REsp 1553671 - ACORDAO
O agravo interno não foi conhecido porque o agravante não impugnou de forma clara e específica todos os fundamentos da decisão recorrida, em afronta ao art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e à Súmula 182 do STJ, e as alegações genéricas não afastam o óbice à revisão de matéria fático-probatória pela Súmula 7.
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- Parties
- Agravante: PORT-GALI HOTELARIA E TURISMO LTDA. - EPP
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 March 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Não Conhecido
- Outcome
- Agravo interno não conhecido
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Súmula 182/stj, Súmula 7/stj, Art. 1.021, § 1º Cpc/2015, Princípio Da Dialeticidade
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Parties
PORT-GALI HOTELARIA E TURISMO LTDA. - EPP
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno / Não Conhecido
Legal Issues
- 1 necessidade de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão agravada
- 2 incidência do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ
- 3 vedação ao reexame de fatos e provas (Súmula 7 do STJ)
Ratio Decidendi
O agravo interno não foi conhecido porque o agravante não impugnou de forma clara e específica todos os fundamentos da decisão recorrida, em afronta ao art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e à Súmula 182 do STJ, e as alegações genéricas não afastam o óbice à revisão de matéria fático-probatória pela Súmula 7.
Court Disposition
Agravo interno não conhecido
Orders
- Não conhecer do agravo interno.
- Deixar de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina e Regina Helena Costa votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Gurgel de Faria. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. De acordo com o que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, todos os fundamentos da decisão atacada, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por PORT-GALI HOTELARIA E TURISMO LTDA. - EPPcontra decisão de minha lavra, em que, após reconsiderar decisão anterior, tornando-a sem efeito,conheci em parte dorecurso especial e, nessa extensão, neguei-lheprovimento, em face daausência de vício de integração e do disposto naSúmula7 do STJ (e-STJ fls. 734/737). Sustenta a parte agravante que, ao contrário do asseverado, o Tribunal de origem violou o art. 535 do CPC/1973, ao deixar de apreciar a apontada causa de interrupção do prazo prescricional, qual seja,a interposição de medida cautelar de protesto em 06/09/2019, sendo estaquestão relevante para o deslinde da controvérsia. Afirma que a notificação da revisão cadastral do imóvel e, consequentemente,dosvalores da taxa de ocupação, foi expedida somente em 03/09/2007, não se podendo presumir que o antigo proprietário teve conhecimento da alteração da área demarcada em maio de 2007, poisnão há nenhuma declaração nos autos de ciência do anterior proprietário sobre a modificação realizada pela União. Aduz, ainda, que "as demais questões levantadas nas razões do recurso especial não encontra óbice no anunciando constante do verbete sumular n. 07 deste STJ", não havendo "necessidade de reexame de provas para identificar que o tribunala quoconsiderou como termo inicial a data do ato administrativo de forma isolada, sem dar qualquer relevância aos efeitos com a necessidade de publicidade" (e-STJ fl. 747). Requer, ao final, a reconsideração do decisum recorrido ou, caso assim não se entenda, seja submetido o presente agravo interno à apreciação da Turma. Impugnação apresentada às e-STJ fls. 755/757. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. De acordo com o que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, todos os fundamentos da decisão atacada, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido. VOTO Conforme estabelecido pelo Plenário do STJ, "aos recursos interpostos com fundamento no CPC/1973 (relativos a decisões publicadas até 17 de março de 2016) devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele prevista, com as interpretações dadas até então pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça" (Enunciado Administrativo n. 2). No caso, o recurso especial se insurge contra acórdão publicado em 2014, tendo sido apreciado, portanto, conforme as regras do antigo estatuto processual. Dito isso, de acordo com odisposto nos arts. 932, III, e 1.021, § 1º, do Código de Processo Civil de 2015, o agravante deve infirmar, nas razões do agravo interno, todos os fundamentos da decisão impugnada, autônomos