AREsp 2781691 - ACORDAO
Não conhecer do agravo interno porque o recorrente não impugnou, de forma clara e objetiva, os fundamentos da decisão agravada, em especial quanto à incidência da Súmula 7 e à ausência de demonstração do dissídio jurisprudencial, nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ; afastada a...
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- Parties
- Recorrente: RONY SEREN LINHARES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgamento Sessão Virtual (primeira Turma)
- Outcome
- agravo interno não conhecido (decisão unânime)
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Inadmissão De Recurso Especial, Súmula 182 Do STJ, Súmula 7 Do STJ, Art. 1.021, § 1º, Cpc/2015, Dissídio Jurisprudencial
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Parties
RONY SEREN LINHARES
Recorrente
Procedural Posture
Agravo Interno / Julgamento Sessão Virtual (primeira Turma)
Legal Issues
- 1 ausência de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada
- 2 aplicação da Súmula 182 do STJ
- 3 incidência da Súmula 7 do STJ quanto à necessidade de análise de provas
Ratio Decidendi
Não conhecer do agravo interno porque o recorrente não impugnou, de forma clara e objetiva, os fundamentos da decisão agravada, em especial quanto à incidência da Súmula 7 e à ausência de demonstração do dissídio jurisprudencial, nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ; afastada a aplicação da multa do § 4º do art. 1.021 do CPC/2015 no caso concreto.
Court Disposition
agravo interno não conhecido (decisão unânime)
Orders
- Não conhecer do agravo interno
- Não aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 11/03/2025 a 17/03/2025, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão combatida, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por RONY SEREN LINHARES para desafiar decisão proferida às e-STJ fls. 395/396, em que a Presidência desta Corte Superior de Justiça não conheceu do agravo em recurso especial, visto que não impugnados especificamente os fundamentos da decisão agravada, notadamente a incidência da Súmula 7 do STJ e a não demonstração do dissídio jurisprudencial, por falta de comprovação da similitude fática dos julgados comparados. Sustenta que o agravo em recurso especial rebateu adequadamente os fundamentos do juízo de inadmissão proferido pela Corte de origem. Alega que houve o prequestionamento da matéria e que a sua pretensão não exige a análise de fatos ou de provas, sendo seu objeto limitado à análise da interpretação dada pelo Tribunal Estadual ao PUIL 372. Requer, ao final, a reconsideração da decisão recorrida ou, caso assim não se entenda, seja submetido o presente agravo interno à apreciação da Turma. Impugnação às e-STJ fls. 416/422. Parecer ministerial às e-STJ fls. 439/444. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão combatida, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido. VOTO De início, considerando os parâmetros estabelecidos pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EREsp n. 1.424.404/SP (Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, julgado em 20/10/2021, DJe 17/11/2021), para a aplicação da Súmula 182 do STJ referente aos agravos internos manejados contra decisões proferidas em recurso especial ou em agravo em recurso especial, tem-se o seguinte: a) incide o verbete quando: i) o único ou todos os capítulos da decisão agravada não foi ou não foram impugnados; ii) não houver a impugnação de todos os fundamentos adotados na análise de determinado capítulo autônomo (ou seja, ausência de ataque a fundamento capaz, por si só, de manter a conclusão alcançada na decisão agravada); b) não se aplica o óbice sumular no caso em que houver vários capítulos autônomos, e a parte agravante não se insurgir contra algum deles, pois isso acarreta apenas a preclusão da matéria não impugnada, devendo ser analisado o que remanesceu. Dito isso, vê-se que, na hipótese dos autos, o agravo interno não merece ser conhecido. Na hipótese, na decisão ora recorrida, o agravo em recurso especial não foi conhecido, uma vez que não impugnados, de forma específica, os fundamentos da decisão agravada, notadamente a incidência da Súmula 7 do STJ e a não demonstração do dissídio jurisprudencial, por falta de comprovação da similitude fática dos julgados comparados. Contudo, da leitura das razões do agravo interno, observa-se que a parte agravante, mais uma vez, deixou de atacar devidamente o fundamento da decisão ora agravada. No caso, além de reproduzir trechos do recurso especial e de tratar de questões meritórias, a parte limitou-se a afirmar, de forma genérica, que infirmou todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o especial, sem, todavia, apontar eventual ataque específico nas razões do agravo em recurso especial, ao fundamento do juízo de inadmissão proferido pela Corte de origem. Nesse contexto, cumpre observar que o princípio da dialeticidade impõe, à parte recorrente, o ônus de explicitar os motivos pelos quais a decisão atacada deve ser reformada, trazendo argumentações capazes de demonstrar o seu desacerto, sendo que, na atual fase processual, o fundamento a ser atacado consiste na própria falta de impugnação no recurso anterior. Desse modo, forçosa se apresenta a observância do contido no art. 1.021, § 1º, do CPC/2015, e na Sú mula 182 do STJ. Deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015, haja vista que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da sanção quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do Colegiado, como no caso em análise. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo interno. É como voto.