AREsp 1952881 - DECISAO
O agravo em recurso especial não foi conhecido porque o agravante não impugnou especificamente o fundamento relativo à incidência da Súmula n. 284/STF constante da decisão agravada, faltando a impugnação específica exigida pelo art. 932, III, do CPC/2015; por conseguinte, manteve-se a inadmissibilidade do recurso...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: Fabiano de Bem Marcelo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 October 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Admissibilidade Do Recurso Especial (não Conhecido)
- Outcome
- Agravo em recurso especial não conhecido (inadmissível)
- Legal Topics
- Impugnação Específica De Fundamentos, Inadmissão De Recurso Especial, Súmulas Do STJ E STF, Honorários Sucumbenciais, Revisão Contratual Bancária, Capitalização De Juros
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
Fabiano de Bem Marcelo
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Admissibilidade Do Recurso Especial (não Conhecido)
Legal Issues
- 1 Impugnação específica dos fundamentos da decisão de inadmissibilidade do recurso especial
- 2 Aplicação da Súmula n. 284/STF como óbice à admissibilidade
- 3 Aplicação do art. 932, III, do CPC/2015 quanto à necessidade de impugnação específica
Ratio Decidendi
O agravo em recurso especial não foi conhecido porque o agravante não impugnou especificamente o fundamento relativo à incidência da Súmula n. 284/STF constante da decisão agravada, faltando a impugnação específica exigida pelo art. 932, III, do CPC/2015; por conseguinte, manteve-se a inadmissibilidade do recurso especial e majoraram-se os honorários sucumbenciais em R$ 500,00, com exigibilidade suspensa devido à gratuidade de justiça.
Court Disposition
Agravo em recurso especial não conhecido (inadmissível)
Orders
- Majoro os honorários sucumbenciais em favor dos advogados da parte recorrida para R$ 500,00, suspensa a exigibilidade em razão da gratuidade de justiça deferida ao recorrente
- Publique-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por Fabiano de Bem Marcelo contra decisão que não admitiu o processamento do apelo extremo. Verifica-se que o agravante ajuizou ação de revisão contratual combinada com devolução de valores, julgada extinta sem resolução do mérito, com fulcro no art. 485, VI, do CPC/2015. Interposta apelação pelo ora insurgente, a Décima Segunda Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul deu parcial provimento ao recurso, a fim de desconstituir a sentença recorrida e, prosseguindo no julgamento do mérito, nos termos do art. 1.013, § 3º, do CPC/2015, julgou improcedentes os pedidos autorais, em acórdão assim ementado (e-STJ, fl. 75): APELAÇÃO CÍVEL. NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS. AÇÃO REVISIONAL. SENTENÇA DESCONSTITUÍDA. EXAME DO MÉRITO (ART. 1.013, § 3Q, I, DO NCPC). PEDIDOS JULGADOS IMPROCEDENTES. 1. Desconstituição da sentença: Nos termos do CDC e da Súmula 297, que possibilitam a revisão Judiciário, dos contratos bancários pelo Poder é caso de desconstituição da sentença recorrida, pois presente, no caso em tela, o interesse processual da parte autora. Em se tratando de matéria de direito, sendo que os contratos que a parte pretende revisar já aportaram aos autos e que a parte requerida, em sede de contrarrazões de apelo, apresentou defesa em oposição à tese autoral, aplica-se o art. 1.013, § 3º , inciso I, do NCPC. 2. Juros remuneratórios: a alteração da taxa de juros remuneratórios, em se tratando de pacto firmado por instituição cadastrada no sistema financeiro nacional, depende da demonstração cabal de sua abusividade em relação à taxa média do mercado estabelecida pelo Banco Central para o período, o que se verifica no caso concreto. 3. Capitalização: a capitalização dos juros, em periodicidade mensal, é admitida, em caso de expressa estipulação em contrato ou quando a taxa de juros anual for superior ao duodécuplo da mensal, e desde que o pacto tenha sido firmado após 31/03/2000. Caso concreto em que a taxa de juros anual é superior ao duodécuplo da taxa mensal, o que autoriza a capitalização mensal. 4. Comissão de permanência: não havendo prova de que restou pactuada a comissão de permanência, nada pode ser cobrado a esse título. Recurso de apelação parcialmente provido, a fim de desconstituir a sentença recorrida. Prosseguindo no julgamento do mérito, nos termos do art. 1.013, § 3º, NCPC, os pedidos da autora foram julgados improcedentes. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados. O processamento do apelo especial não foi admitido pela Corte local sob os seguintes fundamentos: (i) acerca dos juros remuneratórios, ante a incidência das Súmulas n. 5, 7 e 83 do STJ; (ii) em relação à capitalização de juros, pela aplicação das Súmulas n. 5, 7 e 83 do STJ;(iii) quanto à mora, pela aplicação, por analogia, da Súmula n. 284/STF, visto que a parte recorrente deixou de apontar sobre qual artigo de lei se instaurou a divergência jurisprudencial. Brevemente relatado, decido. De início, observa-se que é dever da parte recorrente combater especificamente todos os fundamentos da decisão agravada, demonstrando o desacerto do decisum que não admitiu o recurso especial, nos termos do que preconiza o art. 932, III, do Código de Processo Civil de 2015. Nesse sentido: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ERRO MATERIAL. AGRAVO REGIMENTAL TEMPESTIVO. PROCESSUAL CIVIL. ADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA. ART. 544, § 4º, INCISO I, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. 1. Incumbe ao agravante infirmar especificamente todos os fundamentos da decisão agravada, demonstrando o seu desacerto, de modo a justificar o cabimento do recurso especial interposto, sob pena de não ser conhecido o agravo (art. 544, § 4º, inciso I, do CPC). 2. Embargos declaratórios acolhidos para, afastada a intempestividade do agravo regimental, negar-lhe provimento. (EDcl no AgRg no AREsp n. 213.509/SP, Relator o Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, DJe de 11/9/2014) O referido entendimento já fora dado pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça no julgamento dos Embargos de Divergência em Agravo em Recurso Especial n. 746.775-PR. Confira-se: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. ART. 544, § 4º, I, DO CPC/1973. ENTENDIMENTO RENOVADO PELO NOVO CPC, ART. 932. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos. (EAREsp n. 746.775/PR, Relator o Ministro João Otávio de Noronha, Rel. p/ Acórdão Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, julgado em 19/9/2018, DJe 30/11/2018) No caso, o agravante não infirmou especificamente o fundamento da incidência do óbice da Súmula n. 284/STF. Ante o exposto, não conheço do agravo em recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, majoro os honorários sucumbenciais fixados em favor dos advogados da parte recorrida em R$ 500,00 (quinhentos reais), suspensa a exigibilidade em razão da gratuidade de justiça deferida ao recorrente. Publique-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE FUNDAMENTO DA DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE DO APELO ESPECIAL. ART. 932, III, DO CPC/2015. AGRAVO NÃO CONHECIDO.