AREsp 2946557 - ACORDAO
O agravo interno não foi conhecido porque o agravante não impugnou de forma clara e objetiva todos os fundamentos da decisão agravada, nos termos do art. 1.021, §1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ; os argumentos apresentados foram genéricos e não demonstraram a possibilidade de conhecimento sem reexame...
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- Parties
- Agravante: MARIO KIYAN E OUTROS; Recorrido: Presidência desta Corte de justiça
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 December 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgamento Na Primeira Turma (sessão Virtual) Não Conhecido
- Outcome
- Agravo interno não conhecido.
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Súmula 7 Do STJ, Súmula 83 Do STJ, Súmula 182 Do STJ, Art. 1.021 Do Cpc/2015, Inadmissibilidade De Recurso
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Parties
MARIO KIYAN E OUTROS
Agravante
Presidência desta Corte de justiça
Recorrido
Procedural Posture
Agravo Interno / Julgamento Na Primeira Turma (sessão Virtual) Não Conhecido
Legal Issues
- 1 Obrigatoriedade de impugnação específica dos fundamentos da decisão (art. 1.021, §1º, CPC/2015 e Súmula 182 do STJ)
- 2 Aplicação da Súmula 7 do STJ (vedação ao reexame de matéria fático-probatória)
- 3 Aplicação da Súmula 83 do STJ (orientação sobre cabimento do recurso especial)
Ratio Decidendi
O agravo interno não foi conhecido porque o agravante não impugnou de forma clara e objetiva todos os fundamentos da decisão agravada, nos termos do art. 1.021, §1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ; os argumentos apresentados foram genéricos e não demonstraram a possibilidade de conhecimento sem reexame fático-probatório nem atacaram a incidência das Súmulas 7 e 83, motivo pelo qual o recurso não se conhece. A multa do §4º do art. 1.021 não foi aplicada por falta de manifesta improcedência ou inadmissibilidade.
Court Disposition
Agravo interno não conhecido.
Orders
- Não conhecer do agravo interno.
- Deixar de aplicar a multa prevista no §4º do art. 1.021 do CPC/2015.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 09/12/2025 a 15/12/2025, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Paulo Sérgio Domingues, Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina e Regina Helena Costa votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sérgio Kukina. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão combatida, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por MARIO KIYAN E OUTROS contra decisão da Presidência desta Corte de justiça, proferida às e-STJ fls. 80/81, que não conheceu do agravo em recurso especial, em razão de a parte agravante não ter impugnado especificamente a aplicação das Súmulas 7 e 83 do STJ. Sustenta a parte recorrente que, ao contrário do decidido, impugnou expressamente a incidência da Súmula 7 do STJ, ressaltando que a controvérsia não demanda reexame do conjunto fático-probatório, limitando-se ao reconhecimento da legitimidade dos herdeiros para o levantamento da indenização e ao cabimento do agravo de instrumento contra decisão interlocutória proferida na fase de cumprimento de sentença. Requer, ao final, a reconsideração do decisum recorrido ou, caso assim não se entenda, seja submetido o presente agravo interno à apreciação da Turma . Impugnação apresentada às e-STJ fls. 93/95. O Ministério Público manifestou-se pelo não conhecimento do recurso. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão combatida, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido. VOTO De início, considerando os parâmetros estabelecidos pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EREsp 1 .424.404/SP (Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, julgado em 20/10/2021, DJe 17/1 1/2021), para a aplicação da Súmula 182 do STJ no tocante aos agravos internos manejados contra decisões proferidas em recurso especial ou em agravo em recurso especial, tem-se o seguinte: a) incide o verbete quando: i) o único ou todos os capítulos da decisão agravada não foi ou não foram impugnados; ii) não houver a impugnação de todos os fundamentos adotados na análise de determinado capítulo autônomo (quer dizer, ausência de ataque a fundamento capaz, por si só, de manter a conclusão alcançada na decisão agravada); b) não se aplica o óbice sumular no caso em que houver vários capítulos autônomos e a parte agravante não se insurgir contra algum deles, pois isso acarreta apenas a preclusão da matéria não impugnada, devendo ser analisado o que remanesceu. Dito isso, vê-se que, na hipótese dos autos, o agravo interno não merece ser conhecido. Com efeito, o recurso especial versa unicamente sobre a possibilidade de interposição de agravo de instrumento contra decisão que extinguiu o processo de execução, com base no art. 924, II, do CPC/15, em razão da ausência de apresentação do formal de partilha referente ao inventário de Hiroshi Kiyane, o que resultou na negativa de autorização do levantamento da indenização decorrente de ação de desapropriação. O Tribunal de origem não admitiu o apelo nobre, considerando a ausência de afronta ao art. 1.022 do CPC, bem como a incidência das Súmulas 7 e Súmula 83 do Superior Tribunal de Justiça. No caso, o decisum ora recorrido não conheceu do agravo em recurso especial, visto que a parte agravante não se insurgiu contra todos os fundamentos do juízo de prelibação negativo realizado pelo Tribunal de origem, abstendo-se de atacar, efetivamente, a incidência das Súmulas 7 e 83 do STJ. Da leitura das razões do agravo interno, observa-se que a parte agravante repete o equívoco, sem tecer outros argumentos para demonstrar a improcedência da aplicação da Súmula 7 do STJ e, quanto à Súmula 83 do STJ, sequer se reportou ao referido óbice processual. Destaco, por oportuno, não ser suficiente a apresentação de razões genéricas sobre o óbice apontado pela decisão de inadmissibilidade, sendo exigível do agravante o efetivo ataque aos seus fundamentos. Com relação à Súmula 7 do STJ, registro não ser suficiente a apresentação de razões genéricas sobre o óbice apontado pela decisão de inadmissibilidade, sendo exigível do agravante o efetivo ataque aos seus fundamentos. É de rigor que, além da contextualização do caso concreto, a impugnação contenha as devidas razões pelas quais se entende ser possível o conhecimento da pretensão independentemente do reexame fático-probatório, mediante, por exemplo, a apresentação do cotejo entre as premissas fáticas e as conclusões delineadas no acórdão recorrido e sua tese recursal, o que não ocorreu no caso. De outro lado, inadmitido o recurso especial com base na Súmula 83 do STJ, caberia à parte agravante apontar precedentes contemporâneos ou supervenientes aos referidos na decisão impugnada, procedendo ao devido cotejo analítico, a fim de demonstrar que a orientação desta Corte não se firmou no sentido do acórdão recorrido, ou, ainda, demonstrar a não subsunção do caso concreto à jurisprudência citada pela decisão de inadmissibilidade, providência de que não se desincumbiu. Desse modo, forçosa se apresenta a observância do contido no art. 1.021, §1º, do Código de Processo Civil de 2015 e na Súmula 182 do STJ. Deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015, tendo em vista que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da sanção quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do Colegiado, como no caso em análise. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo interno. É como voto.