AREsp 1748968 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque a agravante não impugnou de forma específica e detalhada todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, de modo que subsiste a inadmissibilidade nos termos do art. 932, III, do CPC/2015 e da jurisprudência desta Corte.
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- Parties
- Agravante: CONSTRUTORA TENDA S/A; Agravado: Presidente do Superior Tribunal de Justiça
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 March 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado (decisão Da Terceira Turma)
- Outcome
- Agravo interno desprovido (Nego provimento ao agravo interno)
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Inadmissibilidade Do Recurso Especial, Competência Para Exame De Admissibilidade, Reexame De Provas, Aplicação De Súmulas
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Parties
CONSTRUTORA TENDA S/A
Agravante
Presidente do Superior Tribunal de Justiça
Agravado
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado (decisão Da Terceira Turma)
Legal Issues
- 1 ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial
- 2 cabimento do agravo interno contra decisão que nega seguimento/inadmite recurso especial
- 3 distinção entre matéria de direito e reexame de provas
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque a agravante não impugnou de forma específica e detalhada todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, de modo que subsiste a inadmissibilidade nos termos do art. 932, III, do CPC/2015 e da jurisprudência desta Corte.
Court Disposition
Agravo interno desprovido (Nego provimento ao agravo interno)
Orders
- Nego provimento ao agravo interno.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Ricardo Villas Bôas Cueva, Marco Aurélio Bellizze e Moura Ribeiro votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA A TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO QUE INADMITIU O RECURSO ESPECIAL. DECISÃO AGRAVADA QUE MERECE SER MANTIDA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno manejado por CONSTRUTORA TENDA S/A contra decisão do Presidente do Superior Tribunal de Justiça que não conheceu do agravo que interpusera em virtude da ausência de impugnação aos fundamentos da decisão de inadmissão de seu recurso especial (e-STJ fls. 212-214). Nas razões do presente recurso, o agravante pugna pela modificação do julgado, deduzindo que os dispositivos foram citados e exposta a transgressão de cada um deles. No mais, que sua pretensão não é o reexame de provas, uma vez que a questão diz respeito à matéria de direito. Não foi apresentada impugnação (e-STJ fl. 224). É o breve relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA A TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO QUE INADMITIU O RECURSO ESPECIAL. DECISÃO AGRAVADA QUE MERECE SER MANTIDA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. VOTO Eminentes Colegas, o agravo interno não merece prosperar. Em que pese o arrazoado, entendo que a ausência de qualquer novo subsídio trazido pela parte agravante, capaz de alterar os fundamentos da decisão agravada, faz subsistir incólume o entendimento nela firmado. Verifica-se o agravo em recurso especial do recorrente não foi conhecido em virtude da ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão que inadmitiu seu recurso especial, nos termos do art. 932, III, do CPC/15 e da Súmula 182/STJ. A parte agravante, por sua vez, nas razões do agravo interno, alega que (e-STJ fl. 218): "..ao contrário do que constou na decisão que inadmitiu o Recurso Especial outrora interposto, a vulneração aos dispositivos arrolados foi devidamente demonstrada, posto que os artigos foram citados e, em seguida, a recorrente expôs a transgressão de cada um deles". E, ainda, que (e-STJ fl. 219): "No mais, não há que se falar na pretensão de reexame de prova (Súmula 7 do STJ), uma vez que a questão que se coloca nas razões recursais diz respeito exclusivamente à matéria de direito." Ocorre que tais argumentos não são aptos a desconstituir a decisão recorrida, uma vez que, de fato, ocorreu a ausência de impugnação específica a fundamento suficiente da decisão agravada. Nas razões de seu agravo em recurso especial, a parte limitou-se a alegar que (e-STJ fl.203): "..demonstrou claramente ter o v. acórdão sido proferido em desacordo com os 507, 141 e 492 do Código de Processo Civil". "..ao contrário do que constou na decisão que inadmitiu o Recurso Especial outrora interposto, a vulneração aos dispositivos arrolados foi devidamente demonstrada, posto que os artigos foram citados e, em seguida, a recorrente expôs a transgressão de cada um deles". "Ademais disso, não há que se falar na pretensão de reexame de prova (Sumula 7 STJ), uma vez que a questão que se