REsp 2109037 - ACORDAO
O agravo interno foi apenas parcialmente conhecido e, na extensão conhecida, desprovido, porque a agravante não impugnou especificamente o capítulo da decisão agravada que aplicou a Súmula 83 do STJ (consonante com o Tema 1.076), e não há negativa de prestação jurisdicional, uma vez que o Tribunal de origem apreciou...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: VIARONDON CONCESSIONÁRIA DE RODOVIA S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 May 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Acórdão
- Outcome
- Agravo interno parcialmente conhecido e, nessa extensão, desprovido.
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Negativa De Prestação Jurisdicional, Súmula 182 Do STJ, Súmula 83 Do STJ, Honorários Advocatícios, Tema 1.076 Do STJ, Art. 1.021 Do Cpc/2015, Art. 85 Do CPC
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Parties
VIARONDON CONCESSIONÁRIA DE RODOVIA S.A.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno / Acórdão
Legal Issues
- 1 ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão agravada
- 2 alegada negativa de prestação jurisdicional
- 3 incidência da Súmula 83 do STJ em razão de consonância com Tema 1.076
Ratio Decidendi
O agravo interno foi apenas parcialmente conhecido e, na extensão conhecida, desprovido, porque a agravante não impugnou especificamente o capítulo da decisão agravada que aplicou a Súmula 83 do STJ (consonante com o Tema 1.076), e não há negativa de prestação jurisdicional, uma vez que o Tribunal de origem apreciou e fundamentou a controvérsia sobre os honorários advocatícios.
Court Disposition
Agravo interno parcialmente conhecido e, nessa extensão, desprovido.
Orders
- Conheço em parte do agravo interno e, nessa extensão, nego-lhe provimento.
- Deixo de aplicar a sanção prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 23/04/2024 a 29/04/2024, por unanimidade, conhecer parcialmente do recurso, mas lhe negar provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Gurgel de Faria. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. INEXISTÊNCIA. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão combatida, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que a parte recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar adequadamente determinado capítulo autônomo da decisão agravada. 3. Não há negativa de tutela jurisdicional quando o Tribunal de origem se manifesta de forma clara, coerente e fundamentada sobre as teses relevantes à solução do litígio. 4. Agravo interno parcialmente conhecido e, nessa extensão, desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por VIARONDON CONCESSIONÁRIA DE RODOVIA S.A. para desafiar decisão proferida às e-STJ fls. 1.135/1.138, em que conheci do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento, em face da inexistência de negativa de prestação jurisdicional e da incidência da Súmula 83 do STJ. Insurge-se a parte agravante, inicialmente, contra o emprego do aludido óbice sumular, ao argumento de que "não há que se falar na inviabilidade do arbitramento equitativo dos honorários advocatícios". Reitera a afronta aos arts. 489 e 1.022 do CPC, pois o Tribunal de origem teria se omitido de enfrentar os argumentos arguidos nos aclaratórios ali opostos. Decorrido o prazo legal, a agravada não apresentou impugnação. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. INEXISTÊNCIA. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão combatida, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que a parte recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar adequadamente determinado capítulo autônomo da decisão agravada. 3. Não há negativa de tutela jurisdicional quando o Tribunal de origem se manifesta de forma clara, coerente e fundamentada sobre as teses relevantes à solução do litígio. 4. Agravo interno parcialmente conhecido e, nessa extensão, desprovido. VOTO Nada obstante as razões invocadas pela parte agravante, a decisão recorrida não merece reparos. De início, considerando os parâmetros estabelecidos pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EREsp 1 .424.404/SP (Rel. Ministra Luis Felipe Salomão, julgado em 20/10/2021, DJe 17/11/2021), para a aplicação da Súmula 182 do STJ no tocante aos agravos internos manejados contra decisões proferidas em recurso especial ou em agravo em recurso especial, tem-se o seguinte: a) incide o verbete quando: i) o único ou todos os capítulos da decisão agravada não foi ou não foram impugnados; ii) não houver a impugnação de todos os fundamentos adotados na análise de determinado capítulo autônomo (ou seja, ausência de ataque a fundamento capaz, por si só, de manter a conclusão alcançada na decisão agravada); b) não se aplica o óbice sumular no caso em que houver vários capítulos autônomos, e a parte agravante não se insurgir contra algum deles, pois isso acarreta apenas a preclusão da matéria não impugnada, devendo ser analisado o que remanesceu. Dito isso, vê-se que, na hipótese dos autos, o agravo interno não merece ser conhecido em parte. Com efeito, no decisum ora recorrido, conheci em parte do recurso especial e, nessa extensão, neguei-lhe provimento, com os seguintes fundamentos: a) ausência de negativa de prestação jurisdicional; b) quanto ao mérito, incidência da Súmula 83 do STJ. Contudo, da leitura das razões do agravo interno, observa-se que a parte agravante deixou de atacar devidamente o emprego da Súmula 83 desta Corte. Na decisão agravada, aquele verbete foi empregado em razão da consonância do aresto recorrido com o Tema 1.076 do STJ. Para fins de rebatimento do enunciado da Súmula 83 desta Corte, há de ser consignado não ser suficiente mera citação de precedente no sentido da pretensão do agravante, pois o verbete dispõe que "não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". Antes, deve o agravante contrapor frontalmente esse fundamento. Estribada a decisão agravada na jurisprudência do STJ, caberia à parte agravante apontar precedentes contemporâneos ou supervenientes aos referidos na decisão impugnada, procedendo ao devido cotejo analítico, a fim de demonstrar que a orientação desta Corte não se firmou no sentido do decisum impugnado, ou, ainda, demonstrar a não subsunção do caso concreto à jurisprudência citada pela decisão de inadmissibilidade, o que não ocorreu na espécie, pois a agravante se limitou a reiterar o mérito recursal com a transcrição de julgados que respaldariam as razões anteriormente expendidas. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO À DECISÃO DE INADMISSÃO DO RECURSO ESPECIAL NA CORTE DE ORIGEM. 1. A ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão da Corte de origem que não admitiu o recurso impede o conhecimento do agravo, nos termos do que disposto no art. 932, III, do CPC/2015 e no art. 253, parágrafo único, I, do RI/STJ (redação dada pela Emenda Regimental n. 22, 2016). 2. Inadmitido o recurso especial com base na Súmula 83/STJ, incumbia ao agravante demonstrar que o entendimento jurisprudencial não se encontraria pacificado no mesmo sentido do acórdão recorrido mediante a indicação de precedentes contemporâneos ou supervenientes aos referidos na decisão agravada - o que não ocorreu no caso. Precedentes. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.887.990/DF, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 16/2/2022.). Quanto à questão remanescente - negativa de prestação jurisdicional -, o agravo não merece prosperar. Como assinalado na decisão agravada, não merece acolhimento a pretensão de nulidade do julgado por negativa de prestação jurisdicional, porquanto, no acórdão impugnado, o Tribunal a quo apreciou fundamentadamente a controvérsia, apontando as razões de seu convencimento, contudo em sentido contrário à pretensão recursal, o que não se confunde com o vício apontado. A propósito: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE QUAISQUER DOS VÍCIOS DO ART. 1.022 DO CPC/2015. SUCEDÂNEO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. 1. De acordo com a norma prevista no artigo 1.022 do CPC/2015, são cabíveis embargos de declaração nas hipóteses de obscuridade, contradição, omissão da decisão recorrida ou erro material. 2. No caso, não se verifica a existência de quaisquer das deficiências em questão, pois o acórdão embargado enfrentou e decidiu, de maneira integral e com fundamentação suficiente, toda a controvérsia posta no recurso. 3. "A ação rescisória não pode ser utilizada como sucedâneo recursal, visando à mera rediscussão do mérito da causa, dado seu caráter excepcional" (AR 5.696/DF, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Corte Especial, DJe 07/08/2018). 4. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl na AR 5.306/RJ, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/08/2019, DJe 27/09/2019). No caso, o Tribunal de origem decidiu integralmente a controvérsia relativa à impossibilidade de fixação dos honorários advocatícios de forma equitativa, embora de forma contrária ao interesse da parte recorrente, ao assentar expressamente o seguinte (e-STJ fls. 1.051/1.052): De fato, viceja o critério de fixação da verba honorária pretendido pela requerida, devendo ser reformada parcialmente a r. sentença neste tocante. Ora, por se tratar de demanda submetida à sistemática especial destinada à Fazenda Pública, de rigor a fixação dos honorários advocatícios escalonados, nos termos do art. 85, §§ 2º e 3º do CPC. No caso concreto, inviável a aplicação do § 8º do art. 85 do CPC1, pois a apreciação equitativa no novo diploma processual civil restringe-se às causas em que é inestimável ou irrisório o proveito econômico ou ainda quando o valor da causa é muito baixo, não havendo mais a previsão para os casos em que for vencida a Fazenda Pública, na linha do definido no tema nº 1.076 do Superior Tribunal de Justiça: "(i) A fixação dos honorários por apreciação equitativa não é permitida quando os valores da condenação, da causa ou o proveito econômico da demanda forem elevados. É obrigatória nesses casos a observância dos percentuais previstos nos §§ 2º ou 3º do artigo 85 do CPC - a depender da presença da Fazenda Pública na lide -, os quais serão subsequentemente calculados sobre o valor: (a) da condenação; ou (b) do proveito econômico obtido; ou (c) do valor atualizado da causa. ii) Apenas se admite arbitramento de honorários por equidade quando, havendo ou não condenação: (a)o proveito econômico obtido pelo vencedor for inestimável ou irrisório; ou (b) o valor da causa for muito baixo". Não sendo, portanto, o caso de arbitramento por apreciação equitativa, devem os honorários advocatícios ser estimados com base nos parâmetros estabelecidos pelo art. 85, § 3º, do CPC. Assim, ainda que a parte recorrente considere insubsistente ou incorreta a fundamentação utilizada pelo Tribunal nos julgamentos realizados, não há necessariamente ausência de manifestação. Por último, deixo de aplicar a sanção prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015 por não considerar manifestamente inadmissível ou improcedente o presente recurso. Ante o ex posto, CONHEÇO EM PARTE do agravo interno e, nessa extensão, NEGO-LHE PROVIMENTO. É como voto.