EAREsp 2472814 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque o agravante deixou de impugnar especificamente todos os fundamentos da decisão agravada, conforme art. 932, III, do CPC/2015 e art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ, sendo aplicável por analogia a Súmula 182/STJ; subsidiariamente, confirmou-se que o...
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- Parties
- Agravante: CARLOS ALBERTO FERNANDES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 June 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno Em Agravo Em Recurso Especial / Julgamento
- Outcome
- Negar provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Súmula 182/stj, Súmula 83/stj, Súmula 7/stj, Justiça Gratuita, Hipossuficiência, Princípio Da Dialeticidade, Art. 932, III, CPC
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Parties
CARLOS ALBERTO FERNANDES
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno Em Agravo Em Recurso Especial / Julgamento
Legal Issues
- 1 ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão agravada
- 2 aplicação analógica da Súmula 182/STJ
- 3 revogação do benefício da justiça gratuita por insuficiência de prova de hipossuficiência
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque o agravante deixou de impugnar especificamente todos os fundamentos da decisão agravada, conforme art. 932, III, do CPC/2015 e art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ, sendo aplicável por analogia a Súmula 182/STJ; subsidiariamente, confirmou-se que o indeferimento/renovação da justiça gratuita pela instância originária se baseou em elementos fáticos e probatórios cuja reapreciação é vedada no recurso especial (Súmula 7/STJ).
Court Disposition
Negar provimento ao agravo interno
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 04/06/2024 a 10/06/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros João Otávio de Noronha, Raul Araújo, Antonio Carlos Ferreira e Marco Buzzi votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Raul Araújo. EMENTA AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. NÃO CONHECIMENTO. ART. 932, III, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL/2015. SÚMULA 182/STJ. APLICAÇÃO POR ANALOGIA. 1. Nos termos do art. 932, III, do Código de Processo Civil/2015, não se conhece de agravo cujas razões não impugnam especificamente o fundamento da decisão agravada. Aplicação, por analogia, do enunciado n. 182 da Súmula do STJ. 2. Em atenção ao princípio da dialeticidade, cumpre à parte recorrente o ônus de evidenciar, nas razões do agravo em recurso especial, o desacerto da decisão recorrida. 3. Agravo interno a que se nega provimento.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto contra decisão proferida pela Presidência desta Corte Superior que, com base no art. 21-E, V, c/c art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ, não conheceu do agravo em recurso especial de CARLOS ALBERTO FERNANDES, ao fundamento de que a parte "deixou de impugnar especificamente: Súmula 83/STJ" (fls. 698-699 e-STJ). Em suas razões (fls. 703-708 e-STJ), a parte recorrente afirma, em suma, que: "A decisão que inadmitiu o recurso especial, na origem, não está fundamentada a permitir a impugnação pretendida". Considera que: "Não há como impugnar todos os fundamentos da decisão atacada se a decisão atacada não tem nenhum fundamento que se possa atacar e, assim, cumprir a exigência dos artigos 932, inciso III do CPC, e art. 253, parágrafo único, inciso I, Regimento Interno deste STJ. Se ao juiz é dado poder decidir sem observar todos as questões postas no pleito, utilizando-se de seu livre convencimento, não pode o jurisdicionado arcar com o prejuízo de não ter impugnado todos os fundamentos da decisão atacada se a decisão atacada não está fundamentada". Aduz que "a corte de origem não adotou fundamento nenhum para obstar o seguimento do recurso especial. Apenas alegou aplicação da Súmula 7, esta que foi exaustivamente impugnada, eis que a Corte de origem foi quem reproduziu trechos do acórdão recorrido, mas incluiu no rol de restrições ao processamento do recurso especial a Súmula 83, sem nenhum argumento que o justificasse". Almeja o conhecimento do agravo e o acolhimento do recurso especial. A parte agravada não apresentou impugnação, conforme certidão de fl. 713. É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. NÃO CONHECIMENTO. ART. 932, III, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL/2015. SÚMULA 182/STJ. APLICAÇÃO POR ANALOGIA. 1. Nos termos do art. 932, III, do Código de Processo Civil/2015, não se conhece de agravo cujas razões não impugnam especificamente o fundamento da decisão agravada. Aplicação, por analogia, do enunciado n. 182 da Súmula do STJ. 2. Em atenção ao princípio da dialeticidade, cumpre à parte recorrente o ônus de evidenciar, nas razões do agravo em recurso especial, o desacerto da decisão recorrida. 3. Agravo interno a que se nega provimento. VOTO Para melhor compreensão da controvérsia, transcrevo os fundamentos da decisão ora agravada (fls. 367-368 e-STJ): Cuida-se de agravo em recurso especial apresentado por CARLOS ALBERTO FERNANDES contra decisão que inadmitiu recurso especial interposto com fundamento no art. 105, inciso III, da Constituição Federal. É, no essencial, o relatório. Decido. Mediante análise dos autos, verifica-se que a decisão agravada inadmitiu o recurso especial, considerando: Súmula 7/STJ e Súmula 83/STJ. Entretanto, a parte agravante deixou de impugnar especificamente: Súmula 83/STJ. Nos termos do art. 932, inciso III, do CPC e do art. 253, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno desta Corte, não se conhecerá do agravo em recurso especial que "não tenha impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão recorrida". Conforme já assentado pela Corte Especial do STJ, a decisão de inadmissibilidade do recurso especial não é formada por capítulos autônomos, mas por um único dispositivo, o que exige que a parte agravante impugne todos os fundamentos da decisão que, na origem, inadmitiu o recurso especial. A propósito: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. ART. 544, § 4º, I, DO CPC/1973. ENTENDIMENTO RENOVADO PELO NOVO CPC, ART. 932. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos. (EAREsp 746.775/PR, relator Ministro João Otávio de Noronha, relator p/ Acórdão Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, DJe de 30/11/2018.) Ressalte-se que, em atenção ao princípio da dialeticidade recursal, a impugnação deve ser realizada de forma efetiva, concreta e pormenorizada, não sendo suficientes alegações genéricas ou relativas ao mérito da controvérsia, sob pena de incidência, por analogia, da Súmula n. 182/STJ. Ante o exposto, com base no art. 21-E, inciso V, c/c o art. 253, parágrafo único, inciso I, ambos do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do agravo em recurso especial. A irresignação não prosperar, devendo ser mantida a decisão de lavra da Presidência desta Corte que entendeu por não conhecer do agravo em recurso especial, diante da ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão agravada, incidindo no óbice da Súmula 182 do STJ. Percebe-se que o recorrente, nas razões de agravo em recurso especial, limita-se a alegar de forma genérica que não incide a Súmula 83/STJ, por ser "inaplicável ao presente recurso, eis que seu teor não se amolda à situação do presente Recurso Especial" (fl. 675 e-STJ). Ressalte-se que, em observância ao princípio da dialeticidade, os recursos devem ser fundamentados, sendo necessária a impugnação específica a todos os pontos analisados na decisão recorrida, sob pena de não conhecimento do recurso, por ausência de cumprimento dos requisitos previstos no art. 932, III, do Código de Processo Civil de 2015, e pela aplicação analógica da Súmula 182 do STJ. Com efeito, já se assentou nesta Casa que, "São insuficientes ao cumprimento do dever de dialeticidade recursal as alegações genéricas de inconformismo, devendo a parte autora, de forma clara, objetiva e concreta, demonstrar o desacerto da decisão impugnada. Precedentes" (AgInt no AREsp n. 1.969.273/SP, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 13/12/2021, DJe de 16/12/2021). Especificamente em relação à Súmula 83/STJ, a jurisprudência desta Corte orienta-se no sentido de que "a impugnação específica ao aludido enunciado consiste em apontar, nas razões do agravo, precedentes contemporâneos ou supervenientes aos indicados na decisão agravada, procedendo o cotejo analítico entre eles, sendo insuficiente a argumentação genérica de descabimento do óbice" (AgInt no AREsp n. 2.072.074/BA, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 23/6/2022, DJe de 2/8/2022). Confiram-se: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DO FUNDAMENTO DA DECISÃO DE ADMISSIBILIDADE DO TRIBUNAL DE ORIGEM. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 182/STJ. 1. É inviável o conhecimento do agravo em recurso especial que não tenha impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão agravada. 2. "A adequada impugnação ao fundamento do juízo negativo de admissibilidade que aplicou a Súmula n. 83 desta Corte pressupõe a demonstração por meio de precedentes atuais de que a jurisprudência do STJ não estaria no mesmo sentido do acórdão recorrido, ou que o caso dos autos seria distinto daqueles veiculados nos precedentes através de distinguishing, o que não ocorreu na hipótese" (AgInt no AREsp n. 2.168.637/RS, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 13/2/2023, DJe de 16/2/2023). Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 2.395.798/MG, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 23/10/2023, DJe de 25/10/2023.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. ORDEM DE PREFERÊNCIA LEGAL. BENS PENHORÁVEIS. MITIGAÇÃO. BAIXA LIQUIDEZ. DIFICULDADE NA EXPLORAÇÃO COMERCIAL DO IMÓVEL. REEXAME DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7 DO STJ. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INÉRCIA DO EXEQUENTE NÃO VERIFICADA. SÚMULA N. 7 DO STJ. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 182 DO STJ. AGRAVO INTERNO PARCIALMENTE CONHECIDO E DESPROVIDO. .. 9. A impugnação específica da aplicação da Súmula n. 83 do STJ exige a efetiva demonstração de que os julgados apontados na decisão de inadmissão do recurso especial foram superados pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça ou de que exista distinção entre a matéria versada nos autos e aquela utilizada para justificar a aplicação da referida súmula. 10. Agravo interno parcialmente conhecido e desprovido. (AgInt no AREsp n. 1.852.071/SP, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 13/2/2023, DJe de 16/2/2023.) Desse modo, evidenciada a falta de dialeticidade da argumentação desenvolvida no agravo em recurso especial, o recurso não deve mesmo ser conhecido, em razão da Súmula 182/STJ. Ainda que assim não fosse, cabe anotar que o acórdão recorrido afastou o pleito do recorrente sob o fundamento de que a parte agravante não demonstrou a hipossuficiência financeira, nos seguintes termos (fls. 578-579 e-STJ): A fim de aferir a real insuficiência financeira da recorrente, determinou-se a sua intimação para que apresentasse os seguintes documentos a este juízo, sob pena de revogação do benefício: a) declaração de rendimentos; b) declaração do IR; c) certidão do Detran sobre veículos; d) certidão do RI sobre imóveis; e) extrato-resumo de seus respectivos cartões de crédito - todos estes documentos, vale dizer, relativos aos 3 meses anteriores àquele despacho (ev. 6 - SG). O recorrente, contudo, conforme anotado nas decisões de ev. 13 e de ev. 20, cumpriu apenas parte do referido comando, tendo deixado de apresentar, sobretudo, extrato mais pormenorizado de suas contas bancárias (relativos aos últimos 3 meses), extratos-resumo de cartão de crédito e tendo omitido, ainda, a existência de uma conta bancária identificada pelo relator em consulta a processo do qual aquele é parte. Nesse cenário, ainda que se admita agora como verdadeira a afirmação do recorrente de não possuir cartões de crédito - algo bastante incomum nos dias de hoje, diga-se de passagem -, e de que essa foi a razão pela qual descumpriu a ordem deste juízo, não seria o caso de alterar a decisão de revogação da justiça gratuita. É que, como já dito à exaustão nas decisões anteriores, esse não foi o único motivo que ensejou a revogação da justiça gratuita. A decisão está escorada também no fato de o agravante ter declarado que exerce a atividade de "vendedor autônomo" sem sequer apontar quais seriam os rendimentos daí extraídos, abrindo com isso margem para dúvidas, especialmente quando se está diante de ação em que o postulante ao benefício se diz credor de uma comissão de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Ora, a justiça gratuita é destinada às pessoas verdadeiramente carentes, que pertençam a núcleos familiares com renda de até 3 salários mínimos mensais, e não a pessoas envolvidas em transações empresariais milionárias. Uma coisa é não ter como comprovar a renda, outra bem diferente é possuir renda e sequer indicar qual seria ela. Até o presente momento, aliás, não se tem a menor ideia de como o recorrente faz para sobreviver, já que de acordo com os extratos bancários acostados ao feito, entre 17/05 a 21/07, nenhum valor teria sido creditado em sua conta corrente e ele teria apenas R$ 6,50 para prover a sua subsistência. Esses elementos, ao contrário do que alega o agravante, são mais que suficientes ao indeferimento do pedido. Mas há ainda outros, sequer mencionados na decisão impugnada, como o fato de o agravante residirem edifício situado no centro de Criciúma - SC - região onde sabidamente os imóveis são bem avaliados -, ou o fato de o agravante alegar que não declara rendimentos à Receita desde 2015, mas não juntar prova disso - o que era de todo possível, bastava juntar o extrato da consulta de situação de CPF disponibilizada pela Receita em seu site. Nesse ínterim, vale dizer que o art. 99, §2º, do Código de Processo Civil não discrimina, de maneira objetiva, quais