RMS 76391 - ACORDAO
O agravo interno não foi conhecido porque o agravante deixou de impugnar de forma específica, concreta e pormenorizada todos os fundamentos da decisão agravada, em especial os fundamentos que sustentaram o não reconhecimento do recurso ordinário (itens b e c), sendo insuficiente a mera repetição das razões do...
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- Parties
- Agravante: CLEALBERTO ALENCAR ALVES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 April 2026
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgamento (decisão Colegiada)
- Outcome
- NÃO CONHEÇO do agravo interno.
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Súmula 182 Do STJ, Súmulas 283 E 284 Do STF, Art. 1.021 Do Cpc/2015, Princípio Da Dialeticidade, Promoção Militar, Proventos
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Parties
CLEALBERTO ALENCAR ALVES
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno / Julgamento (decisão Colegiada)
Legal Issues
- 1 incidência do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ por ausência de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada
- 2 aplicação das Súmulas 283 e 284 do STF como óbice ao conhecimento do recurso ordinário e consequente agravo interno não conhecido
Ratio Decidendi
O agravo interno não foi conhecido porque o agravante deixou de impugnar de forma específica, concreta e pormenorizada todos os fundamentos da decisão agravada, em especial os fundamentos que sustentaram o não reconhecimento do recurso ordinário (itens b e c), sendo insuficiente a mera repetição das razões do recurso ordinário; tal omissão autoriza a aplicação da Súmula 182 do STJ e o não conhecimento do agravo interno, sem imposição de multa no caso concreto.
Court Disposition
NÃO CONHEÇO do agravo interno.
Orders
- NÃO CONHEÇO do agravo interno.
- Deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 14/04/2026 a 22/04/2026, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Paulo Sérgio Domingues, Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina e Regina Helena Costa votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sérgio Kukina. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, todos os fundamentos da decisão atacada, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que a parte recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por CLEALBERTO ALENCAR ALVES contra a decisão em que não conheci do recurso ordinário, em virtude da incidência das Súmulas 283 e 284 do STF. A parte agravante reitera as razões do recurso ordinário em mandado de segurança e volta a defender que "deveria ter sido reclassificado para o Posto de 1º Tenente PM, tendo a sua remuneração calculada com base no Posto de Capitão PM, conforme determina a Lei nº 7.145/1997" (e-STJ fl. 686). Requer, ao final, que "seja o presente Recurso Ordinário conhecido, bem como dado provimento, no sentido de reformar o v. acórdão, para assegurar o direito líquido e certo do recorrente ser promovido ao posto de 1º TENENTE PM, e consequentemente, seja revisado seus proventos afins de que sejam calculados com base no posto de CAPITÃO PM quanto na inatividade" (e-STJ fls. 690-691). Impugnação às e-STJ fls. 949/951. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, todos os fundamentos da decisão atacada, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que a parte recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido. VOTO De início, considerando os parâmetros estabelecidos pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EREsp 1.424.404/SP (Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, julgado em 20/10/2021, DJe 17/11/2021), para a aplicação da Súmula 182 do STJ no tocante aos agravos internos manejados contra decisões monocráticas, tem-se o seguinte: a) incide o verbete quando: i) o único ou todos os capítulos da decisão agravada não foi ou não foram impugnados; ii) não houver a impugnação de todos os fundamentos adotados na análise de determinado capítulo autônomo (ou seja , ausência de ataque a fundamento capaz, por si só, de manter a conclusão alcançada na decisão agravada); b) não se aplica o óbice sumular no caso em que houver vários capítulos autônomos, e a parte agravante não se insurgir contra algum deles, pois isso acarreta apenas a preclusão da matéria não impugnada, devendo ser analisado o que remanesceu. Dito isso, vê-se que, na hipótese dos autos, o agravo interno não merece ser conhecido. No caso, a decisão ora impugnada não conheceu do recurso ordinário em face do óbice das Súmulas 283 e 284 do STF, destacando (e-STJ fl. 672): Verifica-se que a Corte de origem afastou a pretensão do impetrante quanto à reclassificação para o cargo de 1º Tenente da PM, com proventos de Capitão da PM, sob os seguintes fundamentos: a) não há que falar em reclassificação do impetrante, porquanto a Lei estadual n. 11.356/2009, que alterou o art. 9º da Lei estadual n. 7.145/1997, devolveu o posto de subtenente à escala hierárquica da Policia Militar do Estado da Bahia; b) inexiste nos autos prova do direito líquido e certo do impetrante à promoção antes da passagem para a inatividade, ou seja, não foram demonstrados o preenchimento dos requisitos para a promoção ao posto de 1º Tenente quando se encontrava na ativa; c) o ingresso do impetrante na Polícia Militar ocorreu em 03.10.1988 e o ato de inativação em 24.08.2018, após a situação jurídica introduzida pela Lei nº 7.145/1997 e pela Lei nº 11.356/2009, quando ocupava o posto de 1º Sargento, sendo os seus proventos calculados conforme a remuneração de 1º Tenente (patente seguinte a aquela em que se encontrava quando estava em atividade), não há que se falar em direito líquido e certo a promoção na forma requerida e muito menos à percepção de proventos correspondentes à remuneração de Capitão PM. Conforme se verifica das razões recursais, o recorrente não infirmou os fundamentos do aresto recorrido, notadamente os constantes nos itens "b" e "c", limitando-se a alegar que deveria ter sido promovido ao posto de 1º Tenente e que os proventos deveriam ter sido fixados com base na remuneração integral de Capitão, em razão da extinção da graduação de subtenente. Dessa forma, tem-se que a insurgência não merece ser conhecida, visto que esta Corte Superior firmou a compreensão, inclusive no âmbito do recurso ordinário, de que a falta de combate a fundamento suficiente para manter o acórdão recorrido constitui violação do princípio da dialeticidade e permite a aplicação das Súmulas 283 e 284 do STF, por analogia. Contudo, da leitura das razões do agravo interno, observa-se que a parte agravante deixou de atacar, devidamente, os fundamentos da decisão agravada, limitando-se repetir as razões do recurso ordinário de que "deveria ter sido reclassificado para o Posto de 1º Tenente PM, tendo a sua remuneração calculada com base no Posto de Capitão PM, conforme determina a Lei nº 7.145/1997" (e-STJ fl. 686). Desse modo, forçosa se apresenta a observância do contido no art. 1.021, § 1º, do Código de Processo Civil de 2015 e na Súmula 182 do STJ. Isso porque, em observância ao princípio da dialeticidade, a impugnação deve ser feita de forma específica, concreta e pormenorizada e relativamente a todos os fundamentos adotados pela decisão, trazendo argumentações capazes de demonstrar o seu desacerto, " .. não bastando à parte, para assentar a viabilidade do apelo, desdizer as palavras de julgamento, tal como ocorrido" (AREsp 212.401, rel. Ministro Mauro Campbell Marques, DJe de 22/06/2022). Por fim, deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015, tendo em vista que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da sanção, quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do Colegiado. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo interno. É como voto.