AREsp 2700929 - ACORDAO
Não conhecer do agravo interno em razão da ausência de impugnação específica e objetiva dos fundamentos da decisão agravada, nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ, e manutenção do óbice da Súmula 284 do STF pela falta de indicação precisa dos dispositivos legais federais supostamente...
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- Parties
- Agravante: MUNICÍPIO DE PESQUEIRA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 February 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgamento Em Sessão Virtual (primeira Turma, 18/02/2025 a 24/02/2025)
- Outcome
- não conhecer do agravo interno
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Súmula 182 Do STJ, Súmula 284 Do STF, Art. 1.021 Do Cpc/2015
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Parties
MUNICÍPIO DE PESQUEIRA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno / Julgamento Em Sessão Virtual (primeira Turma, 18/02/2025 a 24/02/2025)
Legal Issues
- 1 ausência de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada
- 2 incidência da Súmula 284 do STF por ausência de indicação precisa dos dispositivos legais violados
Ratio Decidendi
Não conhecer do agravo interno em razão da ausência de impugnação específica e objetiva dos fundamentos da decisão agravada, nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ, e manutenção do óbice da Súmula 284 do STF pela falta de indicação precisa dos dispositivos legais federais supostamente violados.
Court Disposition
não conhecer do agravo interno
Orders
- Não conhecer do agravo interno
- Fica prejudicado o pedido liminar
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 18/02/2025 a 24/02/2025, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ, o agravante deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão impugnada, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por e MUNICÍPIO DE PESQUEIRA contra decisão da lavra da Presidência desta Corte, proferida às e-STJ fls. 473/475, em que não se conheceu do recurso, considerando a incidência da Súmula 284 do STF (ausência de indicação precisa dos dispositivos de lei violados ou que são objeto de dissídio interpretativo). A parte agravante alega, em síntese, que não incide o referido óbice, tendo em vista que "ao contrário do entendimento supra, o Acórdão prolatado pelo TJPE nos autos da Apelação em epígrafe, atribuiu interpretação divergente da que lhe foi atribuída por diversos tribunais, o que restou cabalmente demonstrado através do cotejo analítico" Impugnação às e-STJ fls. 494/497, em que a parte adversa pugna pelo não conhecimento do agravo. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ, o agravante deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão impugnada, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido. VOTO De início, considerando os parâmetros estabelecidos pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EREsp 1.424.404/SP (Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, julgado em 20/10/2021, DJe 17/11/2021), para a aplicação da Súmula 182 do STJ no tocante aos agravos internos manejados contra decisões proferidas em recurso especial ou em agravo em recurso especial, tem-se o seguinte: a) incide o verbete quando: i) o único ou todos os capítulos da decisão agravada não foi ou não foram impugnados; ii) não houver a impugnação de todos os fundamentos adotados na análise de determinado capítulo autônomo (ou seja, ausência de ataque a fundamento capaz, por si só, de manter a conclusão alcançada na decisão agravada); b) não se aplica o óbice sumular no caso em que houver vários capítulos autônomos, e a parte agravante não se insurgir contra algum deles, pois isso acarreta apenas a preclusão da matéria não impugnada, devendo ser analisado o que remanesceu. Dito isso, vê-se que, na hipótese dos autos, o agravo interno não merece ser conhecido. Com efeito, o decisum ora recorrido não conheceu do recurso especial, visto que a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais federais que teriam sido violados ou interpretados de maneira divergente, fazendo incidir o óbice da Súmula 284 do STF. Da leitura das razões do agravo interno, observa-se que o recorrente deixou de atacar devidamente o fundamento do julgado agravado pertinente à incidência do referido óbice. Desse modo, forçosa se apresenta a observância do contido no art. 1.021, § 1º, do Código de Processo Civil de 2015 e na Súmula 182 do STJ. Por fim, deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015, tendo em vista que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da sanção quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do Colegiado, como no caso em análise. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo interno. Fica PREJUDICADO o pedido liminar. É como voto.