AREsp 2499844 - ACORDAO
Os agravantes não infirmaram, de forma específica, clara e objetiva, todos os fundamentos adotados pelo Tribunal de origem para negar seguimento ao recurso especial (incidência das Súmulas 83 e 7 do STJ e necessidade de não revolvimento probatório), razão pela qual o agravo interno foi negado por não cumprir o ônus...
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- Parties
- Agravante: EMERSON ASSIS CAPP; Agravantes: OUTROS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 July 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno (agravo Em Recurso Especial) / Julgamento (primeira Turma, Sessão Virtual 18/06/2024 a 24/06/2024)
- Outcome
- NEGO PROVIMENTO ao agravo interno.
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Juízo De Prelibação Negativo, Súmula 7 Do STJ, Súmula 83 Do STJ, Princípio Da Dialeticidade, Inadmissibilidade Do Recurso Especial
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Parties
EMERSON ASSIS CAPP
Agravante
OUTROS
Agravantes
Procedural Posture
Agravo Interno (agravo Em Recurso Especial) / Julgamento (primeira Turma, Sessão Virtual 18/06/2024 a 24/06/2024)
Legal Issues
- 1 necessidade de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade do recurso especial
- 2 incidência das Súmulas 7 e 83 do STJ quando houver revolvimento do conjunto probatório
- 3 distinção entre questões de direito e de fato para fins de admissibilidade de recurso especial
Ratio Decidendi
Os agravantes não infirmaram, de forma específica, clara e objetiva, todos os fundamentos adotados pelo Tribunal de origem para negar seguimento ao recurso especial (incidência das Súmulas 83 e 7 do STJ e necessidade de não revolvimento probatório), razão pela qual o agravo interno foi negado por não cumprir o ônus de impugnação previsto nos arts. 253, parágrafo único, I, do RISTJ e 932, III, do CPC/2015.
Court Disposition
NEGO PROVIMENTO ao agravo interno.
Orders
- Negou provimento ao agravo interno.
- Não aplicou a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 18/06/2024 a 24/06/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. JUÍZO DE PRELIBAÇÃO NEGATIVO. DECISÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. De acordo com o disposto nos arts. 253, parágrafo único, I, do RISTJ e 932, III, do CPC/2015, compete à parte agravante infirmar especificamente os fundamentos adotados pela Corte de origem para obstar o seguimento do recurso especial, mostrando-se inadmissível o agravo que não se insurge contra todos eles. 2. Hipótese em que os recorrentes não se desincumbiram do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, as razões que levaram à inadmissibilidade do apelo nobre. 3. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno manejado por EMERSON ASSIS CAPP e OUTROS para desafiar decisão proferida às e-STJ fls. 218/220, que não conheceu do agravo em recurso especial, pois os agravantes não impugnaram especificamente os fundamentos da decisão agravada, no caso, a incidência das Súmulas 83 e 7 do STJ. Sustentam os recorrentes, às e-STJ fls. 232/237, em suma, que, ao contrário do consignado, infirmaram a aplicação da Súmula 7 do STJ no trecho do agravo em recurso especial indicado e que, em relação à Súmula 83 do STJ, esclareceu-se que a decisão de inadmissibilidade não citou nenhum precedente em sentido contrário à questão meritória ventilada. Requerem, assim, seja conhecido e provido o recurso. Sem impugnação. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. JUÍZO DE PRELIBAÇÃO NEGATIVO. DECISÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. De acordo com o disposto nos arts. 253, parágrafo único, I, do RISTJ e 932, III, do CPC/2015, compete à parte agravante infirmar especificamente os fundamentos adotados pela Corte de origem para obstar o seguimento do recurso especial, mostrando-se inadmissível o agravo que não se insurge contra todos eles. 2. Hipótese em que os recorrentes não se desincumbiram do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, as razões que levaram à inadmissibilidade do apelo nobre. 3. Agravo interno desprovido. VOTO Tenho que o inconformismo sob exame não merece prosperar. Os recorrentes não trouxeram nenhum argumento capaz de alterar o decisum atacado, proferido em sintonia com a jurisprudência deste Tribunal Superior, no sentido de que a parte deve infirmar especificamente os fundamentos da decisão impugnada, mostrando-se inadmissível o agravo que não se insurge contra todos eles, a teor do disposto nos arts. 253, parágrafo único, I, do RISTJ, e 932, III, do CPC/2015. In casu, o juízo de prelibação negativo proferido pelo Tribunal de origem, ao inadmitir o recurso especial, entendeu que o acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência desta Corte no sentido de que cabe ao juízo que recebeu o mandado de penhora no rosto dos autos decidir sobre a viabilidade da constrição a ser procedida no processo de sua jurisdição, uma vez que cada um dos juízos envolvidos possui competência para processar e julgar a execução que tramita sob sua jurisdição (AgInt no REsp n. 1.589.228/RS, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 29/3/2021, DJe de 6/4/2021) e que a questão suscitada