AREsp 2671283 - ACORDAO
O agravo interno não foi conhecido porque o agravante não impugnou, de forma clara e objetiva, os fundamentos da decisão agravada relativos à falta de prequestionamento, aplicando-se o art. 1.021, §1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ.
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 February 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Sessão Virtual Da Primeira Turma Julgamento (não Conhecimento)
- Outcome
- Agravo interno não conhecido
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Prequestionamento, Súmula 182 Do STJ, Súmula 211 Do STJ, Honorários Sucumbenciais, Art. 1.021 Do Cpc/2015
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno / Sessão Virtual Da Primeira Turma Julgamento (não Conhecimento)
Legal Issues
- 1 ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão agravada
- 2 aplicação da Súmula 182 do STJ em agravo interno
- 3 falta de prequestionamento nos termos da Súmula 211 do STJ
Ratio Decidendi
O agravo interno não foi conhecido porque o agravante não impugnou, de forma clara e objetiva, os fundamentos da decisão agravada relativos à falta de prequestionamento, aplicando-se o art. 1.021, §1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ.
Court Disposition
Agravo interno não conhecido
Orders
- Não conhecer do agravo interno.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 11/02/2025 a 17/02/2025, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão combatida, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto pela DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL contra decisão de minha lavra (e-STJ fls. 405/408), em que conheci do agravo para não conhecer do recurso especial, tendo em vista a falta de prequestionamento da matéria federal ventilada (Súmula 211 do STJ). Sustenta a parte agravante, inicialmente, que a decisão de inadmissibilidade do recurso especial, proferida pelo Tribunal de origem, não aplicou nenhum óbice concernente à ausência de prequestionamento, de modo que este retator deveria ter se limitado à análise dos fundamentos do agravo, relativos à incidência da Súmula 83 do STJ. Alega que, ao contrário do decidido, os arts. 141, 492, caput e 1.013, caput, do CPC/2015 foram prequestionados na instância ordinária, ainda que implicitamente, defendendo que o Tribunal de origem extrapolou os limites da lide ao reduzir os honorários sucumbenciais estipulados na sentença em desfavor do ente municipal, sendo dispensável, no ponto, a indicação de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015. Requer, ao final, a reconsideração do decisum recorrido para que seja dado provimento ao apelo especial. Impugnação às e-STJ fls. 432/436. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão combatida, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido. VOTO De início, considerando os parâmetros estabelecidos pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EREsp 1 .424.404/SP (Rel. Ministra Luis Felipe Salomão, julgado em 20/10/2021, DJe 17/1 1/2021), para a aplicação da Súmula 182 do STJ no tocante aos agravos internos manejados contra decisões proferidas em recurso especial ou em agravo em recurso especial, tem-se o seguinte: a) incide o verbete quando: i) o único ou todos os capítulos da decisão agravada não foi ou não foram impugnados; ii) não houver a impugnação de todos os fundamentos adotados na análise de determinado capítulo autônomo (ou seja, ausência de ataque a fundamento capaz, por si só, de manter a conclusão alcançada na decisão agravada); b) não se aplica o óbice sumular no caso em que houver vários capítulos autônomos e a parte agravante não se insurgir contra algum deles, pois isso acarreta apenas a preclusão da matéria não impugnada, devendo ser analisado o que remanesceu. Dito isso, vê-se que, na hipótese dos autos, o agravo interno não merece ser conhecido. Com efeito, no decisum ora recorrido, o agravo foi conhecido para não conhecer do recurso especial, tendo em vista a falta de prequestionamento da matéria federal ventilada (Súmula 211 do STJ). Da leitura das razões do agravo interno, observa-se que a parte agravante não impugnou o referido fundamento de forma clara e objetiva, com a transcrição dos trechos do acórdão recorrido, a fim de demonstrar que o Tribunal de origem enfrentou a matéria veiculada no apelo especial, pertinente aos arts. 141, 492, caput e 1.013, caput , do CPC/2015, apontados como violados. Destaco, por oportuno, não ser suficiente a apresentação de razões genéricas sobre o óbice apontado pela decisão agravada, sendo exigível do agravante o efetivo ataque aos seus fundamentos, o que não ocorreu. Quanto à alegação de que este Relator deveria ter se limitado ao exame da matéria tratada no agravo em recurso especial, cumpre registrar que a decisão de admissibilidade realizada na origem não vincula esta Corte Superior, não estando o relator do agravo limitado a analisar apenas a pertinência, ou não, dos óbices reconhecidos na origem. Desse modo, forçosa se apresenta a observância do contido no art. 1.021, §1º, do Código de Processo Civil de 2015 e na Súmula 182 do STJ. Deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015, tendo em vista que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da sanção quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do Colegiado, como no caso em análise. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo interno. É como voto.