AREsp 1651442 - ACORDAO
O agravo interno foi negado porque as agravantes não demonstraram de forma clara e precisa a alegada afronta a dispositivo de lei federal (art. 1.022 do NCPC/CPC/2015), caracterizando deficiência na fundamentação do recurso e autorizando a incidência da Súmula nº 284 do STF, o que impede o conhecimento do recurso e...
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- Parties
- Agravante: CGS CONSTRUÇÃO E COMÉRCIO LTDA.; Agravante: CGS EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA.; Agravante: CONTENGE CONSTRUÇÕES LTDA.; Agravado: BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 August 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado (terceira Turma)
- Outcome
- Agravo interno não provido
- Legal Topics
- Impugnação De Crédito, Alienação Fiduciária, Aplicação Do NCPC, Súmula Nº 284 Do STF, Fundamentação Do Recurso
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Parties
CGS CONSTRUÇÃO E COMÉRCIO LTDA.
Agravante
CGS EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA.
Agravante
CONTENGE CONSTRUÇÕES LTDA.
Agravante
BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A.
Agravado
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado (terceira Turma)
Legal Issues
- 1 Aplicação do NCPC aos recursos interpostos sob a égide do CPC/2015
- 2 Deficiência na fundamentação do recurso especial (art. 1.022 do NCPC)
- 3 Incidência da Súmula nº 284 do STF por falta de demonstração clara da afronta à lei federal
Ratio Decidendi
O agravo interno foi negado porque as agravantes não demonstraram de forma clara e precisa a alegada afronta a dispositivo de lei federal (art. 1.022 do NCPC/CPC/2015), caracterizando deficiência na fundamentação do recurso e autorizando a incidência da Súmula nº 284 do STF, o que impede o conhecimento do recurso e determina a manutenção do entendimento anterior.
Court Disposition
Agravo interno não provido
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Paulo de Tarso Sanseverino, Ricardo Villas Bôas Cueva e Marco Aurélio Bellizze votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC.RECUPERAÇÃO JUDICIAL. IMPUGNAÇÃO DE CRÉDITO REJEITADA. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO DO RECURSO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 284 DO STF. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Aplica-se o NCPC a este julgamento ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. A alegada afronta a lei federal não foi demonstrada com clareza, caracterizando, dessa maneira, a ausência de fundamentação jurídica e legal, conforme previsto na Súmula nº 284 do STF. 3. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO Da leitura da minuta do agravo de instrumento que deu origem ao presente recurso, pode-se aferir que CGS CONSTRUÇÃO E COMÉRCIO LTDA., CGS EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA., CONTENGE CONSTRUÇÕES LTDA. (CGS e outras) promoveram pedido de processamento de recuperação judicial com o objetivo de viabilizar a superação de crise econômico-financeira que atingiu o grupo empresarial. Afirmaram que apresentaram a relação de credores, contendo a descrição pormenorizada do valor e da natureza dos créditos sujeitos ao concurso de credores, incluindo o crédito do BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A. (BANCO). Alegaram que, após a apresentação da relação de credores, o administrador judicial apresentou sua própria relação de credores e excluiu os valores inicialmente arrolados. Dessa forma, impugnaram o crédito em decorrência da redução de valores na lista consolidada de credores apresentada pelo administrador judicial. No curso do processo de recuperação judicial, o d. Juízo de primeira instância rejeitou impugnação de crédito apresentada incidentalmente, nos autos da recuperação judicial de sociedades do Grupo CGS. Contra essa decisão interlocutória, CGS e outras interpuseram agravo de instrumento sustentandoque os bens móveis sobre os quais recaíram a suposta garantia fiduciária são equipamentos utilizados para manutenção das atividades da empresa. Afirmaram que os caminhões sofreram severa depreciação de mais de 50% do valor de aquisição, sendo necessária a aplicação do percentual da garantia sobre o valor depreciado do bem, de forma que o saldo restante se sujeite aos efeitos da recuperação judicial na qualidade de credor quirografário. O Tribunal de Justiça de São Paulo negou provimento ao agravo de instrumento nos termos do acórdão de relatoria do Des. Sérgio Shimura, assim ementado: RECUPERAÇÃO JUDICIAL - IMPUGNAÇÃO DE CRÉDITO CRÉDITO COM GARANTIA DE ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA ALEGAÇÃO DE DEPRECIAÇÃO DOS BENS (CAMINHÕES) QUE GARANTEM O CRÉDITO E DE QUE O SALDO REMANESCENTE SERIA CONCURSAL IMPUGNAÇÃO REJEITADA Recuperandas que impugnaram o crédito apresentado pelo banco agravado - O art. 49, §3º da Lei nº 11.101/05 não faz qualquer ressalva quanto a eventual depreciação do bem objeto da alienação fiduciária Eventual alteração do valor do bem dado em garantia não constitui critério de classificação de crédito concursal ou extraconcursal. Ademais, a questão do preço de mercado é de ser analisada quando da apreensão ou alienação do respectivo bem. RECURSO DESPROVIDO (e-STJ, fl. 86) Os embargos de declaração opostos por CGS e outras foram rejeitados (e-STJ, fls. 116/122). Inconformadas, CGS e outras interpuseram recurso especial com fundamento no art. 105, III, a, da CF, alegando a violação dos arts. 1.022 do NCPC e 47, § 3º, e 83da Lei nº 11.101/2005. O apelo nobre não foi admitido em virtude da ausência de demonstração da alegada vulneração aos dispositivos arrolados (e-STJ, fl. 139). O agravo em recurso especial daí decorrente foi conhecido para não conhecer do recurso especial em decisão monocrática de minha lavra assim ementada: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. IMPUGNAÇÃO DE CRÉDITO REJEITADA. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA Nº 284 DO STF, POR ANALOGIA. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO (e-STJ, fl. 189). Nas razões do presente agravo interno, CGS e outras, repisando os argumentos das razões recursais, alegaram a inaplicabilidade da Súmula nº 284 do STF, pois as violações foram devidamente apontadas não havendo deficiência na fundamentação. Houve impugnação ao recurso (e-STJ, fls. 207/221). É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC.RECUPERAÇÃO JUDICIAL. IMPUGNAÇÃO DE CRÉDITO REJEITADA. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO DO RECURSO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 284 DO STF. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Aplica-se o NCPC a este julgamento ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. A alegada afronta a lei federal não foi demonstrada com clareza, caracterizando, dessa maneira, a ausência de fundamentação jurídica e legal, conforme previsto na Súmula nº 284 do STF. 3. Agravo interno não provido. VOTO O recurso não merece provimento. De plano, vale pontuar que o presente agravo interno foi interposto contra decisão publicada na vigência do novo Código de Processo Civil, razão pela qual devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma nele prevista, nos termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. Na hipótese, a decisão recorrida consignou, expressamente, quanto a alegada violação art. 1.022 do NCPC, a incidência da Súmula nº 284 do STF, uma vez que, CGS e outras não .. demonstrou de forma clara e precisa como o TJSP violou tais dispositivos de lei federal (e-STJ, fl. 191) De uma simples leitura do aresto impugnado, observa-se que a agravante aduz genericamente a afronta ao citado artigo, sem especificar quais os vícios do aresto vergado e/ou sua relevância para a solução da controvérsia. Assim, diante da deficiência na fundamentação, aplica-se à hipótese o teor da Súmula nº 284 do STF: É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA DESTA CORTE. AÇÃO INDENIZATÓRIA. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. SÚMULA N. 284 DO STF. RESPONSABILIDADE CIVIL. NEXO DE CAUSALIDADE EVIDENCIADO. REVISÃO. SÚMULA N. 7/STJ. DANO MORAL. REDUÇÃO DO VALOR. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. SÚMULA N. 7 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. Considera-se deficiente, a teor da Súmula n. 284 do STF, a fundamentação do recurso especial que alega violação do art. 1.022 do CPC/2015, mas não demonstra, clara e objetivamente, qual o ponto omisso, contraditório ou obscuro do acórdão recorrido que não teria sido sanado no julgamento dos embargos de declaração. 2. O recurso especial não comporta o exame de questões que impliquem revolvimento do contexto fático-probatório dos autos, a teor do que dispõe a Súmula n. 7/STJ. 3. No caso concreto, o Tribunal de origem analisou a prova dos autos para concluir pela presença do nexo causal entre a prestação defeituosa do serviço e o prejuízo sofrido pela passageira. Alterar tal conclusão é inviável em recurso especial. 4. Somente em hipóteses excepcionais, quando irrisório ou exorbitante o valor da indenização por danos morais arbitrado na origem, a jurisprudência desta Corte permite o afastamento da Súmula n. 7/STJ, para possibilitar a revisão. No caso, o montante estabelecido pela Corte local não se mostra excessivo, a justificar sua reavaliação. 5. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1.754.611/RJ, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, Quarta Turma, j. 12/4/2021, DJe 16/4/2021) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO RESCISÓRIA. EMBARGOS INFRINGENTES. ALEGAÇÃO DE DOLO E PROVA FALSA. HIPÓTESES PREVISTAS NO ART. 966, III E VI, DO CPC/2015. ALEGADA VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC/15. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. REEXAME DE MATÉRIA ACERCA DA AUSÊNCIA DE DOLO E COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE DA PROVA. ÓBICE DA SÚMULA N. 7/STJ. AGRAVO INTERNO NÃO CONHECIDO. 1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 se faz de forma genérica, sem especificar quais foram os incisos violados. Aplica-se, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF. 2. Não há como infirmar as conclusões da Corte de origem quando resultantes da estrita análise das provas carreadas aos autos e das circunstâncias fáticas que permearam a demanda. Súmula n. 7/STJ. 3. O êxito do pedido rescisório, fundamentado na regra do art. 966, V, do CPC/2015, depende da demonstração inequívoca de que a decisão rescindenda, no momento da aplicação do preceito normativo tido por violado, tenha transgredido sua essência, ou seja, sua literalidade, de modo evidente, direto e manifesto. Inexistência, na hipótese" (AgInt nos EDcl na AR 5.853/MT, Rel. Ministro Marco Buzzi, Segunda Seção, julgado em 13/02/2019, DJe 01/03/2019). 4. A aplicação da multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015 não é automática, não se tratando de mera decorrência lógica do desprovimento do agravo interno em votação unânime. A condenação da parte agravante ao pagamento da aludida multa, a ser analisada em cada caso concreto, em decisão fundamentada, pressupõe que o agravo interno mostre-se manifestamente inadmissível ou que sua improcedência seja de tal forma evidente que a simples interposição do recurso possa ser tida, de plano, como abusiva ou protelatória, o que, contudo, não se verifica na hipótese ora examinada. 5. Agravo interno não conhecido. (AgInt no AREsp 1.530.183/RS, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Terceira Turma, j. 16/12/2019, DJe 19/12/2019) Assim, o presente agravo não se revela apto a alterar o conteúdo do julgado impugnado, que não conheceu do apelo nobre, devendo ser ele mantido. Nessas condições, pelo meu voto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno.