REsp 2222923 - DECISAO
O Tribunal de origem deixou de observar o disposto no art. 85, § 8º-A do CPC (Lei nº 14.365/2022), razão pela qual o recurso especial foi provido para determinar o retorno dos autos ao tribunal a quo para que fixe os honorários sucumbenciais em observância aos valores recomendados pela OAB ou ao limite mínimo de...
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- Parties
- Recorrente: DIOGO RAFAEL ALVES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 September 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento De Recurso Especial (provimento)
- Outcome
- recurso especial provido
- Legal Topics
- Honorários Sucumbenciais, Art. 85, § 8º a Do CPC, Tabela De Honorários Da OAB, Equidade Na Fixação De Honorários
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Parties
DIOGO RAFAEL ALVES
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento De Recurso Especial (provimento)
Legal Issues
- 1 necessidade de observância dos valores recomendados pelo Conselho Seccional da OAB ou do limite mínimo de 10% previsto no § 2º do art. 85 do CPC quando da fixação equitativa de honorários sucumbenciais (art. 85, § 8º e § 8º-A do CPC)
Ratio Decidendi
O Tribunal de origem deixou de observar o disposto no art. 85, § 8º-A do CPC (Lei nº 14.365/2022), razão pela qual o recurso especial foi provido para determinar o retorno dos autos ao tribunal a quo para que fixe os honorários sucumbenciais em observância aos valores recomendados pela OAB ou ao limite mínimo de 10%, aplicando-se o que for maior.
Court Disposition
recurso especial provido
Orders
- Determinar o retorno dos autos ao Tribunal a quo para que fixe os honorários do advogado conforme o art. 85, § 8º-A, do CPC
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por DIOGO RAFAEL ALVES, fundamentado no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo eg. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado: "APELAÇÃO CÍVEL BEM MÓVEL HONORÁRIOS SUCUMBENCIAS Compra e venda de suplemento alimentício em formato de cápsulas Comércio eletrônico Consumidor que apresentou desistência da compra no prazo legal Sentença que julgou procedente a ação, para condenar a ré a restituir o valor efetivamente pago (R$ 318,20 - trezentos e dezoito reais e vinte centavos) acrescido dos consectários de praxe (correção monetária e juros moratórios) Apelação interposta apenas pelo autor, que busca a majoração dos honorários de sucumbência Inadequação Hipótese na qual diminuto o proveito econômico discutido e arbitrados honorários no valor de R$ 1.000,00 (mil reais) com fundamento no artigo 85, parágrafo 8º, do CPC Critério observado que se mostra correto, pois de acordo com a previsão legal - Tabela do órgão de classe (OAB/SP) que serve apenas de referência, sem caráter vinculante Fixação em valor condizente com as peculiaridades da causa e que observa os critérios previstos nos incisos I a IV do §2º do artigo 85 do CPC Precedentes Sentença mantida Recurso do autor não provido." (fls. 127) Em suas razões recursais, a parte alega violação aos arts. 85, § 8º-A, do Código de Processo Civil, sustentando em síntese, que o Tribunal de origem teria violado o art. 85, § 8º-A, do CPC ao fixar os honorários de sucumbência por equidade, ignorando a obrigatoriedade de observar os valores recomendados pela OAB ou o percentual mínimo de 10% sobre o valor da causa, conforme estabelecido pela Lei nº 14.365/2022. É o relatório. Passo a fundamentar e decidir. O recurso merece prosperar. Isso porque, no caso em epígrafe, houve negativa de vigência ao art. 85, § 8º-A, do Código de Processo Civil, uma vez que o Tribunal de origem deixou de aplicar orientação sedimentada por esta Corte Superior sobre o tema. Explicando melhor, o Tribunal estadual se manifestou no seguinte sentido acerca da fixação dos honorários sucumbenciais (fls. 129-132): "Sobre o tema, dispõe o artigo 85 do Diploma Processual Civil que: Art. 85. A sentença condenará o vencido a pagar honorários ao advogado do vencedor. .."omissis".. § 8º Nas causas em que for inestimável ou irrisório o proveito econômico ou, ainda, quando o valor da causa for muito baixo, o juiz fixará o valor dos honorários por apreciação equitativa, observando o disposto nos incisos do § 2º. § 8º-A. Na hipótese do § 8º deste artigo, para fins de fixação equitativa de honorários sucumbenciais, o juiz deverá observar os valores recomendados pelo Conselho Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil a título de honorários advocatícios ou o limite mínimo de 10% (dez por cento) estabelecido no § 2º deste artigo, aplicando-se o que for maior. (Incluído pela Lei nº 14.365, de 2022) Ocorre que o órgão julgador não está vinculado à Tabela organizada pelo conselho de classe, sendo ela dotada de natureza apenas orientadora, podendo ser afastada em caso de manifesta distorção remuneratória. Ou seja, serve de referência, não possuindo caráter vinculante. (..) Por consequência, deve ser integralmente preservado e entendimento do insigne Magistrado, que corretamente considerou devido o arbitramento dos honorários de sucumbência no valor de R$ 1.000,00 (mil reais) que se revela condizente e adequado à hipótese, observada a baixa complexidade, trabalho efetivamente realizado e valores envolvidos, nos termos estabelecidos nos incisos I a IV do §2º do artigo 85 do CPC." A questão recursal está em reconhecer se há ou não a necessidade de se observar as recomendações do Órgão de Classe dos advogados, elencadas na Tabela de honorários da OAB, na hipótese de fixação equitativa de honorários sucumbenciais, nas causas em que for inestimável ou irrisório o proveito econômico ou, ainda, quando o valor da causa for muito baixo, após a vigência da Lei 14.365/2022, que introduziu o § 8º-A ao art. 85 do CPC/2015. De fato, antes da mudança legislativa, tendo por base a redação original do Código de Processo Civil de 2015, a jurisprudência do STJ era firme no sentido de que "a tabela organizada pelo Conselho Seccional da OAB tem natureza meramente orientadora e não vincula o julgador, devendo ser levada em consideração a realidade do caso concreto". A propósito confiram-se os seguintes precedentes: "AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. ARTIGO 85, § 8º-A, DO CPC/15. HONORÁRIOS POR EQUIDADE. LEI 14.365/2022. VIGÊNCIA POSTERIOR À DATA DA SENTENÇA. TEORIA DO ISOLAMENTO DOS ATOS PROCESSUAIS. NÃO INCIDÊNCIA. ARTIGO 85, § 8º, DO CPC/15. TABELA DA OAB. NÃO VINCULANTE. HONORÁRIOS FIXADOS OBSERVANDO OS PARÂMETROS LEGAIS E EM VALOR RAZOÁVEL. ALTERAÇÃO. INVIABILIDADE. MULTA. ARTIGO 1.021, § 4º, DO CPC/2015. NÃO CABIMENTO. 1. Conforme entendimento do STJ, o regramento acerca dos honorários sucumbenciais submete-se à norma processual em vigor à data em que prolatada a sentença, afastando dessa forma a aplicação da regra prevista no §8º-A do artigo 85 do CPC/15 ao caso, com vigência posterior à data em que proferida a sentença. 2. Conforme jurisprudência desta Corte, anterior à vigência da Lei 14.365 /2022: "a tabela organizada pelo Conselho Seccional da OAB tem natureza meramente orientadora e não vincula o julgador, devendo ser levada em consideração a realidade do caso concreto" (AgInt no REsp 1.751.304/SC, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 24/9/2019, DJe de 30/9/2019). 3. O mero não conhecimento ou improcedência de recurso interno não enseja a automática condenação na multa do artigo 1.021, § 4º, do CPC/2015, devendo ser analisada caso a caso. 4. Agravo interno a que se nega provimento." (AgInt no REsp 2.106.286/SP, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 01/07/2024, DJe de 03/07/2024) "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA CUMULADA COM PEDIDO INDENIZATÓRIO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FIXAÇÃO POR EQUIDADE. ADOTAR A TABELA DA OAB. NÃO OBRIGATORIEDADE. CORTE A QUO DECIDIU DE ACORDO COM A JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA DO STJ. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 83/STJ. VALOR FIXADO. REVISÃO. PRETENSÃO DE REEXAME DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. (..) 2. Verifica-se que a Corte a quo decidiu de acordo com a jurisprudência consolidada desta Corte de Justiça no sentido de que, na fixação de honorários por equidade, o magistrado deve observar os valores recomendados pelo Conselho Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil, não necessariamente adotá-los. 3. Indubitável a incidência, no caso, da Súmula n. 83 do STJ: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida", à qual se aplicam as hipóteses das alíneas "a" e "c" do art. 105, inciso III, da Constituição Federal. 4. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmou-se no sentido de que inviável a revisão do entendimento proferido na origem relativo à fixação de honorários advocatícios, ante o óbice da Súmula 7/STJ. Agravo interno improvido." (AgInt no AREsp 2.524.416/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, TERCEIRA TURMA, julgado em 24/06/2024, DJe de 27/06/2024) Todavia, no julgamento de processos nos quais se aplica a inserção do § 8º-A ao art. 85 do CPC/2015, esta Corte Superior, por seus órgãos fracionários, realinhou a orientação quanto ao tema e emitiu interpretação lógico-sistemática do aludido dispositivo legal. Nessa senda, a Segunda Seção do STJ, no final do ano de 2024, no julgamento do Agravo Interno na Reclamação 47.536/SP, sob a relatoria do em. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, atualizou a jurisprudência à luz da inovação introduzida pela Lei 14.365/2022, segundo a inteligência do § 8º-A do art. 85 do CPC/2015, firmando o entendimento de que, "para fins de fixação equitativa de honorários sucumbenciais, o juiz deverá observar os valores recomendados pelo Conselho Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil a título de honorários advocatícios ou o limite mínimo de 10% (dez por cento) estabelecido no § 2º deste artigo, aplicando-se o que for maior". Confira-se a ementa do referido julgado: "DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO. FUNDAMENTOS DA DECISÃO. IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA. SÚMULA N. 182/STJ. RECLAMAÇÃO CONSTITUCIONAL. CPC/2015. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS SUCUMBENCIAS. RELAÇÃO PROCESSUAL FORMADA. CABIMENTO. COMPARECIMENTO ESPONTÂNEO. PROCURAÇÃO. AUSÊNCIA. IRREGULARIDADE SANÁVEL. PODERES ESPECIAIS. INDICAÇÃO EXPRESSA DO PROCESSO. EQUIVALÊNCIA. VERBA HONORÁRIA. VALOR DA CAUSA BAIXO. ARBITRAMENTO POR EQUIDADE. CPC /2015, ART. 85, §§ 2º, 8º E 8º-A. 1. É inviável o agravo previsto no art. 1.021 do CPC/2015 que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada (Súmula n. 182/STJ). 1.1. O agravante não impugnou de forma específica os fundamentos relacionados ao mérito da decisão agravada, que demonstrou o cumprimento, pela autoridade reclamada, da determinação proferida por este Tribunal Superior nos autos do REsp n. 1.636.704/SP. 2. Quando aperfeiçoada a relação processual nas reclamações ajuizadas na vigência do CPC/2015, é cabível a condenação da parte vencida no pagamento de honorários sucumbenciais com fundamento no art. 85, caput, da lei processual civil. Precedentes. 2.1. No caso concreto, a parte beneficiária do ato reclamado compareceu aos autos e ofereceu contestação, aperfeiçoando a relação jurídica processual (CPC /2015, art. 239, § 1º). 3. O comparecimento espontâneo, como ato que supre a citação da parte (art. 214, § 1º, do CPC/1973), também ocorre nos casos em que a procuração outorgada confere poderes gerais e contém dados específicos sobre o processo em que se dará a atuação. Precedentes. 4. A ausência de mandato é irregularidade sanável, com a possibilidade de se aplicar as disposições contidas nos art. 76, 662, e 932, § ún., do CPC/2015. Precedentes. 4.1. Os agravados regularizaram sua representação processual, juntando aos autos instrumento de mandato com expressa referência ao número do processo para o qual o advogado foi incumbido de atuar. 5. Conforme dispõe o art. 85, § 8º, do CPC/2015, " n as causas em que for inestimável ou irrisório o proveito econômico ou, ainda, quando o valor da causa for muito baixo, o juiz fixará o valor dos honorários por apreciação equitativa, observando o disposto nos incisos do § 2º". 5.1. No caso concreto, o proveito econômico afigura-se imensurável, e o valor da causa é muito baixo, razão pela qual a situação dos autos subsume-se à hipótese de que trata o dispositivo legal, na estrita aplicação do entendimento firmado na tese n. 2 do Tema Repetitivo n. 1.076. 5.2. O parágrafo 8º-A do art. 85 do CPC/2015 determina que "para fins de fixação equitativa de honorários sucumbenciais, o juiz deverá observar os valores recomendados pelo Conselho Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil a título de honorários advocatícios ou o limite mínimo de 10% (dez por cento) estabelecido no § 2º deste artigo, aplicando-se o que for maior". 5.3. Na espécie, o valor dos honorários advocatícios de sucumbência foram arbitrados com observância do valor mínimo previsto na Tabela de Honorários aprovada pela OAB/SP. 6. O arbitramento de honorários por equidade não exige observância do limite máximo previsto no § 2º do art. 85 da lei processual. 7. Agravo interno a que se nega provimento." (AgInt na Rcl 47.536/SP, Relator Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 29/10/2024, DJe de 05/11/2024, g.n.) Na hipótese dos autos, o Tribunal de Justiça arbitrou os honorários sucumbenciais de forma equitativa, apoiado no entendimento de que o valor ali fixado mostrava-se compatível com o serviço prestado e com a natureza da demanda. Ainda, firmou entendimento no sentido de que o órgão julgador não está vinculado à Tabela organizada pelo conselho de classe, sendo ela dotada de natureza apenas orientadora, podendo ser afastada em caso de manifesta distorção remuneratória. Todavia, constata-se que o entendimento esposado no v. acórdão recorrido está em desarmonia com a atual jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, assente no sentido de que, por expressa determinação legal, sendo hipótese de fixação dos honorários por equidade, devem ser observados os valores recomendados pelo Conselho Seccional da OAB ou o limite mínimo de 10% estabelecido no § 2º do art. 85, aplicando-se o que for maior. Nesse contexto, verifica-se que a decisão agravada merece reforma, para fazer prevalecer o novel entendimento da Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça quanto ao efeito vinculante da Tabela de Honorários Advocatícios da OAB, quando se tratar da hipótese de aplicação do § 8º do art. 85 do CPC/2015. Diante do exposto, dou provimento ao recurso especial, a fim de determinar o retorno dos autos ao Tribunal a quo, para que fixe os honorários do advogado, conforme a disposição do art. 85, § 8º-A, do CPC, nos termos da fundamentação acima. Publique-se. EMENTA