AREsp 2585127 - DECISAO
Não conheço do agravo porque o acórdão recorrido foi proferido em juízo de retratação em conformidade com o Tema 1140 do STF, o que enquadra a decisão no art. 1.030, I, alínea a, do CPC; nessa hipótese a via adequada é o agravo interno ao tribunal de origem (art. 1.030, §2º, CPC) e a interposição de agravo em...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: LIGHT SERVIÇOS DE ELETRICIDADE S A; Tribunal De Origem: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Agravo Pelo STJ
- Outcome
- Não conheço do agravo.
- Legal Topics
- Imunidade Tributária Recíproca, IPTU, Fungibilidade Recursal, Agravo Interno, Recursos Repetitivos, Juízo De Retratação
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
LIGHT SERVIÇOS DE ELETRICIDADE S A
Agravante
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
Tribunal De Origem
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Agravo Pelo STJ
Legal Issues
- 1 cabimento de agravo em recurso especial quando o acórdão recorrido está em conformidade com entendimento repetitivo do STF/STJ (Tema 1140)
- 2 aplicabilidade do princípio da fungibilidade recursal diante de norma processual clara
- 3 competência do tribunal de origem para reexaminar admissibilidade por meio de agravo interno (art. 1.030, § 2º, CPC)
Ratio Decidendi
Não conheço do agravo porque o acórdão recorrido foi proferido em juízo de retratação em conformidade com o Tema 1140 do STF, o que enquadra a decisão no art. 1.030, I, alínea a, do CPC; nessa hipótese a via adequada é o agravo interno ao tribunal de origem (art. 1.030, §2º, CPC) e a interposição de agravo em recurso especial ao STJ configura erro grosseiro, não autorizando a aplicação do princípio da fungibilidade recursal.
Court Disposition
Não conheço do agravo.
Orders
- Agravo não conhecido.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por LIGHT SERVICOS DE ELETRICIDADE S A contra decisão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, que não conheceu do recurso especial apresentado na Apelação Cível nº 0014213-75.2018.8.19.0066. Na origem, cuida-se de embargos à execução, relativa a créditos de IPTU, em que a embargante, ora agravante, alegou gozar de imunidade tributária referente aos imóveis afetos à prestação dos serviços de fornecimento de energia elétrica, nos termos do art. 150, inciso VI, a, da Constituição Federal. Em primeiro grau, o pedido foi julgado improcedente. Interposta apelação, houve o provimento do recurso para julgar procedentes os embargos do devedor e extinguir a execução fiscal (fls. 349-351). Os aclaratórios opostos foram desprovidos (fls. 461-463). Contudo, após juízo de admissibilidade de recurso especial (fls. 513-514), a E. Câmara se retratou, desprovendo o recurso anteriormente interposto pela embargante, aplicando o Tema n. 1140 do STF (fls. 532-534). Opostos embargos de declaração, esses foram desprovidos (fls. 555-557). Em recurso especial interposto com fundamento no art. 105, inciso III, alíneas a e c da Constituição Federal, alegando a violação aos. arts. 1.022, inc. II e 489, § 1º, III e IV, do CPC (negativa de prestação jurisdicional) e aos arts. 32 e 34 do Código Tributário Nacional (não caracterização do fato gerador do IPTU), além de dissídio jurisprudencial. O Tribunal a quo não conheceu do recurso especial (fls. 694-695). Houve a interposição de agravo em recurso especial (fls. 776-784). Ministério Público opinou pelo parcial conhecimento do agravo e, nessa medida, pelo desprovimento do recurso especial (fls. 829-831). É o relatório. Decido. Verifica-se que o fundamento para o não conhecimento do recurso especial pela Corte de origem foi o proferimento de acórdão, em juízo de retratação, em conformidade com o Tema 1140 do STF - qual seja, " a s empresas públicas e as sociedades de economia mista delegatárias de serviços públicos essenciais, que não distribuam lucros a acionistas privados nem ofereçam risco ao equilíbrio concorrencial, são beneficiárias da imunidade tributária recíproca prevista no artigo 150, VI, a, da Constituição Federal, independentemente de cobrança de tarifa como contraprestação do serviço". Amolda-se a decisão atacada, portanto, à previsão constante do art. 1.030, inciso I, alínea a, do Código de Processo Civil. Com efeito, não sendo admitido o Recurso Especial por conformidade do acórdão recorrido com temas repetitivos do STJ e STF, se mostra cabível apenas a interposição de agravo interno a ser julgado, em definitivo, pelo Tribunal local, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. Assim sendo, no presente caso, o único recurso cabível seria o agravo interno, dirigido ao próprio Tribunal de origem. Salienta-se que é inviável a aplicação do princípio da fungibilidade, pois, diante da clareza da norma processual, não há dúvida objetiva acerca do recurso cabível, constituindo erro grosseiro a interposição do recurso inadequado. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. DECISÃO DE NEGATIVA DE SEGUIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. ÚNICO RECURSO CABÍVEL. AGRAVO INTERNO PREVISTO NO ART. 1.030, § 2º, DO CPC. INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. NÃO CABIMENTO. ERRO GROSSEIRO. PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE RECURSAL. NÃO CABIMENTO. 1. O único recurso cabível da decisão que nega seguimento aos recursos às instâncias superiores (STJ e STF), em virtude de o acórdão recorrido estar em consonância com tese firmada sob o rito dos recursos repetitivos ou da repercussão geral, é o agravo interno, a teor do expressamente previsto no art. 1.030, § 2º, do CPC. 2. A decisão agravada foi publicada já na vigência do atual Código de Processo Civil, o que inviabiliza a aplicação do princípio da fungibilidade, uma vez que não há mais dúvidas objetivas acerca do recurso cabível. Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 2.148.444/PB, relator Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 13/2/2023, DJe de 16/2/2023; sem grifos no original.) Nesse mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE SEGUIMENTO, NA ORIGEM, COM FUNDAMENTO NO ART. 1.030, I, B, DO CPC/2015. PREVISÃO DE AGRAVO INTERNO, NO PRÓPRIO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 1.030, § 2º, DO CPC/2015). INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL PARA O STJ. ERRO GROSSEIRO. PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE RECURSAL. NÃO APLICAÇÃO. PRECEDENTES DO STJ. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. I. Agravo interno aviado contra decisão que não conheceu de Agravo em Recurso Especial, interposto pelo Ministério Público Federal, ao fundamento de que, contra a decisão que, na Corte a quo, nega seguimento a Recurso Especial - com fundamento no art. 1.030, I, b, do CPC/2015, por estar o acórdão recorrido em conformidade com entendimento do STJ, firmado no julgamento de recurso repetitivo -, é cabível Agravo interno, no próprio Tribunal de origem, e não o Agravo em Recurso Especial, dirigido ao STJ, descabendo a aplicação do princípio da fungibilidade recursal, por se tratar de erro grosseiro, por inexistir dúvida objetiva acerca do recurso cabível. .. IV. Nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC/2015, não cabe Agravo em Recurso Especial, dirigido ao STJ, contra decisão que, na origem, nega seguimento a Recurso Especial, com fundamento no art. 1.030, I, b, do mesmo diploma legal, cabendo ao próprio Tribunal recorrido, se provocado por Agravo interno, decidir sobre a alegação de equívoco na aplicação de entendimento firmado em Recurso Especial representativo da controvérsia. Nesse sentido: STJ, AgInt no AREsp 1.916.962/MA, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, DJe de 24/03/2022; AgInt no AREsp 967.166/RN, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, DJe de 11/10/2017; AgInt no AREsp 951.728/MG, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, DJe de 07/02/2017. V. In casu, a decisão que, no Tribunal de origem, negou seguimento ao Recurso Especial, concluiu pela conformidade do acórdão recorrido com a jurisprudência do STJ, firmada sob o rito dos recursos repetitivos, no Tema 531. Conquanto o aludido precedente repetitivo trate de matéria estranha aos presentes autos, é assente, nesta Corte, a compreensão no sentido de que "eventual equívoco na aplicação da tese sufragada no recurso repetitivo ao caso concreto deve ser impugnado mediante interposição de agravo regimental/interno junto à instância a quo" (STJ, AgInt no AREsp 1.932.528/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, DJe de 23/02/2022). No mesmo sentido: "(..) está sedimentado no Superior Tribunal de Justiça o entendimento de que é dos tribunais de origem a competência para o exame da admissibilidade de recursos Extraordinário e Especial, bem como para o juízo de adequação da matéria em que foi reconhecida a repercussão geral ou tenha sido eleita como representativa da controvérsia. Nessa esteira, o Agravo Regimental (ou interno) a ser julgado pelos Tribunais Regionais ou de Justiça é o único recurso cabível contra a decisão de inadmissão de Recurso Especial ou Extraordinário a fim de dirimir possíveis equívocos na aplicação dos arts. 543-B ou 543-C do CPC/1973 (art. 1.040 do CPC/2015), e não há previsão para nova interposição do apelo nobre" (STJ, AgInt no REsp 1.900.366/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 01/07/2021). Adotando igual orientação: STJ, AgInt no AREsp 1.892.508/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 15/03/2022; AgInt no AREsp 1.858.958/MG, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 03/10/2022; AgInt no AREsp 2.053.003/AL, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 16/08/2022; AgInt nos EDcl no AREsp 1.985.989/MG, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, DJe de 09/08/2022; AgInt no AREsp 1.988.559/MS, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, DJe de 26/08/2022; REsp 1.852.425/MG, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 13/05/2020; AgInt no AREsp 1.010.292/RN, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 03/04/2017; AgInt no AREsp 1.035.517/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 16/06/2017. VI. Inviável, na hipótese, a aplicação do princípio da fungibilidade recursal, por se tratar de erro grosseiro, de vez que, na data da publicação da decisão que negara seguimento ao Recurso Especial, já havia expressa previsão legal para o recurso cabível, ou seja, Agravo interno para o próprio Tribunal de origem, nos termos do art. 1.030, I, b, e § 2º, do CPC/2015, afastando-se, por conseguinte, dúvida objetiva acerca do recurso adequado. Nesse sentido: "Nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC/2015, contra a decisão que inadmite Recurso Especial interposto contra acórdão que esteja em conformidade com a jurisprudência do STF ou do STJ, firmada no regime de julgamento de Recursos Repetitivos, cabe o Agravo Interno. Assim, é manifestamente inadmissível a interposição de Agravo em Recurso Especial em tal hipótese, configurando erro grosseiro que inviabiliza a aplicação do princípio da fungibilidade recursal" (STJ, AgInt no AREsp 2.042.877/MA, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 15/08/2022). No mesmo sentido: STJ, AgInt no AREsp 1.050.294/DF, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 19/06/2017. VII. Agravo interno improvido." (STJ, AgInt no AREsp n. 1.805.218/AM, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 8/11/2022, DJe de 14/11/2022; sem grifos no original). Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo. Publique-se. Intimem-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO PROFERIDA EM CONFORMIDADE COM O ART. 1.030, INCISO I, ALÍNEA A, DO CPC. MANEJO DE AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL PARA O STJ. ERRO GROSSEIRO. PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE. INAPLICABILIDADE. PRECEDENTES. AGRAVO NÃO CONHECIDO.