REsp 2064676 - ACORDAO
O agravo interno não foi conhecido porque o agravante não impugnou, de forma clara e objetiva, todos os fundamentos de capítulos autônomos da decisão agravada, descumprindo o dever imposto pelo art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e pela Súmula 182 do STJ, restando, portanto, inviável o conhecimento do recurso.
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: ASSOCIAÇÃO DOS POLICIAIS FERROVIÁRIOS FEDERAIS - PROFISSIONAIS DE SEGURANÇA PÚBLICA FERROVIÁRIA DO BRASIL - ASPOFFEBRASIL; Recorrente No Recurso Especial: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 June 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgamento Colegiado (primeira Turma)
- Outcome
- agravo interno não conhecido
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Prequestionamento, Prejudicialidade, Súmula 182 Do STJ, Súmula 284 Do STF, Intervenção/assistência
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
ASSOCIAÇÃO DOS POLICIAIS FERROVIÁRIOS FEDERAIS - PROFISSIONAIS DE SEGURANÇA PÚBLICA FERROVIÁRIA DO BRASIL - ASPOFFEBRASIL
Agravante
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Recorrente No Recurso Especial
Procedural Posture
Agravo Interno / Julgamento Colegiado (primeira Turma)
Legal Issues
- 1 ausência de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e Súmula 182 do STJ
- 2 aplicação da Súmula 284 do STF quanto à negativa de prestação jurisdicional e à divergência jurisprudencial
- 3 ausência de prequestionamento de dispositivos (Decreto Legislativo n. 641/1852, art. 1º caput e §14; art. 11 do CPC/2015)
Ratio Decidendi
O agravo interno não foi conhecido porque o agravante não impugnou, de forma clara e objetiva, todos os fundamentos de capítulos autônomos da decisão agravada, descumprindo o dever imposto pelo art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e pela Súmula 182 do STJ, restando, portanto, inviável o conhecimento do recurso.
Court Disposition
agravo interno não conhecido
Orders
- Não conhecer do agravo interno
- Não aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 11/06/2024 a 17/06/2024, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ, o agravante deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão impugnada, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que a parte recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, todos os fundamentos de capítulos autônomos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto pelo ASSOCIAÇÃO DOS POLICIAIS FERROVIÁRIOS FEDERAIS - PROFISSIONAIS DE SEGURANÇA PÚBLICA FERROVIÁRIA DO BRASIL- ASPOFFEBRASIL contra a decisão de e-STJ fls. 3.921/3.927, em que não conheci do recurso especial interposto pelo MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, em razão dos seguintes fundamentos: a) aplicação da Súmula 284 do STF quanto à alegada negativa de prestação jurisdicional; b.1) incidência da Súmula 284 do STF quanto à ofensa aos capítulos VI do Decreto n. 2.089/1963 e XXII do Decreto 51.813/1963, já que não houve a particularização de qualquer dispositivo de lei federal eventualmente violado; b.2) ausência de prequestionamento do art. 1º, caput e § 14, do Decreto Legislativo n. 641/1852; b.3) o aresto combatido apoia-se em fundamentação eminentemente constitucional, cuja revisão não é da competência deste Tribunal nos termos do art. 105, III, da Constituição Federal; c) ausência de prequestionamento do art. 11 do CPC/2015; d.1) aplicação da Súmula 284 do STF quanto à divergência jurisprudencial; d.2) não realização de cotejo para a demonstração da divergência. Por fim, registrei que não era hipótese de sobrestamento do especial m virtude da alegada prejudicialidade do recurso extraordinário, já que o apelo nobre não reunia condições de admissibilidade, mormente em se considerando a fundamentação essencialmente constitucional do aresto recorrido. A parte pleiteia o seu ingresso no feito como assistente/terceiro prejudicado. Aduz que, "consonante com o artigo 489, § 1º, IV, do CPC, as lacunas/omissões necessitam ser sanadas, a fim de se apreciar e julgar os petitórios, corrigindo-as, pois capazes, em tese, de infirmar a conclusão adotada, oportunizando a ciência dos fundamentos integrais da Decisão, a fim de contradizê-los, em prestígio ao direito adquirido" (e-STJ fl. 4.038). Afirma que "inexiste violação à Súmula 