AREsp 1726350 - ACORDAO
Mantém-se a decisão que não conheceu do agravo em recurso especial porque não houve impugnação específica, objetiva e pormenorizada a todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade, nos termos do art. 932, III, do CPC/2015 e da jurisprudência desta Corte, sendo insuficiente a alegação genérica sobre a Súmula...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: ALAN GOLOMBEK; Agravante: BRUNO GOLOMBEK; Decisão Agravada: Presidente do Superior Tribunal de Justiça
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 April 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno Nos Embargos De Declaração No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Decisão Colegiada Da Terceira Turma (negou Provimento)
- Outcome
- Negar provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Inadmissão Do Recurso Especial, Súmula 7/stj, Súmula 182/stj, Art. 932, III, Cpc/2015, Embargos De Declaração, Agravo Interno
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
ALAN GOLOMBEK
Agravante
BRUNO GOLOMBEK
Agravante
Presidente do Superior Tribunal de Justiça
Decisão Agravada
Procedural Posture
Agravo Interno Nos Embargos De Declaração No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Decisão Colegiada Da Terceira Turma (negou Provimento)
Legal Issues
- 1 Se houve impugnação específica a todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial
- 2 Aplicabilidade do art. 932, III, do CPC/2015 e da Súmula 182/STJ ao não conhecimento do agravo
- 3 Se alegação genérica relativa à Súmula 7/STJ é suficiente para impugnar decisão de inadmissibilidade
Ratio Decidendi
Mantém-se a decisão que não conheceu do agravo em recurso especial porque não houve impugnação específica, objetiva e pormenorizada a todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade, nos termos do art. 932, III, do CPC/2015 e da jurisprudência desta Corte, sendo insuficiente a alegação genérica sobre a Súmula 7/STJ para autorizar o conhecimento do recurso.
Court Disposition
Negar provimento ao agravo interno
Orders
- Agravo interno desprovido.
- Nego provimento ao agravo interno.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Ricardo Villas Bôas Cueva, Marco Aurélio Bellizze e Moura Ribeiro votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino. EMENTA AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA A TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO QUE INADMITIU O RECURSO ESPECIAL. DECISÃO AGRAVADA QUE MERECE SER MANTIDA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno manejado por ALAN GOLOMBEK eBRUNO GOLOMBEKcontra decisão do Presidente do Superior Tribunal de Justiça que não conheceu do agravo que interpusera em virtude da ausência de impugnação a todos os fundamentos da decisão de inadmissão de seu recurso especial (e-STJ fls. 2146-2148). Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (e-STJ fls. 2170-2172). Nas razões do presente recurso, o agravante pugna pela modificação do julgado, deduzindo que houve impugnação específica à Súmula 7/STJ e, como forma de comprovar o alegado, transcreveutrecho de suas razões de agravo em recurso especial. Não foram apresentadas impugnações (e-STJ fls. 2222, 2223 e 2224). É o breve relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA A TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO QUE INADMITIU O RECURSO ESPECIAL. DECISÃO AGRAVADA QUE MERECE SER MANTIDA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. VOTO Eminentes Colegas, o agravo interno não merece prosperar. Em que pese o arrazoado, entendo que a ausência de qualquer novo subsídio trazido pela parte agravante, capaz de alterar os fundamentos da decisão agravada, faz subsistir incólume o entendimento nela firmado. Verifica-se o agravo em recurso especial do recorrente não foi conhecido em virtude da ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão que inadmitiu seu recurso especial, nos termos do art. 932, III, do CPC/15 e da Súmula 182/STJ. A parte agravante, por sua vez, nas razões do agravo interno, após fazer uma síntese da demanda e tecer muitas considerações sobre o processado, sustenta, em suma, que houve impugnação específica à Súmula 7/STJ às fls. 2101 e-STJ. Ocorre que tais argumentos não são aptos a desconstituir a decisão recorrida, uma vez que, de fato, ocorreu a ausência de impugnação específica a fundamento suficiente da decisão agravada, porquanto, nas razões de seu agravo em recurso especial, nas referidas folhas, no que tange à Súmula 7/STJ, encontra-se o seguinte trecho: Ademais, a respeito da alegação da r. decisão de que "Além disso, ao decidir de forma impugnada, a Turma Julgadora o fez diante das provas