AREsp 2804047 - ACORDAO
O agravo interno não foi conhecido porque a agravante não impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão agravada, em especial deixando de atacar o óbice da Súmula 83 do STJ, configurando hipótese de aplicação do art. 1.021, § 1º, do CPC e da Súmula 182 do STJ; a existência de agravo interno contra...
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- Parties
- Agravante: KSP PARTICIPAÇÕES LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 June 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgamento Não Conhecimento Do Agravo Interno
- Outcome
- Agravo interno não conhecido
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Súmula 182 Do STJ, Art. 1.021, § 1º, CPC, Súmula 83 Do STJ, Agravo Interno, Não Conhecimento
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Parties
KSP PARTICIPAÇÕES LTDA.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno / Julgamento Não Conhecimento Do Agravo Interno
Legal Issues
- 1 ausência de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão agravada
- 2 incidência da Súmula 182 do STJ
- 3 necessidade de impugnação quanto à Súmula 83 do STJ
Ratio Decidendi
O agravo interno não foi conhecido porque a agravante não impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão agravada, em especial deixando de atacar o óbice da Súmula 83 do STJ, configurando hipótese de aplicação do art. 1.021, § 1º, do CPC e da Súmula 182 do STJ; a existência de agravo interno contra capítulo relativo ao art. 1.030 não altera esse resultado.
Court Disposition
Agravo interno não conhecido
Orders
- Não conhecer do agravo interno
- Deixar de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 17/06/2025 a 23/06/2025, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina e Regina Helena Costa votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sérgio Kukina. Impedido o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC e da Súmula 182 do STJ, o agravante deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão impugnada, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada . 3. Agravo interno não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno manejado por KSP PARTICIPAÇÕES LTDA. para desafiar decisão do Presidente do STJ, proferida às e-STJ fls. 1.271/1.273, em que não conheceu do agravo em recurso especial, pois a agravante não impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão agravada, abstendo-se de atacar a incidência do óbice da Súmula 83 do STJ, bem como não interpôs agravo interno contra o capitulo da decisão que não conheceu do recurso especial em razão de o acórdão recorrido encontrar-se em consonância com o entendimento firmado sob o rito dos recursos repetitivos. A parte agravante sustenta que interpôs sim agravo interno e que "impugnou específica e objetivamente todos os fundamentos da decisão que não admitiu o seu recurso especial, notadamente os relativos à (i) incidência de juros moratórios sobre a penalidade pecuniária, e (ii) aplicação do DL nº 1.025/69, conforme se verifica da leitura da Seção 3.5. do seu agravo em recurso especial" (e-STJ fl. 1.285). Sem impugnação É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC e da Súmula 182 do STJ, o agravante deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão impugnada, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada . 3. Agravo interno não conhecido. VOTO De início, considerando os parâmetros estabelecidos pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EREsp 1.424.404/SP (Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, julgado em 20/10/2021, DJe 17/11/2021), para a aplicação da Súmula 182 do STJ no tocante aos agravos internos manejados contra decisões proferidas em recurso especial ou em agravo em recurso especial, tem-se o seguinte: a) incide o verbete quando: i) o único ou todos os capítulos da decisão agravada não foi ou não foram impugnados; ii) não houver a impugnação de todos os fundamentos adotados na análise de determinado capítulo autônomo (ou seja, ausência de ataque a fundamento capaz, por si só, de manter a conclusão alcançada na decisão agravada); b) não se aplica o óbice sumular no caso em que houver vários capítulos autônomos e a parte agravante não se insurgir contra algum deles, pois isso acarreta apenas a preclusão da matéria não impugnada, devendo ser analisado o que remanesceu. Dito isso, vê-se que, na hipótese dos autos, o agravo interno não merece ser conhecido. De fato, a decisão ora recorrida não conheceu do agravo interposto, visto que a parte agravante não se insurgiu contra todos os fundamentos do juízo de prelibação negativo do recurso especial, abstendo-se de atacar o óbice da Súmula 83 do STJ (e-STJ fls. 1.271/1.273). Da leitura das razões do agravo interno, observa-se que, mais uma vez, o recorrente deixou de atacar devidamente o fundamento do julgado agravado pertinente à falta de impugnação dos referidos óbices. No caso, não houve nem mesmo menção no agravo interno a eventual impugnação daqueles fundamentos ocorrida nas razões do agravo em recurso especial. Limitou-se a alegar a inaplicabilidade do óbice da Súmula 83 do STJ (e-STJ fls. 1.196/1.197). Oportuno destacar que o princípio da dialeticidade impõe à parte recorrente o ônus de explicitar os motivos pelos quais a decisão atacada deve ser reformada, trazendo argumentações capazes de demonstrar o seu desacerto, sendo insuficiente a mera exposição da tese recursal, como ocorreu no caso. Desse modo, forçosa se apresenta a observância do contido no art. 1.021, § 1º, do Código de Processo Civil de 2015 e na Súmula 182 do STJ. Por fim, no tocante a necessidade de interposição de agravo interno contra decisão que nega seguimento a recurso especial com base no art. 1.030, I e II, do CPC, verifica-se equívoco na decisão ora agravada. De fato, houve interposição de agravo interno pelo recorrente contra este capítulo, às e-STJ fls. 1.157/1.163, tendo o acórdão desprovid o o recurso às e-STJ fls. 1.233/1.242. A despeito disso, tal fato não possui força de alterar o não conhecimento do presente agravo interno, ante a incidência da Súmula 182 do STJ, conforme fundamentação acima. Deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015, tendo em vista que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da sanção quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do Colegiado, como no caso em análise. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo interno. É como voto.