AREsp 1853331 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque a parte agravante não impugnou específica e fundamentadamente todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, em especial a Súmula 282/STF, incorrendo na hipótese de aplicação do art. 932, III, do CPC/2015 e da Súmula 182/STJ, o que impede o conhecimento...
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- Parties
- Agravante: MUNICÍPIO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 August 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento (acórdão)
- Outcome
- Agravo interno não provido (negado provimento).
- Legal Topics
- Impugnação Específica De Fundamentos, Súmula 182/stj, Súmula 282/stf, Prequestionamento, Admissibilidade Recursal, Agravo Interno
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Parties
MUNICÍPIO DE SÃO PAULO
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento (acórdão)
Legal Issues
- 1 Se o agravo interno poderia ser conhecido apesar de não impugnar especificamente todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade, em especial a Súmula 282/STF
- 2 Aplicação do art. 932, III, do CPC/2015 e da Súmula 182/STJ à hipótese de agravo em recurso especial
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque a parte agravante não impugnou específica e fundamentadamente todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, em especial a Súmula 282/STF, incorrendo na hipótese de aplicação do art. 932, III, do CPC/2015 e da Súmula 182/STJ, o que impede o conhecimento do agravo.
Court Disposition
Agravo interno não provido (negado provimento).
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Herman Benjamin, Og Fernandes e Assusete Magalhães votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Herman Benjamin. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.ENUNCIADOADMINISTRATIVO N. 3/STJ. AUSÊNCIA DEIMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OSFUNDAMENTOSDA DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE. SÚMULA N.182/STJ.AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Nas razões do agravo, a parte sustenta efetiva impugnação na medida em que tal óbice "faz referência a situação em que o acórdão, possuindo fundamentos constitucionais e legais, pode ter mantido o seu conteúdo caso não manejados em conjunto recursos extraordinário e especial" (e-STJ fl. 2156). Aduz que, no caso concreto, não há qualquer tema constitucional sendo debatido. 2. A Súmula n. 282/STF diz respeito ao requisito do prequestionamento, in verbis: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada". Com relação ao efetivo prequestionamento das teses suscitadas no especial, a parte restou inerte nas razões do agravo em recurso especial. 3. Na esteira do entendimento desta Corte Superior, não obedece ao comando do art. 932, III, do CPC/2015 (correspondente ao art. 544, § 4.º, inciso I, do CPC/1973), o agravo que não tenha atacado específica e fundamentadamente todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade. Súmula n. 182/STJ. 4. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO Trata-se de Agravo Interno interposto pelo Município de São Paulo,contraadecisão da presidência dessa Corte, nos seguintestermos (e-STJfls.563/565): Cuida-se de agravo em recurso especial apresentado por MUNICÍPIO DE SÃO PAULO contra decisão que inadmitiu recurso especial interposto com fundamento no art. 105, inciso III, da Constituição Federal. É, no essencial, o relatório. Decido. Mediante análise dos autos, verifica-se que a decisão agravada inadmitiu o recurso especial, considerando: Súmula 282/STF, ausência de afronta a dispositivo legal e Súmula 7/STJ. Entretanto, a parte agravante deixou de impugnar especificamente: Súmula 282/STF. Nos termos do art. 932, inciso III, do CPC e do art. 253, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno desta Corte, não se conhecerá do agravo em recurso especial que "não tenha impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão recorrida". Conforme já assentado pela Corte Especial do STJ, a decisão de inadmissibilidade do recurso especial não é formada por capítulos autônomos, mas por um único dispositivo, o que exige que a parte agravante impugne todos os fundamentos da decisão que, na origem, inadmitiu o recurso especial. A propósito: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. ART. 544, § 4o, I, DO CPC/1973. ENTENDIMENTO RENOVADO PELO NOVO CPC, ART. 932. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4o, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2o, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos. (EAREsp 746.775/PR, relator Ministro João Otávio de Noronha, relator p/ Acórdão Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, DJe de 30/11/2018.) Ressalte-se que, em atenção ao princípio da dialeticidade recursal, a impugnação deve ser realizada de forma efetiva, concreta e pormenorizada, não sendo suficientes alegações genéricas ou relativas ao mérito da controvérsia, sob pena de incidência, por analogia, da Súmula n. 182/STJ. Ante o exposto, com base no art. 21-E, inciso V, c/c o art. 253, parágrafo único, inciso I, ambos do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do agravo em recurso especial. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino sua majoração em desfavor da parte agravante, no importe de 15% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2o e 3o do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça. Publique-se. Intimem-se. Em suas razões recursais, oagravantesustenta que houve impugnação de todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade, inclusive da Súmula n. 282/STF. Argumenta que tal óbice "faz referênciaa situação em que o acórdão, possuindo fundamentos constitucionais e legais, pode ter mantido o seu conteúdo caso não manejados em conjunto recursos extraordinário e especial" (e-STJ fl. 2156) e que, no caso concreto, não há qualquer tema constitucional sendo debatido. Pugna, por fim, que seja dado provimento ao presente agravo para que seja conhecido e provido o agravo interposto com fulcro no art. 1042 do CPC e abertaa via do recurso especial. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.ENUNCIADOADMINISTRATIVO N. 3/STJ. AUSÊNCIA DEIMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OSFUNDAMENTOSDA DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE. SÚMULA N.182/STJ.AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Nas razões do agravo, a parte sustenta efetiva impugnação na medida em que tal óbice "faz referência a situação em que o acórdão, possuindo fundamentos constitucionais e legais, pode ter mantido o seu conteúdo caso não manejados em conjunto recursos extraordinário e especial" (e-STJ fl. 2156). Aduz que, no caso concreto, não há qualquer tema constitucional sendo debatido. 2. A Súmula n. 282/STF diz respeito ao requisito do prequestionamento, in verbis: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada". Com relação ao efetivo prequestionamento das teses suscitadas no especial, a parte restou inerte nas razões do agravo em recurso especial. 3. Na esteira do entendimento desta Corte Superior, não obedece ao comando do art. 932, III, do CPC/2015 (correspondente ao art. 544, § 4.º, inciso I, do CPC/1973), o agravo que não tenha atacado específica e fundamentadamente todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade. Súmula n. 182/STJ. 4. Agravo interno não provido. VOTO Inicialmente é necessário consignar que opresenterecursoatraiaincidência do Enunciado Administrativo n.3/STJ:"aosrecursosinterpostoscom fundamento no CPC/2015 (relativosadecisõespublicadas apartir de 18de março de 2016) serão exigidososrequisitosdeadmissibilidade recursalna forma do novo CPC". Trata-se de agravo interno contra decisão dapresidênciaquenãoconheceudo agravo em recurso especial em virtudedaausênciadeimpugnação de todos osfundamentos da decisão deadmissibilidade, mais especificamente da Súmula n. 282/STF. Nas razões do agravo, a parte sustenta efetiva impugnação na medida em que talóbice "faz referência a situação em que o acórdão, possuindo fundamentos constitucionais e legais, pode ter mantido o seu conteúdo caso não manejados em conjunto recursos extraordinário e especial" (e-STJ fl. 2156). Aduz que,no caso concreto, não há qualquer tema constitucional sendo debatido. Inviável o acolhimento da pretensão recursal. Isso porque a Súmula n. 282/STF diz respeito ao requisito do prequestionamento, in verbis: "É inadmissível o recurso extraordinário,quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada".Com relação ao efetivo prequestionamento das teses suscitadas no especial, a parte restou inerte nas razões do agravo em recurso especial. Assim, na esteira do entendimento desta Corte Superior, não obedece ao comando do art. 932, III, do CPC/2015 (correspondente ao art. 544, § 4.º, inciso I, do CPC/1973), o agravo que não tenha atacado específica e fundamentadamente todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade. Ilustrativamente: PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO MONOCRÁTICA DO STJ QUE NÃO CONHECEU DO RECURSO ESPECIAL. INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. INADMISSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO QUE INADMITIU O AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 182/STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. A decisão monocrática assentou: "Com relação ao Recurso Especial, embora tenha a parte agravante impugnado a motivação da decisão agravada, entendo que, no caso concreto, a pretensão deduzida no Recurso Especial não ultrapassa a esfera do conhecimento, esbarrando no óbice da Súmula 7 do STJ." (fl. 1594, e-STJ). 2. No presente recurso, a parte agravante deixa de observar a determinação do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015, pois não impugna os fundamentos do mérito da decisão recorrida. 3. Ressalte-se que, para chegar a conclusão diversa, seria necessário reexame dos elementos fáticos que serviram de base à decisão recorrida, do contexto fático-probatório, o que é vedado pelas Súmulas 5 e 7 do STJ. 4. A iterativa jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento de que não se conhece de Agravo contra decisão monocrática que não ataca especificamente os fundamentos da decisão recorrida, de forma a demonstrar que o entendimento esposado merece modificação. Não bastam alegações genéricas em sentido contrário às afirmações da decisão agravada. 5. Assim, a ausência de impugnação especificada faz incidir na espécie a Súmula 182/STJ, que está em consonância com a redação atual do CPC em seu art. 1.021, § 1º: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada." 6. Agravo Interno não conhecido. (AgInt no AREsp 1314827/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 29/03/2021, DJe 06/04/2021) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE SEGUIMENTO PARCIAL DO NOBRE APELO SOB O FUNDAMENTO DE QUE O ACÓRDÃO RECORRIDO ESTÁ DE ACORDO COM ENTENDIMENTO FIRMADO EM RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO NO RECURSO ESPECIAL. NÃO CABIMENTO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS ADOTADOS PELA DECISÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM. SÚMULA 182/STJ. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. Na forma do artigo 1.030, § 2º, do Código de Processo Civil vigente, o recurso cabível contra a decisão que nega seguimento a recurso especial com base no art. 1.030, I, b, do mesmo Código Processual é o agravo interno 2. Não mais existindo dúvida objetiva quanto ao recurso cabível, a interposição de agravo em recurso especial nesses casos configura erro grosseiro, desautorizando a aplicação do princípio da fungibilidade recursal. 3. Inviável a apreciação do agravo que deixa de atacar, especificamente, os fundamentos da decisão que não admitiu, na origem, o apelo nobre. Incidência, na espécie, da Súmula 182/STJ. 4. A impugnação tardia dos fundamentos da decisão que não admitiu o recurso especial (somente por ocasião do manejo de agravo interno), além de caracterizar imprópria inovação recursal, não tem o condão de afastar a aplicação do referido verbete 182/STJ, tendo em vista a ocorrência de preclusão consumativa. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp 1890530/SP, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/03/2021, DJe 25/03/2021) Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É o voto.