coloca nas razões recursais diz respeito à matéria de direito". Como se vê, no momento da interposição de tal recurso, a agravante cingiu-se a alegações meramente genéricas tanto em relação à não demonstração da violação como com relação ao óbice da Súmula 7/STJ, não atacando de forma específica e consistente o fundamento da decisão do Presidente da Seção de Direito Privado do TJSP que entendeu que além de não demonstrada a alegada violação, a pretensão da parte no seu recurso especial, no que tange à matéria dos arts. 507, 141 e 492 do CPC, implicaria no necessário reexame das provas e das circunstâncias fáticas próprias do processado. Vale observar que da leitura das razões do agravo em recurso especial não se depreende nem sequer qual o objeto da controvérsia e, em que pese alegue que a questão discutida é de direito, não a menciona. Convém ressaltar que para viabilizar o prosseguimento do recurso interposto, a irresignação há de ser total, objetiva e pormenorizada, isto é, as alegações genéricas aos fundamentos do decisum de inadmissão são insuficientes à impugnação. Veja-se o entendimento desta Corte quanto ao tema: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. ART. 544, § 4º, I, DO CPC/1973. ENTENDIMENTO RENOVADO PELO NOVO CPC, ART. 932. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos. (EAREsp 746.775/PR, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, CORTE ESPECIAL, julgado em 19/09/2018, DJe 30/11/2018) Destarte, inabalável a decisão que assentou que a falta de ataque específico aos fundamentos da inadmissibilidade acarreta o não conhecimento do recurso, a teor do que dispõe o art. 932, inciso III, do CPC/2015, in verbis: "Art. 932. Incumbe ao relator: (..) III - não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida". A propósito: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. SEGUIMENTO NEGADO COM FUNDAMENTO NO ART. 1.030, I, B, DO CPC/2015. INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO, NOS TERMOS DO ART. 1.042 DO CPC/2015, AO INVÉS DE AGRAVO INTERNO.CONFIGURAÇÃO DE ERRO GROSSEIRO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM QUE NÃO ADMITIU O PROCESSAMENTO DO RECURSO ESPECIAL. ART. 932, III, DO CPC/2015. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Consoante dispõe o art. 1.030, § 2º, do CPC/2015, o recurso cabível contra a decisão que nega seguimento a recurso especial, ao fundamento de que o acórdão recorrido está em conformidade com tese fixada em recurso repetitivo (art. 1.030, I, b, do CPC/2015), é o agravo interno. Logo, havendo expressa previsão legal do recurso adequado, a interposição do agravo previsto no art. 1.042, caput, do CPC/2015, com a finalidade de atacar decisão com aquele fundamento, é inadmissível, constituindo erro grosseiro. 2. Em atenção ao princípio da dialeticidade recursal, as razões do agravo em recurso especial devem infirmar os fundamentos da decisão de inadmissibilidade recursal proferida pelo Tribunal de origem, sob pena de não conhecimento do reclamo por esta Corte Superior, nos termos do art. 932, III, do CPC/2015. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 1676737/RS, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 19/10/2020, DJe 26/10/2020) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO CONSTITUTIVA NEGATIVA C/C PEDIDOS CONDENATÓRIO E COMINATÓRIO - DECISÃO MONOCRÁTICA DA PRESIDÊNCIA DESTA CORTE QUE NÃO CONHECEU DO RECLAMO. INSURGÊNCIA DA REQUERIDA. 1. Razões do agravo em recurso especial que não impugnaram especificamente os fundamentos da decisão proferida em juízo prévio de admissibilidade, violando o princípio da dialeticidade, o que autorizou o não conhecimento do reclamo, nos termos do art. 932, inc. III, do CPC/15. 2. Conforme a jurisprudência deste Tribunal Superior, imposição da multa, prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/15, não é aplicável em virtude do mero desprovimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso. 2.1. Descabida, também, nova fixação de honorários recursais (Art. 85, §11, CPC/15) em sede de agravo interno, pois já determinada a majoração nesta instância especial. Precedente da Segunda Seção. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 1528920/SP, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 29/10/2019, DJe 08/11/2019) Nesse contexto, a decisão recorrida deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos, porquanto mantida a validade dos argumentos que a sustentam, uma vez que não foram trazidos elementos aptos a desconstituí-la. Advirta-se que eventual recurso interposto contra este decisum estará sujeito às normas do CPC/2015, inclusive no que tange à aplicação de multa (art. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC/2015). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno. É o voto.