AREsp 2396005 - ACORDAO
O agravo interno não foi conhecido porque os agravantes não impugnaram, de forma clara, objetiva e específica, todos os fundamentos da decisão agravada (notadamente a incidência das Súmulas 7/STJ e 280/STF), nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182/STJ; alegações genéricas não supriram o ônus da...
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- Parties
- Agravante: DANIEL KLEBER SIVA DE SOUSA; Agravante: OUTRO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 April 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgamento Não Conhecido Do Agravo Interno
- Outcome
- agravo interno não conhecido
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Súmula 182/stj, Art. 1.021, § 1º, Cpc/2015, Súmulas 7/stj E 280/stf, Preclusão, Multa Processual (art. 1.021, § 4º, Cpc/2015)
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Parties
DANIEL KLEBER SIVA DE SOUSA
Agravante
OUTRO
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno / Julgamento Não Conhecido Do Agravo Interno
Legal Issues
- 1 necessidade de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada
- 2 aplicação da Súmula 182 do STJ
- 3 incidência das Súmulas 7 do STJ e 280 do STF
Ratio Decidendi
O agravo interno não foi conhecido porque os agravantes não impugnaram, de forma clara, objetiva e específica, todos os fundamentos da decisão agravada (notadamente a incidência das Súmulas 7/STJ e 280/STF), nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182/STJ; alegações genéricas não supriram o ônus da impugnação específica.
Court Disposition
agravo interno não conhecido
Orders
- Não conhecer do agravo interno
- Não aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 02/04/2024 a 08/04/2024, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ, o agravante deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão impugnada, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que os recorrentes não se desincumbiram do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno manejado por DANIEL KLEBER SIVA DE SOUSA e OUTRO para desafiar decisão, proferida às e-STJ fls. 296/298, que não conheceu do agravo em recurso especial, pois os agravantes não impugnaram especificamente todos os fundamentos da decisão agravada, abstendo-se de atacar a incidência das Súmulas 7 do STJ e 280 do STF. Sustentam os recorrentes, às e-STJ fls. 949/957, em suma, que a matéria debatida foi devidamente prequestionada e que houve efetiva impugnação aos fundamentos de inadmissão do recurso especial, "visto que consoante mencionado, o prequestionamento (mérito) vem sendo tratado desde da discussão judicial em 1º grau" (e-STJ fl. 312). No mais, repisam o mérito recursal. Requerem, assim, seja conhecido e provido o recurso. Impugnação às e-STJ fls. 350/354. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ, o agravante deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão impugnada, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que os recorrentes não se desincumbiram do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido. VOTO De início, considerando os parâmetros estabelecidos pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EREsp 1.424.404/SP (Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, julgado em 20/10/2021, DJe 17/11/2021), para a aplicação da Súmula 182 do STJ no tocante aos agravos internos manejados contra decisões proferidas em recurso especial ou em agravo em recurso especial, tem-se o seguinte: a) incide o verbete quando: i) o único ou todos os capítulos da decisão agravada não foi ou não foram impugnados; ii) não houver a impugnação de todos os fundamentos adotados na análise de determinado capítulo autônomo (quer dizer, ausência de ataque a fundamento capaz, por si só, de manter a conclusão alcançada na decisão agravada); b) não se aplica o óbice sumular no caso em que houver vários capítulos autônomos e a parte agravante não se insurgir contra algum deles, pois isso acarreta apenas a preclusão da matéria não impugnada, devendo ser analisado o que remanesceu. Dito isso, vê-se que, na hipótese dos autos, o agravo interno não merece ser conhecido. Com efeito, o decisum ora recorrido não conheceu do agravo interposto, visto que os agravantes não se insurgiram contra todos os fundamentos do juízo de prelibação negativo do recurso especial, abstendo-se de atacar a incidência das Súmulas 7 do STJ e 280 do STF. Da leitura das razões do agravo interno, observa-se que, mais uma vez, os recorrentes deixaram de atacar devidamente o fundamento do julgado agravado pertinente à falta de impugnação dos referidos óbices. No caso, limitaram-se a alegar o seguinte (e-STJ fl. 312): Nesse sentido, sustenta a Ministra relatora não ter havido impugnação específica por parte dos Agravantes, de modo que não teria sido cumprida a exegese do art. 932, inciso III, do CPC e do art. 253, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno desta Corte. Sob esse viés, a tese mencionada pela Eminente Ministra, não condiz com a realidade jurídica defendida nos presentes autos, visto que, pela análise da discussão jurídica trazida a apreciação dessa Egrégia Corte, tem-se cumprido todos os requisitos inerentes a admissibilidade recursal necessários para análise da matéria. Isto posto, o prequestionamento vem sendo argumentado e analisado desde do nascedouro desta ação judicial em primeira instância até o presente momento, visto que este requisito se confunde intrinsicamente com o mérito discutido. Ou seja, a tese sustentada pelos agravantes vem sendo debatida durante todas as instâncias judiciais, de tal forma que o prequestionamento relativo a matéria, justamente por ser o mérito judicial, está devidamente preenchido. Ademais, é essencial mencionar que houve efetiva impugnação específica acerca da argumentação que negou seguimento ao recurso interposto, visto que consoante mencionado, o prequestionamento (mérito) vem sendo tratado desde da discussão judicial em 1º grau, de tal forma que o sobrestamento de prosseguimento do feito, por tal razão não merece acolhida. Observa-se que a argumentação apresentada no agravo interno se mostra dissociada do fundamento da decisão ora agravada, pois não houve nem mesmo menção a eventual impugnação ocorrida, nas razões do agravo em recurso especial, às Súmulas 7 do STJ e 280 do STF. O princípio da dialeticidade impõe à parte recorrente o ônus de explicitar, de forma específica, concreta e pormenorizada, os motivos pelos quais a decisão atacada deve ser reformada, trazendo argumentações capazes de demonstrar o seu desacerto, sendo insuficiente a mera alegação de que houve ataque específico, sem a sua efetiva demonstração, como ocorreu no caso. Desse modo, forçosa se apresenta a observância do contido no art. 1.021, § 1º, do Código de Processo Civil de 2015 e na Súmula 182 do STJ. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. DECISÃO MONOCRÁTICA DA PRESIDÊNCIA DO STJ, QUE INADMITIU RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. SÚMULA 182/STJ. 1. A decisão monocrática da Presidência do STJ assentou: "Mediante análise dos autos, verifica-se que a decisão agravada inadmitiu o recurso especial, considerando: Súmula 7/STJ. Entretanto, a parte agravante deixou de impugnar especificamente o referido fundamento. Nos termos do art. 932, inciso III, do CPC e do art. 253, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno desta Corte, não se conhecerá do Agravo em Recurso Especial que "não tenha impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão recorrida". Conforme já assentado pela Corte Especial do STJ, a decisão de inadmissibilidade do Recurso Especial não é formada por capítulos autônomos, mas por um único dispositivo, o que exige que a parte agravante impugne todos os fundamentos da decisão que, na origem, inadmitiu o Recurso Especial" (fl. 376, e-STJ). 2. No presente recurso, a parte agravante deixa de observar a determinação do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015, pois não refuta os fundamentos do mérito da decisão recorrida, que não conheceu do Agravo em Recurso Especial por falta de impugnação da decisão de admissibilidade. 3. A iterativa jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidou a compreensão de que não se conhece de Agravo contra decisão monocrática o qual não ataque especificamente os fundamentos dessa decisão, de forma a demonstrar que o entendimento nela esposado merece modificação. Assim, não bastam alegações genéricas em sentido contrário ao das afirmações da decisão agravada. 4. Dessa forma, a ausência de impugnação especificada faz incidir na espécie a Súmula 182/STJ ("É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada."), que está em consonância com a redação do § 1º do art. 1.021 do atual do CPC. 5. Ademais, a impugnação tardia dos fundamentos da decisão que não admitiu o Recurso Especial, por ocasião da interposição de Agravo Interno, além de caracterizar imprópria inovação recursal, não tem o condão de afastar a aplicação do referido verbete 182/STJ, em virtude da ocorrência de preclusão consumativa. 6. Agravo Interno não conhecido. (AgInt no AREsp n. 1.874.820/GO, relator Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 4/10/2021, DJe de 4/11/2021.) Deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015, tendo em vista que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da sanção quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do Colegiado, como no caso em análise. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo interno. É como voto.