EAREsp 1899968 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque suas razões não impugnaram, de forma específica, todos os fundamentos que levaram o tribunal de origem a inadmitir o recurso especial, mostrando-se insuficientes para desconstituir a decisão atacada; não se aplicou a multa do art. 1.021, §4º, CPC/2015, por não estar...
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- Parties
- Agravante: WANDERLEY TEODORO AGOSTINI; Agravante: ADAILTON ALVES; Interveniente (impugnação): MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 November 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno Nos Embargos De Declaração No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Pela Primeira Turma (decisão Colegiada)
- Outcome
- Negado provimento ao Agravo Interno
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Inadmissão De Recurso Especial, Súmula 7/stj, Multas Recursais (art. 1.021, §4º, Cpc/2015)
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Parties
WANDERLEY TEODORO AGOSTINI
Agravante
ADAILTON ALVES
Agravante
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA
Interveniente (impugnação)
Procedural Posture
Agravo Interno Nos Embargos De Declaração No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Pela Primeira Turma (decisão Colegiada)
Legal Issues
- 1 É necessária a impugnação específica de todos os fundamentos da decisão que inadmite o recurso especial?
- 2 Cabe conhecimento de agravo em recurso especial que impugna apenas parcialmente os fundamentos de inadmissão?
- 3 É cabível a imposição da multa prevista no art. 1.021, §4º, CPC/2015 no caso de improvimento unânime do agravo interno?
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque suas razões não impugnaram, de forma específica, todos os fundamentos que levaram o tribunal de origem a inadmitir o recurso especial, mostrando-se insuficientes para desconstituir a decisão atacada; não se aplicou a multa do art. 1.021, §4º, CPC/2015, por não estar configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso.
Court Disposition
Negado provimento ao Agravo Interno
Orders
- Negado provimento ao Agravo Interno
- Não imposta a multa prevista no art. 1.021, §4º, do Código de Processo Civil de 2015
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Gurgel de Faria e Manoel Erhardt (Desembargador convocado do TRF-5ª Região) votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Benedito Gonçalves.
RELATÓRIO A EXCELENTÍSSIMA SENHORA MINISTRA REGINA HELENA COSTA (Relatora): Trata-se de Agravo Interno interposto por WANDERLEY TEODORO AGOSTINI e ADAILTON ALVEScontra decisão monocrática mediante a qual não conhecido Agravo em Recurso Especial, nos termos do disposto nos arts. 932, III, do Código de Processo Civil de 2015 e 253, I, do RISTJ,em razão da ausência de impugnação específicade um dos fundamentos da decisão que inadmitiu, na origem, o recurso especial (fls. 3.666/3.669e). O mencionadodecisumfoi integrado por aqueles mediante os quaisos embargos de declarações(fls. 3.673/3.680 e 3.693/3.698e) foram rejeitados (fls. 3.686/3.689 e 3.709/3.715e). Sustentam os Agravantes, em síntese, que, nas razões do agravo em recurso especial, teriam sido impugnados especificamente todos os fundamentos da decisão de inadmissão, na origem, do recurso especial, porquanto demonstrada que a jurisprudência desta Corte posiciona-se contrária à fundamentação exclusivamente per relationem, bem comoa necessidade de revisão das penas cominadas, por se tratarde questão eminentemente de direito, objeto de requalificação jurídica e, assim, infensa à análise de fatos e provas. Ressaltam o entendimento desta Corte no sentido de admitir a impugnação parcial, afastando assim a aplicação da Súmula n. 182/STJ, uma vez que a causa de pedir o presenteagravo interno relaciona-se apenas às questões alusivas à violação aos arts. 489, § 1º, IV, 1.022, II e 1.025, do Código de Processo Civil de 2015, e àincidência do enunciado sumular n. 7/STJ,apenas em relação à apontada afronta ao art. 12 da Lei n. 8.429/1992, consignando, expressamente, que serão objeto de discussão deste agravo os demais dispositivos elencados no recurso especial e no agravo em recurso especial. Por fim,requerem o provimento do recurso, a fim de que seja reformada a decisão impugnada ou, alternativamente, sua submissão ao pronunciamento do Colegiado (fls. 3.720/3.728e). Impugnação do MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINAàfl. 3.731. É o relatório. EMENTA AÇÃO CIVIL PÚBLICA. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOAGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE.DECISÃO QUE INADMITIU O RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTOS. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. I - Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. II - Não se conhece do Agravo em Recurso Especial que não tenha atacado especificamente um dos fundamentos da decisão que inadmitiu, na origem, o recurso especial. III - Não apresentação de argumentos suficientes para desconstituir a decisão recorrida. IV - Em regra, descabe a imposição da multa, prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015, em razão do mero improvimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso. V - Agravo Interno improvido. VOTO A EXCELENTÍSSIMA SENHORA MINISTRA REGINA HELENA COSTA (Relatora): Por primeiro, consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. Registro que o Recurso Especial foi inadmitido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarinasobos fundamentos de queausente violação aos arts. 489 e 1.022 do Código de Processo Civil de 2015,bem como porque a análise da tese de ofensa aos arts. 11 e 12, II e III, da Lei n. 8.429/1992; 23, § 5º e 24, II, da Lei n. 8.666/1993; arts. 42 e 43 da Lei Complementar n. 123/2006 demandaria incursão no acervo fático probatório dos autos, o que atrairia a incidência da Súmula n. 7 desta Corte, segundo a qual "a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". Além disso, a inadmissão do Recurso Especial, no que se refere à apontada violação aos arts. 355, I e 373, I, do CPC/2015, se fundou naincidência dasSúmulas ns. 126desta Corte e, por analogia, 283 do Supremo Tribunal Federal segundo as quais, respectivamente,"é inadmissível recurso especial, quando o acórdão recorrido assenta em fundamentos constitucional e infraconstitucional, qualquer deles suficiente, por si só, para mantê-lo, e a parte vencida não manifesta recurso extraordinário" e"é inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles" (fls. 3.588/3.597e). Entretanto, não conheci do Agravo em Recurso Especialporquanto suas razões atacaram apenas os fundamentos relativos à ausência de violação aos arts. 489 e 1.022 do estatuto processual civil de 2015, e à necessidade de reexame de provas para revisão da dosimetria das sanções aplicadas em ação de improbidade administrativa e aos enunciados sumulares ns. 83/STJ, 126/STJ e 283/STF. Por outro lado, apresentam conteúdo genérico, porquanto apenas afirmada a não incidência do enunciado sumular n. 7/STJ, para análise das demais violações apontadas (arts. 11, da Lei n. 8.429/1992, 23, § 5º e 24, II, da Lei n. 8.666/1993, 42 e 43 da Lei Complementar n. 123/2006), sem, contudo, demonstrar o modo como seria possível a análise de tais questões, por esta Corte, a partir da revaloração de premissas do acórdão recorrido e, portanto, sem que implique o revolvimento do conjunto fático-probatório (fls. 3.604/3.618e), não impugnando, de forma específica, um dos fundamentos adotados na decisão agravada, impondo-se, de rigor, o não conhecimento do recurso(fls. 3.604/3.618e). Importante registrar que, embora a manifestação constante do presente Agravo Interno - no sentido de que não se insurgiriam os Agravantes, quantos às demais teses anteriormente suscitadas, diversas das relativas às apontadas violaçõesaos arts. 489, § 1º, IV, 1.022, II e 1.025, do Código de Processo Civil de 2015; 12 da Lei n. 8.429/1992-, em tese, pudessem se apresentar como providência tendente a permitir o conhecimento deste Agravo Interno, tal providência, nesse momento processual, revela-se medida