AREsp 2465558 - DECISAO
O agravo não foi conhecido/teve provimento negado porque a matéria relativa aos arts. 248 e 393 do CC não foi prequestionada (incidência da Súmula 211/STJ) e porque o Tribunal de origem corretamente fixou os honorários sucumbenciais sobre o valor da causa, por se tratar de obrigação de fazer sem proveito econômico...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: ESPÓLIO DE JOSE ROMULO GAROFOLO; Agravante: OUTRA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 January 2026
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Agravo Não Conhecido / Nego Provimento Ao Agravo
- Outcome
- Agravo em recurso especial não conhecido; nego provimento ao agravo.
- Legal Topics
- Honorários Sucumbenciais, Rescisão Contratual, Cláusula Penal, Adimplemento Substancial, Prequestionamento, Súmulas/stj
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
ESPÓLIO DE JOSE ROMULO GAROFOLO
Agravante
OUTRA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Agravo Não Conhecido / Nego Provimento Ao Agravo
Legal Issues
- 1 Prequestionamento de dispositivos (art. 248 e art. 393 do CC)
- 2 Base de cálculo dos honorários sucumbenciais (art. 85, §2º, §8º, §8º-A, §11 do CPC)
- 3 Aplicação da teoria do adimplemento substancial e redução da cláusula penal (art. 413 do CC)
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido/teve provimento negado porque a matéria relativa aos arts. 248 e 393 do CC não foi prequestionada (incidência da Súmula 211/STJ) e porque o Tribunal de origem corretamente fixou os honorários sucumbenciais sobre o valor da causa, por se tratar de obrigação de fazer sem proveito econômico mensurável, em consonância com a jurisprudência dominante do STJ (incidência da Súmula 83/STJ); por fim, majoraram-se os honorários em 10% sobre o valor já arbitrado nos graus inferiores nos termos do §11 do art. 85 do CPC.
Court Disposition
Agravo em recurso especial não conhecido; nego provimento ao agravo.
Orders
- Nego provimento ao agravo em recurso especial.
- Majoram-se os honorários advocatícios em 10% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, nos termos do §11 do art. 85 do CPC, observados os limites do §2º e ressalvada eventual gratuidade de justiça.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por ESPÓLIO DE JOSE ROMULO GAROFOLO (espólio) e OUTRA contra a decisão que inadmitiu o recurso especial por incidência da Súmula n. 5 do STJ, por incidência da Súmula n. 7 do STJ, por ausência de prequestionamento quanto à tese relativa aos honorários com base no art. 85, §2º, do Código de Processo Civil e Tema 1.076/STJ, e por aplicação, por analogia, da Súmula n. 282 do STF e da Súmula n. 356 do STF (fls. 819-821). Alega a parte agravante que os pressupostos de admissibilidade do recurso especial foram atendidos. Contraminuta às fls. 991-1004. O recurso especial foi interposto com fundamento no art. 105, III, a e c, da Constituição Federal, contra acórdão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais em apelação nos autos de ação de rescisão contratual. O julgado foi assim ementado (fl. 647): APELAÇÃO CÍVEL PRELIMINAR NÃO CONHECIMENTO PARTE RECURSO - INOVAÇÃO RECURSAL - RESCISÃO CONTRATUAL - EXCEÇÃO DE CONTRATO NÃO CUMPRIDO - ART. 476 DO CC - OBSERVÂNCIA - TEORIA DO ADIMPLEMENTO SUBSTANCIAL - APLICAÇÃO - CLÁUSULA PENAL - MULTA - REDUÇÃO - POSSIBILIDADE - PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE - HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS - TEMA 1.076 DO STJ - OBSERVÂNCIA - REFORMA PARCIAL DA SENTENÇA. - Se comprovada a inovação recursal, impõe-se o não conhecimento do recurso neste ponto. - Pelo princípio da exceção de contrato não cumprido, insculpido no art. 476 do Código Civil, não pode nenhum dos contratantes, antes de cumprida sua obrigação, exigir o cumprimento da do outro. - Restando evidenciado nos autos que as parcelas adimplidas correspondem a valor considerando do contrato, deve-se aplicar a teoria do adimplemento substancial. - Nos termos do art. 413 do Código Civil a penalidade deve ser reduzida equitativamente pelo juiz se a obrigação principal tiver sido cumprida em parte, ou se o montante da penalidade for manifestamente excessivo, tendo-se em vista a natureza e a finalidade do negócio. - Quanto a fixação dos honorários advocatícios de forma equitativa, o Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do Tema 1.076 consolidou o entendimento segundo qual apenas será admitido o arbitramento quando, havendo ou não condenação, o proveito econômico obtido pelo vencedor for inestimável ou irrisório ou quando o valor causa for muito baixo. V.V.P. APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE RESCISÃO CONTRATUAL - CLÁUSULA PENAL - PERCENTUAL - REDUÇÃO - PROPORCIONALIDADE - RAZOABILIDADE. Em atenção ao caso concreto, diante da recusa injustificada de implemento da obrigação avençada, essencial para o cumprimento integral do contrato firmado, cumpre aos promissários vendedores o pagamento da multa contratual. Todavia, tal sanção poderá ser minorada quando comprovado o adimplemento parcial da obrigação, conforme preceito do art. 413 do CC e, em análise equitativa, não há que se cogitar a minoração excessiva conquanto presume-se que o contrato foi livremente redigido por ambas as partes (DES.1ºVOGAL). Não foram opostos embargos de declaração. No recurso especial, a parte aponta, além de divergência jurisprudencial, violação dos seguintes artigos: a) 248, da Lei n. 10.406/2002, porque o acórdão reconheceu exigibilidade de obrigação de fazer reputada personalíssima e que se teria tornado impossível em razão do falecimento do devedor, o que resolveria a obrigação; b) 393, da Lei n. 10.406/2002, já que o acórdão teria afastado a aplicação do caput e do parágrafo único quanto à impossibilidade de cumprimento sem culpa do devedor em razão de evento superveniente; c) 85, §2º, da Lei n. 13.105/2015, pois o acórdão fixou honorários sobre o valor da causa apesar de haver condenação, em desacordo com a ordem de vocação; d) 85, §§ 8º e 8º-A, da Lei n. 13.105/2015, porquanto houve ofensa indicada na fundamentação ao se afastar a apreciação equitativa sem observar os parâmetros legais. Sustenta que o Tribunal de origem, ao decidir pela fixação dos honorários sucumbenciais sobre o valor da causa mesmo havendo condenação, divergiu do entendimento firmado no REsp n. 1.746.072/PR (Segunda Seção), indicado como paradigma (fls. 686-687). Requer o provimento do recurso para que se reforme o acórdão recorrido, a fim de rescindir o contrato por inadimplemento dos recorridos; requer ainda o provimento do recurso para que se aplique, subsidiariamente, a multa contratual pelo descumprimento aos recorridos e se fixem honorários entre 10% e 20% sobre o valor da condenação; requer ainda o provimento do recurso para que, na remota hipótese de manutenção do acórdão, se reduzam os honorários para 10% sobre o valor da condenação. Contrarrazões às fls. 786-797. É o relatório. Decido. I - Contextualização A controvérsia diz respeito a ação de rescisão contratual em que a parte autora pleiteou a rescisão do contrato de promessa de compra e venda de imóvel rural, com devolução de valores e aplicação de cláusula penal, em razão de suposto inadimplemento dos compradores (fls. 649-654). Na sentença, o Juízo de primeiro grau julgou improcedente o pedido inicial e procedente a reconvenção, condenando os autores ao cumprimento da obrigação de fazer prevista na cláusula contratual de retificação de área, com multa diária, e fixando multa contratual em 2% do valor do negócio; fixou honorários em R$ 5.000,00 com base no art. 85, §8º, do Código de Processo Civil (fls. 968-969-680). A Corte de origem reformou parcialmente a sentença, para fixar os honorários sucumbenciais em 10% sobre o valor da causa, majorados para 11% nos termos do art. 85, §11, do Código de Processo Civil, manteve a improcedência dos pedidos autorais e a procedência da reconvenção, e confirmou a redução da multa contratual, nos termos do voto condutor, com voto vencido que propunha percentual diverso (fls. 655-665). O recurso não merece prosperar. II - Arts. 248 e 393 do CC A matéria relativa aos dispositivos em questão não foi objeto de apreciação pelo acórdão recorrido, tampouco prequestionada pela parte agravante, o que inviabiliza o conhecimento do recurso especial quanto ao ponto, na esteira da Súmula 211 desta Corte. Nesse sentido: RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE COLETIVO POR ADESÃO. EXCLUSÃO DO USUÁRIO. ESTIPULANTE ILEGITIMIDADE PASSIVA. PLANO INDIVIDUAL COMERCIALIZAÇÃO. SÚMULA 284/STF. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. .. 2. A ausência de prequestionamento impede o conhecimento da questão pelo Superior Tribunal de Justiça. Incidência da Súmula n. 211 do STJ. 3. Recurso especial não conhecido. (REsp n. 1.804.286/DF, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 1/12/2025, DJEN de 4/12/2025, destaquei.) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 105 E 425, IV, DO CPC/2015 E 5º, §§ 1º, 2º e 3º, DA LEI 8.906/94. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 211/STJ. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. 1. A falta de prequestionamento da matéria suscitada no recurso especial, a despeito da oposição de declaratórios, impede seu conhecimento, nos termos da Súmula 211 do Superior Tribunal de Justiça. 