RHC 205605 - DECISAO
O recurso em habeas corpus não foi conhecido porque funciona como substitutivo de recurso próprio e há supressão de instância, além de a matéria relativa à inépcia da denúncia ter sido considerada preclusa por não ter sido suscitada antes da pronúncia; por fim, foi indeferida liminarmente a impetração com fundamento...
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- Parties
- Paciente: RAFAEL ALVES DE SOUZA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 October 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Recurso Em Habeas Corpus Interposto Ao Superior Tribunal De Justiça, Com Pedido Liminar Indeferido
- Outcome
- Liminar indeferida; recurso em habeas corpus não conhecido por supressão de instância/preclusão
- Legal Topics
- Inépcia Da Denúncia, Pronúncia, Qualificadora (motivo Fútil), Preclusão, Supressão De Instância, Competência Do STJ, Liminar Indeferida
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Parties
RAFAEL ALVES DE SOUZA
Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Recurso Em Habeas Corpus Interposto Ao Superior Tribunal De Justiça, Com Pedido Liminar Indeferido
Legal Issues
- 1 Se é cabível conhecer de habeas corpus que substitui recurso próprio
- 2 Se a inépcia da denúncia foi preclusa por não ter sido suscitada antes da pronúncia
- 3 Se é possível excluir a qualificadora por motivo fútil via habeas corpus
Ratio Decidendi
O recurso em habeas corpus não foi conhecido porque funciona como substitutivo de recurso próprio e há supressão de instância, além de a matéria relativa à inépcia da denúncia ter sido considerada preclusa por não ter sido suscitada antes da pronúncia; por fim, foi indeferida liminarmente a impetração com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do STJ.
Court Disposition
Liminar indeferida; recurso em habeas corpus não conhecido por supressão de instância/preclusão
Orders
- Indeferido liminarmente o recurso em habeas corpus
- Publique-se
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso em habeas corpus, com pedido liminar, interposto por RAFAEL ALVES DE SOUZA, contra acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ no julgamento do Habeas Corpus Criminal n. 0757716-29.2024.8.18.000. Extrai-se dos autos que o recorrente foi pronunciado pela prática do crime tipificado no art. 121, § 2º, II, do Código Penal - CP. Irresignada, a defesa impetrou habeas corpus perante o Tribunal de origem, que não conheceu da impetração, nos termos do acórdão que restou assim ementado (fl. 479): "PROCESSO PENAL - HABEAS CORPUS - HOMICÍDIO QUALIFICADO - INÉPCIA DA DENÚNCIA - PRECLUSÃO - PACIENTE PRONUNCIADO - PLEITO DE EXCLUSÃO DE QUALIFICADORA - REITERAÇÃO DE MATÉRIA APRECIADA EM RECURSO EM SENTIDO ESTRITO - ORDEM NÃO CONHECIDA. 1. A tese de inépcia da denúncia deve ser apresentada antes da decisão de pronúncia, sob pena de preclusão, o que não foi realizado pela defesa do paciente, que se manteve silente acerca da matéria na resposta à acusação e nas alegações finais, só vindo a suscitá-la no presente recurso; 2. Deixa-se de apreciar o pleito de exclusão da qualificadora, por constituir mera reiteração de matéria já abordada nos autos de recurso em sentido estrito; 3. Ordem não conhecida." Nas razões do presente recurso, sustenta a inépcia da denúncia por violação ao princípio da ampla defesa, em razão da ausência de descrição fática da circunstância qualificadora. Alega que a denúncia, as alegações finais do Ministério Público e a pronúncia se limitaram a afirmar a ocorrência do motivo fútil sem descrever, objetivamente, as circunstâncias que caracterizariam a qualificadora. Requer, em liminar e no mérito, o provimento do recurso para que sejam declarados nulos os atos praticados a partir do recebimento da denúncia ou, subsidiariamente, seja excluída a qualificadora do motivo fútil. É o relatório. Decido. Diante da hipótese de habeas corpus substitutivo de recurso próprio, a impetração não deve ser conhecida, segundo orientação jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal e do próprio Superior Tribunal de Justiça. Ademais, a possibilidade de análise da matéria para eventual concessão da ordem de ofício não se mostra adequada ao presente caso. Da atenta leitura do acórdão impugnado verifica-se que o Tribunal de origem não se manifestou expressamente sobre as teses do presente writ, limitando-se a afirmar, quanto à inépcia da denúncia, que a questão deveria ter sido apresentada antes da decisão de pronúncia, o que não foi realizado pela defesa, e, quanto ao pleito de exclusão da