inócua, porquanto torna imutável a decisão que reconheceu a falta de impugnação do outro fundamento utilizado pelo tribunal de origem para inadmitir o Recurso Especial (incidênciaenunciado sumular n. 7/STJ, para análise das demais violações apontadas aos arts. 11, da Lei n. 8.429/1992, 23, § 5º e 24, II, da Lei n. 8.666/1993, 42 e 43 da Lei Complementar n. 123/2006),que, por si só, seria suficiente ao não conhecimento do Agravo em Recurso Especial. Assim, em que pesem as alegações trazidas, os argumentos apresentados são insuficientes para desconstituir a decisão impugnada, proferida sob o regime do Código de Processo Civil de 2015. Ademais, a necessidade de impugnação aos fundamentos da decisão agravada está expressamente disposta no art. 932, III, c/c art. 1.021, § 1º, do Código de Processo Civil de 2015. Cumpre destacar, ainda,que para o conhecimento do Agravo em Recurso Especial revela-se necessária a impugnação específica de todos os fundamentos adotados pela Corte de origem para inadmitir o Recurso Especial, sejam eles autônomos ou não, sendo vedada a impugnação parcial, salvo manifestação expressa nesse sentido já nas razões do Agravo em Recurso Especial(v.g.EAREsp 746.7752/PR, Corte Especial, Rel. p/ Acórdão Min. Luis Felipe Salomão, DJe de 30.11.2018 e EAREsp 831.326/SP, Rel. p/ Acórdão Min. Luis Felipe Salomão, Corte Especial, DJe de 30.11.2018). No que se refere à aplicação do art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015, a orientação desta Corte é no sentido de que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a imposição da multa, não se tratando de simples decorrência lógica do não provimento do recurso em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso. Nessa linha: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO EMBARGADO. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE. ACÓRDÃOS PARADIGMAS. JUÍZO DE MÉRITO. INADMISSIBILIDADE DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. NEGADO SEGUIMENTO AOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. MULTA E HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS RECURSAIS. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. I. Trata-se de Agravo Regimental ou interno, interposto em 05/05/2016, contra decisão publicada em 13/04/2016. II. De acordo com o art. 546, I, do CPC/73, os Embargos de Divergência somente são admissíveis quando os acórdãos cotejados forem proferidos no mesmo grau de cognição, ou seja, ambos no juízo de admissibilidade ou no juízo de mérito, o que não ocorre, no caso. Incidência da Súmula 315/STJ. III. Nos termos da jurisprudência desta Corte, "se o acórdão embargado decidiu com base na Súmula 7 do Superior Tribunal de Justiça, falta aos embargos de divergência o pressuposto básico para a sua admissibilidade, é dizer, discrepância entre julgados a respeito da mesma questão jurídica. Se o acórdão embargado andou mal, qualificando como questão de fato uma questão de direito, o equívoco só poderia ser corrigido no âmbito de embargos de declaração pelo próprio órgão que julgou o recurso especial" (STJ, AgRg nos EREsp 1.439.639/RS, Rel. Ministro OLINDO MENEZES (Desembargador Convocado do TRF/1ª Região), PRIMEIRA SEÇÃO, DJe de 01/12/2015). Em igual sentido: STJ, AgRg nos EAREsp 556.927/RS, Rel. Ministro OG FERNANDES, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe de 18/11/2015; STJ, AgRg nos EREsp 1.430.103/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe de 15/12/2015; ERESP 737.331/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe de 09/11/2015. IV. O mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da multa, prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015, quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do colegiado. V. Agravo Regimental improvido. (AgInt nos EREsp n. 1.311.383/RS, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/09/2016, DJe 27/09/2016 - destaque meu). AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO CONHECIDO APENAS NO CAPÍTULO IMPUGNADO DA DECISÃO AGRAVADA. ART. 1.021, § 1º, DO CPC/2015. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA APRECIADOS À LUZ DO CPC/73. ACÓRDÃO EMBARGADO QUE NÃO CONHECEU DO RECURSO ESPECIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA 7/STJ. PARADIGMAS QUE EXAMINARAM O MÉRITO DA DEMANDA. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADO. REQUERIMENTO DA PARTE AGRAVADA DE APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO § 4º DO ART. 1.021 DO CPC/2015. AGRAVO INTERNO PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA EXTENSÃO, IMPROVIDO. 1. Nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015, merece ser conhecido o agravo interno tão somente em relação aos capítulos impugnados da decisão agravada. 2. Não fica caracterizada a divergência jurisprudencial entre acórdão que aplica regra técnica de conhecimento e outro que decide o mérito da controvérsia. 3. A aplicação da multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015 não é automática, não se tratando de mera decorrência lógica do não provimento do agravo interno em votação unânime. A condenação do agravante ao pagamento da aludida multa, a ser analisada em cada caso concreto, em decisão fundamentada, pressupõe que o agravo interno mostre-se manifestamente inadmissível ou que sua improcedência seja de tal forma evidente que a simples interposição do recurso possa ser tida, de plano, como abusiva ou protelatória, o que, contudo, não ocorreu na hipótese examinada. 4. Agravo interno parcialmente conhecido e, nessa extensão, improvido. (AgInt nos EREsp n. 1.120.356/RS, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 24/08/2016, DJe 29/08/2016 - destaque meu). PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 3/STJ. IMPETRAÇÃO DE MANDADO DE SEGURANÇA. COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA. PRIMEIRO GRAU DE JURISDIÇÃO. DENEGAÇÃO. INTERPOSIÇÃO DE APELAÇÃO. DESPROVIMENTO. IMPUGNAÇÃO POR VIA DE RECURSO ORDINÁRIO. DESCABIMENTO MANIFESTO. HIPÓTESE INADEQUADA. RECORRIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. DE APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE RECURSAL. JURISPRUDÊNCIA SEDIMENTADA. AGRAVO NTERNO. CARÁTER DE MANIFESTA IMPROCEDÊNCIA. COMINAÇÃO DE MULTA. 1. A denegação do mandado de segurança mediante julgamento proferido originariamente por Tribunal de Justiça ou por Tribunal Regional Federal desafia recurso ordinário, na forma do art. 105, inciso II, alínea "b", da Constituição da República. 2. No entanto, quando impetrada a ação de mandado de segurança em primeiro grau de jurisdição e instada a competência do Tribunal local apenas por via de apelação, o acórdão respectivo desafia recurso especial, conforme o disposto no art. 105, inciso III, da Constituição da República. 3. Dessa forma, a interposição do recurso ordinário no lugar do recurso especial constitui erro grosseiro e descaracteriza a dúvida objetiva. Precedentes. 4. O agravo interno que se volta contra essa compreensão sedimentada na jurisprudência e que se esteia em pretensão deduzida contra texto expresso de lei enquadra-se como manifestamente improcedente, porque apresenta razões sem nenhuma chance de êxito. 5. A multa aludida no art. 1.021, §§ 4.º e 5.º, do CPC/2015, não se aplica em qualquer hipótese de inadmissibilidade ou de improcedência, mas apenas em situações que se revelam qualificadas como de manifesta inviabilidade de conhecimento do agravo interno ou de impossibilidade de acolhimento das razões recursais porque inexoravelmente infundadas. 6. Agravo interno não provido, com a condenação do agravante ao pagamento de multa de cinco por cento sobre o valor atualizado da causa, em razão do reconhecimento do caráter de manifesta improcedência, a interposição de qualquer outro recurso ficando condicionada ao depósito prévio do valor da multa. (AgInt no RMS n. 51.042/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 28/03/2017, DJe 03/04/2017 - destaque meu). No caso, não obstante o improvimento do Agravo Interno, não configurada a manifesta inadmissibilidade, razão pela qual deixo de impor a apontada multa. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso.