REsp 2073582 - ACORDAO
O agravo interno não foi conhecido por faltar impugnação específica aos fundamentos da decisão agravada, aplicando-se a Súmula 182/STJ; ademais, por tratar-se de recurso interposto contra acórdão publicado na vigência do CPC/2015, exigiram-se os requisitos de admissibilidade na forma do enunciado 3/2016/STJ, e não...
Source-derived case information.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Recurso Especial / Decisão Colegiada Não Conhecimento
- Outcome
- Agravo interno não conhecido.
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Requisitos De Admissibilidade, Súmula 182/stj, Súmula 284/stf, Súmula 282/stf, Instrução Normativa, Prequestionamento
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Procedural Posture
Agravo Interno No Recurso Especial / Decisão Colegiada Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão agravada
- 2 aplicabilidade da Súmula 182/STJ ao agravo interno
- 3 exigência dos requisitos de admissibilidade previstos no CPC/2015 (Enunciado 3/2016/STJ)
Ratio Decidendi
O agravo interno não foi conhecido por faltar impugnação específica aos fundamentos da decisão agravada, aplicando-se a Súmula 182/STJ; ademais, por tratar-se de recurso interposto contra acórdão publicado na vigência do CPC/2015, exigiram-se os requisitos de admissibilidade na forma do enunciado 3/2016/STJ, e não se verificou impugnação parcial de capítulo autônomo capaz de afastar a aplicação da Súmula 182/STJ (conforme EREsp n. 1.424.404/SP).
Court Disposition
Agravo interno não conhecido.
Orders
- Agravo interno não conhecido.
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 05/03/2024 a 11/03/2024, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Sérgio Kukina, Regina Helena Costa, Gurgel de Faria e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. NÃO IMPUGNAÇÃO AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. 1. Tendo sido o recurso interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado n. 3/2016/STJ. 2. A ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão agravada impõe o não conhecimento do recurso. Incidência da Súmula 182/STJ. 3. No caso, não se configura a hipótese de impugnação parcial da decisão agravada relativamente a algum fundamento autônomo, a permitir o conhecimento do agravo interno no ponto e afastar a aplicação da Súmula 182/STJ, conforme entendimento firmado pela Corte Especial no julgamento dos EREsp n. 1.424.404/SP, DJe 17/11/2021. 4. Agravo interno não conhecido.
RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO BENEDITO GONÇALVES (Relator): Trata-se de agravo interno interposto contra decisão, às fls. 5.511-5.513, assim ementada: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. VIOLAÇÃO A INSTRUÇÃO NORMATIVA. IMPOSSIBILIDADE. NÃO ENQUADRAMENTO NO CONCEITO DE LEI FEDERAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DOS DISPOSITIVOS TIDOS POR VIOLADOS. SÚMULA 282/STF. DEFICIÊNCIA NA ARGUMENTAÇÃO RECURSAL. SÚMULA 284/STF. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. A parte agravante afirma, à fl. 5.523, que o entendimento consubstanciado na decisão monocrática de que a "recorrente aponta, de forma genérica e vaga, a suposta violação", como também "o recurso especial não é a via adequada para análise de ofensa a resolução, portaria, regimento interno ou instrução normativa", não são obstáculos a impedir o processamento e análise do Recurso, vez que conforme delimitado nas razões, foram devidamente apresentadas e demarcadas os pontos atacados do R. Acórdão. Aponta, à fl. 5.523, que resta devidamente evidenciado que a Instrução Normativa é subordinada a Leis Federais, neste caso, as já explanadas Leis nº 4.680/65 e 12.232/10, pelas quais se tratam por completo da incidência tributária para empresas de propaganda e publicidade, razão pela qual o recurso não pode ser negado sem que haja a sua solução. Sem impugnação. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. NÃO IMPUGNAÇÃO AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. 