REsp 2129960 - ACORDAO
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 19/08/2025 a 25/08/2025, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi,...
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- Parties
- Recorrente: KENNEDY DALLA e outros; Recorrido: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 August 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Cumprimento De Sentença (agravo De Instrumento)
- Legal Topics
- Impenhorabilidade De Bem De Família, Preclusão, Nulidade Da Aquisição Por Simulação E Fraude À Lei, Efeitos Panprocessuais, Súmula 283 STF, Súmula 7 STJ
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Parties
KENNEDY DALLA e outros
Recorrente
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Cumprimento De Sentença (agravo De Instrumento)
Legal Issues
- 1 Pode a impenhorabilidade do bem de família ser reconhecida em qualquer fase do processo, independentemente de preclusão?
- 2 Decisão da Justiça do Trabalho que reconheceu o imóvel como bem de família teria efeitos panprocessuais?
- 3 A ausência de impugnação de fundamento autônomo do acórdão recorrido impede o conhecimento do recurso?
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 19/08/2025 a 25/08/2025, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Humberto Martins, Ricardo Villas Bôas Cueva e Moura Ribeiro votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. IMPENHORABILIDADE DE BEM DE FAMÍLIA. ALEGAÇÃO DE NULIDADE NA AQUISIÇÃO DO IMÓVEL. FUNDAMENTO AUTÔNOMO NÃO IMPUGNADO. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 283 DO STF E 7 DO STJ. RECURSO NÃO CONHECIDO. I. CASO EM EXAME 1. Recurso especial interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, que, no bojo de agravo de instrumento em fase de cumprimento de sentença, manteve a decisão de primeiro grau que indeferiu a alegação de impenhorabilidade do imóvel por se tratar de bem de família e autorizou a realização do leilão judicial, reconhecendo a nulidade da aquisição do imóvel por simulação e fraude à lei. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. Há uma questão em discussão: (i) definir se a impenhorabilidade do bem de família pode ser reconhecida em qualquer fase do processo, independentemente de preclusão; (ii) estabelecer se decisão da Justiça do Trabalho que reconheceu o imóvel como bem de família teria efeitos panprocessuais; (iii) verificar se a ausência de impugnação de fundamento autônomo do acórdão recorrido impede o conhecimento do recurso. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. O acórdão recorrido está fundado em dois pilares autônomos: a preclusão da matéria referente à impenhorabilidade e a nulidade da aquisição do imóvel por simulação e fraude à lei. A ausência de impugnação específica ao segundo fundamento atrai a incidência da Súmula 283 do STF. 4. A tese de que a decisão proferida pela Justiça do Trabalho que reconhecera a impenhorabilidade do bem teria efeitos panprocessuais demanda o reexame do acervo fático-probatório, uma vez que ausente qualquer referencia à tal fato nos acórdãos impugnados, vedado em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 7 do STJ. 5. A verificação da alegada má-fé na aquisição também implicaria revisão de fatos e provas, o que encontra óbice na Súmula 7/STJ. V. DISPOSITIVO 6. Recurso especial não conhecido.
RELATÓRIO Cuida-se de recurso especial interposto por KENNEDY DALLA e outros, com fundamento no artigo 105, III, a e c, da Constituição da República, em oposição a acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO (Agravo de Instrumento nº 12123338-74.2023.8.26.0000 e embargos de declaração nº 2123338-74.2023.8.26.0000/50001) que negou provimento ao recurso, mantendo decisão que reconhecera a impossibilidade de se conceder proteção de bem de família ao imóvel leiloado. O acórdão impugnado encontra-se assim ementado: AGRAVO DE INSTRUMENTO - CUMPRIMENTO DE SENTENÇA - AÇÃO DE COBRANÇA - Contratos bancários - Decisão que REJEITOU a arguição de bem de família e INDEFERIU o requerimento de suspensão do leilão sob esse fundamento, ressaltando que a arguição de impenhorabilidade do imóvel é rejeitada, vez que reconhecida a nulidade da aquisição do imóvel, tanto por simulação, quanto por fraude à lei, como se lê na sentença proferida em Embargos de Terceiro opostos pelos ora requerentes, antes do julgado trabalhista a que se referem - Na espécie, o reconhecimento do bem de família significaria, prestígio à má-fé, o que não se pode, evidentemente, admitir - IRRESIGNAÇÃO dos terceiros interessados - Pretensão de cancelamento do leilão e de desconstituição da penhora do imóvel, insistindo tratar-se de bem de família - DESCABIMENTO - Fase de cumprimento