REsp 2110932 - DECISAO
O STJ entendeu que a impenhorabilidade prevista no art. 833, IV, do CPC não é absoluta e pode ser mitigada para assegurar a efetividade da execução e o ressarcimento ao erário, sem comprometer o mínimo existencial; por isso conheceu em parte do recurso especial e determinou a penhora de 30% dos vencimentos do...
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- Parties
- Recorrente: Ministério Público do Estado do Amapá; Recorrido/executado: José Antônio Nogueira de Sousa
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 August 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Conhecido Em Parte E Provido
- Outcome
- Recurso especial conhecido em parte e provido
- Legal Topics
- Impenhorabilidade Dos Proventos, Penhora De Vencimentos, Improbidade Administrativa, Cumprimento De Sentença, Mínimo Existencial, Cotejo Jurisprudencial
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Parties
Ministério Público do Estado do Amapá
Recorrente
José Antônio Nogueira de Sousa
Recorrido/executado
Procedural Posture
Recurso Especial / Conhecido Em Parte E Provido
Legal Issues
- 1 Possibilidade de penhora de 30% dos vencimentos para pagamento de multa civil decorrente de improbidade administrativa
- 2 Alcance da impenhorabilidade dos proventos nos termos do art. 833, IV e §2º do CPC
- 3 Existência de dissídio jurisprudencial e necessidade de cotejo analítico para caracterizá-lo
Ratio Decidendi
O STJ entendeu que a impenhorabilidade prevista no art. 833, IV, do CPC não é absoluta e pode ser mitigada para assegurar a efetividade da execução e o ressarcimento ao erário, sem comprometer o mínimo existencial; por isso conheceu em parte do recurso especial e determinou a penhora de 30% dos vencimentos do recorrido.
Court Disposition
Recurso especial conhecido em parte e provido
Orders
- Determinar a penhora de 30% (trinta por cento) dos vencimentos percebidos pelo recorrido José Antônio Nogueira de Sousa
- Publique-se
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Agravo de Instrumento interposto pelo Ministério Público do Estado do Amapá contra decisão proferida nos autos do cumprimento de sentença em ação civil pública por atos de improbidade administrativa, que indeferiu a penhora de 30% dos vencimentos do executado José Antônio Nogueira de Sousa obtidos com o vínculo perante o TJAP, objetivando o pagamento de multa civil imposta na sentença. O Tribunal de Justiça do Estado do Amapá negou provimento ao agravo de instrumento, conforme seguinte ementa (fls. 98-103): CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INTRUMENTO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA POR ATO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA EM FASE DE CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. MULTA CIVIL. PENHORA PARCIAL DOS PROVENTOS. INDEFERIMENTO. DECISÃO MANTIDA. 1) O Superior Tribunal de Justiça vem decidindo que a regra geral da impenhorabilidade dos vencimentos poderá ser excepcionada, nos termos do art. 833, IV, c/c o § 2º do CPC, quando se voltar: I) para o pagamento de prestação alimentícia, independentemente do valor da verba remuneratória recebida; e II) para o pagamento de qualquer outra dívida não alimentar, quando os valores recebidos pelo executado forem superiores a 50 salários mínimos mensais, ressalvadas eventuais particularidades do caso concreto; 2) A hipótese dos autos não se amolda a nenhuma das exceções acima, de modo que a constrição, mesmo parcial, dos proventos do recorrido causaria prejuízo ao sustento próprio e familiar; 3) Agravo de instrumento conhecido e não provido. Irresignado, o Ministério Público do Estado do Amapá interpôs recurso especial, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal (fls. 129-148). No referido recurso sustenta divergência jurisprudencial, violação aos artigos 833, IV e § 2º, do Código de Processo Civil e 14, § 3º, da Lei n. 4.717/1965, uma vez que os salários, vencimentos e proventos de aposentadoria não são absolutamente impenhoráveis, podendo haver a constrição de parcela dos proventos para saldar débitos decorrentes de condenação por atos de improbidade administrativa. Contrarrazões ao recurso especial apresentadas (fls. 201-214). Em juízo de admissibilidade, o Tribunal de Justiça do Estado do Amapá admitiu o recurso especial interposto (fls. 263-265). Devidamente intimado, o Ministério Público Federal, em parecer da lavra da Subprocuradora-Geral da República Denise Vinci Tulio, na condição de custos legis, opinou pelo parcial conhecimento e, nessa extensão, pelo provimento do recurso especial (fls. 367-371), em parecer assim ementado: ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. PENHORA DE 30% DOS VENCIMENTOS DE UM DOS CARGOS EXERCIDOS PELO EXECUTADO. POSSIBILIDADE. GARANTIA DO MÍNIMO EXISTENCIAL. OFENSA AOS ART. 833, IV E §2º, DO CPC E 14, §3º, DA LEI Nº 4.717/1965. DISSÍDO JURISPRUDENCIAL. COTEJO ANALÍTICO. INOCORRÊNCIA. 1 - O acórdão recorrido violou os artigos 833, IV e §2º, do CPC e 14, §3º, da Lei n.º 4.717/1965, bem como jurisprudência pacífica do STJ sobre o tema, uma vez que a flexibilização da impenhorabilidade de vencimento/salário deve servir ao propósito de garantia da satisfação do débito. Precedente. 2 - Apesar da ausência de previsão expressa na Lei 8.429/92, a autorizar o desconto na folha de pagamento do agente ímprobo para fins de ressarcimento ao erário, é possível a integração daquela lei por meio de normas do microssistema de tutela coletiva, mostrando-se plausível a aplicação analógica do artigo 14, §3º, da Lei nº 4.717/1965 ao caso em apreço. 3 - A penhora de 30% dos vencimentos do executado pelo cargo de Técnico Judiciário do Tribunal de Justiça do Estado do Amapá, à toda evidência não comprometerá sua subsistência e de sua família, tendo em vista que restará integralmente à sua disposição 70% da quantia, além dos vencimentos pelo cargo de professor do Estado do Amapá. 4 - O recorrente não procedeu ao cotejo analítico entre os casos paradigmas e o acórdão recorrido, a fim de evidenciar a alegada semelhança temática, não satisfazendo, portanto, aos artigos 1.029, § 1º, do CPC/15 c/c o art. 255 do RISTJ. 5 - Parecer pelo parcial conhecimento do recurso especial para, nessa extensão, dar-lhe provimento. É o relatório. Decido. A parte recorrente defende a existência de divergência jurisprudencial e violação aos artigos 833, IV e § 2º, do Código de Processo Civil e 14, § 3º, da Lei n. 4.717/1965, uma vez que os salários, vencimentos e proventos de aposentadoria não são absolutamente impenhoráveis, podendo haver a constrição de parcela dos proventos para saldar débitos decorrentes de condenação por atos de improbidade administrativa Pois bem. Em princípio, nos termos do artigo 833, inciso IV, do CPC, os proventos salariais são absolutamente impenhoráveis, isto é, não se sujeitam à penhora nem mesmo se inexistentes outros bens do devedor: "Art. 833. São impenhoráveis: (..) IV - os vencimentos, os subsídios, os soldos, os salários, as remunerações, os proventos de aposentadoria, as pensões, os pecúlios e os montepios, bem como as quantias recebidas por liberalidade de terceiro e destinadas ao sustento do devedor e de sua família, os ganhos de trabalhador autônomo e os honorários de profissional liberal, ressalvado o §2º;" Consoante o parágrafo 2º do dispositivo, a regra acima transcrita "não se aplica à hipótese de penhora para pagamento de prestação alimentícia, independentemente de sua origem, bem como às importâncias excedentes a 50 (cinquenta) salários-mínimos mensais. No entanto, a regra da impenhorabilidade pode ser mitigada, permitindo-se a penhora de salários, desde que garantido o princípio da dignidade humana. É da jurisprudência desta Corte Superior que a regra da impenhorabilidade dos proventos, posta no art. 833, IV, do CPC/2015, não se reveste de caráter absoluto, devendo ser mitigada ou relativizada a bem do interesse público, como ocorre no presente caso, em que se cuida de conferir efetividade à decisão judicial que condenou o ora recorrido a reparar o dano que causou ao patrimônio público, não sem que antes lhe fosse dada a oportunidade de cumprir espontaneamente a sentença condenatória. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. PENHORA DE PARTE DOS SALÁRIOS DO RÉU. POSSIBILIDADE. ART. 833, § 2º, DO CPC.MITIGAÇÃO NA APLICAÇÃO DA SÚMULA N. 7 DO STJ. I - Na origem, trata-se de agravo de instrumento interposto pelo Ministério Público do Estado de São Paulo contra a decisão que, nos autos da ação civil pública em fase de cumprimento de sentença, indeferiu o pedido de penhora de parte do salário do executado. No Tribunal a quo, a decisão foi mantida. Nesta Corte, conheceu-se agravo para dar provimento ao recurso especial. II - A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme no sentido de que a situação descrita nos presentes autos não encontra óbice na Súmula n. 7 desta Corte. III - Não se aplica o preceituado no enunciado da Súmula n. 7/STJ no caso de mera revaloração jurídica das provas e dos fatos. "Exige-se, para tanto, que todos os elementos fático-probatórios estejam devidamente descritos no acórdão recorrido, sendo, portanto, desnecessária a incursão nos autos em busca de substrato fático para que seja delineada a nova apreciação jurídica". (AgInt no AREsp 1.252.262/AL, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, relator p/ Acórdão Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 23/10/2018, DJe 20/11/2018.) IV - Nos termos do art. 833,IV, do CPC, os proventos salariais são absolutamente impenhoráveis, isto é, não se sujeitam à penhora nem mesmo se inexistentes outros bens do devedor. V - Consoante o parágrafo 2º do dispositivo, a regra acima transcrita "não se aplica à hipótese de penhora para pagamento de prestação alimentícia, independentemente de sua origem, bem como às importâncias excedentes a 50 (cinquenta) salários-mínimos mensais. No entanto, a regra da impenhorabilidade pode ser mitigada, permitindo-se a penhora de salários, desde que garantido o princípio da dignidade humana." VI - O recorrido foi condenado ao pagamento do valor de R$ 80.813,77 (oitenta mil, oitocentos e treze reais e setenta e sete centavos), por decisão transitada em julgado, sendo que até o momento não ocorreu o pagamento do débito, tampouco foram localizados bens do devedor para saldar. Dessa forma, em atenção ao princípio da efetividade do processo e do in dubio pro societate, mostra-se razoável a penhora de parte de seus proventos de salário para o fim de garantir o cumprimento de sentença de ação de improbidade administrativa. VII - É pertinente a flexibilização da regra de impenhorabilidade salarial, a fim de que não se prestigie o devedor em detrimento do crédito do exequente, uma vez que a penhora é referente ao ressarcimento de dano ao erário diante da condenação em ação civil pública por atos de improbidade administrativa. VIII - A interpretação da impenhorabilidade salarial constante no art. 833, IV, do Código de Processo Civil, não deve ser realizada de forma absoluta, devendo ser mitigada, tendo em conta que está em jogo a tutela do interesse público. Nesse sentido: (STJ REsp: 1.790.570 SP 2018/0338723-2, relator: Ministro Herman Benjamin, Data de Julgamento: 21/3/2019, T2, Segunda Turma, Data de Publicação: DJe 30/5/2019.) IX - Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp 1754821/SP, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/10/2021, DJe 07/10/2021). - grifou-se. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. DEFICIÊNCIA NA INSTRUÇÃO DE AGRAVO DE INSTRUMENTO. AFERIÇÃO QUANTO À ESSENCIALIDADE DO DOCUMENTO. REEXAME NECESSÁRIO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ.CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. PENHORA DE PROVENTOS DE SALÁRIO. RELATIVIZAÇÃO DA REGRA DA IMPENHORABILIDADE. TRIBUNAL A QUO RECONHECEU QUE A CONSTRIÇÃO DE PERCENTUAL DE SALÁRIO VISA GARANTIR A EFETIVIDADE DA EXECUÇÃO E NÃO COMPROMETE A SUBSISTÊNCIA DIGNA DO RECORRENTE. ALTERAÇÃO DO JULGADO. SÚMULA 7/STJ. (..) 3. No mais, o propósito recursal é definir se, na hipótese, é possível a penhora de 30% (trinta por cento) do salário do recorrente para o pagamento de dívida de natureza não alimentar. 4. No tocante à impenhorabilidade preconizada no art. 649, IV, do CPC/1973, o STJ pacificou o entendimento de que a referida impenhorabilidade comporta exceções, como a que permite a penhora nos casos de dívida alimentar, expressamente prevista no parágrafo 2º do mesmo artigo, ou nos casos de empréstimo consignado, limitando o bloqueio a 30% (trinta por cento) do valor percebido a título de vencimentos, soldos ou salários. 5. Em situações excepcionais, admite-se a relativização da regra de impenhorabilidade das verbas salariais prevista no art. 649, IV, do CPC/73, a fim de alcançar parte da remuneração do devedor para a satisfação do crédito não alimentar, preservando-se o suficiente para garantir a sua subsistência digna e a de sua família. 6. Na espécie, em tendo a Corte local expressamente reconhecido que a constrição de percentual de salário do recorrente visa garantir a efetividade da execução e não compromete a sua subsistência digna, inviável mostra-se a alteração do julgado, uma vez que, para tal mister, seria necessário o revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos, inviável ao STJ em virtude do óbice de sua Súmula 7. 7. Recurso Especial não conhecido. (REsp 1741001/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 12/06/2018, DJe 26/11/2018). Desse modo, do acórdão recorrido, verifica-se que o Tribunal a quo negou provimento ao agravo de instrumento, aplicando ao presente caso a impenhorabilidade do artigo 833, IV, e § 2º, do CPC, por considerar que os proventos são insuscetíveis de penhora, por não se tratar de prestação de alimentos ou importância excedente a 50 salários-mínimos mensais, contrariando a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça, conforme acima elucidado. Vejam-se trechos doa cordão recorrido (fls. 100-103): "O art. 833, IV, e § 2º, do Código de Processo Civil, prevê que são impenhoráveis os vencimentos, os subsídios, os soldos, os salários, as remunerações, os proventos de aposentadoria, as pensões, os pecúlios e os montepios, bem como as quantias recebidas por liberalidade de terceiro e destinadas ao sustento do devedor e de sua família, os ganhos de trabalhador autônomo e os honorários de profissional liberal, ressalvado a hipótese de penhora para pagamento de prestação alimentícia, independentemente de sua origem, bem como às importâncias excedentes a 50 (cinquenta) salários-mínimos mensais. Os artigos 1º, III, e 7º, X, da Constituição Federal, por sua vez, garantem proteção ao salário do trabalhador, somente sendo possível a penhora nas exceções previstas no § 2º do art. 833 do CPC, o que constato não ser o caso dos autos. Sobre o assunto, confira-se a Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: (..) Portanto, sem delongas, a decisão agravada harmoniza-se com a lei e a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça, cuidando-se de impenhorabilidade - quase absoluta - dos proventos do executado/agravado, razão pela qual o não atendimento da pretensão recursal é medida que se impõe". Dessa forma, em atenção ao princípio da efetividade do processo , mostra-se razoável a penhora de parte de seus proventos de salário para o fim de garantir o cumprimento de sentença de ação de improbidade administrativa, tendo em conta que é pertinente a flexibilização da regra de impenhorabilidade salarial, a fim de que não se prestigie o devedor em detrimento do crédito do exequente, vez que a penhora é referente ao ressarcimento de dano ao erário diante da condenação em ação civil pública por atos de improbidade administrativa. Nesse contexto, conforme acima exposto, a interpretação da impenhorabilidade salarial constante no artigo 833, inciso IV, do Código de Processo Civil, não deve ser realizada de forma absoluta, devendo a mesma ser mitigada, tendo em conta que se está em jogo a tutela do interesse público. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL E ADMINSITRATIVO, IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA, RETENÇÃO DE PARTE DOS PROVENTOS, POSSIBILIDADE. IMPENHORABILIDADE DO SALÁRIO. MITIGAÇÃO. SÚMULAS 7 E 83 /STJ. APLICAÇÃO. 1. Cuidaram os autos, na origem, de Ação Cautelar visando à cessação dos bloqueios mensais de parte (30%) de sua aposentadoria em virtude de processo disciplinar. A sentença indeferiu o pedido mantendo o bloqueio. O Tribunal de origem entendeu por bem deferir a retenção de 10% dos valores depositados na conta-salário do recorrente, sob o fundamento de que a impenhorabilidade desses valores estabelecida elo CPC/1973 admite mitigação sem colocar em risco as necessidades básicas suas ou de seus familiares. 2. O Superior Tribunal de Justiça confirmou a excepcionalidade da regra relativa a impenhorabilidade de verbas salariais, admitindo sua flexibilização para abranger dívida não alimentar (REsp 1.673.067/DF. Rel. Minª Nancy Andrighi. Terceira Turma. DJe 15.9.2017). 3. Dessume-se que o acórdão recorrido está em sintonia com o atual entendimento do STJ, razão pela qual não merece prosperar a irresignação. Incide, in casu, o princípio estabelecido na Súmula 83/STJ, "Não se conhece do Recurso Especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". 4. Considerando que o Tribunal de origem, baseado nos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, a par das circunstâncias fático-probatórias dos autos, compreendeu que os percentuais bloqueados são adequados para manter o mínimo existencial dos devedores, de forma a não prejudicar a subsistência do recorrente, mas sem descurar do interesse público de ressarcimento ao erário e imposição de sanções de cunho patrimonial àqueles que praticam atos de improbidade administrativa, verifica-se que a alteração dessa conclusão demanda a reanálise dos elementos de fato e de prova dos autos, providência que, nesta via eleita, encontra óbice, conforme enunciado da súmula 7/STJ. 5. Recurso Especial não conhecido. (STJ - REsp: 1790570 SP 2018/0338723-2, Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN, Data de Julgamento: 21/03/2019, T2 - SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 30/05/2019). Ainda, no que diz respeito à divergência jurisprudencial, as ementas indicadas pela parte na petição não são suficientes para a comprovação do dissídio jurisprudencial viabilizador do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional. Isto porque não houve demonstração, nos moldes legais. Além da ausência do cotejo analítico e de não ter apontado de forma clara qual dispositivo legal recebeu tratamento diverso na jurisprudência pátria. Para a caracterização da divergência, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ, exige-se, além da transcrição de acórdãos tidos por discordantes, a realização do cotejo analítico do dissídio jurisprudencial invocado, com a necessária demonstração de similitude fática entre o aresto impugnado e os acórdãos paradigmas, assim como a presença de soluções jurídicas diversas para a situação, sendo insuficiente, para tanto, a simples transcrição de ementas, como no caso. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 1.235.867/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 17/5/2018, DJe 24/5/2018; AgInt no AREsp n. 1.109.608/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 13/3/2018, DJe 19/3/2018; REsp n. 1.717.512/AL, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/4/2018, DJe 23/5/2018. Ante o exposto, com fundamento nos artigos 34, XVIII, alínea "c", 255, §4º, e III, ambos do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço em parte do recurso especial e, nesta extensão, dou-lhe provimento, para o fim de determinar a penhora de 30% (trinta por cento) dos vencimentos percebidos pelo ora recorrido. Publique-se. Intimem-se. EMENTA