e das circunstâncias fálicas próprias do processo sub judice, certo que as razões do recurso ativeram-se a uma perspectiva de reexame desses elementos. Mas isso é vedado pelo enunciado na Súmula 7 do Superior Tribunal de Justiça", não subsiste no presente caso, eis que basta uma mera leitura dos acórdãos recorridos para que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça reconheça a afronta aos artigos violados, sem qualquer necessidade de exame de provas. Assim sendo Excelências, não há dúvidas de que CABE A ESTA CORTE REVÊ-LO, POR MEIO DO RECURSO ESPECIAL, SEM QUE CONFIGURE OFENSA AO PRINCÍPIO DA SÚMULA 7/STJ (destaques do original). Como se vê, no momento da interposição de tal recurso, a agravante cingiu-se a alegação meramente genérica de que basta ler o acórdão recorrido para que se reconheça a afronta aos artigos, não atacando de forma específica e consistente o fundamento da decisão do Presidente da Seção de Direito Privado do TJSP que entendeu que a pretensão da parte no seu recurso especial, no que tange à matéria relativa aos arts. 119 a 132 do CPC, 1228 e 1231 do CC; e 1º e 5º da Lei 8.009/90, implicaria no necessário reexame das provas e das circunstâncias fáticas próprias do processado. Convém ressaltar que para viabilizar o prosseguimento do recurso interposto, a irresignação há de ser total, objetiva e pormenorizada, isto é, as alegações genéricas aos fundamentos do decisum de inadmissão são insuficientes à impugnação. Veja-se o entendimento desta Corte quanto ao tema: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. ART. 544, § 4º, I, DO CPC/1973. ENTENDIMENTO RENOVADO PELO NOVO CPC, ART. 932. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos. (EAREsp 746.775/PR, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, CORTE ESPECIAL, julgado em 19/09/2018, DJe 30/11/2018) Destarte, inabalável a decisão que assentou que a falta de ataque específico aos fundamentos da inadmissibilidade acarreta o não conhecimento do recurso, a teor do que dispõe o art. 932, inciso III, do CPC/2015, in verbis: "Art. 932. Incumbe ao relator: (..) III - não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida". A propósito: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. SEGUIMENTO NEGADO COM FUNDAMENTO NO ART. 1.030, I, B, DO CPC/2015. INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO, NOS TERMOS DO ART. 1.042 DO CPC/2015, AO INVÉS DE AGRAVO INTERNO.CONFIGURAÇÃO DE ERRO GROSSEIRO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM QUE NÃO ADMITIU O PROCESSAMENTO DO RECURSO ESPECIAL. ART. 932, III, DO CPC/2015. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. .. 2. Em atenção ao princípio da dialeticidade recursal, as razões do agravo em recurso especial devem infirmar os fundamentos da decisão de inadmissibilidade recursal proferida pelo Tribunal de origem, sob pena de não conhecimento do reclamo por esta Corte Superior, nos termos do art. 932, III, do CPC/2015. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 1676737/RS, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 19/10/2020, DJe 26/10/2020) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO CONSTITUTIVA NEGATIVA C/C PEDIDOS CONDENATÓRIO E COMINATÓRIO - DECISÃO MONOCRÁTICA DA PRESIDÊNCIA DESTA CORTE QUE NÃO CONHECEU DO RECLAMO. INSURGÊNCIA DA REQUERIDA. 1. Razões do agravo em recurso especial que não impugnaram especificamente os fundamentos da decisão proferida em juízo prévio de admissibilidade, violando o princípio da dialeticidade, o que autorizou o não conhecimento do reclamo, nos termos do art. 932, inc. III, do CPC/15. 2. Conforme a jurisprudência deste Tribunal Superior, imposição da multa, prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/15, não é aplicável em virtude do mero desprovimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso. 2.1. Descabida, também, nova fixação de honorários recursais (Art. 85, §11, CPC/15) em sede de agravo interno, pois já determinada a majoração nesta instância especial. Precedente da Segunda Seção. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 1528920/SP, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 29/10/2019, DJe 08/11/2019) Nesse contexto, a decisão recorrida deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos, porquanto mantida a validade dos argumentos que a sustentam, uma vez que não foram trazidos elementos aptos a desconstituí-la. Advirta-se que eventual recurso interposto contra este decisum estará sujeito às normas do CPC/2015, inclusive no que tange à aplicação de multa (art. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC/2015). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno. É o voto