284/STF, pois o Especial interposto trouxe exaustiva fundamentação para permitir a exata e irretorquível compreensão da controvérsia" (e-STJ fl. 4.040). Destaca que "o prequestionamento de todas as questões foi objeto de Aclaratórios do MPF, não havendo dúvidas deste fato" (e-STJ fl. 4.041), bem como que "o Especial traz volumosa argumentação da divergência jurisprudencial em seu tópico "2.2.2 A argumentação dos acórdãos regionais", no qual se reporta, sendo desnecessária a citação" (e-STJ fl. 4.041). Por fim, defende que foi violado o instituo da prejudicialidade - art. 1.031 do CPC/2015. Requer, assim, a reforma da decisão atacada para que seja provido o recurso especial. Impugnações às e-STJ fls. 4.147/4.167 e 4.187/4.206. Decisão às e-STJ fls. 4.253/4.255 em que deferi o pedido de intervenção, determinando a habilitação da ASSOCIAÇÃO DOS POLICIAIS FERROVIÁRIOS FEDERAIS - PROFISSIONAIS DE SEGURANÇA PÚ BLICA FERROVIÁRIA DO BRASIL - ASPOFFEBRASIL nos autos na condição de assistente simples. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ, o agravante deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão impugnada, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que a parte recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, todos os fundamentos de capítulos autônomos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido. VOTO De início, considerando os parâmetros estabelecidos pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EREsp 1.424.404/SP (rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, julgado em 20/10/2021, DJe 17/11/2021), para a aplicação da Súmula 182 do STJ no tocante aos agravos internos manejados contra decisões proferidas em recurso especial ou em agravo em recurso especial, tem-se o seguinte: a) incide o verbete quando: i) o único ou todos os capítulos da decisão agravada não foi ou não foram impugnados; ii) não houver a impugnação de todos os fundamentos adotados na análise de determinado capítulo autônomo (ou seja , ausência de ataque a fundamento capaz, por si só, de manter a conclusão alcançada na decisão agravada); b) não se aplica o óbice sumular no caso em que houver vários capítulos autônomos, e a parte agravante não se insurgir contra algum deles, pois isso acarreta apenas a preclusão da matéria não impugnada, devendo ser analisado o que remanesceu. Dito isso, vê-se que, na hipótese dos autos, o agravo interno não merece ser conhecido. Com efeito, na decisão ora recorrida, não conheci do recurso especial interposto pelo MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, em razão dos seguintes fundamentos: a) aplicação da Súmula 284 do STF quanto à alegada negativa de prestação jurisdicional; b.1) incidência da Súmula 284 do STF quanto à ofensa aos capítulos VI do Decreto n. 2.089/1963 e XXII do Decreto 51.813/1963, já que não houve a particularização de qualquer dispositivo de lei federal eventualmente violado; b.2) ausência de prequestionamento do art. 1º, caput e § 14, do Decreto Legislativo n. 641/1852; b.3) o aresto combatido apoia-se em fundamentação eminentemente constitucional, cuja revisão não é da competência deste Tribunal nos termos do art. 105, III, da Constituição Federal; c) ausência de prequestionamento do art. 11 do CPC/2015; d.1) aplicação da Súmula 284 do STF quanto à divergência jurisprudencial; d.2) não realização de cotejo para a demonstração da divergência. Por fim, registrei que não era hipótese de sobrestamento do especial m virtude da alegada prejudicialidade do recurso extraordinário, já que o apelo nobre não reunia condições de admissibilidade, mormente em se considerando a fundamentação essencialmente constitucional do aresto recorrido. Contudo, da leitura das razões do agravo interno, observa-se que a parte agravante deixou de atacar devidamente todos os fundamentos da decisão agravada, limitando-se a tecer considerações genéricas. Desse modo, forçosa se apresenta a observância do contido no art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e na Súmula 182 do STJ. Deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015, tendo em vista que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da sanção, quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do Colegiado, como no caso em análise. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo interno. É como voto.