AREsp 2756172 - ACORDAO
O agravo interno não foi conhecido porque o recorrente não impugnou, de forma clara e objetiva, os fundamentos da decisão agravada, em desacordo com o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ; assim, mantém-se o não conhecimento do agravo em recurso especial por ausência de indicação dos dispositivos...
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- Parties
- Agravante: JOSELIA FANTECELLE DE SOUZA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 April 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgamento Em Sessão Virtual De 25/03/2025 a 31/03/2025
- Outcome
- não conhecer do agravo interno
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Art. 1.021, § 1º, Cpc/2015, Súmula 182 Do STJ, Súmula 284 Do STF, Agravo Interno, Não Conhecimento
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Parties
JOSELIA FANTECELLE DE SOUZA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno / Julgamento Em Sessão Virtual De 25/03/2025 a 31/03/2025
Legal Issues
- 1 ausência de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada
- 2 aplicação do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ
- 3 inadmissibilidade por ausência de indicação dos dispositivos legais (Súmula 284 do STF)
Ratio Decidendi
O agravo interno não foi conhecido porque o recorrente não impugnou, de forma clara e objetiva, os fundamentos da decisão agravada, em desacordo com o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ; assim, mantém-se o não conhecimento do agravo em recurso especial por ausência de indicação dos dispositivos legais, sem aplicação da multa do §4º do art. 1.021 por não haver manifesta inadmissibilidade unânime.
Court Disposition
não conhecer do agravo interno
Orders
- Agravo interno não conhecido.
- Não aplicação da multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 25/03/2025 a 31/03/2025, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão combatida, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por JOSELIA FANTECELLE DE SOUZA contra decisão do Presidente desta Corte de Justiça, às e-STJ fls. 192/193, em que não conheceu do agravo em recurso especial, em virtude da ausência de indicação dos dispositivos legais supostamente violados e sobre os quais recairia a divergência jurisprudencial suscitada (Súmula 284 do STF). Em suas razões, a parte agravante sustenta, em síntese, que "o provimento carece de validade per se, uma vez que não fora instruído de idônea motivação e fundamentação, mormente com relação à demonstração do cumprimento, por parte do recorrido, dos requisitos legais autorizadores do art. 300 do CPC" (e-STJ fl. 202). Requer, ao final, a reconsideração do decisum recorrido ou seja submetido o feito a julgamento pelo Colegiado. Impugnação apresentada. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão combatida, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido. VOTO De início, considerando os parâmetros estabelecidos pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EREsp 1 .424.404/SP (Rel. Ministra Luis Felipe Salomão, julgado em 20/10/2021, DJe 17/1 1/2021), para a aplicação da Súmula 182 do STJ no tocante aos agravos internos manejados contra decisões proferidas em recurso especial ou em agravo em recurso especial, tem-se o seguinte: a) incide o verbete quando: i) o único ou todos os capítulos da decisão agravada não foi ou não foram impugnados; ii) não houver a impugnação de todos os fundamentos adotados na análise de determinado capítulo autônomo (ou seja, ausência de ataque a fundamento capaz, por si só, de manter a conclusão alcançada na decisão agravada); b) não se aplica o óbice sumular no caso em que houver vários capítulos autônomos e a parte agravante não se insurgir contra algum deles, pois isso acarreta apenas a preclusão da matéria não impugnada, devendo ser analisado o que remanesceu. Dito isso, vê-se que, na hipótese dos autos, o agravo interno não merece ser conhecido. Com efeito, no decisum ora recorrido, o agravo em recurso especial não foi conhecido, em virtude da ausência de indicação dos dispositivos legais supostamente violados e sobre os quais recairia a divergência jurisprudencial suscitada (Súmula 284 do STF). Contudo, da leitura das razões do agravo interno, observa-se que a parte agravante limitou-se a reproduzir as razões do recurso especial, deixando, entretanto, de atacar a decisão ora agravada, ou seja, demonstrar que indicou, de forma clara e objetiva, quais dispositivos legais foram violados no acórdão recorrido. Desse modo, forçosa se apresenta a observância do contido no art. 1.021, § 1º, do Código de Processo Civil de 2015 e na Súmula 182 do STJ. Deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015, tendo em vista que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da sanção quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do Colegiado, como no caso em análise. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo interno. É como voto.