AREsp 1801669 - ACORDAO
O agravo interno não foi conhecido por ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão agravada, conforme exigência do art. 1.021, § 1º, e do art. 932, III, do CPC/2015, e em respeito ao princípio da dialeticidade; impugnações genéricas são insuficientes para o conhecimento do recurso.
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- Parties
- Agravante: EXPRESSO PEGASO EIRELI (EXPRESSO PEGASO EIRELI EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 June 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão Não Conhecimento Do Agravo Interno
- Outcome
- não conhecer do agravo interno
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Súmula 7/stj, Súmula 182/stj, Arts. 932, III, E 1.021, § 1º, Do Cpc/2015, Princípio Da Dialeticidade
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Parties
EXPRESSO PEGASO EIRELI (EXPRESSO PEGASO EIRELI EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL)
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão Não Conhecimento Do Agravo Interno
Legal Issues
- 1 ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão agravada
- 2 incidência das Súmulas 7 e 182 do STJ
- 3 aplicação dos arts. 932, III, e 1.021, § 1º, do CPC/2015
Ratio Decidendi
O agravo interno não foi conhecido por ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão agravada, conforme exigência do art. 1.021, § 1º, e do art. 932, III, do CPC/2015, e em respeito ao princípio da dialeticidade; impugnações genéricas são insuficientes para o conhecimento do recurso.
Court Disposition
não conhecer do agravo interno
Orders
- Não conhecer do agravo interno, com fundamento no art. 1.021, § 1º, e art. 932, III, do CPC/2015.
- Adverte-se que a oposição de incidentes processuais infundados dará ensejo à aplicação de multa por conduta processual indevida.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, não conhecer do agravo interno, nos termos do voto do Sr Ministro Relator. Os Srs. Ministros Ricardo Villas Bôas Cueva, Marco Aurélio Bellizze, Moura Ribeiro e Nancy Andrighi votaram com o Sr. Ministro Relator. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. ARTS. 932, III, E 1.021, § 1º, DO CPC/2015. 1. A parte agravante deve atacar, de forma específica, os argumentos lançados na decisão combatida, sob pena de vê-la mantida. 2. Em obediência ao princípio da dialeticidade, deve a parte agravante demonstrar o desacerto da decisão agravada, não se afigurando suficiente a impugnação genérica ao "decisum" combatido. Precedentes. 3. Agravo interno não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por EXPRESSO PEGASO EIRELI (EXPRESSO PEGASO EIRELI EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL), em face de decisão que não conheceu do agravo em recurso especial, em virtude da ausência de impugnação específica aofundamentoda decisão agravada (e-STJ fls. 392-394). Nas razões do agravo, a parte agravante alega, em síntese, que a mera valoração das provas não enseja a incidência do óbice previsto na Súmula 07/STJ;que "a leitura da decisão de inadmissão revela que sequer se apreciou qualquer elemento de convicção dos autos e nem como teria influenciado (de forma positiva ou negativa) para se estabelecer algum critério para se alcançar a conclusão de que haveria compatibilidade do acórdão recorrido para com o caso em apreço"; que "foram devidamente impugnados todos os frágeis e genéricos argumentos" atinentes à Súmula 07/STJ; a inaplicabilidade da Súmula 182/STJ; que não pretende a reabertura da matéria fático-probatória, mas, tão somente, a alteração, na via especial, do montante arbitrado a título indenizatório; a redução da verba arbitrada em razão de danos morais; bem como que "o dies a quo para a contagem dos juros moratórios é o trânsito em julgado da decisão que arbitrou a indenização". É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. ARTS. 932, III, E 1.021, § 1º, DO CPC/2015. 1. A parte agravante deve atacar, de forma específica, os argumentos lançados na decisão combatida, sob pena de vê-la mantida. 2. Em obediência ao princípio da dialeticidade, deve a parte agravante demonstrar o desacerto da decisão agravada, não se afigurando suficiente a impugnação genérica ao "decisum" combatido. Precedentes. 