AREsp 2528251 - ACORDAO
Não conhecer do agravo interno porque o agravante não impugnou de forma clara e objetiva o fundamento da decisão agravada relativo à omissão, nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ; decidiu-se, ainda, por não aplicar a multa do § 4º do art. 1.021 do CPC/2015.
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- Parties
- Agravante: ESTADO DE SANTA CATARINA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 February 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgamento
- Outcome
- Agravo interno não conhecido.
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Omissão, Prequestionamento, Súmula 182 Do STJ, Art. 1.021 Do Cpc/2015, Agravo Interno
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Parties
ESTADO DE SANTA CATARINA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno / Julgamento
Legal Issues
- 1 Ausência de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada
- 2 Aplicação do art. 1.021, § 1º do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ
- 3 Reconhecimento de omissão e determinação de rejulgamento de embargos de declaração
Ratio Decidendi
Não conhecer do agravo interno porque o agravante não impugnou de forma clara e objetiva o fundamento da decisão agravada relativo à omissão, nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ; decidiu-se, ainda, por não aplicar a multa do § 4º do art. 1.021 do CPC/2015.
Court Disposition
Agravo interno não conhecido.
Orders
- Não conhecer do agravo interno.
- Deixar de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 04/02/2025 a 10/02/2025, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ, o agravante deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão impugnada, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese de que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto pelo ESTADO DE SANTA CATARINA contra decisão de minha lavra, proferida às e-STJ fls. 179/181, em que conheci de agravo para dar parcial provimento ao recurso especial, de modo a determinar ao Tribunal de origem o rejulgamento de embargos de declaração, com vistas ao suprimento de omissão, que se teve por reconhecida. No seu agravo interno, a parte defende que o julgado de segunda instância não sofreria de omissão, pois toda a matéria jurídica relevante teria sido devidamente enfrentada. Além disso, a matéria se ressentiria do necessário prequestionamento. Sem impugnação (certidão à e-STJ fl. 196). É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ, o agravante deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão impugnada, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese de que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido. VOTO O inconformismo não merece prosperar. De início, considerando os parâmetros estabelecidos pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EREsp 1.424.404/SP (Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, julgado em 20/10/2021, DJe 17/11/2021), para a aplicação da Súmula 182 do STJ no tocante aos agravos internos manejados contra decisões proferidas em recurso especial ou em agravo em recurso especial, tem-se o seguinte: a) incide o verbete quando: i) o único ou todos os capítulos da decisão agravada não foi ou não foram impugnados; ii) não houver a impugnação de todos os fundamentos adotados na análise de determinado capítulo autônomo (ou seja, ausência de ataque a fundamento capaz, por si só, de manter a conclusão alcançada na decisão agravada); b) não se aplica o óbice sumular no caso em que houver vários capítulos autônomos, e a parte agravante não se insurgir contra algum deles, pois isso acarreta apenas a preclusão da matéria não impugnada, devendo ser analisado o que remanesceu. Dito isso, vê-se que, na hipótese dos autos, o agravo interno não merece ser conhecido. A decisão ora agravada deu parcial provimento ao recurso especial, com determinação ao Tribunal de origem para proceder à reapreciação dos embargos de declaração, então opostos pela ora agravada, em razão do reconhecimento da omissão perpetrada no primeiro julgamento daqueles aclaratórios. Da leitura das razões do agravo interno, observa-se que a agravante deixou de atacar devidamente o fundamento do julgado ora agravado, pertinente à lacuna de julgamento ocorrida na segunda instância. Com efeito, a parte ora agravante não impugnou, a contento, esse fundamento, havendo-se limitado a afirmar, genericamente, que referida omissão não teria ocorrido. Oportuno destacar que o princípio da dialeticidade impõe à parte recorrente o ônus de explicitar os motivos pelos quais a decisão atacada deve ser reformada, trazendo argumentações capazes de demonstrar o seu desacerto, sendo insuficiente a mera exposição da tese recursal, como ocorreu no caso. Desse modo, forçosa se apresenta a observância do contido no art. 1.021, § 1º, do Código de Processo Civil de 2015 e na Súmula 182 do STJ. Deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015, tendo em vista que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da sanção quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do Colegiado, como no caso em análise. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo interno. É como voto.