qualificadora, tratar-se de reiteração de matéria já abordada nos autos de recurso em sentido estrito. Desse modo, resta afastada a competência desta Corte Superior para conhecimento do feito, sob pena de incorrer em indevida supressão de instância. Nesse sentido: PENAL. PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ILEGALIDADE INEXISTENTE. OMISSÃO DEVE SER QUESTIONADA VIA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. SUPRESSÃO. AINDA QUE NULIDADE ABSOLUTA. DESÍGNIOS AUTONOMOS. ABSORÇÃO. REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO. INVIABILIDADE NA VIA DO WRIT. AUSÊNCIA DE ARGUMENTOS NOVOS APTOS A ALTERAR A DECISÃO AGRAVADA. AGRAVO DESPROVIDO. I - É assente nesta Corte Superior de Justiça que o agravo regimental deve trazer novos argumentos capazes de alterar o entendimento anteriormente firmado, sob pena de ser mantida a decisão agravada por seus próprios fundamentos. II - Ainda que a Defesa alegue que houve o prequestionamento implícito, porquanto ventilou a questão nas peças de defesa, todavia, ante a não manifestação daquela Corte, caberia o manejo dos embargos de declaração, aptos a prequestionar a matéria. III - Ausente manifestação do Tribunal sobre a questão de fundo também ora vindicada, incabível a análise de tal matéria, no presente habeas corpus, porquanto está configurada a absoluta supressão de instância quanto ao ponto debatido, ficando impedida esta Corte de proceder à sua análise. IV - A instância ordinária, diante do conjunto fático-probatório dos autos, concluiu por provas suficientes à condenação pelos 2 (dois) delitos, como sendo autônomos, bem como a defesa não logrou demonstrar o contrário. V - É iterativa a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça no sentido de ser imprópria a via do habeas corpus (e do seu recurso) para a análise de teses de insuficiência probatória, de negativa de autoria ou até mesmo de desclassificação, em razão da necessidade de incursão no acervo fático-probatório. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 823.044/DF, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 18/12/2023, DJe de 20/12/2023.) AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. ROUBO CIRCUNSTANCIADO. WRIT IMPETRADO CONTRA CONDENAÇÃO TRANSITADA EM JULGADO. SUCEDÂNEO DE REVISÃO CRIMINAL. INADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE JULGAMENTO DE MÉRITO NESTA CORTE. INCOMPETÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. TEMAS NÃO DEBATIDOS PELA CORTE DE ORIGEM. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. TEMAS DEBATIDOS EM CONSONÂNCIA COM O ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE FLAGRANTE. 1. Não deve ser conhecido o writ que se volta contra sentença condenatória já transitada em julgado, manejado como substitutivo de revisão criminal, em hipótese na qual não houve inauguração da competência desta Corte Superior. Nos termos do art. 105, I, e, da Constituição Federal, compete ao Superior Tribunal de Justiça processar e julgar, originariamente, as revisões criminais e as ações rescisórias de seus julgados. Precedentes. 2. A Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça "é pacífica no sentido de que, ainda que se trate de matéria de ordem pública, é imprescindível o seu prévio debate na instância de origem para que possa ser examinada por este Tribunal Superior (AgRg no HC 530.904/PR, Rel. Ministro JORGE MUSSI, Quinta Turma, julgado em 24/9/2019, DJe de 10/10/2019) - (AgRg no HC n. 726.326/CE, Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe 28/3/2022). 3. Quanto aos temas efetivamente debatidos pela Corte de origem, verifica-se que não há qualquer ilegalidade flagrante a ser sanada, na medida em que o acórdão objurgado se encontra em consonância com a jurisprudência desta Corte, no sentido de que as condenações alcançadas pelo período depurador de 5 anos, previsto no art. 64, inciso I, do Código Penal, afastam os efeitos da reincidência, mas não impedem a configuração de maus antecedentes, permitindo, assim, o aumento da pena-base; bem como de que para a incidência da causa de aumento relativa ao emprego de arma de fogo, dispensável a apreensão e perícia da arma, desde que o emprego do artefato fique comprovado por outros meios de prova. Precedentes. 3. Agravo regimental improvido. (AgRg no HC n. 842.953/SP, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 6/2/2024, DJe de 8/2/2024.) Ante o exposto, com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, indefiro liminarmente o presente recurso em habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA