AREsp 3209966 - DECISAO
O agravo regimental foi desprovido porque o agravante não apresentou impugnação específica e concreta aos fundamentos que motivaram a inadmissibilidade do recurso especial; a mera alegação de que a matéria é jurídica e não exige reexame de provas é insuficiente para afastar a incidência da Súmula 7/STJ, e a...
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- Parties
- Agravante: JOSE RENAN OLIVEIRA MARINHO; Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 May 2026
- Procedural Posture
- Agravo Regimental Em Recurso Especial / Decisão De Agravo Regimental (desprovimento) Inadmissão Do Recurso Especial Mantida
- Outcome
- Agravo regimental desprovido; não conheço do agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Reexame Fático Probatório, Súmula 7/stj, Súmula 182/stj, Súmula 83/stj, Inadmissão De Recurso Especial, Pronúncia, Princípio Da Dialeticidade Recursal
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Parties
JOSE RENAN OLIVEIRA MARINHO
Agravante
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Agravo Regimental Em Recurso Especial / Decisão De Agravo Regimental (desprovimento) Inadmissão Do Recurso Especial Mantida
Legal Issues
- 1 se a matéria versada no recurso especial exige reexame de provas, atraindo a Súmula 7/STJ
- 2 se houve impugnação específica suficiente para afastar a incidência da Súmula 182/STJ
- 3 possibilidade de manutenção de decisão de pronúncia baseada em elementos não submetidos ao contraditório e em hearsay
Ratio Decidendi
O agravo regimental foi desprovido porque o agravante não apresentou impugnação específica e concreta aos fundamentos que motivaram a inadmissibilidade do recurso especial; a mera alegação de que a matéria é jurídica e não exige reexame de provas é insuficiente para afastar a incidência da Súmula 7/STJ, e a impugnação genérica atrai a aplicação da Súmula 182/STJ, tornando inviável o conhecimento do recurso.
Court Disposition
Agravo regimental desprovido; não conheço do agravo em recurso especial.
Orders
- Agravo regimental desprovido.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por JOSE RENAN OLIVEIRA MARINHO contra decisão que inadmitiu seu recurso especial, porquanto incidente a Súmula n. 7/STJ. O agravante foi pronunciado "pela prática do crime de previsto no art. 121, §2º, incisos I e IV, do Código Penal Pátrio, em contexto de Organização Criminosa, além do delito de corrução de menor, respectivamente, art. 2º da Lei nº 12.850/2013 e art.244-B do E.C.A." (fl. 711). Interposto recurso em sentido estrito defensivo, no qual "requerida a despronúncia, ao argumento de insuficiência probatória; sustentada a impossibilidade de prevalência do princípio in dubio pro societate, pugnando-se, de forma subsidiária, pelo decote das circunstâncias qualificadoras" (fl. 711), foi desprovido. Nas razões deste recurso (fls. 768-776), alega, em suma, "o que se devolve ao Superior Tribunal de Justiça é uma questão estritamente jurídica: a possibilidade, ou não, de manter uma decisão de pronúncia calcada exclusivamente em elementos não submetidos ao contraditório (declarações inquisitoriais) e em hearsay testimony, desprovidos de corroboração judicial válida. A discussão, portanto, não demanda reexame do acervo fático, mas a revaloração jurídica de fatos incontroversos, o que afasta por completo a incidência da Súmula 7/STJ" (fl. 772). Sustenta que "há absoluta ausência de prova judicializada de autoria, de modo que a remessa do agravante ao Tribunal do Júri violaria frontalmente a ratio decidendi fixada pelo STF e STJ, segundo a qual nem mesmo a pronúncia - ainda que fundada no juízo de probabilidade - pode se basear exclusivamente em elementos inquisitoriais ou testemunhos indiretos" (idem). Entende, ainda, que "as provas já estão postas, cingindo-se o Recurso Especial tão somente à análise do direito e à correta valoração dos elementos de prova já contidos nos autos" (fl. 775), requerendo, ao final, " o total provimento ao presente agravo, para reformar a decisão que inadmitiu o Recurso Especial interposto" (fl. 776). Sem contraminuta (fl. 783), manifestou-se o Ministério Público Federal nos termos da seguinte ementa (fl. 798): PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DA DECISÃO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 182 DO STJ. NÃO COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 07 STJ. PELO NÃO PROVIMENTO DO AGRAVO. É o relatório. O recurso especial destina-se ao exame de teses estritamente jurídicas que independam do reexame das provas colhidas na origem. Desse modo, para fins de impugnação específica da Súmula n. 7/STJ, é insuficiente a alegação genérica de se tratar de revaloração probatória ou de questão de direito, sendo necessário que a parte realize o devido confronto do entendimento com as premissas fáticas estabelecidas no acórdão recorrido, devendo explicitar, conforme a tese recursal trazida no recurso especial, de que forma a análise da questão não dependeria do reexame de provas, o que não ocorreu. Deve-se, assim, haver demonstração de que a controvérsia se restringe à interpretação jurídica de normas, indicando-se para tanto, precisamente, quais premissas fáticas seriam imutáveis. Nesse sentido: DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 7/STJ E 83/STJ. INVIABILIDADE DE REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO SOBRE A CORRUPÇÃO ATIVA PARA EVITAR APREENSÃO DE VEÍCULO AUTOMOTOR. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu do agravo em recurso especial, sob os fundamentos da ausência de impugnação específica aos óbices apontados e da incidência das Súmulas 7 e 83 do STJ. A defesa sustentou que o recurso especial discutia apenas a revaloração de provas já delineadas no acórdão do TJMG, especialmente quanto à alegada violação do art. 156 do CPP, e requereu a retratação da decisão ou seu encaminhamento ao colegiado, nos termos do art. 1.021, § 2º do CPC. O Ministério Público do Estado de Minas Gerais manifestou-se pela manutenção da decisão agravada. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. Há duas questões em discussão: (i) definir se o agravante impugnou de forma específica e eficaz os fundamentos que ensejaram a inadmissão do recurso especial, afastando a incidência da Súmula 182 do STJ; (ii) verificar se a análise das teses recursais pode ser realizada sem o reexame do conjunto fático-probatório, de modo a afastar a incidência das Súmulas 7 e 83 do STJ. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. O agravo regimental é tempestivo e indica os fundamentos da decisão recorrida, o que autoriza seu conhecimento. 4. A decisão agravada deve ser mantida, pois o agravante não apresentou impugnação específica e concreta aos fundamentos da decisão de inadmissão do recurso especial, limitando-se a reproduzir argumentos genéricos já expostos. 5. A superação do óbice da Súmula 7 do STJ exige demonstração clara de que a análise da controvérsia não demanda reexame de provas, o que não foi feito, sendo insuficiente a mera alegação de revaloração jurídica. 6. A jurisprudência do STJ é firme no sentido de que alegações genéricas não afastam a incidência da Súmula 7/STJ quando não acompanhadas de cotejo analítico com as premissas fáticas do acórdão recorrido. .. 8. O pedido de absolvição, fundado na suposta insuficiência probatória e na inidoneidade dos depoimentos colhidos, implica reexame do conjunto fático-probatório, o que é vedado em recurso especial. 9. A condenação está lastreada em provas robustas, com depoimentos prestados sob contraditório, que evidenciam a prática do crime previsto no art. 333 do Código Penal, sendo incabível a revisão do julgado nesta instância especial. IV. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. (AgRg no AREsp n. 2.643.783/MG, relator Ministro Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS), Quinta Turma, julgado em 5/8/2025, DJEN de 14/8/2025.) Ressalte-se, por fim, que a simples repetição das razões esposadas no recurso especial não supre a exigência de impugnação concreta e pormenorizada, como exige o princípio da dialeticidade recursal. A propósito: AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSO PENAL. TRÁFICO DE DROGAS. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 182/STJ . AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Não havendo a impugnação específica acerca dos fundamentos da decisão questionada, deve ser aplicado, por analogia, o teor da Súmula n. 182 deste Tribunal Superior. 2. "É inviável o agravo regimental que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão impugnada, por ser essa condição necessária à admissibilidade de qualquer recurso, conforme entendimento firmado pela Corte Especial. O princípio da dialeticidade impõe à parte a demonstração específica do desacerto das razões lançadas no decisum atacado, sob pena de não conhecimento do recurso. Não são suficientes, para tanto, alegações genéricas ou a repetição dos termos do recurso interposto." (AgRg no AREsp n. 1.941.517/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 22/2/2022, DJe 3/3/2022.) 3. Em atenção ao princípio da dialeticidade recursal, a impugnação deve ser realizada de forma efetiva, concreta e pormenorizada, não sendo suficientes alegações genéricas ou relativas ao mérito da controvérsia, sob pena de incidência, por analogia, da Súmula n. 182 do STJ. 4. Habeas corpus concedido de ofício para afastar da pena-base a valoração negativa referente à quantidade e à natureza das drogas apreendidas. 5. Agravo regimental desprovido. (AgRg nos EDcl no AREsp n. 2.407.533/MG, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 18/3/2025, DJEN de 25/3/2025.) Desse modo, a impugnação genérica dos fundamentos da decisão de inadmissibilidade impede o conhecimento do agravo, nos termos do disposto nos arts. 932, III, do CPC e 253, I, do RISTJ. Confira-se: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 182/STJ. 1. A ausência de impugnação específica a todos os fundamentos da decisão combatida, ônus da parte recorrente, atrai a incidência dos arts. 1.021, § 1º, do CPC, e da Súmula 182 desta Corte. 2. A Corte Especial do STJ firmou o o entendimento segundo o qual a decisão de inadmissibilidade do recurso especial não é formada por capítulos autônomos, mas por um único dispositivo, o que exige que a parte agravante impugne todos os fundamentos da decisão que, na origem, não admitiu o recurso especial. 3. Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp n. 1.949.90/GO, relator Ministro Olindo Menezes (Desembargador convocado do TRF1), Sexta Turma, julgado em 7/6/2022, DJe de 10/6/2022.) Aplicável, portanto, o comando da Súmula n. 182/STJ: " é inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". Diante do exposto, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA