REsp 2125495 - DECISAO
O tribunal não conheceu do recurso especial porque a decisão recorrida está em consonância com a jurisprudência do STJ que admite, em casos excepcionais e respeitado o mínimo existencial, a penhora parcial de valores salariais; o executado não comprovou que os valores constritos eram indispensáveis à sua...
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- Parties
- Recorrente: DIEGO APARECIDO BERNABÉ
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 June 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Não Conheço Do Recurso Especial
- Outcome
- não conheço do recurso especial
- Legal Topics
- Impenhorabilidade Salarial, Penhora De Salários, Teoria Do Mínimo Existencial, Ônus Da Prova, Honorários Sucumbenciais, Súmula 7/stj
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Parties
DIEGO APARECIDO BERNABÉ
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Não Conheço Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Admissibilidade da penhora parcial de salários
- 2 Relativização da impenhorabilidade prevista no art. 833, IV, do CPC
- 3 Ônus da prova quanto à destinação de valores depositados em conta salarial
Ratio Decidendi
O tribunal não conheceu do recurso especial porque a decisão recorrida está em consonância com a jurisprudência do STJ que admite, em casos excepcionais e respeitado o mínimo existencial, a penhora parcial de valores salariais; o executado não comprovou que os valores constritos eram indispensáveis à sua subsistência; e a hipótese exigiria reexame de matéria fático-probatória vedado pela Súmula 7/STJ, além de haver fundamento não impugnado, aplicando-se o óbice da Súmula 283/STF e o disposto no art. 255, §4º, I, do RISTJ.
Court Disposition
não conheço do recurso especial
Orders
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Em análise, recurso especial interposto por DIEGO APARECIDO BERNABÉ, contra acórdão assim ementado: Agravo de instrumento. Execução fiscal. Penhora de salário do devedor. Admissibilidade. Presença de situação excepcional ou legal que justifique a relativização da impenhorabilidade de salários. Quantia constrita que pode recair apenas sobre recursos que sobejaram na conta corrente e que, portanto, não constituíram recursos para subsistência do executado. Precedente do E. STJ que permite ao intérprete mitigar o alcance da norma prevista no art.833, IV, do CPC, para assim autorizar a penhora parcial do salário do executado. Recurso parcialmente provido. Nas suas razões recursais, com fundamento no art. 105, III, a, da Constituição Federal, a parte recorrente alega violação aos arts. 85, § 3º, 831 e 833, IV, X, do CPC/2015. É o relatório. Decido. Ao dirimir a controvérsia, o Tribunal de origem, com base na jurisprudência do STJ, consignou o seguinte: Dispõe o artigo 833, IV, do Código de Processo Civil que: "São impenhoráveis: (..) IV - os vencimentos, os subsídios, os soldos, os salários, as remunerações, os proventos de aposentadoria, as pensões, os pecúlios e os montepios, bem como as quantias recebidas por liberalidade de terceiro e destinadas ao sustento do devedor e de sua família, os ganhos de trabalhador autônomo e os honorários de profissional liberal, ressalvado o § 2º". Tal artigo, entretanto, está sendo relativizado por posição mais liberal do Superior Tribunal de Justiça que admitiu a penhora dos rendimentos líquidos do devedor em casos excepcionais, "quando a hipótese concreta dos autos permitir que se bloqueie parte da verba remuneratória, preservando-se o suficiente para garantir a subsistência digna do devedor e de sua família" (REsp 1547561/SP, Rel. Min. NANCY ANDRIGHI, Terceira Turma, j. em 09/05/2017, DJe16/05/2017). Tendo isso em conta, a impenhorabilidade prevista na lei se refere ao salário propriamente dito, isto é, aquele que tem caráter alimentar e servirá para atender as necessidades imediatas do devedor e de sua família e não aos créditos que porventura estejam nas contas em que são depositados esses proventos. Do contrário, seria fácil o devedor livrar-se do pagamento de suas dívidas, visto que depositaria todo e qualquer ativo na conta em que recebe o seu salário e, por esse motivo, estaria protegido pela lei. .. Nessas condições, é dever da parte contra quem se volta a pretensão de cobrar, provar que eventual crédito existente na conta em que recebe seus proventos é para sua subsistência e de sua família. E no caso dos autos o executado não se desincumbiu totalmente do ônus que lhe competia. Nesse sentido, a conclusão do acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. PENHORA DE PARTE DOS SALÁRIOS DO RÉU. POSSIBILIDADE. ART. 833, § 2º, DO CPC. MITIGAÇÃO NA APLICAÇÃO DA SÚMULA N. 7 DO STJ. I - Na origem, trata-se de agravo de instrumento interposto pelo Ministério Público do Estado de São Paulo contra a decisão que, nos autos da ação civil pública em fase de cumprimento de sentença, indeferiu o pedido de penhora de parte do salário do executado. No Tribunal a quo, a decisão foi mantida. Nesta Corte, conheceu-se agravo para dar provimento ao recurso especial. .. IV - Nos termos do art. 833, IV, do CPC, os proventos salariais são absolutamente impenhoráveis, isto é, não se sujeitam à penhora nem mesmo se inexistentes outros bens do devedor. V - Consoante o parágrafo 2º do dispositivo, a regra acima transcrita "não se aplica à hipótese de penhora para pagamento de prestação alimentícia, independentemente de sua origem, bem como às importâncias excedentes a 50 (cinquenta) salários-mínimos mensais. No entanto, a regra da impenhorabilidade pode ser mitigada, permitindo-se a penhora de salários, desde que garantido o princípio da dignidade humana." VI - O recorrido foi condenado ao pagamento do valor de R$ 80.813,77 (oitenta mil, oitocentos e treze reais e setenta e sete centavos), por decisão transitada em julgado, sendo que até o momento não ocorreu o pagamento do débito, tampouco foram localizados bens do devedor para saldar. Dessa forma, em atenção ao princípio da efetividade do processo e do in dubio pro societate, mostra-se razoável a penhora de parte de seus proventos de salário para o fim de garantir o cumprimento de sentença de ação de improbidade administrativa. VII - É pertinente a flexibilização da regra de impenhorabilidade salarial, a fim de que não se prestigie o devedor em detrimento do crédito do exequente, uma vez que a penhora é referente ao ressarcimento de dano ao erário diante da condenação em ação civil pública por atos de improbidade administrativa. VIII - A interpretação da impenhorabilidade salarial constante no art. 833, IV, do Código de Processo Civil, não deve ser realizada de forma absoluta, devendo ser mitigada, tendo em conta que está em jogo a tutela do interesse público. Nesse sentido: (STJ REsp: 1.790.570 SP 2018/0338723-2, relator: Ministro Herman Benjamin, Data de Julgamento: 21/3/2019, T2 Segunda Turma, Data de Publicação:DJe 30/5/2019.) IX - Agravo interno improvido (AgInt no AREsp n. 1.754.821/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 4/10/2021, DJe de 7/10/2021). AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. OMISSÃO NO JULGADO. INEXISTÊNCIA. IMPENHORABILIDADE DE SALÁRIOS. RELATIVIZAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES DESTA CORTE SUPERIOR. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 83 DO STJ. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INVIABILIDADE. 1. "A jurisprudência do STJ caminha no sentido de que é possível, em situações excepcionais, a mitigação da impenhorabilidade dos salários para a satisfação de crédito não alimentar, desde que observada a Teoria do Mínimo Existencial, sem prejuízo direto à subsistência do devedor ou de sua família, devendo o Magistrado levar em consideração as peculiaridades do caso e se pautar nos princípios da proporcionalidade e razoabilidade." (AgInt no AREsp 1.537.427/MS, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 11/2/2020, DJe 3/3/2020.) 2. "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida" (Súmula 83/STJ). 3. Inviável, em recurso especial, reexaminar matéria fático-probatória. Incidência da Súmula 7 do Superior Tribunal de Justiça. 4. Agravo interno a que se nega provimento (AgInt no REsp n. 1.864.197/DF, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 21/9/2020, DJe de 24/9/2020). Conforme se vê da jurisprudência aqui citada, impende ressaltar que infirmar a conclusão do acórdão recorrido quanto à impenhorabilidade do valor constrito das contas bancárias do recorrente, demandaria o reexame de matéria fática, o que esbarra no óbice da Súmula 7/STJ. Quanto ao cabimento dos honorários, a parte recorrente defende que o ponto merece reparo, ao argumento de que "o Juiz singular, muito embora tenha rejeitado a exceção de pré-executividade, com a devida vênia deveria ter condenado a parte Excepta/Recorrida ao pagamento de honorários advocatícios em zelo ao princípio da causalidade .. ". Nesse sentido, constou do acórdão recorrido que "descabida a condenação de qualquer parte, agravante ou agravada, ao pagamento de honorários advocatícios sucumbenciais. Isto porque o ato judicial recorrido proferido em incidente processual não se enquadra entre os provimentos decisórios previstos no art. 85, caput e §§ 1º, 11 e 13, que admitem a condenação na verba honorária sucumbencial". No entanto, o fundamento não foi impugnado, razão pela qual incide o óbice da Súmula 283/STF ("é inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles). Isso posto, com fundamento no art. 255, § 4º, I, do RISTJ, não conheço do recurso especial. Intimem-se. EMENTA