AREsp 2981704 - ACORDAO
O agravo interno não foi conhecido porque o agravante não atacou, de forma clara e objetiva, os fundamentos da decisão agravada, devendo ser observado o art. 1.021, §1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ; além disso, não se demonstrou a prescindibilidade do reexame fático-probatório requerida para afastar a Súmula 7...
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- Parties
- Agravante: PETRANOVA SANEAMENTO E CONSTRUÇÕES LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 April 2026
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgado Não Conhecido
- Outcome
- Agravo interno não conhecido
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Inadmissibilidade De Recurso, Súmula 182 Do STJ, Súmula 284 Do STF, Súmula 7 Do STJ, Art. 1.021, §1º, Cpc/2015
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Parties
PETRANOVA SANEAMENTO E CONSTRUÇÕES LTDA.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno / Julgado Não Conhecido
Legal Issues
- 1 Incidência da Súmula 182 do STJ em agravo interno contra decisão que não conheceu recurso especial
- 2 Necessidade de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada (art. 1.021, §1º, CPC/2015)
- 3 Prescindibilidade do reexame fático-probatório e aplicação da Súmula 7 do STJ
Ratio Decidendi
O agravo interno não foi conhecido porque o agravante não atacou, de forma clara e objetiva, os fundamentos da decisão agravada, devendo ser observado o art. 1.021, §1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ; além disso, não se demonstrou a prescindibilidade do reexame fático-probatório requerida para afastar a Súmula 7 do STJ.
Court Disposition
Agravo interno não conhecido
Orders
- Não conheço do agravo interno.
- Deixo de aplicar a multa prevista no §4º do art. 1.021 do CPC/2015.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 07/04/2026 a 13/04/2026, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Paulo Sérgio Domingues, Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina e Regina Helena Costa votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sérgio Kukina. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão combatida, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto pela PETRANOVA SANEAMENTO E CONSTRUÇÕES LTDA. para desafiar decisão proferida pela Presidência às e-STJ fls. 345/349, em que se conheceu do agravo para não se conhecer do apelo especial, em face da incidência da Súmula 284 do STF e da Súmula 7 do STJ. Sustenta a parte agravante, em suma, que os referidos enunciados não se aplicam à espécie, pois: a) "a peça recursal não se limitou a repetir argumentos, mas enfrentou o núcleo da fundamentação do acórdão recorrido, que foi justamente o de relativizar a exigência editalícia", de modo que houve "impugnação específica e direta dos fundamentos do julgado", e b) a controvérsia trazida na peça recursal "não exige o reexame de provas, mas sim a interpretação jurídica do edital e a correta aplicação da legislação federal que rege o certame" (e-STJ fl. 361). Decurso do prazo de impugnação. Parecer do Ministério Público Federal pelo desprovimento do agravo interno, mediante a aplicação da Súmula 182 do STJ (e-STJ fls. 386/390). É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão combatida, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido. VOTO De início, considerando os parâmetros estabelecidos pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EREsp 1424404/SP (Rel. Ministra Luis Felipe Salomão, julgado em 20/10/2021, DJe 17/11/2021), para a aplicação da Súmula 182 do STJ no tocante aos agravos internos manejados contra decisões proferidas em recurso especial ou em agravo em recurso especial, tem-se o seguinte: a) incide o verbete quando: i) o único ou todos os capítulos da decisão agravada não foi ou não foram impugnados; ii) não houver a impugnação de todos os fundamentos adotados na análise de determinado capítulo autônomo (quer dizer, ausência de ataque a fundamento capaz, por si só, de manter a conclusão alcançada na decisão agravada); b) não se aplica o óbice sumular no caso em que houver vários capítulos autônomos, e a parte agravante não se insurgir contra algum deles, pois isso acarreta apenas a preclusão da matéria não impugnada, devendo ser analisado o que remanesceu. Dito isso, vê-se que, na hipótese dos autos, o agravo interno não merece ser conhecido. Com efeito, na decisão ora recorrida, o recurso especial não foi conhecido em razão do óbice das Súmula 284 do STF (as razões delineadas no Recurso Especial estariam dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, pois a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos) e da Súmula 7 do STJ. Contudo, da leitura das razões do agravo interno, observa-se que a parte agravante deixou de atacar devidamente os fundamentos da decisão ora agravada. Convém assinalar que não é suficiente a apresentação de razões genéricas sobre o óbice apontado pela decisão impugnada , sendo exigível do agravante o efetivo ataque aos seus fundamentos. Com efeito, inadmitido o apelo nobre com base na deficiência na fundamentação recursal (Súmula 284 do STF), caberia à parte agravante apontar em que trecho do recurso especial os fundamentos erigidos no julgado impugnado foram rebatidos, o que não ocorreu, na espécie. Com relação à Súmula 7 do STJ, registro não ser suficiente a apresentação de razões genéricas sobre o óbice apontado pela decisão de inadmissibilidade, sendo exigível do agravante o efetivo ataque aos seus fundamentos. É de rigor que, além da contextualização do caso concreto, a impugnação contenha as devidas razões pelas quais se entende ser possível o conhecimento da pretensão independentemente do reexame fático-probatório, mediante, por exemplo, a apresentação do cotejo entre as premissas fáticas e as conclusões delineadas no acórdão recorrido e sua tese recursal, a fim de demonstrar a prescindibilidade do reexame fático-probatório, o que não ocorreu no caso. Desse modo, forçosa se apresenta a observância do contido no art. 1.021, §1º, do Código de Processo Civil de 2015 e na Súmula 182 do STJ. Deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015, tendo em vista que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da sanção quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do Colegiado, como no caso em análise. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo interno. E como voto.