REsp 2006001 - ACORDAO
Não conhecer do agravo interno, por ausência de impugnação específica e objetiva de todos os fundamentos da decisão agravada, conforme exigência do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ; sendo irrelevantes para o conhecimento do agravo as reapresentações das alegações do recurso especial; ademais, a...
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- Parties
- Agravante: ALZIRA DE ALMEIDA SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 16 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgamento
- Outcome
- Agravo interno não conhecido
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Súmula 182 Do STJ, Art. 1.021, § 1º, Cpc/2015, Súmulas 283 E 284 Do STF, Negativa De Prestação Jurisdicional, Decadência, Devolução De Valores Ao Erário, Tema 1.009 Modulação
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Parties
ALZIRA DE ALMEIDA SILVA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno / Julgamento
Legal Issues
- 1 incidência da Súmula 182 do STJ quanto à ausência de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada
- 2 aplicação das Súmulas 283 e 284 do STF quanto à devolução de valores e negativa de prestação jurisdicional
- 3 prequestionamento da tese relativa à devolução de valores ao erário
Ratio Decidendi
Não conhecer do agravo interno, por ausência de impugnação específica e objetiva de todos os fundamentos da decisão agravada, conforme exigência do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ; sendo irrelevantes para o conhecimento do agravo as reapresentações das alegações do recurso especial; ademais, a modulação do Tema 1.009 impede a aplicação da sistemática dos recursos repetitivos no caso concreto; não se aplicou multa do § 4º do art. 1.021 por não haver manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso.
Court Disposition
Agravo interno não conhecido
Orders
- Não conhecer do agravo interno.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 06/08/2024 a 12/08/2024, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, todos os fundamentos da decisão atacada, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que a parte recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por ALZIRA DE ALMEIDA SILVA contra a decisão de e-STJ fls. 451/455, em que não conheci do recurso especial, em razão das seguintes fundamentos: a) aplicação da Súmula 284 do STF quanto à negativa de prestação jurisdicional; b) incidência da Súmula 284 do STF no tocante à decadência; c.1) ausência de prequestionamento da tese relativa à devolução de valores ao erário; c.2) aplicação das Súmulas 283 e 284 do STF quanto à tese relativa à devolução de valores ao erário. A parte agravante repisa, em síntese, as alegações do apelo nobre no sentido de que não deve devolver valores recebidos de boa-fé, pugnando pela aplicação da modulação dos efeitos do Tema 1.009 da sistemática dos recursos repetitivos. Requer, assim, a reforma da decisão atacada para que seja provido o recurso especial. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, todos os fundamentos da decisão atacada, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que a parte recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido. VOTO C onsiderando os parâmetros estabelecidos pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EREsp 1.424.404/SP (rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, julgado em 20/10/2021, DJe 17/11/2021), para a aplicação da Súmula 182 do STJ no tocante aos agravos internos manejados contra decisões proferidas em recurso especial ou em agravo em recurso especial, tem-se o seguinte: a) incide o verbete quando: i) o único ou todos os capítulos da decisão agravada não foi ou não foram impugnados; ii) não houver a impugnação de todos os fundamentos adotados na análise de determinado capítulo autônomo (ou seja , ausência de ataque a fundamento capaz, por si só, de manter a conclusão alcançada na decisão agravada); b) não se aplica o óbice sumular no caso em que houver vários capítulos autônomos, e a parte agravante não se insurgir contra algum deles, pois isso acarreta apenas a preclusão da matéria não impugnada, devendo ser analisado o que remanesceu. Dito isso, vê-se que, na hipótese dos autos, o agravo interno não deve ser conhecido. Com efeito, na decisão ora recorrida, não conheci do recurso especial, em razão das seguintes fundamentos: a) aplicação da Súmula 284 do STF quanto à negativa de prestação jurisdicional; b) incidência da Súmula 284 do STF no tocante à decadência; c.1) ausência de prequestionamento da tese relativa à devolução de valores ao erário; c.2) aplicação das Súmulas 283 e 284 do STF quanto à tese relativa à devolução de valores ao erário. Contudo, da leitura das razões do agravo interno, observa-se que a parte agravante deixou de atacar devidamente os fundamentos da decisão agravada, limitando-se a repisar alegações do recurso especial. Desse modo, forçosa se apresenta a observância do contido no art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e na Súmula 182 do STJ. Registre-se, ademais, que, havendo a modulação do Tema 1.009, não se aplica ao caso dos autos a sistemática dos recursos repetitivos (para a eventual superação de pressupostos do recurso especial). Deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015, tendo em vista que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da sanção, quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do Colegiado, como no caso em análise. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agrav o interno. É como voto.