AREsp 2974780 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo regimental porque o agravante não rebateu de forma concreta e pormenorizada todos os fundamentos que motivaram a inadmissibilidade do recurso especial (incidência das Súmulas 7 e 83/STJ), de modo que, em observância ao art. 932, III, do CPC, ao RISTJ e ao princípio da dialeticidade...
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- Parties
- Agravante: VITOR RICARDO IMIDIO JACINTO; Agravado: Presidência do Superior Tribunal de Justiça
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 December 2025
- Procedural Posture
- Agravo Regimental / Julgamento
- Outcome
- Agravo regimental não provido.
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Princípio Da Dialeticidade Recursal, Inadmissibilidade Do Recurso Especial, Súmulas 7, 83 E 182/stj
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Parties
VITOR RICARDO IMIDIO JACINTO
Agravante
Presidência do Superior Tribunal de Justiça
Agravado
Procedural Posture
Agravo Regimental / Julgamento
Legal Issues
- 1 Se o agravante impugnou de forma específica e pormenorizada os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, em observância ao princípio da dialeticidade recursal.
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo regimental porque o agravante não rebateu de forma concreta e pormenorizada todos os fundamentos que motivaram a inadmissibilidade do recurso especial (incidência das Súmulas 7 e 83/STJ), de modo que, em observância ao art. 932, III, do CPC, ao RISTJ e ao princípio da dialeticidade recursal, manteve-se a decisão agravada e aplicou-se por analogia a Súmula 182/STJ.
Court Disposition
Agravo regimental não provido.
Orders
- Nega-se provimento ao agravo regimental.
- Mantém-se a decisão monocrática da Presidência que não conheceu do agravo em recurso especial por ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão de inadmissibilidade.
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 19/11/2025 a 25/11/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Messod Azulay Neto votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. EMENTA Direito processual civil. Agravo regimental. Impugnação específica. Princípio da dialeticidade. Recurso não provido. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática da Presidência do STJ que não conheceu de agravo em recurso especial, com fundamento no art. 932, III, do CPC, e na Súmula 182/STJ. 2. O recurso especial inadmitido na origem foi interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo, que deu parcial provimento à apelação da defesa para redimensionar a pena do recorrente. 3. A decisão agravada considerou a ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão de inadmissibilidade do recurso especial, que se baseou na incidência das Súmulas 7 e 83 do STJ. II. Questão em discussão 4. A questão em discussão consiste em saber se o agravante impugnou de forma específica e pormenorizada os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, em observância ao princípio da dialeticidade recursal. III. Razões de decidir 5. A decisão agravada foi mantida, pois o agravante não rebateu de forma concreta e pormenorizada os fundamentos que levaram à aplicação das Súmulas 7 e 83 do STJ, limitando-se a alegações genéricas sobre a controvérsia. 6. O princípio da dialeticidade recursal exige que a impugnação seja efetiva, concreta e detalhada, não sendo suficientes alegações genéricas ou relativas ao mérito da controvérsia, sob pena de incidência da Súmula 182/STJ. 7. A jurisprudência do STJ estabelece que a decisão de inadmissibilidade do recurso especial deve ser impugnada em sua integralidade, considerando-se incindível o dispositivo que inadmite o recurso. IV. Dispositivo e tese 8. Resultado do Julgamento: Agravo regimental não provido. Tese de julgamento: 1. A ausência de impugnação específica e pormenorizada aos fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial enseja a aplicação da Súmula 182/STJ. 2. A decisão de inadmissibilidade do recurso especial deve ser impugnada em sua integralidade, considerando-se incindível o dispositivo que inadmite o recurso. Dispositivos relevantes citados: CPC, art. 932, III; RISTJ, art. 253, parágrafo único, I; Súmulas 7, 83 e 182/STJ. Jurisprudência relevante citada: STJ, EAREsp 746.775/PR, Rel. Min. João Otávio de Noronha, Rel. p/ Acórdão Min. Luis Felipe Salomão, Corte Especial, DJe 30.11.2018.