de sentença que deve obedecer rigorosamente ao título executivo judicial - AUSÊNCIA DE NULIDADES- Penhora de bem imóvel em observância ao Art.835 do CPC - Possibilidade de penhora de 100% do imóvel indivisível, em qualquer hipótese de copropriedade, assegurando-se os direitos do condômino por meio da reserva da parte ideal de eventual produto de alienação - Inteligência do art. 843 do CPC - Questões atinentes à impenhorabilidade do imóvel há muito superadas, inclusive pela improcedência dos Embargos de Terceiro, não se justificando a tentativa dos terceiros de obstar a realização do leilão e a satisfação do crédito exequendo - MATÉRIA PRECLUSA - Vedada rediscussão - Não se vislumbra desacerto do Juízo a quo - Prosseguimento da execução que é de rigor - Precedentes dos C. STJ e deste Eg. TJSP - DECISÃO MANTIDA - RECURSO NÃO PROVIDO. AGRAVO INTERNO - Interposto contra o despacho do Relator que indeferiu o efeito suspensivo ao Agravo de Instrumento - RECURSO PREJUDICADO, ante o julgamento do principal. .(e-STJ Fls.256/277) O recurso especial aponta violação aos artigos 1º e caput do 5º da Lei 8009/90; inciso I do artigo 19, artigo 8º, inciso IV do § 1º do artigo 489, artigo 435; artigo 492 e o inciso VI do artigo 790; artigo 1022 e §2º do artigo 1026 todos do Código de Processo Civil, bem como divergência jurisprudencial a respeito da ocorrência ou não de preclusão no tocante à alegação de impenhorabilidade do bem de família. Sustentam os recorrentes, em síntese: (i) A existência de decisão transitada em julgado proferida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (autos 1001126- 22.2022.5.02.0065) reconhecendo o imóvel penhorado como bem de família, é uma decisão declaratória, por meio da qual trouxe a certeza jurídica de que os recorrentes utilizam o imóvel como bem de família, já que ali fixaram a moradia, juntamente com seus familiares, em caráter permanente; (ii) Tal decisão não criou direito ou uma relação jurídica nova, ela, tão somente, reconheceu como existente a situação jurídica anterior, posta em julgamento, declarando-a, conforme se depreende do artigo 19, inciso I do Código de Processo Civil. Em sendo assim, a decisão obtida na esfera do processo trabalhista, por ter natureza declaratória, produz efeitos ex tunc e erga omnes. O reconhecimento judicial da impenhorabilidade de imóvel, por se tratar de bem de família, estende a proteção para todos os outros feitos, inclusive, atingindo aqueles cuja penhora já havia sido deferida, o chamado efeito pan-processual; (iii) O acórdão recorrido proferido pela C. Turma Julgadora do E. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo violou flagrantemente os artigos 1º e caput do 5º da Lei 8009/90; inciso I do artigo 19, artigo 8º, inciso IV do § 1º do artigo 489, artigo 435; artigo 492 e ao inciso VI do artigo 790, artigo 1022 e §2º do artigo 1026 todos do Código de Processo Civil, além de afrontar o posicionamento pacificado deste E. Superior Tribunal de Justiça, especificamente quanto a não preclusão de matéria relativa à arguição da impenhorabilidade do bem de família, por se tratar de ordem pública; e de violar o prescrito na Súmula 98, com a indevida aplicação de multa, em sede de embargos de declaração, por entender que foram procrastinatórios, já que os recorrentes utilizaram, também, para fins de prequestionamento (Súmula 98 do E. STJ: "embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não tem caráter protelatório") e de divergir de julgados proferidos pelos Tribunais de Justiça dos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul; (iv) os recorrentes são terceiros adquirentes do imóvel penhorado em cadeia sucessiva, já que não adquiriram o bem dos proprietários originários, estes sim, sócios da empresa executada. Ou seja, após 10 anos da aquisição do imóvel pelos recorrentes (2005), ocorreu a propositura da demanda originária (2015); (v) Ainda que se supere (i) a ausência de preclusão sobre a matéria de bem de família e impenhorabilidade; (ii) a violação quanto a necessidade de ação própria para declarar nulo o contrato por simulação/fraude à lei; (iii) a não extensão dos efeitos de decisão colegiada transitada em julgada que reconheceu o uso do imóvel pelos recorrentes como bem de família, o que se admite apenas para argumentar, o V. Acórdão recorrido violou frontalmente o entendimento proferido pelos Tribunais de Justiça do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul e do já exarado por essa Corte. (vi) O V. Acórdão recorrido proferido pelo E. TJSP divergiu do entendimento do E. TJMT, proferido os autos do Agravo de Instrumento 1003482-87.2022.8.11.0000, por meio do qual restou decidido que se reconhecida a impenhorabilidade