RMS 45321 - ACORDAO
O agravo interno não foi conhecido porque o agravante não impugnou, de forma clara e específica, todos os fundamentos da decisão agravada, ônus imposto pelo art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e pela Súmula 182 do STJ; ademais, o acórdão recorrido estava em consonância com a jurisprudência da Corte quanto à possibilidade...
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- Parties
- Agravante: MUNICÍPIO DE MANHUAÇU
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 August 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Agravo Interno Não Conhecido
- Outcome
- NÃO CONHEÇO do agravo interno
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Agravo Interno, Sequestro De Verbas Públicas, Precatórios, Jurisprudência Do STJ, Súmula 182/stj, Art. 1.021 Cpc/2015
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Parties
MUNICÍPIO DE MANHUAÇU
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno / Agravo Interno Não Conhecido
Legal Issues
- 1 necessidade de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão agravada nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e Súmula 182/STJ
- 2 admissibilidade do sequestro de verbas públicas em razão do descumprimento do regime especial de pagamento de precatórios previsto no art. 97, § 1º, II, do ADCT
- 3 possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015
Ratio Decidendi
O agravo interno não foi conhecido porque o agravante não impugnou, de forma clara e específica, todos os fundamentos da decisão agravada, ônus imposto pelo art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e pela Súmula 182 do STJ; ademais, o acórdão recorrido estava em consonância com a jurisprudência da Corte quanto à possibilidade de sequestro de verbas públicas quando há descumprimento do regime especial de pagamento de precatórios (art. 97, § 1º, II, do ADCT).
Court Disposition
NÃO CONHEÇO do agravo interno
Orders
- Não conhecer do agravo interno
- Deixar de aplicar a sanção prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Manoel Erhardt (Desembargador convocado do TRF-5ª Região) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Benedito Gonçalves. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, todos os fundamentos da decisão atacada, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto pelo MUNICÍPIO DE MANHUAÇUcontra decisão de minha lavra, em que neguei provimento ao recurso ordinário,em face do acórdão recorrido se encontrar em conformidade com a jurisprudência desta Corte de Justiça, no sentido de admitir o sequestro de verbas públicas quando o ente públicodescumprir o regime especial de pagamento de precatórios instituído pelo art. 97, § 1º, II, do ADCT(e-STJ fls. 141/146). A parte agravante havia oposto embargos de declaração, os quais foram convertidos em agravo interno, em despacho de e-STJ fl. 171, em razão da manifesta pretensão a efeitos infringentes. Intimada,nos termos do art. 1.024, § 3º, do CPC/2015, para complementar as razões recursais, ajustando-as ao disposto no art. 1.021, § 1º, do referido diploma,não se manifestou (e-STJ fl. 175). Sustenta o agravante, na petição de e-STJ fls. 151/158, que "as normas da Constituição Federal devem se sobrepor as da ADCT, dada a transitoriedade destas e que a cláusula da reserva do possível deve ser respeitada para não desestabilizar as finanças municipais e atingir direitos fundamentais". Afirma que o sequestro de verbas públicas somente é possível, em caráter excepcional, quando presente um dos requisitos do art. 100, § 6º, da CF/1988, situação inocorrente no caso. Defende, ainda, que "a manutenção do sequestro das verbas públicas representaria o sacrifício de direitos fundamentais à coletividade como a saúde, educação e continuidade dos serviços públicos, em benefício do resguardo patrimonial individual". Impugnação apresentada às e-STJ fls. 165/169. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, todos os fundamentos da decisão atacada, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido. VOTO Conforme estabelecido pelo Plenário do STJ, "aos recursos interpostos com fundamento no CPC/1973 (relativos a decisões publicadas até 17 de março de 2016) devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele prevista, com as interpretações dadas até então pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça" (Enunciado Administrativo n. 2). No caso, o presente recurso ordinário se insurgecontra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 1973. Dito isso, verifica-se que a peça ora apreciada foi inicialmente apresentada como embargos de declaração (e-STJ fls. 151/158), oportunidade em que a recebi como agravo interno (e-STJ fl. 171). Intimada para complementação das razões recursais, no termos do art. 1.024, § 3º, do estatuto processual, permaneceu o agravante silente, conforme certidão de e-STJ fl. 175. De acordo com o disposto nos arts. 932, III, e 1.021, § 1º, do Código de Processo Civil de 2015, o agravante deve infirmar, nas razões do agravo interno, todos os fundamentos da decisão impugnada, autônomos ou não, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. Nesse sentido: AgInt nos EREsp 1518200/SC, rel.Ministro OG FERNANDES, Órgão Julgador S1 - PRIMEIRA SEÇÃO, DJe 01/02/2018 e AgRg no AREsp 739162/CE, rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Órgão Julgador T1 - PRIMEIRA TURMA, DJe 23/06/2017. Dito isso, entendoque o princípio da dialeticidade impõe à parte recorrente o ônus de explicitar os motivos pelos quais a decisão atacada deve ser reformada, trazendo argumentações capazes de demonstrar o seu desacerto, sendo insuficiente fazer alegações genéricas de não aplicabilidade dos óbices invocados, bem como repetir o teor do recurso anteriormente interposto, além de ser vedado inovar na lide. Sobre o tema, cito os seguintes precedentes: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE.AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 182/STJ E DOS ARTS. 932, III, E 1.021, § 1º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015.DESCABIMENTO. I - Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte, na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. II - Razões de agravo interno que não impugnam especificamente os fundamentos da decisão agravada, o que, à luz do princípio da dialeticidade, constitui ônus do Agravante. Incidência da Súmula n. 182 do STJ e aplicação do art. 932, III, combinado com o art. 1.021, § 1º, do Código de Processo Civil. III - Em regra, descabe a imposição da multa, prevista no art.1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015, em razão do mero improvimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso. IV - Agravo interno não conhecido. (AgInt no RMS 43.766/RJ, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/12/2019, DJe 19/12/2019) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA.RAZÕES QUE NÃO IMPUGNAM, ESPECIFICAMENTE, OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. SÚMULA 182/STJ E ART. 1.021, § 1º, DO CPC/2015. AGRAVO INTERNO NÃO CONHECIDO. I. Agravo interno interposto contra decisão publicada em 01/08/2016, que, por sua vez, dera provimento ao Recurso Ordinário em Mandado de Segurança, interposto contra acórdão publicado na vigência do CPC/73. II. A decisão ora agravada deu provimento ao recurso, nos termos da jurisprudência desta Corte - firmada na linha da orientação do STF, que, no julgamento das ADIs 1.098-1/SP e 2.924-0/SP, conferiu interpretação conforme aos arts. 336, V, e 337, VII, do RITJESP, de modo que as expressões "pagamentos complementares" e "depósitos insuficientes" são as decorrentes de erro material e inexatidão aritmética, contidos no precatório original -, no sentido de que a dispensa de novo precatório somente ocorrerá quando se tratar de crédito resultante de erro material ou de inexatidão aritmética dos cálculos do precatório, ou, ainda, na hipótese de substituição do índice aplicado por força de lei, situação diversa da dos presentes autos. Por tal razão, o pagamento de eventuais diferenças deve submeter-se a novo requisitório, incluído em nova posição, na ordem cronológica. Além disso, restou consignado que não pode o Tribunal de origem, na administração das contas especiais de pagamento de precatórios, previstas no art. 97, § 4º, do ADCT, modificar o conteúdo de decisão judicial, proferida nos autos da execução. III. O Agravo interno, porém, não impugna, especificamente, os fundamentos da decisão agravada, pelo que constituem óbices ao conhecimento do inconformismo a Súmula 182 desta Corte e o art.1.021, § 1º, do CPC/2015. Nesse sentido: STJ, AgInt no RMS 46.873/CE, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, DJe de 19/09/2016; AgInt no RMS 42.182/SP, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 26/08/2016; AgInt no RMS 49.216/GO, Rel.Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 26/08/2016 IV. Agravo interno não conhecido. (AgInt no RMS 45.100/SP, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/11/2016, DJe 30/11/2016) No caso, a decisão ora impugnada negouprovimento ao recurso ordinário em mandado de segurança, em face do acórdão recorrido se encontrar em conformidade com a jurisprudência desta Corte de Justiça, no sentido de admitir o sequestro de verbas públicas quando o ente público descumprir o regime especial de pagamento de precatórios instituído pelo art. 97, § 1º, II, do ADCT. Da leitura das razões do presente recurso, observa-se que o agravante não impugnou os fundamentos da decisão agravada, limitando-se a reiterar os argumentos anteriormente expendidos.Tal circunstância enseja a aplicação da Súmula 182 do Superior Tribunal de Justiça. Vale ressaltar que a rejeição monocrática do recurso com base na jurisprudência pacífica do STJ exige da parte, no agravo interno, o ônus de indicar precedentes contemporâneos ou supervenientes aos referidos no decisum agravado com o fito de demonstrar ser diversa a orientação desta Corte de Justiça, o que não aconteceu na espécie. Nesse sentido: AgInt no REsp 1498307/SP, rel. Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 04/05/2017, DJe 18/05/2017, e AgInt no AREsp 905.415/SP, rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/09/2016, DJe 21/09/2016. Por último, deixo de aplicar a sanção prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015 por não vislumbrar caráter manifestamente inadmissível ou improcedente no manejo do presente recurso. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo interno. É como voto.