AREsp 3169474 - DECISAO
Desprovimento do agravo regimental por falta de impugnação específica dos fundamentos que ensejaram a inadmissibilidade do recurso especial, permanecendo o óbice das súmulas aplicáveis (notadamente Súmula 7 do STJ) e configurando preclusão consumativa, de modo que o conhecimento do agravo exigiria reexame indevido...
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- Parties
- Agravante: JOAQUIM FABIANO AIRES JERVAIS; Respondente: Ministério Público Estadual
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 April 2026
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Agravo Regimental
- Outcome
- Agravo regimental desprovido.
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Súmula 7 Do STJ, Súmula 283 Do STF, Súmula 284 Do STF, Súmula 182 Do STJ, Reexame De Provas, Tráfico De Entorpecentes, Tráfico Privilegiado
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Parties
JOAQUIM FABIANO AIRES JERVAIS
Agravante
Ministério Público Estadual
Respondente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Agravo Regimental
Legal Issues
- 1 Se o agravo em recurso especial impugnou adequadamente os fundamentos da decisão de inadmissibilidade
- 2 Incidência da Súmula 7 do STJ e necessidade de demonstração de que não há reexame de provas
- 3 Aplicação das Súmulas 182/STJ e 284/283 do STF por ausência de impugnação específica
Ratio Decidendi
Desprovimento do agravo regimental por falta de impugnação específica dos fundamentos que ensejaram a inadmissibilidade do recurso especial, permanecendo o óbice das súmulas aplicáveis (notadamente Súmula 7 do STJ) e configurando preclusão consumativa, de modo que o conhecimento do agravo exigiria reexame indevido do acervo fático-probatório.
Court Disposition
Agravo regimental desprovido.
Orders
- Agravo regimental desprovido.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por JOAQUIM FABIANO AIRES JERVAIS, contra decisão de inadmissibilidade de recurso especial, fundado na alínea "a", do art. 105, III, da Constituição Federal, que desafia acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO no julgamento da Apelação Criminal n. 1500406-71.2024.8.26.0400. Extrai-se dos autos que o Tribunal de origem inadmitiu o recurso especial com base nos seguintes fundamentos: a) óbice da Súmula n. 283 do Supremo Tribunal Federal - É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles; b) óbice da Súmula n. 7 do Superior Tribunal de Justiça - A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial (fls. 350/351). Agravo em recurso especial às fls. 354/360 e contraminuta do Ministério Público estadual às fls. 365/370. Parecer do Ministério Público Federal - MPF pelo não conhecimento do agravo em recurso especial (fls. 387/388). É o breve relatório. Decido. A decisão agravada inadmitiu o recurso especial, considerando o enunciado das Súmulas n. 7/STJ e 283/STF. Entretanto, o agravante não impugnou adequadamente o óbice da Súmula 7. Para se afastar a aplicação da Súmula n. 7 do STJ, inviável a mera afirmação de sua não incidência na espécie, devendo o recorrente apresentar argumentação demonstrando que, para o STJ mudar o entendimento da instância de origem sobre a questão suscitada, não se faz necessário reexame de fatos e provas da causa, não bastando a assertiva genérica de que o recurso visa a revaloração das provas. Nesse sentido: DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. ÓBICES DAS SÚMULAS N. 284 DO STF E N. 7 DO STJ. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática da Presidência do STJ que não conheceu do agravo em recurso especial, com base na Súmula n. 182 do STJ, devido à ausência de impugnação específica dos fundamentos pelos quais o Tribunal de origem inadmitiu o recurso especial, incidindo as Súmulas n. 284 do STF e n. 7 do STJ. II. Questão em discussão 2. A questão em discussão consiste em saber se o agravo em recurso especial impugnou adequadamente os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, especialmente em relação à incidência das Súmulas n. 284 do STF e n. 7 do STJ. III. Razões de decidir 3. A decisão monocrática da Presidência do STJ aplicou corretamente a Súmula 182 do STJ, ao não conhecer o agravo em recurso especial por falta de impugnação específica dos fundamentos adotados na decisão de inadmissibilidade no Tribunal a quo. 4. A defesa não demonstrou, de forma concreta, a inaplicabilidade da Súmula 7 do STJ, limitando-se a alegações genéricas sobre a revaloração da prova, sem indicar premissas fáticas incontroversas. 5. A mera alegação de que a fundamentação foi clara e bem fundamentada não é suficiente para afastar a incidência da Súmula n. 284 do STF diante do constatado vício da peça recursal que apontou artigo de lei federal violado sem o motivo correspondente, sendo defeso inovar no agravo regimental para sanar a deficiência em razão da preclusão consumativa. IV. Dispositivo e tese 6. Agravo regimental desprovido. Tese de julgamento: "1. A impugnação dos fundamentos da decisão de inadmissibilidade deve ocorrer no agravo em recurso especial, sob pena de preclusão consumativa. 2. A ausência de impugnação específica dos fundamentos da decisão de inadmissibilidade do recurso especial obsta o conhecimento do agravo, conforme a Súmula 182 do STJ. 3. A mera alegação genérica de inaplicabilidade da Súmula 7 do STJ não é suficiente para afastar o óbice, sendo necessária a demonstração concreta de que a tese recursal está adstrita a fatos incontroversos." Dispositivos relevantes citados: CPP, art. 580; CPC/2015, art. 932, III. Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no AREsp n. 2.392.824/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 24/10/2023, DJe de 31/10/2023; STJ, AgRg no AREsp 1965463/GO, Rel. Min. Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe 4/11/2021; STJ, AgRg no AREsp 1827996/PR, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe 16/8/2021. (AgRg no AREsp n. 2.632.127/ES, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 22/4/2025, DJEN de 29/4/2025.) No caso em tela, a análise das alegações da defesa demandaria, necessariamente, a reavaliação do acervo fático-probatório. Tal constatação é reforçada pela fundamentação adotada pelo Tribunal de origem, nos seguintes termos: "A materialidade do crime está comprovada pelo boletim de ocorrência, auto de exibição e apreensão, laudo de constatação, exame químico-toxicológico, e pela prova oral coligida. A autoria também é certa. Os policiais militares Marcelo Moya Conejo e Marcelo André Vieira relataram que, durante patrulhamento na conhecida "Biqueira da Rua Nove", avistaram o réu, que imediatamente empreendeu fuga, dispensando um objeto ao solo e tentando se ocultar em um imóvel, ocasião em que foi abordado. Em revista pessoal localizaram com ele R$70,00 em notas diversas e um aparelho celular. No objeto dispensado encontraram 06 microtubos de cocaína e 11 porções de crack. Ambos destacaram que o réu é pessoa conhecida nos meios policiais, havendo informações de que exercia a função de "aviãozinho", intermediando a venda dos entorpecentes. .. Por tais motivos, ainda que estivesse ausente a prova de que o acusado pretendia comercializar a droga (o que não é verdade), uma vez que não ficou configurado que a droga se destinava ao seu uso pessoal, plenamente demonstrado o crime de tráfico de entorpecentes. Mesmo porque, como já exposto acima, existem indícios que apontam para a entrega para terceiros, de maneira que a condenação por tráfico era mesmo de rigor. .. Na terceira fase, de fato, não é o caso de tráfico privilegiado, dado que o réu se dedica à ilícita mercancia, sendo conhecido dos meios policiais como "aviãozinho", além da quantidade e natureza das drogas apreendidas." (fls. 304/312) Assim, no presente caso, o reconhecimento da minorante, conforme requer a defesa, exigiria o reexame dos fatos e das provas produzidas nos autos, e não questões de direito ou de má aplicação da lei federal. A menção a dispositivos de lei federal, bem como a exposição da interpretação jurídica que o recorrente reputa correta, como se estivesse a elaborar um recurso de apelação, não é suficiente para a transposição dos óbices, pois o Superior Tribunal de Justiça não atua como instância recursal ordinária ou corte revisora de fatos. O recurso especial é excepcional, de fundamentação vinculada, com forma e conteúdo próprios, que se destina a atribuir a adequada interpretação e uniformização da lei federal, e não a novo julgamento da causa, à moda de recurso ordinário ou de apelação, sob pena de se tornar uma terceira instância recursal. Ante o exposto, com base no art. 21-E, inciso V, c/c o art. 253, parágrafo único, inciso I, ambos do RISTJ, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA