AREsp 2549480 - ACORDAO
O agravo interno não foi conhecido porque o agravante não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os fundamentos da decisão agravada, em afronta ao art. 1.021, §1º, do CPC/2015 e à Súmula 182 do STJ; a mera reiteração das razões do agravo em recurso especial sem ataque específico é...
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- Parties
- Agravante: JANAINA RAGAZZOM GUSTAVINO; Agravado: Presidência do Superior Tribunal de Justiça
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgamento Não Conhecido Do Agravo Interno (sessão Virtual)
- Outcome
- não conhecer do agravo interno
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Súmula 182 Do STJ, Súmula 83 Do STJ, Súmula 7 Do STJ, Art. 1.021 Do Cpc/2015, Multa Do Art. 1.021, §4º, Cpc/2015, Inadmissibilidade Do Recurso Especial
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Parties
JANAINA RAGAZZOM GUSTAVINO
Agravante
Presidência do Superior Tribunal de Justiça
Agravado
Procedural Posture
Agravo Interno / Julgamento Não Conhecido Do Agravo Interno (sessão Virtual)
Legal Issues
- 1 ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão agravada
- 2 aplicabilidade da Súmula 182 do STJ em agravos internos
- 3 inadmissibilidade de recurso especial por força de súmula (Súmula 83)
Ratio Decidendi
O agravo interno não foi conhecido porque o agravante não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os fundamentos da decisão agravada, em afronta ao art. 1.021, §1º, do CPC/2015 e à Súmula 182 do STJ; a mera reiteração das razões do agravo em recurso especial sem ataque específico é insuficiente para afastar a inadmissibilidade fundada em súmula (Súmula 83/Súmula 7).
Court Disposition
não conhecer do agravo interno
Orders
- Agravo interno não conhecido.
- Não aplicação da multa prevista no §4º do art. 1.021 do CPC/2015.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 27/08/2024 a 02/09/2024, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão combatida, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por JANAINA RAGAZZOM GUSTAVINO contra decisão da Presidência do STJ (e-STJ fls. 581/583), em que não se conheceu do agravo em recurso especial, em virtude da ausência de impugnação aos fundamentos da decisão agravada, notadamente a aplicação da Súmula 7 do STJ. Sustenta a parte agravante que, ao contrário do decidido, a agravante demonstrou de forma clara e precisa a violação do art. 4º, § 3º, da Lei n. 6.766/1979, que dispõe sobre o parcelamento do solo urbano e dá outras providências. Afirma, ainda, que particularizou o art. 1º da Lei n. 9.636/1998, para embasar o seu direito à indenização, na hipótese de retirada compulsória de onde reside há muitos anos, defendendo que a referida norma atribui ao ente público - União federal - a responsabilidade para tal reparação. Requer, ao final, a reconsideração do decisum recorrido para que seja provido o recurso especial e reformado o acórdão recorrido. Impugnação às e-STJ fls. 602/609. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão combatida, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido. VOTO De início, considerando os parâmetros estabelecidos pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EREsp 1 .424.404/SP (Rel. Ministra Luis Felipe Salomão, julgado em 20/10/2021, DJe 17/1 1/2021), para a aplicação da Súmula 182 do STJ no tocante aos agravos internos manejados contra decisões proferidas em recurso especial ou em agravo em recurso especial, tem-se o seguinte: a) incide o verbete quando: i) o único ou todos os capítulos da decisão agravada não foi ou não foram impugnados; ii) não houver a impugnação de todos os fundamentos adotados na análise de determinado capítulo autônomo (quer dizer, ausência de ataque a fundamento capaz, por si só, de manter a conclusão alcançada na decisão agravada); b) não se aplica o óbice sumular no caso em que houver vários capítulos autônomos, e a parte agravante não se insurgir contra algum deles, pois isso acarreta apenas a preclusão da matéria não impugnada, devendo ser analisado o que remanesceu. Dito isso, vê-se que, na hipótese dos autos, o agravo interno não merece ser conhecido. Com efeito, no decisum ora recorrido, o agravo em recurso especial não foi conhecido, tendo em vista que a parte agravante não impugnou a decisão que inadmitiu o apelo especial, especificamente em relação à incidência da Súmula 83 do STJ. Entretanto, da leitura das razões do agravo interno, observa-se que a parte agravante repete o equívoco, limitando-se a reproduzir as razões de agravo em recurso especial, sem atacar a decisão ora agravada, a fim de demonstrar, de forma clara e objetiva, a inaplicabilidade da Súmula 83 do STJ ao caso. Cumpre ressaltar que, inadmitido o recurso especial com base na jurisprudência desta Corte (Súmula 83), caberia ao agravante apontar precedentes contemporâneos ou supervenientes no sentido da tese defendida, procedendo ao devido cotejo analítico, a fim de demonstrar que a orientação deste Tribunal Superior não se firmou no sentido da decisão recorrida, ou, ainda, a não subsunção do caso concreto à jurisprudência citada pela decisão de inadmissibilidade, o que não ocorreu na espécie. Desse modo, forçosa se apresenta a observância do contido no art. 1.021, §1º, do Código de Processo Civil de 2015 e na Súmula 182 do STJ. Deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015, tendo em vista que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da sanção quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do Colegiado, como no caso em análise. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo interno. E como voto.