AREsp 3054648 - DECISAO
O agravante não atacou especificamente os fundamentos que motivaram a inadmissão do recurso especial, limitando-se a alegações genéricas de que não haveria necessidade de reexame de provas; assim, não cumpriu o requisito de impugnação específica exigido pelo art. 932 do CPC/2015 e pela jurisprudência do STJ (Súmula...
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- Parties
- Agravante: MAGNO GONÇALVES GRAIN SOUSA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 October 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Inadmissão Do Recurso Especial
- Outcome
- Não conheço do agravo em recurso especial. Agravo regimental improvido.
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Reexame De Provas, Inadmissão De Recurso Especial, Súmula N. 7 Do STJ, Súmula 518 Do STJ, Súmula 182 Do STJ, Art. 932 Do Cpc/2015
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Parties
MAGNO GONÇALVES GRAIN SOUSA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Inadmissão Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 necessidade de impugnação específica para afastar o óbice da Súmula n. 7 do STJ
- 2 se a impugnação genérica atende ao requisito de dialeticidade recursal do art. 932 do CPC/2015 e à Súmula 182 do STJ
- 3 adequação do recurso especial para analisar eventual ofensa a enunciado sumular (Súmula 518 do STJ)
Ratio Decidendi
O agravante não atacou especificamente os fundamentos que motivaram a inadmissão do recurso especial, limitando-se a alegações genéricas de que não haveria necessidade de reexame de provas; assim, não cumpriu o requisito de impugnação específica exigido pelo art. 932 do CPC/2015 e pela jurisprudência do STJ (Súmula 182), razão pela qual o agravo em recurso especial não foi conhecido e o agravo regimental foi improvido.
Court Disposition
Não conheço do agravo em recurso especial. Agravo regimental improvido.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por MAGNO GONÇALVES GRAIN SOUSA contra decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro de fls. 139-146, que inadmitiu o recurso especial com fundamento na Súmula n. 7 do Superior Tribunal de Justiça. O recorrente foi condenado, em primeiro grau, como incurso nos arts. 33, caput, e 35, ambos da Lei 11.343/2006, à pena de 17 anos de reclusão e 2.100 dias-multa, em regime inicial fechado. Interposta apelação pela defesa, o Colegiado manteve a condenação e, por unanimidade, deu parcial provimento apenas para redimensionar a pena ao patamar de 11 anos, 2 meses e 12 dias de reclusão e 1.680 dias-multa. No recurso especial, sustenta-se violação do art. 386, II, do CPP, com pedido de absolvição por insuficiência probatória quanto aos crimes dos arts. 33 e 35 da Lei n. 11.343/2006. No agravo em recurso especial, a parte sustenta que não pretende reexame de provas, mas revaloração de fatos incontroversos, apontando conflito entre a prova testemunhal policial e as imagens das câmeras corporais, além de indevidos fundamentos para a condenação por associação (quantidade de drogas e local da prisão), requerendo o conhecimento do recurso especial. O agravo busca a reforma da decisão que inadmitiu o recurso especial, visando seu processamento pelo Superior Tribunal de Justiça. Contraminuta apresentada (fls. 162-164). O Ministério Público Federal manifestou-se pelo não conhecimento do agravo em recurso especial (fls. 477-478). É o relatório. Decido. No caso, a despeito das razões apresentadas, o agravante deixou de rebater, especificamente, o óbice apontado pelo Tribunal a quo para inadmitir o recurso especial, limitando-se a apontar que o presente recurso não demanda reexame de provas. Nos termos da jurisprudência deste Superior Tribunal, "para afastar o óbice da Súmula n. 7 do STJ, a parte recorrente deve demonstrar, de forma clara e objetiva, mediante o desenvolvimento de argumentação hábil, a desnecessidade de reexame de fatos e provas para a aferição de violação de dispositivo de lei federal" (AgRg no AREsp n. 1.823.881/PR, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quinta Turma, julgado em 20/4/2021, DJe de 26/4/2021). Nesse sentido: DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. SÚMULA 182/STJ. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu do agravo em recurso especial, em razão da ausência de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada, notadamente a incidência das Súmulas 7 e 518 do STJ e a não comprovação de dissídio jurisprudencial. II. Questão em discussão 2. A questão em discussão consiste em saber se o agravante apresentou impugnação específica e suficiente para afastar os fundamentos da decisão agravada, especialmente no que tange à incidência das Súmulas 7 e 518 do STJ. 3. Outra questão em discussão é a alegação de violação à Súmula Vinculante 11 do STF, em razão do uso de algemas sem justificativa, e a nulidade da busca veicular por ausência de justa causa e fundada suspeita. III. Razões de decidir 4. O agravante não apresentou argumentos novos ou específicos capazes de infirmar a decisão agravada, mantendo-se incólumes os fundamentos relativos à incidência das Súmulas 7 e 518 do STJ. 5. A impugnação genérica apresentada pelo agravante não atende ao requisito de dialeticidade recursal, conforme exigido pelo art. 932 do CPC/2015 e pela Súmula 182 do STJ. 6. A ausência de cotejo analítico para demonstrar a similitude fática entre os julgados confrontados inviabiliza a análise do dissídio jurisprudencial alegado. 7. O recurso especial não é via adequada para análise de eventual ofensa a enunciado sumular, conforme a Súmula 518 do STJ. IV. Dispositivo e tese 8. Agravo regimental improvido. Tese de julgamento: "1. A impugnação genérica não atende ao requisito de dialeticidade recursal exigido pelo art. 932 do CPC/2015. 2. O recurso especial não é via adequada para análise de eventual ofensa a enunciado sumular, conforme a Súmula 518 do STJ." Dispositivos relevantes citados: CPC/2015, art. 932; CR/1988, art. 105, III, a. Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no AREsp 1789363/SP, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 02/02/2021; STJ, AgRg no AREsp n. 1.900.135/SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 22/2/2022; STJ, AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.996.126/SP, Rel. Min. Jesuíno Rissato, Quinta Turma, julgado em 8/3/2022. (AgRg no AREsp n. 2.814.725/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 20/5/2025, DJEN de 28/5/2025.) Com efeito, o agravante não infirmou, de maneira adequada e suficiente, as razões apresentadas pelo Tribunal de origem para negar trânsito ao recurso especial, não bastando, para tanto, deduzir genericamente a impossibilidade de incidência do óbice da Súmula n. 7 do STJ. Desse modo, a ausência de impugnação adequada dos fundamentos empregados pela Corte de origem para impedir o trânsito do recurso especial obsta o conhecimento do agravo, cujo único propósito é demonstrar a inaplicabilidade dos motivos indicados na decisão de inadmissibilidade do recurso por meio de impugnação específica de cada um deles. O Ministério Público Federal emitiu parecer no mesmo sentido, aduzindo que, "ao se valer de alegação genérica relativa aos conceitos de reexame e de revaloração probatória, o agravante não se desincumbiu do ônus de demonstrar que, efetivamente, a insurgência não demandaria o revolvimento de provas, notadamente diante do pleito absolutório veiculado no recurso especial, tendente a modificar as premissas fáticas do acórdão e a fragilizar o arcabouço probatório dos autos" (fl. 478). Assim, incide, por analogia, a Súmula 182 do STJ, segundo a qual: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". Ante o exposto, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA