AREsp 2803521 - DECISAO
O Superior Tribunal de Justiça entendeu ser cabível o agravo de instrumento contra decisões proferidas na fase de cumprimento de sentença que julgam a impugnação sem extinguir a execução; diante dessa orientação jurisprudencial, deu provimento ao recurso especial para determinar o retorno dos autos à origem para...
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- Parties
- Executado: Fazenda Pública Estadual
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 February 2025
- Procedural Posture
- Execução Individual De Sentença / Recurso Especial (julgamento No Stj)
- Outcome
- Recurso especial provido
- Legal Topics
- Impugnação Ao Cumprimento De Sentença, Agravo De Instrumento, Apelação, Extinção Da Execução, Cumprimento De Sentença
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Parties
Fazenda Pública Estadual
Executado
Procedural Posture
Execução Individual De Sentença / Recurso Especial (julgamento No Stj)
Legal Issues
- 1 qual o recurso cabível contra decisão que julga impugnação ao cumprimento de sentença
- 2 quando a decisão na fase executiva tem natureza de sentença ou de decisão interlocutória
- 3 efeito do art. 924 do CPC sobre a extinção da execução
Ratio Decidendi
O Superior Tribunal de Justiça entendeu ser cabível o agravo de instrumento contra decisões proferidas na fase de cumprimento de sentença que julgam a impugnação sem extinguir a execução; diante dessa orientação jurisprudencial, deu provimento ao recurso especial para determinar o retorno dos autos à origem para prosseguimento no julgamento do agravo de instrumento.
Court Disposition
Recurso especial provido
Orders
- Dar provimento ao recurso especial
- Determinar o retorno dos autos à origem para prosseguimento no julgamento do agravo de instrumento
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Na origem, trata-se de execução individual de sentença contra a Fazenda Pública Estadual, na qual o juízo singular proferiu decisão julgando procedente a execução e improcedente a impugnação ao cumprimento de sentença. Em face dessa decisão, o Estado interpôs Agravo de Instrumento, o qual não foi conhecido por entender que o recurso cabível seria a apelação e não o agravo de instrumento, sob o fundamento de que a decisão de base teria colocado fim ao processo de execução, pois não haveria mais "carga decisória alguma a ser expedida para satisfação do crédito" e, nos termos do art. 924 do CPC, a execução se considera extinta com a satisfação do crédito (fls. 24-25). Contra a referida decisão foi interposto agravo interno, que restou assim decidido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão: AGRAVO INTERNO EM APELAÇÃO CÍVEL. DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO À APELAÇÃO. PEDIDO DE REFORMA. INVIABILIDADE. DECISÃO DEVIDAMENTE FUNDAMENTADA. RECURSO QUE NÃO APRESENTOU NENHUM ARGUMENTO QUE DEMONSTRE INCORREÇÃO NA MOTIVAÇÃO DA DECISÃO HOSTILIZADA. AGRAVO INTERNO CONHECIDO E DESPROVIDO. 1) As alegações do agravante não se mostram suficientes para modificar o meu posicionamento, pois não apresentou nenhum argumento que demonstre incorreção na motivação da decisão hostilizada, limitando-se a reiterar os argumentos lançados nas razões da apelação. 2) Destarte, "na petição de agravo interno, o recorrente impugnará especificadamente os fundamentos da decisão agravada" (art. 1.021, § 1º, do CPC), o que não ocorreu na espécie, haja vista que, repita-se, o agravante reiterou as teses devidamente analisadas e fundamentadas na decisão recorrida. 3) Desse modo, considerando que a decisão recorrida está devidamente fundamentada e as razões do agravo interno não apresentam fato novo ou argumentação apta a justificar sua reforma, o desprovimento do agravo interno é medida que se impõe. 4) Agravo Interno conhecido e desprovido. Ao referido acórdão, foram opostos embargos de declaração (fls. 84-91), que restaram rejeitados: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM AGRAVO INTERNO EM APELAÇÃO CÍVEL. OMISSÃO E ERRO MATERIAL. VÍCIOS INEXISTENTES. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA DE M É R I T O . I M P O S S I B I L I D A D E . E M B A R G O S D E DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1. O Código de Processo Civil estabelece que os embargos de declaração destinam-se a suprir obscuridade , contradição, omissão ou corrigir erro material (art. 1.022), de modo que não são cabíveis na hipótese de mero inconformismo da parte ou quando as pretensões deduzidas nos autos foram resolvidas com fundamentação satisfatória, o que ocorreu na espécie. 2) Embargos de Declaração rejeitados. Nas razões do Recurso Especial, interposto com base no art. 105, III, a e c , da Constituição Federal, apontando violação aos arts. 203, §§1º e 2º c/c art. 924, inciso III c/c art. 1.015, parágrafo único, todos do CPC (cabimento de agravo de instrumento em face de decisão interlocutória proferida em cumprimento de sentença); 1.022, §único, II c/c art. 489, § 1º, IV CPC (omissão acerca de argumento capaz de infirmar a conclusão adotada) e divergência aos REsp 1.698.344/MG, AgInt no AREsp n. 1.924.879/RJ e AgInt no REsp n. 1.957.616/MG. Para tanto, sustenta que: Conforme exposto, trata-se de decisão proferida em sede de execução individual de sentença coletiva, em que foi proferida decisão interlocutória pelo juízo de base, cabendo desde já afirmar que toda decisão de base que juga parcialmente procedente a impugnação ou nega provimento à impugnação é de caráter interlocutório, pois no momento da decisão ainda não houve a satisfação do crédito/da obrigação executada, o que ocorrerá tão somente quando do pagamento efetivo do RPV e/ou Precatório. (..) Por PRIMEIRO, é entendimento consolidado do Colendo STJ e deste Egrégio TJMA que decisões que julgam improcedentes ou parcialmente improcedentes a impugnação ao cumprimento de sentença, desafiam recurso de Agravo de Instrumento, justamente por não implicarem a extinção do cumprimento de sentença. Diferentemente, quando a impugnação é julgada procedente, pois esta sim implica na extinção do procedimento e, assim, a decisão desafia recurso de Apelação. (..) SEGUNDO, é que tal entendimento do Colendo STJ decorre do fato de que, conforme dispõe o art. 924 e 925 do CPC, para os casos em que haverá o cumprimento da obrigação, o processo de execução somente se finaliza com a "satisfação" da obrigação, devidamente "declarada por sentença", sentença esta que, evidentemente, só pode ser prolatada após a ocorrência da satisfação, visto que declaratória da mesma. Recurso inadmitido (fls. 145-148), ensejando a interposição do presente agravo. É o relatório. Decido. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade do agravo, passo ao exame do apelo nobre. O cerne da questão diz respeito à decisão proferida pelo magistrado singular que determinara o prosseguimento da execução, rejeitando, de plano, o pedido de impugnação ao cumprimento de sentença, formulado pelo ora recorrente. Com efeito, não se olvida que o STJ possui jurisprudência firmada no sentido de que "o recurso adequado para impugnar a decisão de primeiro grau que acolhe a exceção de pré-executividade e extingue a execução é a apelação, não o agravo de instrumento" (AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.352.382/SP, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, julgado em 14/10/2024, DJe de 23/10/2024.). Ainda: AgInt no REsp n. 1.991.052/MG, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 09/03/2023. No mesmo pensar: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. DECISÃO QUE HOMOLOGA OS CÁLCULOS E EXTINGUE A EXECUÇÃO. RECURSO CABÍVEL. APELAÇÃO. PROVIMENTO NEGADO. 1. Segundo a jurisprudência desta Corte, o recurso cabível contra a decisão que homologa os cálculos e põe fim à execução é a apelação, tendo em vista a sua natureza definitiva, sendo considerado erro grosseiro a interposição de agravo de instrumento. 2. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.280.425/PE, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 2/12/2024, DJEN de 5/12/2024.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR MUNICIPAL. PISO NACIONAL DO MAGISTÉRIO. IMPUGNAÇÃO AO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. ACOLHIMENTO INTEGRAL. EXPEDIÇÃO DE RPV. INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO DE INSTRUMENTO. ERRO GROSSEIRO. PRECEDENTES. TESE RECURSAL QUE PRETENDE DESCONTITUIR PREMISSA FÁTICA DELIMITADA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO 1. Na origem, trata-se de agravo de instrumento interposto contra decisão que acolheu integralmente a impugnação ao cumprimento de sentença, homologou os cálculos e determinou a expedição de RPV. O Tribunal de origem não conheceu do recurso, pois caracterizado o erro grosseiro na interposição. 2. A jurisprudência deste Tribunal Superior perfilha entendimento no sentido de que o recurso cabível contra a decisão que homologa os cálculos, determinando a expedição de RPV ou precatório, encerrando, portanto, a execução, é o de apelação, constituindo erro grosseiro a interposição de agravo de instrumento. Precedentes: REsp n. 1.855.034/PA, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 3/3/2020, DJe de 18/5/2020; e AgInt no REsp n. 1.783.844/MG, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 21/11/2019, DJe de 26/11/2019. 3. A tese recursal defendida pela recorrente no sentido de que houve o prosseguimento da execução requer a alteração fática do que foi delimitado pelo Tribunal de origem, visto que expressamente assentou que o processo executivo não prosseguiria em relação a outro pedido e, portanto, incabível a interposição de agravo de instrumento contra a decisão que acolheu integralmente a impugnação ao cumprimento de sentença, extinguindo o processo executivo. Essa premissa não pode ser desconstituída em sede de recurso especial, a teor da vedação contida na Súmula 7/STJ. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.408.476/PR, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 4/3/2024, DJe de 7/3/2024.) PROCESSO CIVIL. SERVIDOR PÚBLICO. AUSÊNCIA DE INTERVENÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL EM PRIMEIRO GRAU. DECISÃO TERMINATIVA. RECURSO CABÍVEL: APELAÇÃO. EXECUÇÃO FISCAL. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. É consenso nesta Corte que o recurso cabível contra decisão que acolhe exceção de pré-executividade e extingue a execução é a apelação, e não o agravo de instrumento. A decisão que acolhe a exceção de pré-executividade para terminar o processo executivo tem natureza de sentença e não de decisão interlocutória. 