AREsp 1759191 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque a agravante deixou de impugnar especificamente fundamentos essenciais da decisão de inadmissibilidade (ausência de afronta ao art. 489 do CPC e divergência jurisprudencial não comprovada), nos termos do art. 932, III, do CPC/2015 e por analogia à Súmula 182/STJ, não sendo...
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- Parties
- Agravante: FRANCELANE DA SILVA MARCAL; Agravado: CONDOMÍNIO PIAZZA DEL DUOMO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 February 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgado (negado Provimento Pela Quarta Turma)
- Outcome
- Agravo interno negado provimento; decisão mantida.
- Legal Topics
- Impugnação Específica De Fundamentos, Súmula 182/stj, Art. 932, III, Cpc/2015, Honorários Recursais, Preclusão Consumativa
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Parties
FRANCELANE DA SILVA MARCAL
Agravante
CONDOMÍNIO PIAZZA DEL DUOMO
Agravado
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgado (negado Provimento Pela Quarta Turma)
Legal Issues
- 1 ausência de impugnação específica dos fundamentos da decisão de inadmissibilidade
- 2 majoração de honorários recursais
- 3 aplicação da Súmula 182/STJ
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque a agravante deixou de impugnar especificamente fundamentos essenciais da decisão de inadmissibilidade (ausência de afronta ao art. 489 do CPC e divergência jurisprudencial não comprovada), nos termos do art. 932, III, do CPC/2015 e por analogia à Súmula 182/STJ, não sendo cabível suprir tais omissões em sede de agravo interno; determinou-se, ainda, a majoração dos honorários recursais em 15% por atenderem-se os requisitos do art. 85, § 11, do CPC/2015.
Court Disposition
Agravo interno negado provimento; decisão mantida.
Orders
- Nego provimento ao agravo interno.
- Não conheço do agravo em recurso especial por ausência de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade, nos termos do art. 932, III, do CPC/2015 e art. 253, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do STJ.
Full Case Text
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2 paragraphs
EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DO FUNDAMENTO DA DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE. SÚMULA N. 182/STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. O agravante deve atacar, de forma específica, todos os fundamentos da decisão que, na origem, inadmitiu o recurso especial. Aplicação do art. 932, III, do CPC/2015 e, por analogia, da Súmula n. 182/STJ. 2. Agravo interno a que se nega provimento. ACÓRDÃO A Quarta Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo interno, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Luis Felipe Salomão (Presidente), Raul Araújo e Maria Isabel Gallotti votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Marco Buzzi.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO ANTONIO CARLOS FERREIRA: (Relator): Trata-se de agravo interno (e-STJ fls. 250/260) interposto contra decisão da Presidência do STJ que não conheceu do agravo nos próprios autos. Em suas razões, a parte alega ter impugnado todos os fundamentos da decisão de origem que inadmitiu o especial e sustenta o descabimento dos honorários recursais fixados. Ao final, pede a reconsideração da decisão monocrática ou a apreciação do agravo pelo Colegiado. Foram apresentadas contrarrazões (e-STJ fls.263/272), requerendo o desprovimento do recurso e a condenação da agravante à multa do art. 1.021, § 4º, do CPC/2015. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DO FUNDAMENTO DA DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE. SÚMULA N. 182/STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. O agravante deve atacar, de forma específica, todos os fundamentos da decisão que, na origem, inadmitiu o recurso especial. Aplicação do art. 932, III, do CPC/2015 e, por analogia, da Súmula n. 182/STJ. 2. Agravo interno a que se nega provimento. AgInt no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 1.759.191 - SP (2020/0238184-9) RELATOR : MINISTRO ANTONIO CARLOS FERREIRA AGRAVANTE : FRANCELANE DA SILVA MARCAL ADVOGADO : CARLOS ALBERTO FERREIRA LAGES - SP375452 AGRAVADO : CONDOMÍNIO PIAZZA DEL DUOMO ADVOGADO : MEIRE MARQUES MICONI - SP198821 VOTO O EXMO. SR. MINISTRO ANTONIO CARLOS FERREIRA (Relator): A insurgência não merece ser acolhida. A agravante não trouxe argumento capaz de afastar os termos da decisão agravada, motivo pelo qual deve ser mantida (e-STJ fls. 245/247): Cuida-se de agravo em recurso especial apresentado por FRANCELANE DA SILVA MARCAL contra decisão que inadmitiu recurso especial interposto com fundamento no art. 105, inciso III, da Constituição Federal. É, no essencial, o relatório. Decido. Mediante análise dos autos, verifica-se que a decisão agravada inadmitiu o recurso especial, considerando: ausência de afronta ao artigo 1.022 do CPC, ausência de afronta a dispositivo legal (art. 489 do CPC), ausência de afronta a dispositivo legal (arts. 85 e 1.025 do CPC), Súmula 7/STJ (arts. 85 e 1.025 do CPC) e divergência não comprovada. Entretanto, a parte agravante deixou de impugnar especificamente: ausência de afronta a dispositivo legal (art. 489 do CPC) e divergência não comprovada. Nos termos do art. 932, inciso III, do CPC e do art. 253, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno desta Corte, não se conhecerá do agravo em recurso especial que "não tenha impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão recorrida". Conforme já assentado pela Corte Especial do STJ, a decisão de inadmissibilidade do recurso especial não é formada por capítulos autônomos, mas por um único dispositivo, o que exige que a parte agravante impugne todos os fundamentos da decisão que, na origem, inadmitiu o recurso especial. A propósito: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. ART. 544, § 4º, I, DO CPC/1973. ENTENDIMENTO RENOVADO PELO NOVO CPC, ART. 932. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos. (EAREsp 746.775/PR, relator Ministro João Otávio de Noronha, relator p/ Acórdão Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, DJe de 30/11/2018.) Ressalte-se que, em atenção ao princípio da dialeticidade recursal, a impugnação deve ser realizada de forma efetiva, concreta e pormenorizada, não sendo suficientes alegações genéricas ou relativas ao mérito da controvérsia, sob pena de incidência, por analogia, da Súmula n. 182/STJ. Ante o exposto, com base no art. 21-E, inciso V, c/c o art. 253, parágrafo único, inciso I, ambos do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do agravo em recurso especial. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino sua majoração em desfavor da parte agravante, no importe de 15% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça. Publique-se. Intimem-se. A decisão do Tribunal de origem (e-STJ fls. 215/218) inadmitiu o especial por inexistência de afronta ao artigo 1.022 do CPC/2015, ausência de violação ao art. 489 do CPC/2015 e falta de comprovação da ofensa aos arts. 85 e 1.025 do CPC/2015. Tal decisão também aplicou a Súmula n. 7 do STJ quanto à irresignação fundada nos arts. 85 e 1.025 do CPC/2015 e asseverou que a parte, nas razões do recurso especial, não comprovou a divergência jurisprudencial. No entanto, a petição do agravo em recurso especial (e-STJ fls. 221/232) não impugnou, de forma específica, a fundamentação de que, no especial, não se demonstrou o dissídio jurisprudencial. Em obediência ao princípio da dialeticidade recursal, o agravo deve atacar especificamente os motivos utilizados pela Corte de origem para não admitir o recurso especial, o que, como visto, não ocorreu. Dessa forma, inafastável o art. 932, III, do CPC/2015 e, por analogia, a Súmula n. 182/STJ. É certo que, no presente agravo, a recorrente traz os motivos pelos quais entende não serem aplicáveis os óbices expostos na decisão de inadmissibilidade. Entretanto, tais justificativas deveriam ter sido apresentadas nas razões do agravo em recurso especial. A impugnação apenas neste momento processual não supre a deficiência verificada. A propósito: AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA N. 182 DO STJ. ALEGAÇÕES TARDIAS. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. 1. É inviável o agravo do art. 544 do CPC que deixa de impugnar fundamento da decisão recorrida por si só suficiente para mantê-la. Súmula n. 182 do STJ. 2. O agravo regimental, que não comporta inovação de alegações, não se presta para suprir deficiências que impediram que o apelo ultrapassasse o juízo de admissibilidade. É incabível o suprimento de eventuais equívocos em razão da preclusão consumativa. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp n. 202.229/GO, Relator Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, TERCEIRA TURMA, julgado em 25/11/2014, DJe 11/12/2014.) Nesses termos, "a impugnação tardia do fundamento da decisão que inadmitiu o recurso especial caracteriza indevida inovação recursal, não tendo o condão de infirmar o não conhecimento do agravo, em face da preclusão consumativa" (AgInt no AREsp n. 1.201.388/PE, Relator Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 19/6/2018, DJe 26/6/2018). Quanto aos honorários recursais, conforme decidido no julgamento do AgInt nos EREsp n. 1.539.725/DF (Relator Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 9/8/2017, DJe 19/10/2017), será devida a majoração da verba honorária sucumbencial, na forma do art. 85, § 11, do CPC/2015, quando estiverem presentes os seguintes requisitos, simultaneamente: a) decisão recorrida publicada a partir de 18.3.2016, quando entrou em vigor o CPC/2015, b) recurso não conhecido integralmente ou desprovido, monocraticamente ou pelo órgão colegiado competente, e c) condenação em honorários advocatícios desde a origem, no feito em que interposto o recurso. Há condenação ao pagamento de verba honorária sucumbencial nestes autos e o acórdão recorrido foi publicado na vigência do CPC/2015, o que impôs à decisão ora agravada determinar o pagamento de honorários recursais pela parte ora recorrente. Assim, não procedem as alegações constantes no recurso, incapazes de alterar a conclusão da decisão impugnada. Em tais condições, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno. Deixo de aplicar a multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015, bem como a pena por litigância de má-fé, uma vez que a parte apenas exerceu seu direito de petição, o que não constitui ato protelatório que enseje de sanção processual, tampouco se evidenciando, até o momento, conduta maliciosa ou temerária a justificar punição. É como voto.