REsp 2078171 - ACORDAO
O agravo interno não foi conhecido porque a agravante não cumpriu o ônus de impugnar, de forma clara, objetiva e específica, os fundamentos da decisão agravada, conforme exige o art. 1.021, §1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ; portanto, mantiveram-se os óbices das Súmulas 280 e 284 do STF e o reconhecimento de...
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- Parties
- Agravante: MARIA CRISTINA LUZ FERRAZ; Agravante: OUTRA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 April 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgamento
- Outcome
- Agravo interno não conhecido
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Art. 1.021 Do Cpc/2015, Súmula 182 Do STJ, Súmulas 280 E 284 Do STF, Negativa De Prestação Jurisdicional, Arts. 489 E 1.022 Do Cpc/2015, Multa Do §4º Do Art. 1.021 Do Cpc/2015
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Parties
MARIA CRISTINA LUZ FERRAZ
Agravante
OUTRA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno / Julgamento
Legal Issues
- 1 incidência do art. 1.021, §1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ quanto à necessidade de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada
- 2 aplicação das Súmulas 280 e 284 do STF como óbices ao recurso especial
- 3 verificação de negativa de prestação jurisdicional
Ratio Decidendi
O agravo interno não foi conhecido porque a agravante não cumpriu o ônus de impugnar, de forma clara, objetiva e específica, os fundamentos da decisão agravada, conforme exige o art. 1.021, §1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ; portanto, mantiveram-se os óbices das Súmulas 280 e 284 do STF e o reconhecimento de inexistência de negativa de prestação jurisdicional.
Court Disposition
Agravo interno não conhecido
Orders
- Não conhecer do agravo interno
- Deixar de aplicar a multa prevista no §4º do art. 1.021 do CPC/2015
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 02/04/2024 a 08/04/2024, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ, o agravante deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão impugnada, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por MARIA CRISTINA LUZ FERRAZ e OUTRA contra decisão de minha relatoria, às e-STJ fls. 666/669, que não conheceu do recurso especial, por considerar que inexistiu negativa de prestação jurisdicional, e por incidência dos óbices das Súmulas 280 e 284, do STF. Nas suas razões, a parte agravante repisa os argumentos tecidos em manifestações anteriores. Impugnação às e-STJ fls. 688/691. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ, o agravante deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão impugnada, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido. VOTO De início, considerando os parâmetros estabelecidos pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EREsp 1.424.404/SP (rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, julgado em 20/10/2021, DJe 17/11/2021), para a aplicação da Súmula 182 do STJ no tocante aos agravos internos manejados contra decisões proferidas em recurso especial ou em agravo em recurso especial, tem-se o seguinte: a) incide o verbete quando: i) o único ou todos os capítulos da decisão agravada não foi ou não foram impugnados; ii) não houver a impugnação de todos os fundamentos adotados na análise de determinado capítulo autônomo (ou seja, ausência de ataque a fundamento capaz, por si só, de manter a conclusão alcançada na decisão agravada); b) não se aplica o óbice sumular no caso em que houver vários capítulos autônomos, e a parte agravante não se insurgir contra algum deles, pois isso acarreta apenas a preclusão da matéria não impugnada, devendo ser analisado o que remanesceu. Dito isso, vê-se que, na hipótese dos autos, o agravo interno não merece ser conhecido. Com efeito, no decisum ora recorrido, o recurso não foi conhecido, por incidência das Súmulas 280 e 284, do STF e por inexistência de negativa de prestação jurisdicional. Da leitura das razões do agravo interno, observa-se que a parte agravante deixou de atacar os fundamentos do julgado agravado pertinente ao referidos óbices, bem como em relação do reconhecimento de não violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015. No caso, a parte limitou-se a reiterar a fundamentação aduzidas nas razões do recurso especial. Oportuno destacar que, em observância ao princípio dialeticidade, a impugnação deve ser feita de forma específica, concreta e pormenorizada e relativamente a todos os fundamentos adotados pela decisão a quo, trazendo argumentações capazes de demonstrar o seu desacerto, sendo insuficiente a mera alegação de que houve ataque específico, sem a sua efetiva demonstração. Desse modo, forçosa se apresenta a observância do contido no art. 1.021, § 1º, do Código de Processo Civil de 2015 e na Súmula 182 do STJ. Deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015, tendo em vista que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da sanção quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do Colegiado, como no caso em análise. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo interno. É como voto.