AREsp 2739093 - ACORDAO
Não conhecer do agravo interno devido à ausência de impugnação específica e direta, pelo agravante, dos fundamentos que justificaram o não conhecimento do recurso especial (dissociação das razões do recurso com o acórdão recorrido e necessidade de reexame fático-probatório), nos termos do art. 1.021, §1º, do...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: MUNICÍPIO DE TIMBAÚBA; Agravado: Presidente do STJ
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 April 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgado Em Sessão Virtual (01/04/2025 a 07/04/2025)
- Outcome
- Agravo interno não conhecido
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 182 Do STJ, Súmula 284 Do STF, Súmula 7 Do STJ, Art. 1.021 Do Cpc/2015
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
MUNICÍPIO DE TIMBAÚBA
Agravante
Presidente do STJ
Agravado
Procedural Posture
Agravo Interno / Julgado Em Sessão Virtual (01/04/2025 a 07/04/2025)
Legal Issues
- 1 Dever de impugnação específica nos termos do art. 1.021, §1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ
- 2 Incidência da Súmula 284 do STF (dissociação das razões do recurso especial dos fundamentos do acórdão recorrido)
- 3 Incidência da Súmula 7 do STJ (necessidade de evitar revolvimento de matéria fático-probatória)
Ratio Decidendi
Não conhecer do agravo interno devido à ausência de impugnação específica e direta, pelo agravante, dos fundamentos que justificaram o não conhecimento do recurso especial (dissociação das razões do recurso com o acórdão recorrido e necessidade de reexame fático-probatório), nos termos do art. 1.021, §1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ.
Court Disposition
Agravo interno não conhecido
Orders
- Não conhecer do agravo interno.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 01/04/2025 a 07/04/2025, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão combatida, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto pelo MUNICÍPIO DE TIMBAÚBA contra decisão do Presidente do STJ (e-STJ fls. 482/485), em que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial, a os seguintes fundamentos: i) as razões do recurso especial estão dissociadas dos fundamentos do acórdão recorrido (Súmula 284 do STF) e ii) a reforma do aresto demandaria revisão fático-probatória (Súmula 7 do STJ). Sustenta o agravante, em suma, a inaplicabilidade dos referidos óbices sumulares, alegando, em síntese, que as razões expostas no recurso especial são suficientes para a compreensão da controvérsia e que é desnecessário o revolvimento de fatos e provas para aferir a violação do art. 6º, § 3º, da Lei n. 4.717/1965. No mais, reitera os argumentos no sentido de que "o juiz somente deve admitir a ampliação do polo ativo em virtude da intervenção móvel, caso demonstrado pelo ente público, de maneira concreta e indubitável, que de boa-fé e eficazmente tomou as necessárias providências saneadoras da ilicitude, bem como medidas disciplinares contra os servidores ímprobos, omissos ou relapsos" (e-STJ fl. 498). Requer, ao final, a reconsideração do decisum recorrido para que seja provido o agravo em recurso especial. Impugnação às e-STJ fls. 507/510. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão combatida, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido. VOTO De início, considerando os parâmetros estabelecidos pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EREsp 1 .424.404/SP (Rel. Ministra Luis Felipe Salomão, julgado em 20/10/2021, DJe 17/1 1/2021), para a aplicação da Súmula 182 do STJ no tocante aos agravos internos manejados contra decisões proferidas em recurso especial ou em agravo em recurso especial, tem-se o seguinte: a) incide o verbete quando: i) o único ou todos os capítulos da decisão agravada não foi ou não foram impugnados; ii) não houver a impugnação de todos os fundamentos adotados na análise de determinado capítulo autônomo (ou seja, ausência de ataque a fundamento capaz, por si só, de manter a conclusão alcançada na decisão agravada); b) não se aplica o óbice sumular no caso em que houver vários capítulos autônomos e a parte agravante não se insurgir contra algum deles, pois isso acarreta apenas a preclusão da matéria não impugnada, devendo ser analisado o que remanesceu. Dito isso, vê-se que, na hipótese dos autos, o agravo interno não merece ser conhecido. Com efeito, no decisum ora recorrido, conheceu-se do agravo para não se conhecer do recurso especial, sob os seguintes fundamentos: i) as razões do recurso especial estão dissociadas dos fundamentos do acórdão recorrido (Súmula 284 do STF) e ii) a reforma do aresto demandaria revisão fático-probatória (Súmula 7 do STJ). No agravo interno, a parte agravante deixou de impugnar especificamente tais fundamentos, limitando-se a tecer considerações genéricas sobre os óbices apontados. Destaco que o princípio da dialeticidade impõe à parte recorrente o ônus de explicitar, de forma específica, concreta e pormenorizada, os motivos pelos quais a decisão atacada deve ser reformada, trazendo argumentações capazes de demonstrar o seu desacerto. Nesse contexto, no que tange à Súmula 284 do STF, a parte não demonstrou a pertinência entre a tese recursal e os fundamentos do acórdão recorrido, limitando-se a reiterar os argumentos expostos nos recursos anteriores. Em relação à Súmula 7 desta Corte, não se mostra suficiente a mera alegação de que não se pretende reexaminar fatos e provas, ainda que haja breve menção à tese recursal discutida, sendo exigível do agravante o efetivo ataque ao fundamento de inadmissão. É de rigor que, além da contextualização do caso concreto, que a impugnação contenha as devidas razões pelas quais se entende ser possível o conhecimento da pretensão independentemente do reexame fático-probatório, mediante, por exemplo, a apresentação do cotejo entre as premissas fáticas e as conclusões delineadas no acórdão recorrido e sua tese recursal, o que não ocorreu. Desse modo, forçosa se apresenta a observância do contido no art. 1.021, §1º, do Código de Processo Civil de 2015 e na Súmula 182 do STJ. Deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015, tendo em vista que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da sanção quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do Colegiado, como no caso em análise. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo interno. É como voto.