REsp 2151911 - ACORDAO
O agravo interno não foi conhecido porque o agravante deixou de impugnar específica e integralmente o único fundamento do decisório agravado (relativo ao reconhecimento de especialidade ante exposição intermitente à eletricidade), limitando-se a citar precedentes do TRF4 e não enfrentando precedentes deste STJ,...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: André Luiz Nunes Vita; Agravado: INSS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Proferida Pela Primeira Turma Em Sessão Virtual De 19/08/2025 a 25/08/2025
- Outcome
- Agravo interno não conhecido.
- Legal Topics
- Impugnação Específica E Integral, Súmula 182/stj, Princípio Da Dialeticidade, Art. 1.021, § 1º, Do CPC, Especialidade De Labor E Exposição Intermitente À Eletricidade, Agravo Interno
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
André Luiz Nunes Vita
Agravante
INSS
Agravado
Procedural Posture
Agravo Interno No Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Proferida Pela Primeira Turma Em Sessão Virtual De 19/08/2025 a 25/08/2025
Legal Issues
- 1 ausência de impugnação específica e integral do fundamento da decisão agravada
- 2 aplicação da Súmula n. 182/STJ
- 3 observância do art. 1.021, § 1º, do CPC
Ratio Decidendi
O agravo interno não foi conhecido porque o agravante deixou de impugnar específica e integralmente o único fundamento do decisório agravado (relativo ao reconhecimento de especialidade ante exposição intermitente à eletricidade), limitando-se a citar precedentes do TRF4 e não enfrentando precedentes deste STJ, configurando violação ao art. 1.021, § 1º, do CPC e à Súmula n. 182/STJ.
Court Disposition
Agravo interno não conhecido.
Orders
- Agravo interno não conhecido.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 19/08/2025 a 25/08/2025, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Regina Helena Costa, Gurgel de Faria e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sérgio Kukina. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA E INTEGRAL DO FUNDAMENTO DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA N. 182/STJ. INOBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. ART. 1.022, § 1º, DO CPC. AGRAVO INTERNO NÃO CONHECIDO. 1. A consolidada jurisprudência do STJ é, há muito, firme no sentido de caber à parte recorrente o indeclinável ônus de motivar seu recurso, expondo as razões hábeis a ensejar a reforma do decisum, sendo inconsistente e violador do princípio da dialeticidade o apelo que não ataca concreta e integralmente os fundamentos invocados pelo acórdão ou decisão recorridos (Súmula n. 182/STJ), entendimento jurisprudencial expressamente incorporado pelo Código de Processo Civil (art. 1.021, § 1º). 2. O diploma processual civil em vigor impõe ao recorrente o inescusável dever de impugnar específica e integralmente todos os alicerces do aresto recorrido, sob pena de não conhecimento. 3. O decisório agravado foi lastreada em um único fundamento: "ao reconhecer especialidade de labor com exposição de forma intermitente ao agente nocivo eletricidade, pôs-se o Tribunal de origem em desarmonia com o entendimento pacificado neste Superior Tribunal". 4. A linha argumentativa desenvolvida no agravo interno, por sua vez, limitou-se a alegar a desnecessidade de exposição habitual, endossando esse ponto de vista tão somente com julgados do TRF da 4ª Região, sem nenhuma menção a precedentes deste STJ, contemporâneos ou mais recentes que os indicados na decisão que intenta desconstituir. 5. Agravo interno não conhecido.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO SÉRGIO KUKINA (Relator): Cuida-se de agravo interno interposto por André Luiz Nunes Vita contra a decisão de fls. 718/724, a qual deu provimento ao recurso especial interposto pelo INSS, a fim de reformar o acórdão recorrido proferido pelo TRF da 2ª Região, em desalinho com a jurisprudência deste STJ. O decisório agravado, lastreado em precedentes específicos da Primeira Seção e da Primeira Turma do STJ, assentou-se sobre um único fundamento, a saber, "ao reconhecer especialidade de labor com exposição de forma intermitente ao agente nocivo eletricidade, pôs-se o Tribunal de origem em desarmonia com o entendimento pacificado neste Superior Tribunal" (fl. 723). Nas razões do agravo interno, fls. 728/737, o agravante, passando ao largo desse único alicerce, argumenta que, "em se tratando de uma empresa de geração de energia, irrelevante que a exposição habitual do trabalhador se desse de forma permanente ou intermitente, para caracterizar a especialidade e o risco do trabalho prestado na área de produção" (fl. 731), mencionando, em reforço ao argumento, julgados do TRF da 4ª Região. Intimada, a autarquia previdenciária não apresentou contrarrazões, consoante certidão à fl. 743. Agravo interno tempestivo e representação regular (fl. 23). É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA E INTEGRAL DO FUNDAMENTO DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA N. 182/STJ. INOBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. ART. 1.022, § 1º, DO CPC. AGRAVO INTERNO NÃO CONHECIDO. 1. A consolidada jurisprudência do STJ é, há muito, firme no sentido de caber à parte recorrente o indeclinável ônus de motivar seu recurso, expondo as razões hábeis a ensejar a reforma do decisum, sendo inconsistente e violador do princípio da dialeticidade o apelo que não ataca concreta e integralmente os fundamentos invocados pelo acórdão ou decisão recorridos (Súmula n. 182/STJ), entendimento jurisprudencial expressamente incorporado pelo Código de Processo Civil (art. 1.021, § 1º). 2. O diploma processual civil em vigor impõe ao recorrente o inescusável dever de impugnar específica e integralmente todos os alicerces do aresto recorrido, sob pena de não conhecimento. 3. O decisório agravado foi lastreada em um único fundamento: "ao reconhecer especialidade de labor com exposição de forma intermitente ao agente nocivo eletricidade, pôs-se o Tribunal de origem em desarmonia com o entendimento pacificado neste Superior Tribunal". 4. A linha argumentativa desenvolvida no agravo interno, por sua vez, limitou-se a alegar a desnecessidade de exposição habitual, endossando esse ponto de vista tão somente com julgados do TRF da 4ª Região, sem nenhuma menção a precedentes deste STJ, contemporâneos ou mais recentes que os indicados na decisão que intenta desconstituir. 5. Agravo interno não conhecido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO SÉRGIO KUKINA (Relator): A consolidada jurisprudência do STJ é, há muito, firme no sentido de caber à parte recorrente o indeclinável ônus de motivar seu recurso, expondo as razões hábeis a ensejar a reforma do decisum, sendo inconsistente e violador do princípio da dialeticidade o apelo que não ataca concreta e integralmente os fundamentos invocados pelo acórdão ou decisão recorridos. Daí o enunciado da Súmula n. 182/STJ, vazada nos seguintes moldes: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada." Este entendimento jurisprudencial, a propósito, foi expressamente incorporado pelo Código de Processo Civil, nos termos do que dispõe o art. 1.021, § 1º: Art. 1.021. Contra decisão proferida pelo relator caberá agravo interno para o respectivo órgão colegiado, observadas, quanto ao processamento, as regras do regimento interno do tribunal. § 1º Na petição de agravo interno, o recorrente impugnará especificadamente os fundamentos da decisão agravada. Portanto, o diploma processual civil em vigor impõe ao recorrente o inescusável dever de impugnar específica e integralmente todos os alicerces do aresto recorrido, sob pena de não conhecimento. Nesse sentido, dentre outros: PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. MULTA DO PROCON. SELIC. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão combatida, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. .. 5. Agravo interno parcialmente conhecido e desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.422.252/SP, Relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJEN de 29/5/2025.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. IMPROBIDADE. ATO DOLOSO COM TIPIFICAÇÃO INALTERADA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. ART. 1.021, § 1º, DO CPC/2015; E SÚMULA 182 DO STJ. AGRAVO INTERNO NÃO CONHECIDO. .. 2. Nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC; e da Súmula 182 do STJ, a parte agravante deve infirmar, especificamente, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão atacada, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. .. 4. Agravo interno não conhecido. (AgInt no AREsp n. 2.067.045/BA, Relator Ministro Afrânio Vilela, Segunda Turma, DJEN de 19/5/2025.) Na hipótese ora examinada, como relatado, o decisório agravado foi lastreado em um único fundamento: "ao reconhecer especialidade de labor com exposição de forma intermitente ao agente nocivo eletricidade, pôs-se o Tribunal de origem em desarmonia com o entendimento pacificado neste Superior Tribunal" (fl. 723). A linha argumentativa desenvolvida no agravo interno, por sua vez, limitou-se a alegar a desnecessidade de exposição habitual, endossando esse ponto de vista tão somente com julgados do TRF da 4ª Região, sem nenhuma menção a precedentes deste STJ, contemporâneos ou mais recentes que os indicados na decisão que intenta desconstituir. Todavia, com isso, nada articula o agravante para demonstrar o eventual desacerto do alicerce invocado no decisum agravado para dar provimento ao recurso do INSS, em manifesto desrespeito ao princípio da dialeticidade recursal e franca violação ao disposto na Súmula n. 182/STJ. Nesse contexto, à luz dos precedentes supracitados, a irresignação não merece superar o juízo de admissibilidade. ANTE O EXPOSTO, e com fundamento na Súmula n. 182/STJ, não conheço do presente agravo interno. É como voto.