AREsp 2486372 - ACORDAO
O agravo interno não foi conhecido porque o agravante não impugnou, de forma específica e pormenorizada, o fundamento da decisão agravada que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial em face da aplicação da Súmula 284 do STF, incidindo, assim, o óbice previsto no art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e na...
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- Parties
- Agravante: SUZUKI INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MÁQUINAS LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 June 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Acórdão
- Outcome
- não conheço do agravo interno
- Legal Topics
- Impugnação Específica Dos Fundamentos, Súmula 182 Do STJ, Art. 1.021, § 1º, Cpc/2015, Súmula 284 Do STF, Honorários Advocatícios, Súmula 83 Do STJ, Súmula 280 Do STF
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Parties
SUZUKI INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MÁQUINAS LTDA.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno / Acórdão
Legal Issues
- 1 necessidade de impugnação específica e pormenorizada dos fundamentos da decisão agravada
- 2 incidência da Súmula 182 do STJ e do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015
- 3 aplicação da Súmula 284 do STF em razão de deficiência de fundamentação do recurso especial
Ratio Decidendi
O agravo interno não foi conhecido porque o agravante não impugnou, de forma específica e pormenorizada, o fundamento da decisão agravada que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial em face da aplicação da Súmula 284 do STF, incidindo, assim, o óbice previsto no art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e na Súmula 182 do STJ; a multa do § 4º do art. 1.021 do CPC/2015 não foi aplicada por não se configurar manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso.
Court Disposition
não conheço do agravo interno
Orders
- Agravo interno não conhecido.
- Não se aplica a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 04/06/2024 a 10/06/2024, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO AGRAVADA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ, o agravante deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão impugnada, sob pena de não se conhecer do seu recurso. 2. Situação em que a recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por SUZUKI INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MÁQUINAS LTDA. contra decisão da Presidente do STJ, que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial em face da aplicação da Súmula 284 do STF (e-STJ fls. 180/183). Na decisão, a Presidência registrou que (e-STJ fl. 181): Quanto à controvérsia, incide o óbice da Súmula n. 284/STF em razão da ausência de comando normativo do(s) dispositivo(s) apontado(s) como violado(s) para sustentar a tese recursal, o que atrai, por conseguinte, o referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Segundo a jurisprudência do STJ, o óbice de ausência de comando normativo do artigo de lei federal apontado como violado ou como objeto de divergência jurisprudencial incide nas seguintes situações: quando não tem correlação com a controvérsia recursal, por versar sobre tema diverso; e quando sua indicação não é apta, por si só, para sustentar a tese recursal, seja porque o dispositivo legal tem caráter genérico, seja porque, embora consigne em seu texto comando específico, exigiria a combinação com outros dispositivo legais. Ressalte-se, por oportuno, que a indicação genérica do artigo de lei que teria sido contrariado induz à compreensão de que a violação alegada é somente de seu caput, pois a ofensa aos seus desdobramentos também deve ser indicada expressamente. No agravo interno (e-STJ fls. 189/200) a parte recorrente alega que "o entendimento acima manifestado para negar provimento ao Recurso Especial originariamente interposto não deve ser mantido, eis que restou claro no Agravo em Recurso Especial os fundamentos para sua admissão, razão pela qual serão reiterados abaixo para apreciação por este d. juízo" (e-STJ fl. 193). Pondera que "condenar a ora Agravante em novos honorários advocatícios caracteriza evidente duplicidade de exigência sucumbencial sobre um mesmo débito tributário objeto de discussão judicial (bis in idem), e, consequentemente, inobservância ao comando processual previsto no artigo 90 do CPC, não havendo nenhuma necessidade de análise de legislação local para concluir dessa maneira, como quer fazer crer a r. decisão ora agravada, merecendo reforma para afastar a incidência da Súmula nº 280 do Supremo Tribunal Federal, também por esta razão" (e-STJ fl. 194). Conclui afirmando que "também merece reforma a r. decisão agravada neste ponto, ante a não incidência da Súmula nº 83 deste STJ, na medida em que a jurisprudência nela acostada tratava exclusivamente da condenação em honorários sucumbenciais em Execução Fiscal e em Embargos à Execução quando havia análise de matéria de direito na Ação Ordinária, o que não corresponde ao caso presente" (e-STJ fl. 199). A impugnação não foi oferecida. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO AGRAVADA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ, o agravante deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão impugnada, sob pena de não se conhecer do seu recurso. 2. Situação em que a recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido. VOTO De início, considerando os parâmetros estabelecidos pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EREsp 1.424.404/SP (rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, julgado em 20/10/2021, DJe 17/11/2021), para a aplicação da Súmula 182 do STJ no tocante aos agravos internos manejados contra decisões proferidas em recurso especial ou em agravo em recurso especial, tem-se o seguinte: a) incide o verbete quando: i) o único ou todos os capítulos da decisão agravada não foi ou não foram impugnados; ii) não houver a impugnação de todos os fundamentos adotados na análise de determinado capítulo autônomo (ou seja, ausência de ataque a fundamento capaz, por si só, de manter a conclusão alcançada na decisão agravada); b) não se aplica o óbice sumular no caso em que houver vários capítulos autônomos, e a parte agravante não se insurgir contra algum deles, pois isso acarreta apenas a preclusão da matéria não impugnada, devendo ser analisado o que remanesceu. Dito isso, vê-se que, na situação dos autos, o agravo interno não merece ser conhecido. Com efeito, na decisão ora recorrida, a Presidência desta Corte conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial em face da aplicação da Súmula 284 do STF, diante da deficiente fundamentação do apelo raro. Contudo, da leitura das razões do agravo interno, é possível verificar que o recorrente deixou de impugnar esse específico fundamento da decisão agravada. No ponto, rememoro que, em observância ao princípio da dialeticidade, a impugnação deve ser feita de forma específica, concreta e pormenorizada e relativamente a todos os fundamentos adotados pela decisão questionada, trazendo argumentações capazes de demonstrar o seu desacerto, " .. não bastando à parte, para assentar a viabilidade do apelo, desdizer as palavras de julgamento .. " (AREsp 212401, rel. Ministro Mauro Campbell Marques, DJe de 22/06/2022). Desse modo, forçosa se apresenta a observância do contido no art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e na Súmula 182 do STJ. Deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015, tendo em vista que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da sanção quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do Colegiado, como no caso em análise. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo interno. É como voto.