AREsp 2715045 - ACORDAO
O agravo interno não foi conhecido porque a recorrente não impugnou de forma clara e objetiva os fundamentos da decisão agravada (aplicação da Súmula 284 do STF por ausência de indicação de dispositivos de lei federal e deficiência na demonstração do dissídio jurisprudencial), em violação ao art. 1.021, § 1º, do...
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- Parties
- Agravante: PENEDO TRANSPORTES EIRELI
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Decidido (agravo Interno Não Conhecido)
- Outcome
- agravo interno não conhecido
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Súmula 182 Do STJ, Súmula 284 Do STF, Art. 1.021 Do Cpc/2015, Dissídio Jurisprudencial
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Parties
PENEDO TRANSPORTES EIRELI
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno / Decidido (agravo Interno Não Conhecido)
Legal Issues
- 1 ausência de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada
- 2 aplicação da Súmula 182 do STJ
- 3 obstáculo da Súmula 284 do STF por ausência de indicação dos dispositivos de lei federal
Ratio Decidendi
O agravo interno não foi conhecido porque a recorrente não impugnou de forma clara e objetiva os fundamentos da decisão agravada (aplicação da Súmula 284 do STF por ausência de indicação de dispositivos de lei federal e deficiência na demonstração do dissídio jurisprudencial), em violação ao art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e à Súmula 182 do STJ.
Court Disposition
agravo interno não conhecido
Orders
- Não conhecer do agravo interno.
- Deixar de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 11/03/2025 a 17/03/2025, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTO. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão combatida, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que a recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno manejado por PENEDO TRANSPORTES EIRELI contra decisão da Presidência desta Corte Superior que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial por aplicação do óbice da Súmula 284 do STF (ausência de indicação dos dispositivos de lei federal que entende violado) e por deficiência na demonstração do dissídio jurisprudencial. A parte agravante alega, em síntese, que "a matéria recursal cinge-se a analisar a suposta negativa de vigência aos dispositivos inseridos no ordenamento jurídico, inaceitável o Agravado negar leis, artigos e princípios básicos no devido processo legal" e que "pelos documentos acostados, a Agravante demonstra, de forma analítica e clara, a contrariedade na decisão do órgão administrativo, da primeira instância e de segunda instância frente ao ordenamento vigente, notadamente, o Código de Processo Civil e legislação extravagante" (e-STJ fl. 543). É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTO. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão combatida, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que a recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido. VOTO De início, considerando os parâmetros estabelecidos pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EREsp 1.424.404/SP (Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, julgado em 20/10/2021, DJe 17/11/2021), para a aplicação da Súmula 182 do STJ no tocante aos agravos internos manejados contra decisões proferidas em recurso especial ou em agravo em recurso especial, tem-se o seguinte: a) incide o verbete quando: i) o único ou todos os capítulos da decisão agravada não foi ou não foram impugnados; ii) não houver a impugnação de todos os fundamentos adotados na análise de determinado capítulo autônomo (quer dizer, ausência de ataque a fundamento capaz, por si só, de manter a conclusão alcançada na decisão agravada); b) não se aplica o óbice sumular no caso em que houver vários capítulos autônomos e a parte agravante não se insurgir contra algum deles, pois isso acarreta apenas a preclusão da matéria não impugnada, devendo ser analisado o que remanesceu. Dito isso, vê-se que, na hipótese dos autos, o agravo interno não merece ser conhecido. Com efeito, no decisum ora recorrido, conheceu-se do agravo para não conhecer do recurso especial com os seguintes fundamentos: (a) a aplicação do óbice da Súmula 284 do STF em razão da ausência de indicação dos dispositivos de lei federal que o recorrente entende violados; e (b) a deficiência na demonstração do dissídio jurisprudencial. Contudo, da leitura das razões do agravo interno, observa-se que a parte agravante deixou de atacar devidamente esses fundamentos, apresentado fundamentação genérica pela admissão de seu apelo raro . Desse modo, forçosa se apresenta a observância do contido no art. 1.021, § 1º, do Código de Processo Civil de 2015 e na Súmula 182 do STJ. Deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015, tendo em vista que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da sanção quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do Colegiado, como no caso em análise. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo interno. É como voto.