3. Agravo interno não conhecido. VOTO Eminentes colegas, a irresignação não merece acolhida. Inicialmente, verifica-se que foi negado conhecimento ao agravo em recurso especial, em virtude da ausência de impugnação específica aofundamentoda decisão agravada (e-STJ fls. 392-394). A parte agravante, por sua vez, nas razões do agravo interno, alega, em suma,que a mera valoração das provas não enseja a incidência do óbice previsto na Súmula 07/STJ; que "a leitura da decisão de inadmissão revela que sequer se apreciou qualquer elemento de convicção dos autos e nem como teria influenciado (de forma positiva ou negativa) para se estabelecer algum critério para se alcançar a conclusão de que haveria compatibilidade do acórdão recorrido para com o caso em apreço"; que "foram devidamente impugnados todos os frágeis e genéricos argumentos" atinentes à Súmula 07/STJ; a inaplicabilidade da Súmula 182/STJ; que não pretende a reabertura da matéria fático-probatória, mas, tão somente, a alteração, na via especial, do montante arbitrado a título indenizatório; a redução da verba arbitrada em razão de danos morais; bem como que "o dies a quo para a contagem dos juros moratórios é o trânsito em julgado da decisão que arbitrou a indenização". Destarte, percebe-se que o agravo em comento não merece ser conhecido. Ora, mostra-se cristalinoque não houve impugnação específica aofundamentoda decisão ora agravada relativo à inexistência de ataque, de forma específica, aoargumento utilizadopelo Tribunal de Origem, em sede de admissibilidade, para negar seguimento ao recurso especial ("Súmula 7/STJ - responsabilidade da recorrente"). Veja-se, portanto, que a parte ora recorrente não demonstrou o desacerto do referido decisum, de forma a evidenciar que, no bojo do agravo em recurso especial, atacou, de forma detalhada, o supracitado fundamento da decisão de inadmissão. Nesta esteira, mostra-se aplicável à pretensão ora em apreço o teor dos arts. 932, inciso III, e 1.021, § 1º, ambos do CPC/2015, veja-se: Art. 932 do CPC/2015: Incumbe ao relator: (..) III - não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida; Art. 1.021 do CPC/2015: Contra decisão proferida pelo relator caberá agravo interno para o respectivo órgão colegiado, observadas, quanto ao processamento, as regras do regimento interno do tribunal. § 1º: Na petição de agravo interno, o recorrente impugnará especificadamente os fundamentos da decisão agravada. Importante frisar, ainda, que este Tribunal já decidiu que,à luz do princípio da dialeticidade, que norteia os recursos, deve a parte recorrente impugnar todos os fundamentos suficientes para manter o acórdão recorrido, de maneira a demonstrar que o julgamento proferido pelo Tribunal de origem merece ser modificado, ou seja, não basta que faça alegações genéricas em sentido contrário às afirmações do julgado contra o qual se insurge.(AgRg no Ag 1.056.913/SP, Relatora Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, DJe 26/11/2008). A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE RESCISÃO CONTRATUAL CUMULADA COM INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E COMPENSAÇÃO POR DANOS MORAIS. IMPUGNAÇÃO DA DECISÃO DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA. SÚMULA 182/STJ. 1. Ação de rescisão contratual cumulada com indenização por danos materiais e compensação por danos morais. 2. É inadmissível o agravo interno que não impugna, especificamente, todos os fundamentos da decisão agravada. 3. Agravo interno no agravo em recurso especial não conhecido, com aplicação de multa. (AgInt no AREsp 1349832/SP, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 03/12/2018, DJe 05/12/2018) - g.n. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO MANDADO DE SEGURANÇA. IMPETRAÇÃO CONTRA ATO JUDICIAL PROFERIDO POR MINISTRO DESTA CORTE SUPERIOR. UTILIZAÇÃO DO WRIT COMO SUCEDÂNEO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. NÃO OCORRÊNCIA, IN CASU, DE TERATOLOGIA OU MANIFESTA ILEGALIDADE. PRECEDENTES DO STJ. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. VIOLAÇÃO AO ART. 1021, § 1º DO CPC/2015. SÚMULA 182 DO STJ. AGRAVO NÃO CONHECIDO. 1. A decisão agravada não conheceu do mandado de segurança, pois: a) é pacífico o entendimento jurisprudencial e doutrinário no sentido de que não cabe mandado de segurança contra ato judicial; b) incidência da Súmula 267/STF: "Não cabe mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso ou correição."; c) também é consolidada a orientação no sentido da impossibilidade de impetração de mandado de segurança contra ato judicial dos órgãos fracionários desta Corte ou de seus Ministros; d) não há falar em teratologia ou manifesta ilegalidade da decisão judicial impugnada no writ, o que também afasta o cabimento da pretensão mandamental. 2. No presente agravo interno, por sua vez, limitou-se a defender que a decisão impugnada via mandamus revela-se manifestamente ilegal e teratológica. Demais disso, reiterou ipsis litteris a fundamentação presente no mandado de segurança. 3. A falta de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada inviabiliza o conhecimento do agravo interno, nos termos do art. 1021, § 1º, do CPC/2015. Incidência da Súmula 182/STJ: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada." 4. Agravo interno não conhecido. (AgInt no MS 23.380/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, CORTE ESPECIAL, julgado em 21/06/2017, DJe 29/06/2017) - g.n. Assim, melhor sorte não socorre à parte agravante. Ante o exposto, com base no art. 1.021, § 1º, do CPC/2015, NÃO CONHEÇO do agravo interno. Nesse passo, advirta-se que a oposição de incidentes processuais infundados dará ensejo à aplicação de multa por conduta processual indevida. É o voto.