REsp 2140573 - ACORDAO
O agravo interno foi conhecido apenas parcialmente e, nessa extensão, negado provimento, porque o agravante não impugnou especificamente os fundamentos da decisão agravada, em afronta ao art. 1.021, §1º, do CPC/2015 e à Súmula 182 do STJ; além disso, o Tema 1.276 da repercussão geral não autoriza o sobrestamento...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 February 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgamento Colegiado
- Outcome
- Agravo interno conhecido parcialmente e, nessa extensão, desprovido (negado provimento).
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Súmula 182 Do STJ, Súmula 83 Do STJ, Súmula 284 Do STF, Tema 1.276 (repercussão Geral), Sobrestamento, Incorporação De Anuênios
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno / Julgamento Colegiado
Legal Issues
- 1 necessidade de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada
- 2 aplicabilidade da Súmula 182 do STJ aos agravos internos
- 3 incidência da Súmula 83 do STJ nas decisões de inadmissibilidade
Ratio Decidendi
O agravo interno foi conhecido apenas parcialmente e, nessa extensão, negado provimento, porque o agravante não impugnou especificamente os fundamentos da decisão agravada, em afronta ao art. 1.021, §1º, do CPC/2015 e à Súmula 182 do STJ; além disso, o Tema 1.276 da repercussão geral não autoriza o sobrestamento porque a matéria discutida refere-se à incorporação de anuênios à remuneração de servidor ativo, não aos proventos de aposentadoria.
Court Disposition
Agravo interno conhecido parcialmente e, nessa extensão, desprovido (negado provimento).
Orders
- Conhecer parcialmente do agravo interno e negar-lhe provimento.
- Não aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 04/02/2025 a 10/02/2025, por unanimidade, conhecer parcialmente do recurso, mas lhe negar provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Gurgel de Faria. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. PEDIDO DE SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. INDEFERIMENTO. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão combatida, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. A afetação do Tema 1.276 à sistemática da repercussão geral é desinfluente para o caso presente, uma vez que aqui se discute a incorporação de anuênios à remuneração de servidor público, não se tratando, portanto, de proventos de aposentadoria. 4. Agravo interno conhecido parcialmente e, nessa extensão, desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto pela UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE contra decisões de minha lavra, proferidas às e-STJ fls. 379/382 e 402/403, nas quais não conheci do recurso especial, ante a incidência das Súmulas 83 do STJ e 284 do STF, e rejeitei os aclaratórios, considerando que o presente caso não se enquadra no Tema 1.276 da repercussão geral. A parte agravante alega, em síntese, que (a) o presente processo se enquadra no Tema 1.276 da repercussão geral, devendo ser sobrestado; e (b) a Súmula 83 do STJ deve ser afastada, pois o STF tem admitido a flexibilização do princípio da segurança jurídica em casos de violação direta ao texto constitucional. Contraminuta apresentada às e-STJ fls. 425/430, em que a parte adversa pugna pelo não conhecimento do agravo e, subsidiariamente, pelo desprovimento. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. PEDIDO DE SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. INDEFERIMENTO. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão combatida, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. A afetação do Tema 1.276 à sistemática da repercussão geral é desinfluente para o caso presente, uma vez que aqui se discute a incorporação de anuênios à remuneração de servidor público, não se tratando, portanto, de proventos de aposentadoria. 4. Agravo interno conhecido parcialmente e, nessa extensão, desprovido. VOTO De início, considerando os parâmetros estabelecidos pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EREsp 1 .424.404/SP (Rel. Ministra Luis Felipe Salomão, julgado em 20/10/2021, DJe 17/1 1/2021), para a aplicação da Súmula 182 do STJ no tocante aos agravos internos manejados contra decisões proferidas em recurso especial ou em agravo em recurso especial, tem-se o seguinte: a) incide o verbete quando: i) o único ou todos os capítulos da decisão agravada não foi ou não foram impugnados; ii) não houver a impugnação de todos os fundamentos adotados na análise de determinado capítulo autônomo (quer dizer, ausência de ataque a fundamento capaz, por si só, de manter a conclusão alcançada na decisão agravada); b) não se aplica o óbice sumular no caso em que houver vários capítulos autônomos, e a parte agravante não se insurgir contra algum deles, pois isso acarreta apenas a preclusão da matéria não impugnada, devendo ser analisado o que remanesceu. Dito isso, vê-se que, na hipótese dos autos, o agravo interno merece ser conhecido apenas em parte. No decisum ora recorrido, não conheci do recurso especial, considerando a incidência da Súmula 284 do STF, no tocante à alegada violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015, e a aplicação da Súmula 83 do STJ, no que se refere à apontada ofensa ao art. 14 da Lei n. 8.112/1990 e ao art. 53 da Lei n. 9.784/1999. Contudo, da leitura das razões do agravo interno, observa-se que a parte agravante deixou de atacar devidamente os dois fundamentos, não tendo sequer mencionado o primeiro deles. No que se refere ao óbice da Súmula 83 do STJ, não é suficiente a mera citação de ementas de precedentes no sentido da pretensão do agravante para fins de rebatimento do referido enunciado, que dispõe que "não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". Antes, deve o agravante contrapor frontalmente esse fundamento. Não conhecido recurso especial com na aludida Súmula, caberia à parte agravante apontar precedentes contemporâneos ou supervenientes aos referidos na decisão impugnada, procedendo ao devido cotejo analítico, a fim de demonstrar que a orientação desta Corte não se firmou no sentido do acórdão recorrido, ou, ainda, demonstrar a não subsunção do caso concreto à jurisprudência citada pela decisão de inadmissibilidade, o que não ocorreu na espécie. Desse modo, forçosa se apresenta a observância do contido no art. 1.021, §1º, do Código de Processo Civil de 2015 e na Súmula 182 do STJ. Quanto ao pedido de suspensão, em razão do suposto enquadramento do caso no Tema 1.276 do STF, não assiste razão à parte ora agravante. Como anteriormente assinalado, o STF, considerando o tema relativo "ao exercício da autotutela administrativa para a supressão de vantagem pessoal, de trato sucessivo, incorporada aos proventos de servidora pública há mais de cinco anos, por erro da Administração, tendo em conta a garantia de irredutibilidade dos vencimentos e os princípios da segurança jurídica e da confiança legítima", afetou à sistemática da repercussão geral o Tema 1.276, nos seguintes termos: "possibilidade de, em decorrência da autotutela administrativa, efetivar-se a supressão de vantagem pessoal, de trato sucessivo, incorporada por erro da Administração aos proventos de servidora pública há mais de cinco anos" (RE 1.419.890/RS). Registre-se que, no presente caso, discute-se a incorporação de anuênios à remuneração de servidor público, não se tratando, portanto, de proventos de aposentadoria, razã o pela qual descabida a suspensão dos presentes autos. Sublinhe-se, por fim, que os temas afetados a recursos representativos de controvérsia não podem ser interpretados de forma extensiva (para incluir questão não efetivamente afetada). Deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015, tendo em vista que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da sanção quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do Colegiado, como no caso em análise. Ante o exposto, CONHEÇO PARCIALMENTE do agravo interno e, nessa extensão, NEGO PROVIMENTO. E como voto.