implica revolvimento do conjunto probatório, o que atrai a incidência das Súmulas 83 e 7 do STJ, respectivamente (e-STJ fls. 177/179). Nas razões do agravo em recurso especial, os agravantes não infirmaram de forma clara e específica esses fundamentos, em evidente desrespeito ao princípio da dialeticidade. Com efeito, limitaram-se, entre outras razões, a alegar o seguinte (e-STJ fls. 200/205): Entendeu a Vice-Presidência da Corte recorrida que a apreciação do recurso ensejaria o revolvimento de matéria fática, o que atrairia a incidência da Súmula nº 7 desta Corte Superior. No entanto, não é possível concordar com referido entendimento, uma vez que o reconhecimento da impenhorabilidade de verba vencimental decorre da simples subsunção da norma ao caso concreto, e não da valoração de qualquer prova, o que afasta a incidência da aludida súmula. A bem da verdade, não se está discutindo nem mesmo superficialmente qualquer questão que adentre no campo probatório, mas pura e simplesmente a aplicação de dispositivo legal, mais especificamente, do artigo 833, inciso IV, do Código de Processo Civil. Veja-se que não é necessário adentrar na esfera fática: a matéria pode e deve ser decidida em abstrato, pois não se precisa averiguar qualquer documento juntado nos autos, bastando mera avaliação da aplicabilidade dos dispositivos legais acima citados. Portanto, trata-se de interpretação sobre dispositivo de lei, sendo não só prescindível, como totalmente inadequado que se adentre em matéria fática. De fato, a questão trazida a julgamento é exclusivamente de direito, já que o foco de raciocínio do juiz estará situado em como deve ser entendido o texto legal, em relação à aplicação que lhe deu a Corte Regional. Vale a menção do ensinamento de Teresa Arruda Alvim Wambier, ao analisar as distinções entre questões de fato e de direito para fins de cabimento de Recurso Especial: "(..)". Portanto, trata-se de interpretação sobre dispositivo de lei, questão eminentemente jurídica, sendo absolutamente prescindível o reexame de matéria fática nos autos. Tanto por isso, o Superior Tribunal de Justiça tem, inclusive, dado provimento, já em decisões monocráticas, a recursos especiais idênticos ao da parte recorrente, conforme as recentes decisões anexadas ao Recurso Especial (evento 61). .. Excelências, não há dúvidas de que a aplicação da Súmula nº 83 do STJ se dá pela existência de jurisprudência sedimentada no E. STJ sobre a questão meritória tratada no Recurso Especial. Curiosamente, porém, a decisão agravada fundamenta a aplicação da súmula colacionando meros precedentes que rejeitam preliminar de nulidade em RECURSOS ESPECIAIS CUJA QUESTÃO DE FUNDO EM NADA SE ASSEMELHA AO CASO CONCRETO. O primeiro precedente referido na decisão diz respeito a uma ação anulatória de partilha: "(..)". .. Não bastasse a nítida afronta a todos os dispositivos legais acima elencados, verifica-se que o acórdão que foi objeto do Recurso Especial ao qual a Corte de origem negou seguimento também está em diametral dissonância com a jurisprudência desta Corte - frise-se que, se idêntica tese já chegou a ser apreciada e inclusive acolhida por este Superior Tribunal de Justiça, de forma alguma há que admitir a negativa de seguimento. Como bem salientou-se nas razões do Recurso Especial, a orientação do Superior Tribunal de Justiça a respeito da matéria é inequívoca quanto à impenhorabilidade de verba vencimental, conforme entendimento abaixo exposto: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA.PENHORA. SALÁRIO. EXCEÇÃO. INEXISTÊNCIA. 1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ). 2. A impenhorabilidade de remunerações disposta no artigo 833, IV, do CPC/2015 comporta exceção quando se tratar de execução de dívida de natureza alimentar ou quando a renda mensal for superior a 50 (cinquenta) salários mínimos. Precedentes. 3. Agravo interno não provido. (STJ, AgInt no REsp n. 1.936.757/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 14/3/2022, DJe de 18/3/2022) grifo nosso O princípio da dialeticidade impõe à parte recorrente o ônus de explicitar, de forma específica, concreta e pormenorizada, os motivos pelos quais a decisão atacada deve ser reformada, trazendo argumentações capazes de demonstrar o seu desacerto, o que não ocorreu. Nesse contexto, a mera citação de precedentes no sentido da tese recursal defendida não se mostra suficiente para contrapor o fundamento adotado pela decisão de inadmissibilidade para a aplicação da Súmula 83 do STJ. Isso porque, vem entendendo esta Corte que, "se a inadmissão teve amparo no óbice descrito na Súmula 83/STJ, deve a parte apontar precedentes deste Tribunal contemporâneos ou supervenientes aos mencionados na decisão agravada, procedendo ao cotejo analítico entre eles para demonstrar que outra é a orientação jurisprudencial nesta Corte Superior ou, na hipótese de distinção dos casos, comprovar a inaplicação ao feito do posicionamento exposto no decisum" (AgInt no AREsp 1723249/PR, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/06/2021, DJe 28/06/2021). Já em relação à Súmula 7 desta Corte, é de rigor que, além da contextualização do caso concreto, a impugnação contenha as devidas razões pelas quais se entende ser possível o conhecimento da pretensão independentemente do reexame fático-probatório, mediante, por exemplo, a apresentação do cotejo entre as premissas fáticas e as conclusões delineadas no acórdão recorrido e sua tese recursal. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. APOSENTADORIA POR IDADE HÍBRIDA. REQUISITOS NÃO CUMPRIDOS. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7 DO STJ. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA NÃO COMPROVADA. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. ART. 932, III, DO CPC. 1. A insurgente apresenta argumentação genérica para tentar afastar o óbice previsto na Súmula 7 do STJ, utilizado pelo Tribunal a quo para negar seguimento ao recurso. 2. Em momento algum, indica os fatos incontroversos admitidos no acórdão recorrido sobre os quais pretende que seja feita nova valoração jurídica. Ao contrário, transcreve excerto do agravo em recurso especial no qual pugna pelo revolvimento do acervo fático-probatório utilizado pelo Tribunal a quo para reconhecer a inexistência dos requisitos para a obtenção do benefício previdenciário pleiteado. 3. O que pretende o recorrente é desconstituir a conclusão a que chegou a Corte local, por meio da análise do material probatório colacionado aos autos, circunstância que atrai a incidência da Súmula 7 do STJ. 4. Não basta a afirmação genérica de que não se pretende o reexame de provas, ainda que seja feita breve menção à tese sustentada. É imprescindível o cotejo entre o acórdão combatido e a argumentação trazida no recurso especial que pudesse justificar o afastamento do referido óbice processual. 5. Agravo conhecido, para não se conhecer do recurso especial. (AREsp 1280316/SP, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/05/2019, DJe 28/05/2019) Grifo acrescido . Sendo assim, mostra-se inafastável o desprovimento do presente agravo interno. Nesse sentido, confiram-se os seguintes precedentes: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 3/STJ. SERVIDOR PÚBLICO. DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS. ART. 932, III, DO CPC/2015 E ART 253, PARÁGRAFO ÚNICO, I, DO RISTJ. PRECEDENTES. MATÉRIA DECIDIDA PELA CORTE ESPECIAL. EARESP Nº 746.775/PR. IMPUGNAÇÃO TARDIA EM SEDE DE AGRAVO INTERNO. IMPOSSIBILIDADE. INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. O Tribunal de origem inadmitiu o recurso especial alegando, dentre outros motivos, que não seria possível a interposição do recurso para alegar ofensa à Súmula nº 85/STJ, por não estar referida espécie compreendida na expressão lei federal, constante nas alínea "a", "b", ou "c" do inciso III do artigo 105 da Constituição Federal. Nas razões do agravo em recurso especial, os agravantes não impugnaram de forma específica referido fundamento. 2. Verifica-se, pois, que os agravantes deixaram de impugnar especificamente todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade do recurso, razão pela qual o agravo em recurso especial não pode ser conhecido, a teor do art. 932, III, do CPC/2015, bem como do art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ. Precedentes. 3. A Corte Especial deste Tribunal Superior, ao julgar o EAREsp nº 746.775/PR, cujo julgamento foi concluído na sessão realizada em 19/09/2108, ratificou referido entendimento e estabeleceu a necessidade de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade do recurso especial, sob pena de não conhecimento do agravo. 4. A tentativa de suprir falha de impugnação, através do agravo interno, de fundamento do juízo negativo de admissibilidade não impugnado nas razões do agravo em recurso especial, constitui verdadeira inovação recursal inviável em razão da ocorrência da preclusão consumativa. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1335756/MS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/11/2018, DJe 13/11/2018) ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. MULTA ADMINISTRATIVA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO À TOTALIDADE DOS FUNDAMENTOS ADOTADOS PELA DECISÃO QUE NÃO ADMITE, NA ORIGEM, O RECURSO ESPECIAL. SÚMULA 182/STJ. INCIDÊNCIA. 1. É inviável o agravo que deixa de atacar, de modo específico, os fundamentos adotados pelo Tribunal de origem para negar seguimento ao recurso especial. Incidência da Súmula 182 do STJ. 2. A Corte Especial do STJ, na assentada de 19/9/2018, consolidou o entendimento de que incumbe ao agravante infirmar, especificamente, a totalidade do conteúdo da decisão que não admitiu o processamento do recurso especial, sob pena de incidir o óbice contido na Súmula 182/STJ. Dessarte, não se admite a impugnação parcial do julgado (EAREsp 701.404/SC e EAREsp 831.326/SP, DJe de 30/11/2018). 3. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.930.439/RJ, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 29/11/2021, DJe de 2/12/2021.) Deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015, tendo em vista que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da sanção, quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do Colegiado, como no caso em análise. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno. É como voto.