em diversos processos, com sentença transitada em julgado e não demonstrado que houve modificação no patrimônio do agravante, deve ser novamente reconhecida a impossibilidade de ser constrito o mesmo imóvel por ser bem de família (doc.4). Contudo, em total contradição ao quanto acima apontado, o acórdão recorrido entendeu que "o reconhecimento de bem de família significaria, prestígio a má-fé, vez que reconhecida a nulidade e aquisição do imóvel, tanto por simulação quanto por fraude, como se lê na sentença proferida nos embargos de terceiro, antes do julgado trabalhista a que se referem"; (vii) O V. Acórdão recorrido proferido pelo E. TJSP também divergiu, em dois momentos, do entendimento do E. TJMS, proferido os autos do Agravo de Instrumento nº 1411186-93.2021.8.12.0000, por meio do qual restou decidido que a impenhorabilidade do bem de família pode ser alegada em qualquer tempo, fase ou grau de jurisdição, não se submetendo à preclusão temporal ou decadência, operando-se a preclusão apenas quando houver decisão anterior sobre o tema, bem como diante da apresentação de elementos suficientes à comprovação de que residem no imóvel, faz incidir a proteção legal de bem de família (doc. 5). Entretanto, em total contradição, o acórdão recorrido entendeu que a matéria suscitada estaria preclusa, pois o meio próprio para defesa e discussão seria a ação autônoma de embargos de terceiro, já existente e decidida, afastando o reconhecimento judicial do imóvel como bem de família, mesmo diante de comprovação advinda de sentença transitada em julgado. Requerem, portanto, seja o recurso conhecido e provido para declarar a impenhorabilidade do imóvel, por se tratar de bem de família, desconstituindo a penhora, bem como para cancelar a multa aplicada. Subsidiariamente, pugna pela anulação do julgamento para que outro seja prolatado (e-STJ fls. 280/335). Apresentadas as contrarrazões no e-STJ fls. 538/566, o recurso especial admitido na origem (e-STJ fls. 604/607). EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. IMPENHORABILIDADE DE BEM DE FAMÍLIA. ALEGAÇÃO DE NULIDADE NA AQUISIÇÃO DO IMÓVEL. FUNDAMENTO AUTÔNOMO NÃO IMPUGNADO. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 283 DO STF E 7 DO STJ. RECURSO NÃO CONHECIDO. I. CASO EM EXAME 1. Recurso especial interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, que, no bojo de agravo de instrumento em fase de cumprimento de sentença, manteve a decisão de primeiro grau que indeferiu a alegação de impenhorabilidade do imóvel por se tratar de bem de família e autorizou a realização do leilão judicial, reconhecendo a nulidade da aquisição do imóvel por simulação e fraude à lei. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. Há uma questão em discussão: (i) definir se a impenhorabilidade do bem de família pode ser reconhecida em qualquer fase do processo, independentemente de preclusão; (ii) estabelecer se decisão da Justiça do Trabalho que reconheceu o imóvel como bem de família teria efeitos panprocessuais; (iii) verificar se a ausência de impugnação de fundamento autônomo do acórdão recorrido impede o conhecimento do recurso. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. O acórdão recorrido está fundado em dois pilares autônomos: a preclusão da matéria referente à impenhorabilidade e a nulidade da aquisição do imóvel por simulação e fraude à lei. A ausência de impugnação específica ao segundo fundamento atrai a incidência da Súmula 283 do STF. 4. A tese de que a decisão proferida pela Justiça do Trabalho que reconhecera a impenhorabilidade do bem teria efeitos panprocessuais demanda o reexame do acervo fático-probatório, uma vez que ausente qualquer referencia à tal fato nos acórdãos impugnados, vedado em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 7 do STJ. 5. A verificação da alegada má-fé na aquisição também implicaria revisão de fatos e provas, o que encontra óbice na Súmula 7/STJ. V. DISPOSITIVO 6. Recurso especial não conhecido. VOTO O recurso é tempestivo, no entanto, não merece ser conhecido. De há muito se firmou o entendimento no sentido de que "A falta de impugnação a fundamento suficiente para manter o acórdão recorrido acarreta o não conhecimento do recurso." (AgInt no AREsp n. 2.423.648/PE, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 11/11/2024, DJe de 13/11/2024.) Com efeito, presente na decisão agravada fundamento fático ou jurídico que sustente, por si, o resultado impugnado, mostra-se destituído de utilidade o exame das teses recursais relativas aos demais aspectos, já que, mesmo que acolhidas, não alterarão o que decidido. Cuida-se de entendimento consagrado desde a edição da Súmula 283 pelo Supremo Tribunal Federal, segundo a qual: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles." Observa-se que o Tribunal de origem afastou a alegação da impenhorabilidade do bem de família em virtude do reconhecimento de nulidade na aquisição do bem imóvel por simulação e fraude a lei. Vejamos: .. Sobreveio a r. decisão de fls. 7585/7586, digitalizada a fls. 39/40, que REJEITOU a arguição de bem de família e INDEFERIU o requerimento de suspensão do leilão sob esse fundamento, ressaltando que a arguição de impenhorabilidade do imóvel da Rua Jurema, 1031, é rejeitada porquanto reconhecida a nulidade da aquisição tanto por simulação, quanto por fraude à lei, como se lê na sentença copiada a fls. 7488/9, proferida em Embargos de Terceiro opostos pelos ora requerentes, antes do julgado trabalhista a que se referem. Na espécie, o reconhecimento do bem de família significaria, prestígio à má-fé, o que não se pode, evidentemente, admitir. É contra essa decisão que os terceiros interessados, demonstram seu inconformismo interpondo o presente recurso. Em que pese o esforço argumentativo, embora conhecido, o recurso não merece provimento. E tal se dá, porquanto o DD. Juiz de Primeira Instância, evidentemente, deu adequada solução à questão. Percebe-se claramente na decisão ora combatida, que ao rejeitar o pedido formulado, ressaltou-se apenas que a questão suscitada há muito está preclusa, não possuindo os terceiros interessados, legitimidade para obstar a realização do leilão dos imóveis regularmente penhorados e avaliados, tampouco para impedir a satisfação do crédito da exequente. Não se olvide que o meio próprio para defesa e discussão de atos constritivos em desfavor dos seus interesses era mesmo a ação autônoma de Embargos de Terceiro, nos termos previstos no artigo 674 e seguintes do CPC. E, como relatado, já houve prolação de sentença julgando improcedentes os embargos de terceiro, assim como o recurso de Apelação interposto não foi conhecido por deserção por esta C. 38ª Câmara e, o Recurso Especial e consequente Agravo em Recurso Especial, foram desprovidos pelo C. STJ, conforme Acórdãos já transitados em julgado, operando-se a preclusão. Equivale a dizer, que os terceiros não têm legitimidade para postular o reconhecimento de supostas nulidades quanto à penhora, por simples petição nos autos do processo do qual não são parte, na tentativa de obstar o regular prosseguimento da fase executiva, notadamente porque a arguição de impenhorabilidade do imóvel da Rua Jurema, 1031, já foi rejeitada por sentença, reconhecendo-se a nulidade da aquisição tanto por simulação, quanto por fraude à lei. Percebe-se claramente na peça de interposição do presente recurso de Agravo de Instrumento, que em nenhum momento os agravantes infirmaram ou se manifestaram de maneira minimamente precisa sobre os fundamentos centrais da decisão proferida, limitando-se a pedir injustificadamente à esta Instância Recursal que determine a suspensão dos leilões designados, centrados em matéria sabidamente preclusa, a teor do preconizado no artigo 278 caput e parágrafo único do Código de Processo Civil, a saber: "Art. 278. A nulidade dos atos deve ser alegada na primeira oportunidade em que couber à parte falar nos autos, sob pena de preclusão. Parágrafo único. Não se aplica o disposto no caput às nulidades que o juiz deva decretar de ofício, nem prevalece a preclusão provando a parte legítimo impedimento." Como bem destacado na decisão ora combatida, "O reconhecimento do bem de família significaria, na espécie, prestígio à má-fé, o que não se pode, evidentemente, admitir." .. (agravo de instrumento 12123338-74.2023.8.26.0000 - e-STJ fls. 256/277). Da análise da petição de recurso especial, constata-se que tal questão não foi impugnada, sendo ela fundamento suficiente para manter o acórdão recorrido, pelo que de rigor a incidência da súmula 283 do STF. Nesse sentido a jurisprudência desta Corte de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. EXCESSO DE EXECUÇÃO. AVERIGUAÇÃO DOS CÁLCULOS PELO JULGADOR. POSSIBILIDADE. OFENSA À COISA JULGADA. FUNDAMENTO NÃO IMPUGNADO. SÚMULA 283 DO STF. DEVER DO JUIZ AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. 1. O Tribunal estadual constatou que, no caso concreto, os cálculos apresentados pelo exequente violaram o título exequendo, razão pela qual permitiu que o magistrado examinasse os cálculos de cumprimento de sentença. A falta de impugnação a esse fundamento que, por si só, é suficiente para manter o acórdão recorrido, atrai a aplicação da Súmula 283/STF: "é inadmissível o recurso extraordinário quando a decisão recorrida se baseia em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". 2. Agravo conhecido, para não conhecer do recurso especial. (AREsp n. 2.753.846/PR, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 31/3/2025, DJEN de 3/4/2025.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRATOS BANCÁRIOS. AÇÃO REVISIONAL. FUNDAMENTOS DA DECISÃO MONOCRÁTICA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. PEDIDO REVISIONAL GENÉRICO. IMPOSSIBILIDADE. FUNDAMENTO AUTÔNOMO DO ACÓRDÃO RECORRIDO NÃO IMPUGNADO. SÚMULA 283/STF. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Conforme entendimento firmado pela Corte Especial no julgamento do EREsp 1.424.404/SP (Relator Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, julgado em 20/10/2021, DJe de 17/11/2021), a ausência de impugnação, no agravo interno, de capítulos autônomos da decisão recorrida induz à preclusão das matérias não impugnadas. 2. A ausência de impugnação, nas razões do recurso especial, de fundamento autônomo e suficiente à manutenção do acórdão recorrido atrai o óbice da Súmula 283 do STF, segundo a qual: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles." 3. "A alegação genérica de ilegalidade no pacto estipulado pelas partes obsta a intervenção judicial pois, "nos contratos bancários, é vedado ao julgador conhecer, de ofício, da abusividade das cláusulas" (Súmula n. 381/STJ)" (AgInt no AREsp n. 1.765.062/PR, Relator Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA, julgado em 30/5/2022, DJe de 2/6/2022). 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.737.704/SC, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 24/3/2025, DJEN de 31/3/2025.) De mais a mais, para conhecer da controvérsia apresentada neste recurso (existência ou não de decisão transitada em julgado proferida pelo Tribunal Regional do Trabalho que reconheceria a impenhorabilidade do bem imóvel) , mostra-se necessário o revolvimento do acervo fático-probatório dos autos, procedimento incompatível com o entendimento firmado pela súmula 7 deste Superior Tribunal de Justiça, que estabelece que "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial.", uma vez que ausente qualquer referência a tal fato nos acórdãos impugnados. Diante disso, é reiterada a jurisprudência desta Corte que assenta que "o reexame de fatos e provas (é) vedado em recurso especial pela Súmula 7 do STJ."(AgInt no REsp n. 2.151.760/SC, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 9/12/2024, DJEN de 12/12/2024.) No mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE RESCISÃO CONTRATUAL CUMULADA COM RESTITUIÇÃO DE VALORES E INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INADMISSIBILIDADE. SÚMULA 7 DO STJ. RESTITUIÇÃO DE QUANTIA PAGA. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. RESOLUÇÃO POR CULPA DA CONSTRUTORA/VENDEDORA. DEVOLUÇÃO DA COMISSÃO DE CORRETAGEM. PRESCRIÇÃO. PRAZO TRIENAL. INAPLICABILIDADE. VIOLAÇÃO DO ART. 489 DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. Ação de rescisão contratual cumulada com restituição de valores e indenização por danos morais e materiais. 2. Alterar o decidido no acórdão impugnado no que se refere às teses atinentes à alegada ilegitimidade passiva dos recorrentes no tocante à relação jurídica havida entre as partes e à delimitação de suposta responsabilidade, envolve o reexame de fatos e provas, o que é vedado em recurso especial pela Súmula 7/STJ. (..) (AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.627.058/MG, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 11/11/2024, DJe de 13/11/2024.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVAS. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO AOS FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO. APLICAÇÃO DA SÚMULA N.º 283 DO STF, POR ANALOGIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO CONFIGURAÇÃO. REFORMA DO JULGADO. ANÁLISE DE MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. NÃO CABIMENTO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 7 DO STJ. TEMA NÃO DEBATIDO PELAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS. APLICAÇÃO DA SÚMULA N.º 282 DO STF. PREQUESTIONAENTO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. NECESSIDADE. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. A falta de impugnação a fundamento suficiente para manter o acórdão recorrido acarreta o não conhecimento do recurso. Inteligência da Súmula n.º 283 do STF, aplicável, por analogia, ao recurso especial. 2. A alteração das conclusões do acórdão recorrido exige reapreciação do acervo fático-probatório da demanda, o que faz incidir o óbice da Súmula n.º 7 do STJ. (..) (AgInt no AREsp n. 2.662.287/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 28/10/2024, DJe de 30/10/2024.) Ante o exposto, não conheço do recurso especial. É como voto.