1. Tendo sido o recurso interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado n. 3/2016/STJ. 2. A ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão agravada impõe o não conhecimento do recurso. Incidência da Súmula 182/STJ. 3. No caso, não se configura a hipótese de impugnação parcial da decisão agravada relativamente a algum fundamento autônomo, a permitir o conhecimento do agravo interno no ponto e afastar a aplicação da Súmula 182/STJ, conforme entendimento firmado pela Corte Especial no julgamento dos EREsp n. 1.424.404/SP, DJe 17/11/2021. 4. Agravo interno não conhecido. VOTO O SENHOR MINISTRO BENEDITO GONÇALVES (Relator): Consigne-se inicialmente que o recurso foi interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devendo ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado n. 3/2016/STJ. A decisão agravada não conheceu do recurso especial sob os seguintes fundamentos: i) incidência da Súmula 284/STF, no tocante a violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC, uma vez que o recorrente se limitou a afirmar de forma genérica a ofensa aos referidos normativos; ii) inadequação da via eleita, no que concerne a ofensa à Instrução Normativa; iii) súmula 282/STF; e iv) súmula 284/STF, por deficiência na argumentação recursal. A parte agravante, por outro lado, afirma, à fl. 5.523, que o entendimento consubstanciado na decisão monocrática de que a "recorrente aponta, de forma genérica e vaga, a suposta violação", como também "o recurso especial não é a via adequada para análise de ofensa a resolução, portaria, regimento interno ou instrução normativa", não são obstáculos a impedir o processamento e análise do Recurso, vez que conforme delimitado nas razões, foram devidamente apresentadas e demarcadas os pontos atacados do R. Acórdão. Como se vê, o agravante não impugnou especificamente a decisão agravada, razão pela qual se impõe, a incidência da Súmula 182/STJ: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". Cabe assinalar que, no caso, não se configura a hipótese de impugnação parcial da decisão agravada relativamente a algum fundamento autônomo, a permitir o conhecimento do agravo interno no ponto e afastar a aplicação da Súmula 182/STJ, conforme entendimento firmado pela Corte Especial no julgamento dos EREsp n. 1.424.404/SP, DJe 17/11/2021. Confira-se o excerto da ementa do acórdão do referido julgado: EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. DESNECESSIDADE DE IMPUGNAÇÃO DE TODOS OS CAPÍTULOS AUTÔNOMOS E/OU INDEPENDENTES DA DECISÃO MONOCRÁTICA AGRAVADA. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA 182/STJ. 1. A regra da dialeticidade ônus do recorrente de apresentar os fundamentos de sua irresignação constitui reflexo do princípio constitucional do contraditório e da necessária interação dialógica entre as partes e o magistrado, revelando-se como a outra face da vedação do arbítrio, pois, se o juiz não pode decidir sem fundamentar, "a parte não pode criticar sem explicar" (DOTTI, Rogéria. Todo defeito na fundamentação do recurso constitui vício insanável Impugnação específica, dialeticidade e o retorno da jurisprudência defensiva. In: NERY JUNIOR, Nelson; ALVIM, Teresa Arruda; OLIVEIRA, Pedro Miranda de coord. . Aspectos polêmicos dos recursos cíveis e assuntos afins. Volume 14 livro eletrônico . São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2018). 2. Tal dever de fundamentação da pretensão de reforma do provimento jurisdicional constitui requisito extrínseco de admissibilidade dos recursos, que se enquadra na exigência de regularidade formal. .. 9. Diante desse contexto normativo e doutrinário, deve prevalecer a jurisprudência desta Corte no sentido de que a ausência de impugnação, no agravo interno, de capítulo autônomo e/ou independente da decisão monocrática do relator proferida ao apreciar recurso especial ou agravo em recurso especial apenas acarreta a preclusão da matéria não impugnada, não atraindo a incidência da Súmula 182 do STJ. 10. Ressalte-se, contudo, o dever da parte de refutar "em tantos quantos forem os motivos autonomamente consider ados" para manter os capítulos decisórios objeto do agravo interno total ou parcial (AgInt no AREsp 895.746/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 9.8.2016, DJe 19.8.2016). (ERESP n. 1.424.404/SP, Rel. MINISTRO LUIS FELIPE SALOMÃO, CORTE ESPECIAL, julgado em 20/10/2021, DJe 17/11/2021). Ante o exposto, não conheço do agravo interno. É como voto.