honorários sucumbenciais (autônoma ou acessória) e seu regime de execução
- 3 Aplicação do art. 138 do CPC/2015 em matéria que envolve prerrogativas da advocacia
Ratio Decidendi
O pedido de ingresso do CFOAB como amicus curiae foi deferido com fundamento no art. 138 do CPC/2015 diante da relevância e especificidade da matéria, na competência atribuída ao Conselho pela Lei nº 8.906/94 (art. 54) e por se tratar de questão que envolve prerrogativas profissionais do advogado e transcende as partes litigantes, justificando a intervenção para auxiliar o tribunal na aplicação do direito.
Court Disposition
Deferido o pedido de ingresso do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil como amicus curiae
Orders
- Defiro o pedido de fls. 499-507.
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Por meio da petição de fls. 499-507, o CONSELHO FEDERAL DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL - CFOAB requer o seu ingresso no feito na condição de amicus curiae, fazendo-o na forma prevista pelo art. 138 do CPC/2015, pelos seguintes fundamentos: A situação inspira cautela e reflexão, sobretudo pela discussão acerca dos honorários sucumbenciais - parcela remuneratória de natureza alimentar (Súmula Vinculante 471) devida aos advogados em contraprestação aos serviços prestados. Como se vê, a temático é importante, de modo a justificar a intervenção do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil no feito, já que a discussão destes autos interessa a todos os advogados militantes no País, bem como a toda a sociedade brasileira, porque envolvida discussão acerca da prerrogativa de advogado de primeira ordem, qual seja o direito ao percebimento dos honorários sucumbenciais. Isso posto, à medida em que compete ao Conselho Federal da OAB representar, em Juízo ou fora dele, os interesses coletivos ou individuais dos advogados (art. 54 da Lei 8.906/94), sobretudo quanto ao respeito à persecução das finalidades da Ordem dos Advogados do Brasil (art. 44 da Lei 8.906/94), resta justificado o oferecimento das presentes razões, a fim de auxiliar esse e. STJ na aplicação do Direito, à luz dos novos paradigmas processuais, levando-se em conta os anseios, albergados por Lei, dos advogados jurisdicionados no que diz respeito ao recebimento de honorários advocatícios sucumbenciais. (..) A atividade advocatícia exige que o próprio causídico suporte os custos decorrentes da remuneração e qualificação de seus funcionários, manutenção do local de trabalho, reposição tecnológica, bem como a própria subsistência e a de sua família, sem a certeza de que o resultado a ser obtido seja favorável ao seu cliente e, portanto, que receba os honorários que lhe caberão nesta hipótese, qual seja, de êxito do seu pleito. (..) Neste caso específico, o Tribunal de Origem negou provimento ao agravo de instrumento interposto pelo recorrente e manteve a decisão que indeferiu a adjudicação de dois lotes de terreno, bens penhorados e avaliados para garantir o adimplemento do crédito exequendo, além de impedir novas penhoras para a satisfação da verba sucumbencial. O fundamento utilizado pelo Tribunal foi a alegada "natureza autônoma" dos honorários sucumbenciais, que lhes retiraria a acessoriedade em relação ao crédito principal. Nos julgados paradigmáticos, o entendimento é uniforme no sentido de que o adimplemento dos honorários sucumbenciais deve seguir as mesmas condições e o mesmo regime de execução do crédito principal, não se tratando de créditos de natureza autônoma, mas sim de uma obrigação acessória que se subsume à satisfação do crédito principal. A Lei nº 8.906/94, que regula a atividade advocatícia, reforça esse entendimento ao prever a natureza acessória dos honorários. Da mesma forma, o artigo 85, § 14, do Código de Processo Civil de 2015 corrobora o caráter vinculado das verbas honorárias aos créditos principais, evidenciando que tal verba não pode ser executada de maneira desvinculada da execução do crédito que lhe deu origem. A manutenção do acórdão recorrido, portanto, ignora o caráter acessório dos honorários advocatícios, e representa uma interpretação divergente em face dos precedentes dos Tribunais Superiores que defendem a unidade da execução do crédito. Neste sentido, vimos aos autos na qualidade de amicus curiae para ressaltar que o acolhimento do recurso especial do recorrente está em consonância com o entendimento jurisprudencial predominante, o qual estabelece que a verba sucumbencial deve, sim, seguir a mesma disciplina do crédito principal. (..) Pelo exposto, dada a relevância da matéria e a representatividade deste Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, requer a Vossa Excelência a sua admissão no feito na qualidade de Amicus Curiae, bem como a garantia de manifestação oportuna ao longo do transcurso do feito. CONDOMÍNIO RESIDENCIAL LAGO DO BOSQUE, anuiu com os argumentos do requerente (fls. 517-525). FUNDO DE INVESTIMENTOS EM DIREITOS CREDITÓRIOS MULTISETORIAL BVA MASTER II, pugnou pela improcedência do pedido do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil para figurar como amicus curiae na presente demanda (fls. 527-531). HANNE MASSUD-INVESTIMENTOS IMOBILIÁRIOS, deixou transcorrer in albis o prazo para manifestação (fl. 661). É o relatório. Decido. A pretensão deve ser acolhida. Com efeito, assim dispõe o art. 138 do CPC/2015: Art. 138. O juiz ou o relator, considerando a relevância da matéria, a especificidade do tema objeto da demanda ou a repercussão social da controvérsia, poderá, por decisão irrecorrível, de ofício ou a requerimento das partes ou de quem pretenda manifestar-se, solicitar ou admitir a participação de pessoa natural ou jurídica, órgão ou entidade especializada, com representatividade adequada, no prazo de 15 (quinze) dias de sua intimação. Por sua vez, o art. 54, II, do EAOAB expressamente atribui ao CFOAB a competência para "representar, em juízo ou fora dele, os interesses coletivos ou individuais dos advogados" e, ademais, "velar pela dignidade, independência, prerrogativas e valorização da advocacia" (inciso III). De outro lado, pelo fato de envolver matéria relacionada com prerrogativa diretamente vinculada ao exercício de profissão que a Lei Fundamental alçou a condição de função essencial, qualificando o advogado como indispensável à administração da Justiça (CF, art. 133), evidenciando assim que a discussão de mérito deste recurso extrapola o âmbito das relações jurídicas que envolvem as partes litigantes, autorizando, dessarte, a participação do CFOAB na forma prevista pelo dispositivo processual referido (CPC/2015, art. 138). Ante o exposto, DEFIRO o pedido de fls. 499-507. Publique-se e intimem-se. EMENTA