RELATÓRIO A EXMA. SRA. MINISTRA MARIA MARLUCE CALDAS BEZERRA (Relatora): Trata-se de agravo regimental interposto por VITOR RICARDO IMIDIO JACINTO contra decisão monocrática da Presidência desta Corte, que não conheceu do agravo em recurso especial, com base no art. 932, III, do CPC, e na Súmula n. 182/STJ (e-STJ fls. 1515-1516). O recurso especial, inadmitido na origem (e-STJ fls. 1485-1491), foi interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo, que deu parcial provimento à apelação da defesa para redimensionar a pena do recorrente, em acórdão assim ementado (e-STJ fl. 1441-1442): APELAÇÃO CRIMINAL - HOMICÍDIO QUALIFICADO - TENTATIVA - ART. 121, § 2º, INCISOS V E VII, C/C ART. 14, INCISO II, DO CÓDIGO PENAL SOBERANIA DOS VEREDICTOS - PROVAS SUFICIENTES - MATERIALIDADE E AUTORIA COMPROVADAS - DOSIMETRIA - AGRAVANTE DE REINCIDÊNCIA NÃO ARGUIDA EM PLENÁRIO - EXCLUSÃO - REDUÇÃO DA PENA - RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. 1."As nulidades ocorridas após a sentença de pronúncia, em processos de competência do Tribunal do Júri, devem ser alegadas imediatamente após o anúncio do julgamento, sob pena de preclusão" (AgRg no REsp n. 2.077.597/RS, relator Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 9/9/2024). 2.A expressão "manifestamente contrária à prova dos autos", contida no art. 593, inciso III, alínea "d", do Código de Processo Penal, visa impor limite ao Tribunal de Segunda Instância que somente poderá anular o julgamento realizado pelo Júri quando o veredicto repugnado não se apoiar em absolutamente nenhuma prova existente no feito, caracterizando-se uma decisão arbitrária. Tal limitação se justifica em razão da garantia constitucional da soberania dos veredictos, prevista no art. 5º, inciso XXXVIII, alínea "c", da Constituição Federal. 3.O Conselho de Sentença optou pela condenação do apelante pelo crime de homicídio qualificado, acolhendo a versão dos fatos que mais lhe pareceu coerente e verossímil, através dos depoimentos produzidos durante toda a instrução criminal. 4."A dosimetria da pena insere-se dentro de um juízo de discricionariedade do julgador e está atrelada às particularidades fáticas do caso concreto, de forma que somente é passível de revisão por esta Corte no caso de inobservância dos parâmetros legais ou de flagrante desproporcionalidade na fixação da pena" (AgRg no HC n. 902.944/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 10/6/2024, DJe de 12/6/2024.). 5."O Superior Tribunal de Justiça consolidou entendimento no sentido de que havendo duas ou mais qualificadoras, uma delas deverá ser utilizada para qualificar a conduta, alterando a pena em abstrato, e as demais poderão ser valoradas na primeira ou segunda fase da dosimetria, a depender da hipótese" (AgRg no AREsp n. 2.238.273/SP, Quinta Turma, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, DJe de 23/6/2023). 6."O estabelecimento da basilar não se limita a critério matemático, sendo possível a adoção de fração para cada circunstância judicial no patamar de 1/6 (um sexto) sobre a pena-base, 1/8 (um oitavo) sobre o intervalo entre as penas mínima e máxima e, até mesmo, outra fração. Os referidos parâmetros não se revestem de caráter obrigatório, exigindo-se, tão somente, que o critério utilizado pelas instâncias ordinárias seja proporcional e justificado." (AgRg no HC n. 891.932/ES, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 13/5/2024, DJe de 16/5/2024). 7."A sentença divergiu da orientação da jurisprudência dominante nesta Corte Superior no sentido de que, mesmo sendo a reincidência agravante de ordem objetiva, somente é possível sua valoração na dosimetria da pena dos crimes julgados pelo Tribunal do Júri quando for arguida em plenário nos debates." (AgRg no HC n. 858.386/RS, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 29/4/2024, DJe de 2/5/2024.) 8.Recurso parcialmente provido. Sentença reformada. Nas razões do presente agravo regimental (e-STJ fls. 1521-1528), a parte agravante sustenta que impugnou devidamente todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade, afirmando que a controvérsia é estritamente jurídica e não demanda reexame de provas, o que afastaria a Súmula n. 7/STJ, e que o acórdão recorrido diverge da jurisprudência desta Corte, o que tornaria inaplicável a Súmula n. 83/STJ. Requer, assim, a reconsideração da decisão para que o agravo em recurso especial seja conhecido. O Ministério Público Federal, em seu parecer (e-STJ fls. 1546-1550), opinou pelo não provimento do agravo regimental. É o relatório. EMENTA Direito processual civil. Agravo regimental. Impugnação específica. Princípio da dialeticidade. Recurso não provido. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática da Presidência do STJ que não conheceu de agravo em recurso especial, com fundamento no art. 932, III, do CPC, e na Súmula 182/STJ. 2. O recurso especial inadmitido na origem foi interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo, que deu parcial provimento à apelação da defesa para redimensionar a pena do recorrente. 