ou não, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. Nesse sentido: AgInt nos EREsp 1518200/SC, Relator Ministro OG FERNANDES, Órgão Julgador S1 - PRIMEIRA SEÇÃO, DJe 01/02/2018, e AgRg no AREsp 739162/CE, Relator Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Órgão Julgador T1 - PRIMEIRA TURMA, DJe 23/06/2017. Nunca é demais lembrar que o princípio da dialeticidade impõe à parte recorrente o ônus de explicitar os motivos pelos quais a decisão atacada deve ser reformada, trazendo argumentações capazes de demonstrar o seu desacerto, sendo insuficiente fazer alegações genéricas de não aplicabilidade dos óbices invocados, bem como repetir o teor do apelo nobre, além de ser vedado inovar na lide. Sobre o tema, cito os seguintes precedentes: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. SUSTENTAÇÃO ORAL EM AGRAVO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 182/STJ E DOS ARTS. 932, III, E 1.021, § 1º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. I - Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015 para o presente Agravo Interno, embora o Recurso Especial estivesse sujeito ao Código de Processo Civil de 1973. II - Nos termos do art. 159, IV, do RISJ, não haverá sustentação oral no julgamento de agravo. III - Razões de agravo interno que não impugnam especificamente os fundamentos da decisão agravada, o que, à luz do princípio da dialeticidade, constitui ônus do Agravante. Incidência da Súmula n. 182 do STJ e aplicação do art. 932, III c/c art. 1.021, § 1º, do Código de Processo Civil. IV - Em regra, descabe a imposição da multa, prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015, em razão do mero improvimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso. V - Agravo interno não conhecido. (AgInt no REsp 1678346/RS, Relator Ministra REGINA HELENA COSTA, Órgão Julgador T1 - PRIMEIRA TURMA, DJe 13/08/2018) PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO N. 3/STJ. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRATO ADMINISTRATIVO. ÔNUS DA DIALETICIDADE NÃO CUMPRIDO . INCIDÊNCIA DO ART. 1021, § 1º, DO CPC/2015. 1. Inicialmente é necessário consignar que o presente recurso atrai a incidência do Enunciado Administrativo n. 3/STJ: "Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC". 2. A decisão agravada não conheceu do apelo nobre por ausência de violação ao art. 535/1973, bem como pelo fato de que o exame dos arts. 62, parágrafo único, 66, 69, do CC/02 e 1.204 do CPC/73 e da tese almejada, implicar em exame do contexto fático-probatório dos autos, o que seria vedado em razão do óbice da Súmula 7/STJ. 3. Agravo interno que não impugna o fundamento da decisão hostilizada. Incidência do ônus da dialeticidade previsto no art. 1021, § 1º do CPC/2015. 4. Agravo interno não conhecido. (AgInt no AREsp 1169025/DF, Relator Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Órgão Julgador T2 - SEGUNDA TURMA, DJe 24/04/2018) No caso, a decisão ora impugnada conheceu parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negou-lhe provimento, sob os seguintes fundamentos: a) ausência de vício de integração relevante, porquanto interposto medida cautelar após completados 5 anos do conhecimento, pelo antigo proprietário, da realização de nova demarcação; e b) necessidade de exame fático-probatório para alterar o entendimento dasinstâncias ordinárias quanto ao "momento da conclusão do processo administrativo de demarcação e da efetiva comunicação do então proprietário" (e-STJ fl. 737) e da irregularidade do referido processo, que não teria consideradoa linha de preamar referente ao ano de 1831. Da leitura das razões do presente recurso, observa-se que o agravante não impugnou todos os fundamentos da decisão agravada, notadamente a aplicação da Súmula 7 do STJ. Com efeito,quanto ao ponto, o agravante não trouxe nenhum argumento capaz de alterar o decisum atacado, apresentando meras alegaçõesgenéricas, sem contextualização do caso concreto,sequer fazendo menção daincidência do referido óbice sumular quanto à suposta violação dos arts. 2º e 10do Decreto-Lei n. 9.760/1946, no tocanteà tese de que não foi considerada a linha de preamar de 1831. Tal circunstância enseja a aplicação da Súmula 182 do Superior Tribunal de Justiça. Por fim, deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015, tendo em vista que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da sanção, quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do Colegiado, como no caso em análise. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo interno. É como voto.