documentos devem ser solicitados pelo juiz que vê no processo indícios da falta de pressupostos à concessão da gratuidade, conferindo àquele maior discricionariedade para a decisão desses conflitos, de modo que não há qualquer nulidade no despacho de ev. 6 (SG). Sob essa perspectiva, não tendo sido evidenciada a insuficiência financeira alegada, revela-se correta a decisão de revogação da justiça gratuita concedida ao apelante em primeiro grau (ev. 13 - SG). Verifica-se, portanto, que o acórdão recorrido, com base nas provas dos autos, concluiu pela inexistência dos requisitos necessários à concessão do benefício da Justiça gratuita, de forma que modificar a conclusão do acórdão recorrido demandaria, necessariamente, o reexame de fatos e provas, inviável em recurso especial, a teor do disposto na Súmula 7/STJ. A propósito: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ALEGADA NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO POR AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. INDEFERIMENTO DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA. SÚMULAS 7 E 83 DO STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADO. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Não há falar em violação dos arts. 11 e 489 do CPC/2015, pois o Tribunal de origem dirimiu as questões pertinentes ao litígio, apresentando todos os fundamentos jurídicos pertinentes à formação do juízo cognitivo proferido na espécie, apenas não foi ao encontro da pretensão da parte agravante. 2. O entendimento da Corte local está em conformidade com a jurisprudência do STJ. 3. Rever o acórdão recorrido quanto ao indeferimento da gratuidade de justiça e acolher a pretensão recursal demandaria a alteração do conjunto fático-probatório dos autos, o que é inviável nesta via especial ante o óbice da Súmula 7 do STJ. 4. O dissídio jurisprudencial não foi devidamente demonstrado à míngua do indispensável cotejo analítico. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.982.686/GO, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 23/6/2022, DJe de 28/6/2022.) CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. AGRAVO DE INSTRUMENTO. GRATUIDADE DE JUSTIÇA. HIPOSSUFICIÊNCIA NÃO COMPROVADA NAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS. INVERSÃO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 7 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Aplica-se o NCPC a este recurso ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. Após o indeferimento do benefício da assistência judiciária gratuita nas instâncias ordinárias, compete ao recorrente demonstrar que houve alteração em sua condição econômico-financeira a fim de que seja concedida a gratuidade na fase recursal. 3. A presunção de veracidade da declaração de hipossuficiência pode ser ilidida na hipótese em que existam nos autos evidências de que não estão presentes os requisitos legais para deferimento do beneplácito. 4. A alteração das conclusões da Corte a quo para reconhecer a alegada hipossuficiência ensejaria indevido reexame de fatos e provas, em face do disposto na Súmula nº 7 do STJ. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no AgInt no AREsp n. 1.916.722/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 14/3/2022, DJe de 18/3/2022.) AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AUTOS DE AGRAVO DE INSTRUMENTO NA ORIGEM - DECISÃO MONOCRÁTICA DA PRESIDÊNCIA DESTA CORTE QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA RECURSAL DA AGRAVANTE. 1. De acordo com a jurisprudência do STJ, é possível o indeferimento ou revogação do benefício da gratuidade de justiça quando provada a inexistência ou desaparecimento do estado de hipossuficiência. Aplicação da Súmula 83/STJ. 1.1. A conclusão a que chegou o Tribunal de origem, relativa à inexistência de hipossuficiência econômica necessária à manutenção do benefício da gratuidade de justiça, fundamenta-se nas particularidades do contexto que permeia a controvérsia. Incidência da Súmula 7 do STJ. 2. Esta Corte de Justiça tem entendimento no sentido de que a incidência do referido óbice impede, igualmente, o exame de dissídio jurisprudencial, na medida em que falta identidade entre os paradigmas apresentados e os fundamentos do acórdão, tendo em vista a situação fática do caso concreto, com base na qual deu solução a causa a Corte de origem. Precedentes. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.635.051/MT, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 24/8/2020, DJe de 28/8/2020.) O recurso, na realidade, não trouxe nenhum elemento ou argumento novo capaz de alterar a decisão agravada, que ora confirmo. Em face do exposto, nego provimento ao agravo interno. É como voto.