3. A decisão agravada considerou a ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão de inadmissibilidade do recurso especial, que se baseou na incidência das Súmulas 7 e 83 do STJ. II. Questão em discussão 4. A questão em discussão consiste em saber se o agravante impugnou de forma específica e pormenorizada os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, em observância ao princípio da dialeticidade recursal. III. Razões de decidir 5. A decisão agravada foi mantida, pois o agravante não rebateu de forma concreta e pormenorizada os fundamentos que levaram à aplicação das Súmulas 7 e 83 do STJ, limitando-se a alegações genéricas sobre a controvérsia. 6. O princípio da dialeticidade recursal exige que a impugnação seja efetiva, concreta e detalhada, não sendo suficientes alegações genéricas ou relativas ao mérito da controvérsia, sob pena de incidência da Súmula 182/STJ. 7. A jurisprudência do STJ estabelece que a decisão de inadmissibilidade do recurso especial deve ser impugnada em sua integralidade, considerando-se incindível o dispositivo que inadmite o recurso. IV. Dispositivo e tese 8. Resultado do Julgamento: Agravo regimental não provido. Tese de julgamento: 1. A ausência de impugnação específica e pormenorizada aos fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial enseja a aplicação da Súmula 182/STJ. 2. A decisão de inadmissibilidade do recurso especial deve ser impugnada em sua integralidade, considerando-se incindível o dispositivo que inadmite o recurso. Dispositivos relevantes citados: CPC, art. 932, III; RISTJ, art. 253, parágrafo único, I; Súmulas 7, 83 e 182/STJ. Jurisprudência relevante citada: STJ, EAREsp 746.775/PR, Rel. Min. João Otávio de Noronha, Rel. p/ Acórdão Min. Luis Felipe Salomão, Corte Especial, DJe 30.11.2018. VOTO A EXMA. SRA. MINISTRA MARIA MARLUCE CALDAS BEZERRA (Relatora): Com efeito, o agravo regimental deve trazer novos argumentos capazes de alterar o entendimento firmado anteriormente, sob pena de ser mantida a decisão combatida por seus próprios fundamentos. Nessa linha, não obstante o teor das razões suscitadas no presente agravo, não vislumbro elementos hábeis a alterar a decisão agravada, porquanto todos os pontos apresentados pelo agravante foram analisados de forma devidamente fundamentada. A decisão agravada, da lavra do Presidente desta Corte, está assim fundamentada (e-STJ fls. 1515-1516): Por meio da análise dos autos, verifica-se que a decisão agravada inadmitiu o Recurso Especial, considerando: Súmula 7/STJ (reconhecimento do recorrido), Súmula 83/STJ e Súmula 7/STJ (arts. 59, 61, II, "c", 14, II, parágrafo único, e 71do CP). Entretanto, a parte agravante deixou de impugnar especificamente os referidos fundamentos. Nos termos do art. 932, III, do CPC e do art. 253, parágrafo único, I, do Regimento Interno desta Corte, não se conhecerá do Agravo em Recurso Especial que "não tenha impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão recorrida". Conforme já assentado pela Corte Especial do STJ, a decisão de inadmissibilidade do Recurso Especial não é formada por capítulos autônomos, mas por um único dispositivo, o que exige que a parte agravante impugne todos os fundamentos da decisão que, na origem, inadmitiu o Recurso Especial. A propósito: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. ART. 544, § 4º, I, DO CPC/1973. ENTENDIMENTO RENOVADO PELO NOVO CPC, ART. 932. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos. (EAREsp 746.775/PR, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Rel. p/ Acórdão Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, DJe de 30.11.2018.) Ressalte-se que, em atenção ao princípio da dialeticidade recursal, a impugnação deve ser realizada de forma efetiva, concreta e pormenorizada, não sendo suficientes alegações genéricas ou relativas ao mérito da controvérsia, sob pena de incidência, por analogia, da Súmula n. 182/STJ. Conforme se observa, a decisão agravada não conheceu do agravo em recurso especial por ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão de inadmissibilidade proferida pelo Tribunal de origem, quais sejam, a incidência das Súmulas n. 7 e 83 do STJ. A análise do agravo em recurso especial interposto (e-STJ fls. 1493-1496) revela que o agravante, de fato, não rebateu de forma pormenorizada as razões que levaram à aplicação dos referidos óbices sumulares. A defesa limitou-se a afirmar, de maneira genérica, que a matéria não envolveria reexame de provas e que a decisão recorrida não estaria alinhada à jurisprudência do STJ, sem, contudo, demonstrar concretamente como cada um desses fundamentos foi equivocadamente aplicado pela Corte a quo. É dever do agravante, em atenção ao princípio da dialeticidade, refutar todos os fundamentos da decisão que inadmitiu seu recurso, sob pena de aplicação, por analogia, do enunciado da Súmula n. 182/STJ: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". Dessa forma, mantendo-se hígidos os fundamentos da decisão agravada e não tendo o agravante trazido argumentos suficientes para infirmá-los, a manutenção do decisum é medida que se impõe. Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É como voto.