AREsp 2498275 - ACORDAO
O agravo interno não foi conhecido porque a parte agravante não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, o fundamento relativo à deficiência de cotejo analítico, nos termos do art. 1.021, §1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ; por isso manteve-se a decisão da Presidência de não conhecer do...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: FUNDAÇÃO MUNICIPAL DE SAÚDE; Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgamento Em Sessão Virtual (decisão Colegiada)
- Outcome
- Agravo interno não conhecido.
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Súmula 182 Do STJ, Art. 1.021 Do Cpc/2015, Cotejo Analítico, Agravo Interno
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Parties
FUNDAÇÃO MUNICIPAL DE SAÚDE
Agravante
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Agravo Interno / Julgamento Em Sessão Virtual (decisão Colegiada)
Legal Issues
- 1 necessidade de impugnação específica nas razões do agravo interno
- 2 aplicação da Súmula 182 do STJ
- 3 deficiência de cotejo analítico como fundamento não impugnado
Ratio Decidendi
O agravo interno não foi conhecido porque a parte agravante não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, o fundamento relativo à deficiência de cotejo analítico, nos termos do art. 1.021, §1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ; por isso manteve-se a decisão da Presidência de não conhecer do agravo em recurso especial.
Court Disposition
Agravo interno não conhecido.
Orders
- Não conhecer do agravo interno.
- Não aplicar a multa prevista no §4º do art. 1.021 do CPC/2015.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 20/08/2024 a 26/08/2024, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão combatida, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto pela FUNDAÇÃO MUNICIPAL DE SAÚDE contra decisão da Presidência desta Corte de justiça, proferida às e-STJ fls. 326/327, que não conheceu do agravo em recurso especial, ante a ausência de impugnação específica os fundamentos da decisão agravada, notadamente quanto à deficiência de cotejo analítico. Sustenta a parte agravante que enfrentou todos os fundamentos do juízo de prelibação negativo proferido pelo Tribunal de origem, transcrevendo, na oportunidade, trechos do apelo nobre que, no seu entender, demonstram a presença dos requisitos para a admissão do recurso. Quanto ao mais, reitera os argumentos de mérito trazidos no recurso especial. Requer, ao final, a reconsideração do decisum recorrido ou, caso assim não se entenda, seja submetido o presente agravo interno à apreciação da Turma. O Ministério Público Federal manifestou-se pelo desprovimento do recurso. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão combatida, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido. VOTO De início, considerando os parâmetros estabelecidos pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EREsp 1 .424.404/SP (Rel. Ministra Luis Felipe Salomão, julgado em 20/10/2021, DJe 17/1 1/2021), para a aplicação da Súmula 182 do STJ no tocante aos agravos internos manejados contra decisões proferidas em recurso especial ou em agravo em recurso especial, tem-se o seguinte: a) incide o verbete quando: i) o único ou todos os capítulos da decisão agravada não foi ou não foram impugnados; ii) não houver a impugnação de todos os fundamentos adotados na análise de determinado capítulo autônomo (quer dizer, ausência de ataque a fundamento capaz, por si só, de manter a conclusão alcançada na decisão agravada); b) não se aplica o óbice sumular no caso em que houver vários capítulos autônomos, e a parte agravante não se insurgir contra algum deles, pois isso acarreta apenas a preclusão da matéria não impugnada, devendo ser analisado o que remanesceu. Dito isso, vê-se que, na hipótese dos autos, o agravo interno não merece ser conhecido, visto que a parte agravante deixou de impugnar especificamente o fundamento relativo à deficiência de cotejo analítico. Da leitura das razões do agravo interno, observa-se que a parte agravante, mais uma vez, não atacou o referido óbice processual, limitando-se a afirmar genericamente que "enfrentou todos os fundamentos da decisão proferida pelo E. Tribunal de Piso", além de transcrever trechos do recuso especial relativos ao mérito da causa. Desse modo, forçosa se apresenta a observância do contido no art. 1.021, §1º, do Código de Processo Civil de 2015 e na Súmula 182 do STJ. Deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015, tendo em vista que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da sanção quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do Colegiado, como no caso em análise. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo interno. E como voto.