2. Quanto à suposta nulidade decorrente falta de intervenção do Ministério Público, pacificou-se nesta Corte entendimento de que, em respeito ao princípio da instrumentalidade das formas, considera-se sanada a nulidade decorrente da falta de intervenção, em primeiro grau, do Ministério Público, se posteriormente o Parquet intervém no feito em segundo grau de jurisdição, sem ocorrência de qualquer prejuízo à parte. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp n. 1.703.090/RJ, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 24/4/2018, DJe de 3/5/2018.) Todavia, no caso, ressaltou o o Tribunal de origem que, "considerando que a deliberação judicial recorrida encerrou expressamente a fase de cumprimento de sentença, julgando a respetiva impugnação, não havendo mais o que ser decidido quanto ao mérito dessa fase processual, trata-se inequivocamente de uma sentença, pelo que a apelação é o recurso adequado para contra ela se contrapor". Ou seja, no caso, julgou-se improcedente a impugnação ao cumprimento de sentença prosseguindo, assim, a execução. Nestes casos, a jurisprudência desta Corte é firme na seguinte compreensão: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO. VIOLAÇÃO AO ART. 1015, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC/2015. DECISÃO DO JUÍZO DA EXECUÇÃO NA IMPUGNAÇÃO AO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. AUSÊNCIA DE EXTINÇÃO DA EXECUÇÃO. RECURSO CABÍVEL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. 1. A Segunda Turma deste Tribunal entendeu que a decisão proferida pelo d. Juízo da Execução não teria extinguido a execução, mas resolvido tão somente a impugnação ao cumprimento de sentença. Partindo desta premissa tem-se que o recurso cabível contra referida decisão é o agravo de instrumento, e não o recurso de apelação. 2. A jurisprudência desta Corte Superior firmou-se no sentido de que no sistema regido pelo CPC/2015, o recurso cabível da decisão que acolhe impugnação ao cumprimento de sentença e extingue a execução é a apelação. As decisões que acolherem parcialmente a impugnação ou a ela negarem provimento, por não acarretarem a extinção da fase executiva em andamento, tem natureza jurídica de decisão interlocutória, sendo o agravo de instrumento o recurso adequado ao seu enfrentamento (REsp nº 2.092.982/RS, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 24/10/2023, DJe de 30/10/2023). 3. Desta forma, o acórdão recorrido diverge da orientação desta Corte, pois não conheceu do agravo de instrumento interposto em face da decisão que julgou a impugnação ao cumprimento de sentença sem extinguir a execução. 4. Recurso especial conhecido e provido. (REsp n. 2.072.340/MG, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 27/8/2024, DJe de 30/8/2024.) PROCESSUAL CIVIL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. DECISÕES INTERLOCUTÓRIAS PROFERIDAS NA FASE EXECUTIVA, SEM EXTINÇÃO DA EXECUÇÃO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. I - O Superior Tribunal de Justiça possui enten dimento de que, no sistema do vigente Código de Processo Civil, a apelação é o recurso cabível contra a decisão que acolhe a impugnação ao cumprimento de sentença para extingui-lo. Entende ainda que a decisão que julga improcedente a impugnação, dando, assim, prosseguimento à fase executiva, não tem natureza jurídica de sentença definitiva, desafian do, por isso, agravo de instrumento. Nesse sentido: REsp 1.767.663/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 13/11/2018, DJe 17/12/2018 E REsp 1.698.344/MG, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 22/5/2018, DJe 1º/8/2018. II - O dissídio jurisprudencial viabilizador do recurso especial pela alínea c do permissivo constitu cional não foi demonstrado nos moldes legais, pois, além da ausência do cotejo analítico e de não ter apontado qual dispositivo legal recebeu tratamento diverso na jurisprudência pátria, não ficou evidenciada a similitude fática e jurídica entre os casos colacionados que teriam recebido interpretação divergente pela jurisprudência pátria. III - Para a caracterização da divergência, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ, exige-se, além da transcrição de acórdãos tidos por discordantes, a realização do cotejo analítico do dissídio jurisprudencial invocado, com a necessária demonstração de similitude fática entre o aresto impugnado e os acórdãos paradigmas, assim como a presença de soluções jurídicas diversas para a situação, sendo insuficiente, para tanto, a simples transcrição de ementas, como no caso. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.235.867/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 17/5/2018, DJe 24/5/2018; AgInt no AREsp 1.109.608/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 13/3/2018, DJe 19/3/2018; REsp 1.717.512/AL, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/4/2018, DJe 23/5/2018. IV - Agravo interno improvido. (AgInt no REsp n. 2.039.913/RS, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 19/6/2023, DJe de 22/6/2023.) Ante o exposto, nos termos da jurisprudência desta Corte, dou provimento ao recurso especial, devendo os autos retornarem a origem, para prosseguimento no julgamento do agravo de instrumento, como entender de direito. Publique-se. Intimem-se. EMENTA