2. Recurso especial não conhecido. (REsp n. 2.238.600/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 24/11/2025, DJEN de 3/12/2025, destaquei.) III - Art. 85, §§ 2º, 8º e 8º-A do CPC Neste particular, a parte sustenta que o tribunal de origem aplicou a base de cálculo dos honorários sobre o valor da causa, muito embora tenha havido condenação, o que viola os dispositivos em espeque. Não obstante, observa-se que a condenação e em questão se refere a obrigação de fazer consistente em retificação de áreas e confecção de planta e memorial descritivo, o que não se enquadra no conceito de proveito econômico necessário para que se possa aferir valor líquido sobre o qual incida a verba. Assim, ao afastar o arbitramento por equidade realizado pelo juízo de primeiro grau e aplicar o critério do valor da causa, o acórdão está em consonância com a ordem estabelecida pelo § 2º do art. 85 do CPC e com a jurisprudência deste Tribunal. Sobre o tema: AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. PLANO DE SAÚDE. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL . NÃO OCORRÊNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. SUSTENTAÇÃO ORAL. RENÚNCIA TÁCITA. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 7/STJ. TRATAMENTO MÉDICO REALIZADO FORA DA REDE CREDENCIADA. REEMBOLSO PELA TABELA CONTRATADA. VERBA HONORÁRIA. FIXAÇÃO. REGRA GERAL. ART. 85, § 2º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. HONORÁRIOS POR EQUIDADE. NÃO CABIMENTO. .. 4. O art. 85, § 2º, do CPC constitui a regra geral no sentido de que os honorários sucumbenciais devem ser fixados no patamar de 10% (dez por cento) a 20% (vinte por cento) sobre o valor da condenação, do proveito econômico obtido ou do valor atualizado da causa. 5. Somente é admitido o arbitramento de honorários por equidade (art. 85, § 8º do CPC) quando, havendo ou não condenação (a) o proveito econômico obtido pelo vencedor for inestimável ou irrisório ou (b) o valor da causa for muito baixo. 6. É imperiosa a revisão do valor dos honorários advocatícios para que seja fixado em 10% sobre o valor da causa, montante que se mostra adequado aos limites legais e às peculiaridades da causa. 7. Agravo conhecido para conhecer em parte do recurso especial e dar-lhe parcial provimento para fixar os honorários advocatícios em 10% (dez por cento) sobre o valor da causa. (AREsp n. 2.939.754/GO, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 10/11/2025, DJEN de 14/11/2025, destaquei.) IV - Dissídio jurisprudencial Quanto à divergência jurisprudencial, limitada à questão relativa à verba honorária, o reconhecimento de que o acórdão decidiu de acordo com o entendimento dominante desta Corte impede o seu conhecimento, conforme a Súmula 83. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL E CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA. CONTRATO PARTICULAR E COMPROMISSO DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL SEM A CIÊNCIA DE DETERMINADOS CO-PROPRIETÁRIOS. NULIDADE DO NEGÓCIO JURÍDICO RECONHECIDA. ACÓRDÃO EM CONSONÂNCIA COM JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SÚMULA 83 DO STJ. AGRAVO DESPROVIDO. .. 2. O entendimento adotado no acórdão recorrido coincide com a jurisprudência assente desta Corte Superior, circunstância que atrai a incidência da Súmula 83/STJ. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt nos EDcl no REsp n. 1.811.800/RS, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 12/12/2022, DJe de 14/12/2022, destaquei) DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. CHAMAMENTO AO PROCESSO. INAPLICABILIDADE NA FASE EXECUTIVA. DECISÃO RECORRIDA EM CONFORMIDADE COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 83/STJ. AGRAVO NÃO CONHECIDO. I. CASO EM EXAME .. 5. O acórdão recorrido alinha-se integralmente com a jurisprudência dominante do STJ, razão pela qual incide o óbice da Súmula 83/STJ, que impede o conhecimento do recurso especial interposto com fundamento na divergência jurisprudencial. .. IV. DISPOSITIVO 7. Agravo em recurso especial não conhecido. (AREsp n. 2.536.929/DF, relatora Ministra Daniela Teixeira, Terceira Turma, julgado em 30/6/2025, DJEN de 3/7/2025, destaquei.) V - Conclusão Ante o exposto, nego provimento ao agravo em recurso especial. Nos termos do § 11 do art. 85 do CPC, majoro, em 10% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, os honorários advocatícios em desfavor da parte ora recorrente, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos no § 2º do referido artigo e ressalvada eventual concessão de gratuidade de justiça. Publique-se. Intimem-se. EMENTA